Conhecendo o Bicho Mineiro do Café e o Seu Respectivo Controle
Leucoptera coffeella (Guérin-Mèneville & Perrottet, 1842 (Lepidoptera: Lyonetiidae)
Descrição e Biologia
O continente africano é apontado como a região de origem do bicho-mineiro, que daí se disseminou pelo mundo inteiro e está presente em todas as regiões onde o café é cultivado. No Brasil, a presença do bicho-mineiro foi constatada a partir de 1850 (GALLO et al., 2002).
A mariposa é bem pequena, apresentando 6,5 mm de envergadura; as asas são de coloração branco prateada na parte dorsal com uma mancha escura circular de halo amarelo nas extremidades (Figura 6A). Durante o dia, ocultam-se na página inferior das folhas e ao entardecer, abandonam o esconderijo e iniciam suas atividades.
A postura é efetuada na face superior das folhas (MORAES, 1998), e a média por noite é de sete ovos. Em um mesmo local, não costumam colocar mais de um ovo. Assim, diversos pontos de uma mesma folha ou de folhas diferentes são visitados pela fêmea. A eclosão das lagartas leva, em média, de 5 a 21 dias, conforme as condições de temperatura e umidade.
Elas penetram diretamente no mesófilo foliar sem entrar em contato com o meio exterior; alojam-se entre as duas epidermes, causando a destruição do parênquima, formando a “mina”. As regiões destruídas vão secando, e a área atacada aumenta com o desenvolvimento das lagartas e a junção das diversas “minas”. As partes secas são facilmente destacáveis, sendo comum encontrar grande número de lagartas na mesma folha (Figura 6B e 6C).
O período larval tem duração variável e oscila entre 9 e 40 dias. Ao final desse período, as lagartas abandonam o interior das folhas, saindo pela página inferior, onde tecem fio de seda e descem para a “saia” do cafeeiro, onde irão fazer casulo característico em forma de “X” (Figura 6D e 6E).
Nesse local, que oferece ao inseto a umidade adequada, ocorre a transformação em pupa de grande parte das lagartas. O estágio pupal tem a duração de 5 a 26 dias. Após seu término, surgem novas mariposas, cuja longevidade média é de 15 dias.
O ciclo evolutivo varia de 19 a 87 dias, podendose obter de 7 a 9 gerações anuais. O clima exerce grande influência sobre a população do bichomineiro. Temperaturas mais elevadas e períodos de veranico favorecem seu desenvolvimento. Esses fatores fazem com que haja grande variação das infestações da praga de ano para ano e na mesma lavoura (SOUZA; REIS; RIGITANO, 1998).


Prejuízos
Até 1970, o bicho-mineiro era considerado problema apenas no período seco do ano, e os cafeicultores conviviam com o inseto sem grandes problemas. Entretanto, a partir de então, a praga passou a ocorrer indiscriminadamente no período seco e chuvoso. Os insetos chegaram em determinadas áreas de São Paulo, a causar sérios prejuízos e passaram a ser a principal praga do cafeeiro em determinadas regiões.
Seus prejuízos resultam da redução da capacidade fotossintética pela destruição das folhas e, principalmente, por sua queda. Os sintomas são mais visíveis na parte alta da planta, onde se observa grande desfolhamento quando o ataque é intenso. As desfolhas drásticas do cafeeiro causadas por altas infestações da praga podem afetar a frutificação, com má-formação dos botões florais e baixo vingamento dos frutos.
É considerada uma das principais pragas do café robusta no Estado de Rondônia, onde foram constatados 77% das folhas do terço superior infestadas pelo bicho-mineiro (COSTA et al., 2001). Entretanto, o café conilon é considerado moderadamente resistente à praga, e o nível de dano econômico, definido em 30% de folhas minadas com lagartas vivas, para café arábica (REIS et al., 2010), dificilmente é atingido em plantações comerciais de café conilon (MEDINA FILHO; CARVALHO; MONACO, 1977; FERREIRA; MATIELLO; PAULINI, 1979; AVILÉS et al., 1983; PAULINO et al., 1984).
Cafeeiros conduzidos em espaçamentos mais largos têm tendência de maior infestação. Têm-se observado maiores infestações associadas a veranicos acentuados, comuns nos meses de janeiro e fevereiro. O clima quente e seco, característico da região norte do Espírito Santo pode favorecer o aumento da população da praga durante todo o ano acentuando-se nos meses de seca prolongada.
