Pecuária

Conhecendo a Cochonilha do Café e o Seu Respectivo Controle

Daniel Vilar
Especialista
10 min de leitura
Conhecendo a Cochonilha do Café e o Seu Respectivo Controle
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Espécies

  • Cochonilha-verde – Coccus viridis (Green, 1889) (Hemiptera: Coccidae)
  • Cochonilha-parda – Saissetia coffeae (Walker, 1852) (Hemiptera: Coccidae)
  • Cochonilha-de-cadeia – Cerococcus catenarius Fonseca, 1957 (Hemiptera: Cerococcidae)
  • Cochonilha-da-roseta – Planococcus citri (Risso, 1813); P. minor (Maskell, 1897) (Hemiptera: Pseudococcidae)
  • Cochonilha-da-raiz – Dysmicoccus texensis (Tinsley, 1900), D. brevipes (Cockerell, 1893) (Hemiptera: Pseudococcidae)
  • Cochonilha-farinha – Pinnaspis aspidistrae (Signoret, 1869) (Hemiptera: Diaspididae)
  • Cochonilha-de-placa – Praelongorthezia praelonga (Douglas, 1891) (Hemiptera: Ortheziidae)

Descrição e Biologia

Coccus viridis: são insetos de forma oval, achatados, com comprimento de 2 a 3 mm, de coloração verde e que sugam a seiva das plantas. Fixam-se nos ramos novos e nas folhas, mais notadamente na nervura principal. Apresentam intensidade maior de ataque em plantas novas, em viveiros e até o primeiro ano de plantio, quando sua presença é facilmente constatada por estar geralmente associada a formigas. As formas jovens possuem pernas e antenas que, com o tempo, vão se atrofiando, pois vivem em quase completa imobilidade. Embora se reproduzam partenogeneticamente, pode ocorrer também a sexuada, sendo que os dois tipos de reprodução podem acontecer simultaneamente ou de forma isolada. As formas jovens, de estrutura frágil, somente se locomovem nas plantas depois do endurecimento de sua pele. Após sua fixação, o inseto perfura as folhas com o seu aparelho bucal e inicia a sucção da seiva. A sua ocorrência é mais frequente nos meses de novembro a janeiro, nas épocas de chuva e em terrenos sombreados. A postura é constituída de ovos aglomerados, de tamanho reduzido. O período de oviposição é de 50 dias, em média. Uma fêmea põe em torno de dois a três ovos por dia e 150 durante a sua vida. É importante praga em viveiro de mudas.

Saissetia coffeae: são insetos de forma hemisférica medindo aproximadamente 3,5 mm de comprimento por 2 mm de altura e 2 mm de largura. A carapaça é formada pelos resíduos de excreções, de coloração avermelhada a marrom, é cerosa nos adultos. As fêmeas são geralmente lisas e brilhantes, tendo por hábito se localizar em ramos e folhas do cafeeiro. Os ovos são colocados sob a própria carapaça. Após a eclosão, as ninfas se fixam nas plantas e sugam a seiva. Podem apresentar até três gerações anuais.

Cerococcus catenarius: são coccídeos semelhantes à espécie anterior, porém possuem carapaça hemisférica de menor convexidade e lisa. A postura é feita sob a carapaça, de onde eclodem as ninfas formando filas; daí a denominação ‘catenarius’. Essas ninfas se fixam em fendas da casca. Sua capacidade de oviposição é muito elevada e cada fêmea pode colocar até 800 ovos.

Planococcus citri e P. minor: são espécies muito semelhantes e fazem parte de um complexo de cochonilhas conhecidas como cochonilha-da-roseta do café conilon. As fêmeas apresentam

formato ovalado, com comprimento de 3 a 5 mm, as formas jovens possuem coloração rosada; as adultas são castanho-amareladas e têm o corpo recoberto por secreção pulverulenta esbranquiçada. Caracterizam-se por apresentar lateralmente 18 apêndices, de coloração branca pulverulenta de cada lado e mais dois apêndices terminais, maiores do que os laterais. Ao longo da vida, esses coccídeos podem colocar cerca de 400 ovos durante 90 dias. Secretam uma substância lanuginosa branca que serve para proteger os ovos junto ao corpo do inseto. Os ovos são de coloração amarelo-alaranjada e as ninfas surgem após período de 10 a 20 dias da postura. Habitando um pequeno casulo, atingem a fase adulta em cerca de dez dias. Vivem em colônias constituídas por indivíduos em vários estágios de desenvolvimento. Tanto as ninfas quanto os adultos sugam seiva em botões florais e frutos em desenvolvimento (Figura 7). O ciclo evolutivo completo é de 25 dias, em média. São relatadas no café conilon, em diferentes regiões agroecológicas do Estado do Espírito Santo (FORNAZIER et al., 2000g, 2001a; SANTA-CECÍLIA; REIS; SOUZA, 2002; SANTA-CECÍLIA et al., 2005), onde sua constatação se deu na década de 1970, causando perdas de até 100% da produção de café (PAULINI et al., 1977).

