Conhecendo a Lagarta-dos-cafezais e o Seu Respectivo Controle
No Município de Cacoal, RO, durante seis anos consecutivos, ocorreram ataques da lagarta-dos-cafezais. Em 2001, registrou-se a maior intensidade do ataque, caracterizando um surto, com ocorrência generalizada. Verificou-se a existência de 64 propriedades com 618 hectares atacados pela lagarta-dos-cafezais. O ataque concentrou-se em um raio de aproximadamente 20 km do foco inicial, mas algumas lavouras de café dos municípios vizinhos de Ministro Andreazza e Rolim de Moura também sofreram ataques da praga.
As medidas de controle adotadas que consistiram do controle químico circundando o foco da região afetada em direção ao centro e o envolvimento de produtores para possibilitar a ação de inimigos naturais, principalmente tatus na predação de pupas, permitiram conter a expansão de E. imperialis, com redução significativa da área atacada. O fato motivou preocupação em relação à importância da praga na região (TREVISAN et al., 2004).
Dependendo das condições ecológicas, a lavoura pode ser devastada pela lagarta-dos-cafezais. Essas lagartas são responsáveis pela destruição, principalmente da parte superior da planta (Figura 11). Os danos causados são relevantes em virtude do número de lagartas que pode ocorrer por planta, chegando a 150, e ao tamanho avantajado das mesmas (TREVISAN et al., 2004). Uma lagarta pode consumir 0,30 m2 de área foliar (CROCOMO, 1977).

Características biológicas
A duração média aproximada, em dias, para cada uma das fases do ciclo biológico (Figura 12) é a seguinte: ovo – 12; lagarta – 37; pupa – 35 e adulto – 5 e 7, para macho e fêmea, respectivamente. O ciclo biológico da lagarta-dos-cafezais é em média 90 dias, contado a partir da postura até a morte do adulto. No Sudeste, o período prolonga-se no inverno, quando a pupa entra em diapausa (CROCOMO, 1977; PARRA et al., 1992). Em Rondônia, a diapausa ocorre em dois períodos do ano: chuvoso, de novembro a março, e no período de estiagem, de maio a agosto (TREVISAN et al., 2004). A capacidade de postura das fêmeas é de aproximadamente 198 ovos, decrescendo da primeira à última postura (CROCOMO, 1977).

Em Rondônia, as lagartas atingem até 12 cm de comprimento, com peso de 15 g e coloração variável de verde-alaranjado, amarelo e marrom (TREVISAN, 2004) (Figura 13).

Os adultos são mariposas amarelas com numerosos pontos escuros nas asas, cortadas por duas faixas de cor violácea-escura, apresentando ainda duas manchas circulares da mesma cor. Apresentam dimorfismo sexual, sendo as fêmeas maiores (135 mm de envergadura) e com as asas menos manchadas do que os machos (GALLO et al., 2002).

Infestação
Constatou-se em lavoura em Cacoal, RO, em abril de 2000, que 60% dos ponteiros das plantas de café foram atacados pela lagarta em segundo instar, com média de 150 lagartas por planta. Em maio, foram constatadas 85 lagartas por planta, no quinto (último) instar. A flutuação está relacionada com suas características biológicas, principalmente a diapausa. O primeiro surto ocorre na passagem do período chuvoso para o seco. O segundo ocorre no final do período seco e início do chuvoso. Podem ocorrer picos intermediários de menor intensidade, provavelmente relacionados à ocorrência de chuvas no período de estiagem.
A interrupção da diapausa depende da intensidade das chuvas. As lagartas transformam-se em pupas a diferentes profundidades do solo, como uma estratégia de sobrevivência da espécie, não emergindo em um mesmo período. Por esta razão, ocorrem populações superpostas. Em Rondônia, verificou-se que ocorrem gerações superpostas em períodos intermediários, aos picos principais, com dois surtos ao ano: um nos meses de março a maio e outro de setembro a novembro (TREVISAN et al., 2004).
Além de cafeeiro, esta praga ataca cajueiro, abacateiro, ameixeira-do-japão, amendoeirada-praia, amoreira, araçazeiro, aroeira, aroeira-preta, aroeira-vermelha, bananeira, branquilho-de-assobio, cedro, corticeira, goiabeira, jaqueira, macieira, mamoneira, mangueira, milho, pau-ferro, pereira, roseira, salso-chorão, sarandi e tamarindeiro (SILVA et al., 1968). Em Rondônia, foi observada a ocorrência dessa lagarta em abacateiro, assa peixe, cafeeiro, cafezinho tóxico, goiabeira, jaqueira, mangueira, citros, mandioca e milho.
Controle da lagarta-dos-cafezais
O controle químico da praga deve ser feito mediante pulverizações com inseticidas seletivos, aplicados quando as lagartas ainda são pequenas, pois à medida que crescem o controle torna-se mais difícil. Os resultados com o produto microbiano Bacillus thuringiensis também são positivos, quando aplicado no início do ataque (GALLO et al., 2002).
O controle natural dessa praga é realizado pelos parasitoides Apanteles spp., Macrocentrus ancylivorus Rohwer, 1923, Meteorus sp., M. eaclids Muesebeck, 1958 (Hymenoptera: Braconidae), Horismenus cockerelli Blanchard (Hymenoptera: Eulophidae), Glypta sp. (Hymenoptera: Ichneumonidae) (SILVA et al., 1968; WHITFIELD et al., 2001); Belvosia bicinta Robineau & Desduoyoidy, 1830, B. potens Wideman, 1830 e Pararrhinactia parva Town (Diptera: Tachinidae) (TERÁN, 1974).

Nas lavouras atacadas em Cacoal, RO foram constatados os inimigos naturais: Euphorocera spp., (Diptera: Tachinidae) (Figura 14), Alcaeorrhynchus grandis Dallas (Hemiptera: Pentatomidae) (Figura 15) e outras espécies não identificadas de Pentatomidae e Reduviidae; vespas, formigas, pássaros (anu preto e tesoura) e tatus (TREVISAN et al., 2004).


As lagartas que atacam o cafeeiro são geralmente controladas biologicamente por seus inimigos naturais (parasitoides e predadores) (Figuras 14 e 15), encontrados nos cafezais à procura de seus hospedeiros. O uso indiscriminado de inseticidas, visando controle de pragas, elimina esses inimigos naturais, com consequentes surtos destas e também de outras espécies de lagartas que normalmente não atacam o cafeeiro (REIS; SOUZA, 1986).
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Fonte
MARCOLAN, Alaerto Luiz; CURITIBA, Marcelo. Café na Amazônia. Brasília - DF: Embrapa, 2015.