Porém, os adensamentos de lavouras que vêm sendo adotados no Estado favorecem a manutenção de umidade mais elevada e podem desfavorecer o desenvolvimento populacional dessa praga. Entretanto, até agora não foram encontrados relatos de danos econômicos ocasionados pelo bicho-mineiro em café conilon no Brasil.
Métodos de controle
Cultural
Faixas de vegetação entre talhões permitem aumento da população de inimigos naturais, sendo recomendado o manejo racional do mato, utilização de cobertura morta e de culturas intercalares na formação das lavouras de café conilon, entre outras orientações baseadas nos princípios da agroecologia.
A resistência de plantas é método genético de controle de pragas e fator que tem sido observado pelo Incaper na avaliação de materiais genéticos disponíveis de C. canephora para identificação de fontes de resistência que possam ser utilizadas no melhoramento do conilon capixaba.
Biológico
O bicho-mineiro é parasitado por grande número de insetos, entretanto, o uso indiscriminado de inseticidas pode alterar o complexo de parasitoides e predadores e, consequentemente, causar explosões populacionais de L. coffeella.
Os principais parasitoides relatados associados ao bicho-mineiro pertencem às famílias Braconidae [Colastes letifer (Mann), Eubadizon punctatus (Redolfi), Mirax sp.] e Eulophidae [Closteroceus coffeellae (Ihering), Citrospilus sp., Horismenus aeneicollis (Ashemead), Neochrysocharis coffeae (Ihering) e Tetrastichus sp.] (REIS; SOUZA; VENZON, 2002).
Os principais predadores são da família Vespidae [Brachygastra lecheguana (Latreille), Eumenes sp., Polybia occidentalis (Olivier), P. paulista Ihering, P. scutellaris (White), Protonectarina sylveirae (Saussure) e Synoeca surinama (L.)].
Essas espécies de predadores são insetos sociais que destroem as galerias de L. coffeella para se alimentar das suas lagartas. Brachygastra lecheguana é a espécie mais frequente e chega, em determinados locais, a exercer bom controle da praga (SOUZA; REIS; RIGITANO, 1998).

Químico
Para realizar qualquer tipo de tratamento químico para controle do bicho-mineiro é necessário conhecer a infestação da praga e de seus inimigos naturais na área plantada com café.
Amostragem da população:
• A área deve ser dividida em talhões homogêneos de 3 mil a 5 mil plantas e, quinzenalmente, principalmente nos períodos de veranico, a coleta aleatória de cerca de 200 folhas em 20 covas, entre o segundo e o quinto pares de folhas dos terços médio e superior dos cafeeiros;
• Após a coleta, deve-se contar o número total de folhas amostradas e o número de folhas minadas, determinando-se a porcentagem daquelas que foram atacadas, com presença de lagartas vivas. Observar o número de minas predadas e o parasitismo nas amostras.
Pulverização:
As lavouras em formação devem ser monitoradas para identificação de focos iniciais da praga, que devem ser rapidamente combatidos. O controle pode ser realizado utilizando-se diversos inseticidas após a constatação de índice de infestação superior a 25-30% de folhas infestadas com lagartas vivas.
Em viveiros de mudas e em lavouras até dois anos de idade, o controle do bicho-mineiro deve ser iniciado quando do aparecimento dos sintomas de ataque com presença de lagartas vivas, nos focos em que se constatar o desenvolvimento inicial da população da praga.
Sistêmico via solo:
Os inseticidas granulados sistêmicos aplicados via solo possuem eficiência para controle do bicho mineiro; porém, sua utilização foi extremamente reduzida com o surgimento do grupo dos inseticidas neonicotinoides que possuem maior segurança para o aplicador e o meio ambiente e são eficientes para o controle de diversas pragas associadas ao cafeeiro.
A formulação WG desses novos produtos permite a aplicação em drench, via líquida. A utilização de inseticidas via solo de forma preventiva requer perfeito conhecimento do histórico da praga e seus prejuízos aos talhões a serem tratados, a fim de evitar que seu uso se torne antieconômico. A mínima utilização de inseticidas e de forma localizada, auxiliará a preservação da entomofauna benéfica que atua eficientemente no controle natural do bicho mineiro.
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Fonte
FERRÃO, Romário Gava; DA FONSECA, Aymbiré Francisco Almeida; FERRÃO, Maria Amélia Gava; DE MUNER, Lúcio Herzog. Café Conilon. 2ª ed. Vitória – ES: Incaper, 2017.