Conhecendo a Broca do Café e o Seu Respectivo Controle
A broca-do-café é a principal praga do cafeeiro na Amazônia, em virtude da maioria das lavouras da região pertencer à espécie C. canephora, preferencialmente atacada pelo inseto.
A broca é responsável por grandes perdas na produtividade, principalmente de lavouras formadas por plantas do grupo ‘Conilon’, cultivadas em regiões de baixas altitudes e temperaturas elevadas, que proporcionam condições favoráveis ao seu desenvolvimento (BENASSI; CARVALHO, 1994). O inseto se alimenta e se multiplica em frutos verdes, maduros e secos (Figura 1), provocando tanto danos diretos como indiretos, que, muitas vezes, passam despercebidos, como: perdas de peso no café beneficiado, por causa da destruição parcial ou total das sementes pelas larvas e insetos adultos (Figura 2) (GUHARAY; MONTERREY, 1997); perda da qualidade, pela depreciação do produto na classificação por tipo; queda de frutos novos perfurados; maturação forçada de frutos, provocando queda precoce e apodrecimento em seguida; inviabilidade para produção de sementes de café, pois os frutos brocados são descartados para esse fim; perda de mercado externo, pela não aceitação dos países importadores (SOUZA; REIS, 1997).

Nos frutos pequenos, conhecidos por chumbinho, e mesmo nos maiores com conteúdo muito aquoso, o dano principal consiste na queda prematura dos frutos, com a consequente redução na produção de grãos maduros. Sem dúvida, o maior dano é causado quando as fêmeas colonizam frutos em estádio verdoengo ou maduro. Nesta fase, a fêmea perfura o grão, escava as galerias e oviposita (GUHARAY; MONTERREY,1997).

Características biológicas
Em Rondônia, em condições de laboratório foram observadas as variações de duração de cada fase da broca-do-café: ovo 4 a 10 dias; larva 10 a 16 dias; pupa 5 a 6 dias e ovo-adulto 22 a 32 dias (LAURENTINO; COSTA, 2004). Os ovos são brancos, elípticos, com brilho leitoso e diminutos (0,5 mm a 0,8 mm de comprimento). As larvas medem cerca de 2 mm; são brancas, com a cabeça e as peças bucais pardacentas. As pupas medem em média 1,75 mm; são brancas, com as antenas, asas e peças bucais castanho-claras. Os adultos são de coloração amarelo-palha nos primeiros dias, escurecendo gradativamente, até atingir a cor preta definitiva. As fêmeas medem cerca de 2,0 mm de comprimento e os machos 1,4 mm (MORAES, 1998; SOUZA; REIS, 1997).
A longevidade média das fêmeas é de 156 dias, enquanto que a dos machos varia de 40 a 50 dias. A proporção sexual é 1:10 (um macho para dez fêmeas) (BERGAMIN, 1943).
Infestação
As infestações da broca podem ser influenciadas por diversos fatores, tais como: clima, colheita, sombreamento, espaçamento e altitude (SOUZA; REIS, 1997). Em Rondônia, no auge da colheita do café (maio/2000), foram verificadas altas infestações, que variaram de 33,59% a 40,87%, níveis comprometedores para a produtividade e qualidade do café (COSTA et al., 2002).
A perfuração dos frutos geralmente é feita a partir da região da cicatriz floral ou coroa do fruto (Figura 3), em que a fêmea adulta fecundada, abre uma galeria, transformando-a em uma câmara, onde fará sua postura. Com o surgimento das larvas, 4 a 10 dias após a postura, inicia-se o processo de destruição parcial ou total da semente pela ação da própria larva e de fungos que penetraram na galeria, causando apodrecimento da mesma. Após a fecundação das fêmeas nos frutos, estas os abandonam e vão atacar novos frutos e continuar os seus ciclos reprodutivos.