Dysmicoccus texensis: São insetos com fêmeas adultas ápteras, corpo ovalado e coloração rosada, recoberto com cerosidade branca finamente granulada, o que lhe confere o aspecto de farinha e cerca de 2,5 mm de comprimento. Possuem 34 apêndices filamentosos ao redor do corpo, com 17 de cada lado, sendo os dois últimos mais longos (SANTA-CECÍLIA et al., 2007). Sua reprodução é partenogenética, podendo gerar até 253 indivíduos durante período de 52 a 87 dias. A temperatura mais favorável ao desenvolvimento populacional é de 20 a 25 ºC e associada à umidade relativa elevada, com até cinco gerações anuais (NAKANO, 1972). As primeiras infestações surgem em pequenas colônias logo abaixo do colo de plantas novas. Com o desenvolvimento da população, o inseto vai se disseminando para as raízes da planta, formam nodosidades denominadas criptas, no interior das quais vivem suas formas jovens e adultas associadas a fungo do gênero Bornetina, que confere um aspecto de placa sobre as raízes (Figura 8).

Dysmicoccus brevipes: conhecida como cochonilhado-abacaxi. Espécie polífaga, menos frequente em cafeeiro, pode ser encontrada nas raízes e também nas rosetas de ramos que tocam o solo. Ninfas de primeiro instar, podem se locomover a grandes distâncias. O período ninfal é de cerca de 40 dias. Fêmeas adultas possuem cor rosada, corpo oval e recoberto por cera branca e podem colocar cerca de 240 ovos (MENEZES, 1973). Essas colônias podem estar associadas a pequenos ninhos de formigas simbióticas. Surtos podem ocasionar problema. Essa espécie não induz à formação de criptas.

Pinnaspis aspidistrae: é uma cochonilha de aspecto pulverulento branco, vivem em grandes colônias e podem recobrir totalmente partes da planta, como galhos e folhas. A fêmea possui forma oval, mede 3 mm de comprimento; enquanto o macho, apenas 1 mm. As ninfas recém-nascidas são de coloração rosa pálida. O folículo (escama) da fêmea apresenta-se marrom-claro e o do macho é de cor amarelo-pálida. A capacidade de oviposição é de cerca de 400 ovos. Eles são colocados em abrigo de natureza lanígera secretado pela fêmea. As formas jovens do inseto surgem de 15 a 20 dias após a postura, atingindo o seu completo desenvolvimento depois de 30 dias, em média. Findo o período larval, as fêmeas já estão aptas à reprodução, acasalando-se com os machos que surgem dos casulos.

Praelongorthezia praelonga: Também conhecida como cochonilha ortézia. A fêmea adulta mede cerca de 2,5 mm e possui o corpo coberto por placas de cera branca, apresentando no dorso duas pequenas áreas esverdeadas sem cera. A cabeça é coberta por duas placas salientes. Na parte posterior do corpo são encontrados diversos bastonetes alongados de cera que se unem para formar o ovissaco onde as fêmeas alojam os ovos e as ninfas recém-eclodidas (Figura 9A). Tanto as fêmeas adultas quanto as ninfas se movimentam na planta. No ano de 1988, foi constatado grande surto, com disseminação da praga na maioria dos municípios da região norte do Espírito Santo (MARTINS et al., 1989; MARTINS; PAULINI; GALVÃO, 1989). Períodos secos e frios, em anos consecutivos de baixa precipitação, favorecem seu desenvolvimento populacional. Em altas infestações, as folhas ficam recobertas de fumagina (Figura 9B) e a praga pode causar a morte da planta (MARTINS et al., 1989; MARTINS; PAULINI; GALVÃO, 1989) (Figura 9C).

