Conheça o Comportamento dos Equinos
O comportamento dos equinos frente às mais diferentes situações exprime sua fisiologia interna, gerando reações imediatas. Como os animais utilizam a linguagem de um modo diferente dos seres humanos, seu pensamento também é processado de forma diferenciada. Em vez de pensarem com palavras, como nós, eles pensam com imagens e, portanto, cada imagem do ambiente em que vivem influencia seu comportamento.
Na natureza, o cavalo é um animal nômade, rotineiro, que vive em grupo, tendo como líder, em situações normais, uma égua mais experiente. Já em situações de perigo, o garanhão toma a iniciativa e, visando proteger o grupo, encara o inimigo ou se esquiva do confronto, liderando a fuga de toda a tropa.
Os equídeos são animais herbívoros, de grande porte e, no convívio com seres humanos, têm como característica principal de defesa a fuga, o que os deixa em constante estado de alerta, fazendo com que se assustem facilmente.
Para facilitar o convívio do animal com as pessoas que irão trabalhar ou lidar com ele, é importante, portanto, que se conheça seus sentidos, proporcionando mais segurança e benefícios nessa convivência. Seus 5 sentidos são:
1. Audição
Os cavalos possuem uma audição privilegiada, que lhes permite, além de ouvir ruídos a distância, distinguir seus diferentes tipos e suas mais diversas direções, fazendo com que movimentem suas orelhas de modo característico. Tal habilidade permite aos animais preverem o perigo mesmo antes do contato visual com ele, além de lhes conferir certa preferência por ruídos mais baixos, justificando sua confiança em tons de voz mais tranquilos e seu receio frente a gritos e barulhos altos.
2. Olfato
Na natureza, os cavalos conseguem perceber odores a aproximadamente 2 km de distância. Quando domesticados, esse sentido fica ligeiramente atenuado, embora ainda seja de fundamental importância tanto para o reconhecimento de outros animais e do ambiente quanto das pessoas com as quais eles convivem diariamente.
3. Visão
Os cavalos possuem excelente visão diurna e noturna, embora sejam susceptíveis a variações bruscas de contraste entre o claro e o escuro. O campo de visão total de um humano atinge valores entre 160 e 200 graus, enquanto o dos cavalos pode ser bem maior, embora menos profundo. Seus olhos estão posicionados nas laterais da cabeça, o que lhes confere um campo de visão de quase 180° em cada olho. Isso significa que, quando estão pastando, podem ver quase tudo à sua volta, com exceção da área logo atrás do traseiro e bem à frente da cabeça.

Nenhum outro mamífero apresenta olhos tão grandes e posicionados um em cada lado da cabeça, o que lhes permite alcançar uma visão independente em cada olho, processando diferentes imagens em seu cérebro. Esses animais podem usar os focos de cada olho de maneira independente (visão monocular) ou também os dois olhos juntos (visão binocular). A visão binocular permite que julguem distâncias e abrange um campo relativamente estreito de visão.
4. Paladar
O paladar permite aos cavalos reconhecer os sabores, além de sentir a textura dos alimentos ingeridos. Sua língua é capaz de diferenciar os sabores ácido, amargo, salgado e doce. Notadamente, os equídeos preferem os alimentos doces, mas os salgados são importantes dada a sua necessidade fisiológica, graças à perda d’água e de sais minerais por meio de intensa sudorese (suor).
5. Tato
O tato é muito apurado nos cavalos, sendo o toque a forma mais direta de comunicação entre eles e as pessoas. Esse sentido é muito utilizado pelos equinos em suas atividades diárias e é importante para seu bem-estar e para sua comunicação com outros animais e com o ambiente onde habitam.
O tato dos equídeos acontece pela percepção cutânea e pela sensibilidade dos cascos e das vibrissas (bigodes).
• Percepção cutânea: é fundamental no contato entre o ser humano e os equídeos. Os cavalos possuem um músculo cutâneo, embaixo da pele, que recobre grande parte de seu corpo. Esse músculo está envolvido tanto na manutenção da temperatura superficial do corpo quanto na remoção de partículas aderidas à pele quando eles se espojam (ato de rolar) ou se deitam. Atua como mecanismo de defesa contra moscas, quando fora do alcance da cauda e da boca, explicando a alta sensibilidade dos animais ao toque e a denominação “animais cosquentos”, termo muito comum no meio equestre.
• Cascos: os cascos dos equinos são constituídos por um tecido córneo, semelhante ao cabelo e às unhas, que possui inúmeros vasos sanguíneos e ramificações mais finas dos nervos, o que proporciona a algumas partes externas (ranilha e lâmina córnea) alta sensibilidade tátil para perceber a aproximação de pessoas ou de outros animais.
A sensibilidade percebida pelos cascos faz com que os equinos sintam o terreno e evitem buracos e outros obstáculos, conseguindo se deslocar bem em lugares acidentados.
• Vibrissas: são pelos táteis presentes no focinho dos equinos utilizados para perceber a proximidade de objetos, tais como um cocho com alimento, uma vez que a visão da área na ponta do focinho é reduzida.

Os cavalos costumam demonstrar seus sentimentos e suas emoções por meio do movimento das orelhas, uma de suas principais características:
Atenção: orelhas voltadas para a direção do que lhes atrai a atenção no momento.

Desconfiança com receio: orelhas levemente abaixadas para trás.

Raiva: orelhas muito baixas, ou “murchas”, encostando levemente no pescoço, feição expressando descontentamento e pescoço esticado.

Insatisfação: orelhas desatentas e caídas.

Alerta: orelhas retas e posicionadas para a frente.

Outra particularidade dos cavalos é o ato de bocejar e realizar movimentos de mastigação sem estarem com qualquer alimento na boca. Tal comportamento indica relaxamento e confiança na pessoa que lida com eles.
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Fonte
Serviço Nacional de Aprendizagem Rural. Equideocultura: manejo e alimentação. Brasília - DF: Senar, 2018. (Coleção SENAR, 185).