Amostragem para avaliação da infestação
A forma adequada para acompanhar a infestação da broca e realizar o controle no momento oportuno, é fazer amostragem mensal na lavoura, a partir do mês de novembro. Outra indicação para iniciar a amostragem é quando os frutos estiverem na fase de chumbo e chumbões, período em que as sementes já estão formadas e, portanto, na fase em que a broca perfura o fruto, podendo ovipositar.
Para fazer a amostragem na lavoura deve-se percorrer o talhão em zigzag e colher 100 frutos ao acaso em cada planta escolhida (25 em cada face). O número de plantas a ser amostrado depende do tamanho do talhão (Tabela 1).

Os frutos colhidos de cada talhão ou lavoura constituirão uma única amostra. Em seguida, faz-se a separação dos frutos brocados e não brocados, para a determinação da porcentagem de infestação.
Exemplo para calcular a infestação: considerando uma amostra de 5.000 frutos e que nessa amostra existam 250 frutos brocados, para se obter a porcentagem de infestação é necessário fazer o seguinte cálculo (regra de três):
5.000 frutos -----------------------------> 100%
250 frutos -----------------------------> X
X = 250 x 100/5.000 = 5% de frutos brocados
De forma prática o resultado da infestação será obtido, multiplicando-se o número de frutos brocados por 100 e dividindo-se este resultado pelo número total de frutos da amostra.

Controle biológico natural
Tem sido observada em lavouras de diversos municípios do Estado de Rondônia, a ocorrência do fungo Beauveria bassiana (Balsamo) Vuillemin, infectando a broca na fase adulta. É fácil perceber a presença do fungo, que fecha o orifício feito pela broca, em forma de um tufo branco (Figura 4). Também pode se encontrar broca na fase adulta morta pelo fungo no interior do fruto (Figura 5). Nas lavouras onde este ocorre, recomenda-se não fazer aplicação de agroquímicos a não ser que a infestação da broca ultrapasse 5% de frutos brocados sem infecção de B. bassiana.

Controle químico
O controle deve ser iniciado quando a infestação atingir entre 3% e 5%, devendo-se iniciar nas partes mais atacadas da lavoura. Como o ataque não se distribui uniformemente recomenda-se o controle apenas para os talhões em que a infestação da praga já tenha atingido de 3% a 5%. Dessa forma, evitam-se gastos desnecessários com mão de obra e inseticida, além de diminuir os problemas relacionados ao uso do produto. Mesmo após o controle, o monitoramento deve continuar e, quando a infestação atingir nível de controle, pulverizar novamente, respeitando o período de carência do inseticida usado.
O cafeicultor deverá programar-se para fazer a última pulverização respeitando a carência do produto, ou seja, no intervalo mínimo de dias permitido entre a aplicação do produto e a realização da colheita.
Dos inseticidas registrados para a cultura do café, o Endossulfam – até a sua proibição – era o único princípio ativo reconhecidamente eficaz no controle da broca-do-café. Os inseticidas Fipronil, Clorantraniliprole e Thiametoxan têm se mostrado eficientes para o controle da broca (COSTA et al., 2003; SOUZA et al., 2009), embora não registrados especificamente para esta praga.

Nas condições de cultivo de Rondônia, Fipronil nas doses de 50 e 100 g i.a./ha, apresentaram 0,93% e 1,36% de frutos brocados e eficiência de 86% e 95%, respectivamente, não diferindo do inseticida padrão Endossulfam (Thiodan 350 CE), que apresentou 0,46% de frutos brocados e nível de eficiência de 95% (Tabela 2) (COSTA et al., 2003).

Controle cultural
A redução do ataque da broca pode ser obtida fazendo-se a colheita de forma criteriosa, evitando deixar frutos remanescentes, e um repasse na lavoura, se necessário, para evitar a sobrevivência dessa praga e que passe para os frutos novos da próxima safra. Devem-se destruir os cafezais velhos e abandonados, nos quais a broca encontra abrigo e se multiplica livremente, e também alertar o vizinho para que controle a praga, evitando focos para outras lavouras (FORNAZIER et al., 2007).
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Fonte
MARCOLAN, Alaerto Luiz; ESPINDULA, Marcelo Curitiba. Café na Amazônia. Brasília – DF: EMBRAPA, 2015.