Prejuízos

As cochonilhas causam prejuízos diretos pelasucção contínua de seiva, contribuindo para odepauperamento da planta. Prejuízos indiretos também são causados, pois são insetos sugadores de seiva e o excesso de secreção açucarada quecobre as folhas propicia a ocorrência de fumagina. Esse fungo reveste a folhagem em camada preta, prejudicando a fotossíntese e a respiração da planta, principalmente nos viveiros. Além disso, fornecem alimento às formigas que lhes dão proteção, podendo às vezes danificar a raiz do cafeeiro com a construção do formigueiro. As picadas sucessivas nas plantas também podem favorecer a penetração de microrganismos. As cochonilhas-verdes causam retardamento do crescimento das mudas no viveiro e nas recém plantadas. No caso da cochonilha-de-cadeia, além dos prejuízos já citados, pode provocar o secamento dos ponteiros do cafeeiro.

A cochonilha-da-raiz forma nodosidades e suga seiva nas raízes do cafeeiro, causa o definhamento das plantas, amarelecimento e queda quase total das folhas, podendo ser necessário o replantio da área afetada. O reconhecimento é feito escavando-se parte do solo ao redor do colo da planta, de onde surgem colônias dessa cochonilha de coloração branca, quando a infestação é recente ou também devido à formação de criptas em colônias instaladas há muito tempo. Nota-se que as raízes principais se encontram cobertas por envoltório coriáceo, inicialmente de coloração amarelada e, posteriormente, marrom-escura, causado por fungo que se desenvolve às custas da substância açucarada secretada pelas cochonilhas. As raízes apresentam série de nodosidade formada pela sucessão de criptas ou pipocas em cujo interior se aloja o inseto.

As cochonilhas-da-roseta têm aumentado sua importância pelos prejuízos diretos à produtividade do cafeeiro conilon (FORNAZIER et al., 2004). Seu ataque ocorre diretamente aos botões florais e aos frutos em formação e crescimento, ocasionando sua acentuada queda. Provoca o chochamento de frutos mais desenvolvidos (FORNAZIER et al., 2000g, 2001a).

Métodos de controle

Cultural

O controle cultural é feito por meio da observação da infestação da praga nas mudas adquiridas refugando lotes que possam apresentar infestação.

Biológico

Existem diversos inimigos naturais que podem controlar eficientemente os coccídeos. Dentre eles destacam-se larvas de joaninhas dos gêneros Scymnus e Hyperaspis (Coleoptera: Coccinelidae) e larvas de crisopídeos (Neuroptera: Chrysopidae) (FORNAZIER et al., 2006) e os micro-himenópteros parasitoides Leptomastidea abnormis Girault e Leptomastix dactylopii Howard (Hymenoptera: Encyrtidae) (PRADO; SANTA-CECÍLIA; FLOREZI FILHO, 2008).

Químico

Para o controle químico da cochonilha-da-raiz, a aplicação de inseticida neonicotinoide quando da constatação das primeiras infestações, de forma localizada nas “reboleiras” e diretamente no ponto de inserção da planta com o solo, via líquida, mostra-se eficiente (FORNAZIER; LIMA; ROCHA, 2000; SOUZA; RIBEIRO, 2003).

Para as cochonilhas-da-roseta, pesquisas desenvolvidas pelo Incaper (FORNAZIER; MARTINS, 2002, 2003a, 2003b, 2003c, 2003d; FORNAZIER et al., 2005a, 2005b, 2005d; FORNAZIER; FREITAS; De MUNER, 2005; FORNAZIER, 2006) mostraram que é necessária a utilização de alto volume de calda (superior a 1.000 L/ha), uso de produtos químicos adequados e o acompanhamento da infestação para constatação da presença da praga se locomovendo ou instalada nas rosetas. Para controle emergencial, Reis et al. (2010) recomendam a utilização de diferentes produtos químicos, tais como methidathion e clorpyrifos etil, registrados para outras pragas do cafeeiro, por meio de pulverização foliar. Na constatação do aumento das populações, efetuar o controle químico, de preferência por talhão. Em lavouras onde o plantio é realizado com os clones componentes das variedades em linha, recomenda-se o monitoramento da incidência das cochonilhas nos clones evitando a aplicação indiscriminada em toda a área. Não é aconselhável a intervenção química preventiva com produtos aplicados via foliar pela irregularidade do aparecimento da cochonilha nas lavouras. Produtos aplicados via solo têm apresentado variação na eficiência agronômica para controle da praga (FORNAZIER; MARTINS, 2002, 2003a, 2003b, 2003c, 2003d). Produtos químicos aplicados via tronco se mostraram ineficazes para controle dessa cochonilha (FORNAZIER; MARTINS, 2003a).

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Fonte

FERRÃO, Romário Gava; DA FONSECA, Aymbiré Francisco Almeida; FERRÃO, Maria Amélia Gava; DE MUNER, Lúcio Herzog. Café Conilon. 2ª ed. Vitória – ES: Incaper, 2017.

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