Conhecimento das Características das Plantas Forrageiras
Cada forrageira possui características particulares, resultado dos distintos meios nos quais evoluíram durante milhares de anos. Isso faz com que exista grande diversidade de forrageiras no que diz respeito às características morfológicas e fisiológicas, às exigências edáficas e climáticas, que determinam aptidões variáveis tais como resistência à intensidade de pastejo, exigência em fertilidade e textura do solo, condições de clima e manejo, dentre outras. A consideração destas diversas características é essencial quando da idealização e condução de sistemas de produção baseados na utilização das pastagens.
Embora exista muitas opções de recursos forrageiros disponíveis aos pecuaristas, para cada ecossistema e perfil de sistema produtivo, há um número restrito de forrageiras mais propícias. Ademais, em um mesmo ecossistema ou sistema de produção, existem microclimas em que as características do ambiente são diferenciadas ou áreas utilizadas com objetivos distintos. Essa realidade torna ainda mais importante o conhecimento das forrageiras para sua adequada escolha e utilização.
Há forrageiras com diferentes formas de crescimento e essa característica é importante, por exemplo, quando da escolha da espécie para áreas de relevos distintos. Em áreas declivosas torna-se mais adequado a utilização de gramíneas estoloníferas e, ou decumbentes. Em contrapartida, áreas planas podem ser utilizadas com gramíneas cespitosas e de crescimento mais ereto. Esse simples conhecimento pode garantir a sustentabilidade da pastagem por prevenir possíveis problemas de erosão e, consequentemente, degradação.
Pela caracterização morfológica de uma forrageira também se pode inferir sobre sua mais adequada forma de utilização. Assim, gramíneas com alta relação folha:colmo e de colmos finos são as mais indicadas para produção de feno por propiciarem mais rápida desidratação e melhor qualidade do produto; plantas de crescimento ereto com meristema apical mais facilmente eliminado pelo pastejo exigem frequência de corte menor ou altura de corte mais elevada, ao contrário de plantas mais prostradas; e forrageiras de maior porte são menos indicadas para o pastejo de pequenos ruminantes e equídeos.
As características agronômicas também devem ser consideradas. O maior potencial produtivo de uma forrageira a torna mais recomendada aos sistemas de produção mais intensivos, onde se utiliza maior quantidade de adubo com o objetivo de incrementar a produção animal por área. Normalmente, estas forrageiras são mais exigentes em fertilidade de solo, o que restringe e, ou limita sua utilização.
Forrageiras com elevado potencial de produção de sementes garantem maior recuperação natural das plantas, o que pode contribuir para sustentabilidade do pasto em condições de manejo menos adequadas ou após ocorrências climáticas desfavoráveis. A variação fenológica das espécies e, ou cultivares de forrageiras tem influência na oferta e na distribuição, bem como no valor nutritivo da forragem e pode alterar o consumo e desempenho animal, o que faz com que ações de manejo sejam, teoricamente, diferenciadas em função do estádio de crescimento da planta.
A adaptação da forrageira às condições de clima, bem como suas respostas ao clima, é fundamental para o sucesso na produção de forragem durante o ano. Essas informações, somadas ao conhecimento da condição climática da região onde se pretende implantar ou já existe a pastagem, permite a adequada escolha da espécie forrageira e melhor planejamento para utilização do recurso forrageiro. A maioria das gramíneas tropicais possui exigência de temperatura ótima para a fotossíntese em torno de 35°C (Magalhães, 1979). Isso é um dos fatores que explicam a sazonalidade da produção de forragem em condições tropicais. De outra forma, as forrageiras de inverno têm capacidade de crescer em ambientes mais frios, pois sua fotossíntese ótima ocorre numa temperatura em torno de 25°C (Magalhães, 1979). Destarte, o uso destas últimas pode constituir uma das estratégias para reduzir a estacionalidade da produção de forragem no sistema.

A qualidade da forragem também é um dos determinantes do consumo e desempenho animal e, sendo assim, seu conhecimento permite adequar os diferentes tipos de pasto às distintas categorias e, ou espécies animais de forma coerente. Por exemplo, as leguminosas, em geral, possuem melhor valor nutritivo do que as gramíneas e, por isso, a sua utilização deve ser recomendada para ocasiões em que o maior desempenho animal é almejado, tais como em criatórios de animais de alto valor genético. Existem ainda plantas forrageiras que possuem fatores antinutricionais, tais como tanino, mimosina, ácido cianídrico, oxalato, dentre outros. Esse conhecimento pode limitar ou restringir sua utilização e, mais importante, evitar prejuízos ao pecuarista devido aos danos aos animais.
Finalmente, é importante considerar que as demandas por tecnologias não são estáticas. Assim, na medida que novas tendências, diferentes formas de manejo ou distintos sistemas de produção vão sendo desenvolvidos e implementados, torna-se imprescindível novos conhecimentos sobre recursos vegetais mais aptos para serem utilizados nestas novas condições. Como exemplo, temos a crescente demanda de informações sobre implantação e condução de sistemas agrossilvipastoris, que integram conjuntamente a agricultura, a pecuária e a atividade florestal numa mesma área.
Nesses sistemas, a introdução da forrageira deve ser baseada, dentre outros fatores, no conhecimento do seu nível de tolerância ao sombreamento para garantir boa produtividade. Outro exemplo são os sistemas que utilizam a integração agricultura e pecuária com o uso da técnica de plantio direto. Nesse caso, características da planta forrageira, tais como sistema radicular vigoroso capaz de melhorar as propriedades físicas do solo, facilidade de erradicação e, ou dessecação com o uso de herbicidas e elevada produção de biomassa que permita oferta de forragem e boa cobertura do solo, são requeridas para obtenção de êxito na exploração e, portanto, devem ser conhecidas.
Várias outras características e finalidades de uso das forrageiras ainda poderiam ser descritas, as quais juntamente com as citadas, quando devidamente conhecidas, auxiliam sua escolha e adequada utilização. Todavia ressalta-se que, possivelmente, não existe uma única forrageira que reúna todas as características agronômicas e zootécnicas desejáveis para uma determinada condição. Essa realidade faz com que a caracterização das forrageiras seja necessária, como forma de nortear seus usuários e antecipar possíveis padrões de resposta produtiva quando do seu estabelecimento e utilização.
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Fonte
DA FONSECA, Dilermando Miranda; MARTUSCELLO, Janaina Azevedo. Plantas Forrageiras. 1ª ed. Viçosa - MG: UFV, 2010.