Conheça as Principais Espécies de Brachiaria
Brachiaria Brizantha – Cultivar Marandu

Descrição
Cultivar de braquiária proveniente do Zimbábue, África. O capim Marandu, também conhecido como braquiarão, foi lançado pela Embrapa em 1984, sendo, atualmente, a forrageira mais cultivada no Brasil.
Apresenta crescimento cespitoso, alcançando até 1,5 m de altura, folhas com poucos pelos e inflorescência com quatro a seis rácemos. Adaptada a solos de média a alta fertilidade.
A cultivar se destaca pelo elevado potencial de produção de forragem e resistência às principais espécies de cigarrinha-das-pastagens. Pode ser utilizada sob lotação rotacionada ou sob lotação contínua.
O ganho de peso varia de 590 a 850 g/animal/dia no período chuvoso e de 110 a 400 g/animal/dia no período seco do ano. A taxa de lotação varia em função da adubação utilizada, podendo alcançar até 6 UA/ha.
Em ensaio sob lotação rotacionada na Embrapa Gado de Leite observou-se, durante o período chuvoso, taxa de lotação de 6,3 vacas/ha com produção média de 12,4 L/vaca/dia com 2 kg de concentrado/vaca/dia.
Plantio e Manejo
O capim Marandu pode ser cultivado em praticamente todo o país, em regiões com bom regime de chuvas. Possui baixa adaptação a solos mal drenados.
A semeadura recomendada é de, no mínimo, 4 kg de SPV/ha (sementes puras viáveis por hectare), semeadas de 3 a 6 cm de profundidade, seguida de compactação leve.
O plantio deve ser realizado durante a estação chuvosa; entre outubro e fevereiro, para as regiões Sudeste e Centro-Oeste.
Sob lotação contínua, recomenda-se manter a altura do pasto em 30 cm. Sob lotação rotacionada, são indicadas as alturas de 35-40 cm para entrada dos animais nos piquetes e saída quando o resíduo atingir 20 cm.

Vantagens
- Alta produção de forragem;
- Adequado para uso como pasto vedado (diferimento);
- Apresenta boa cobertura do solo;
- Tolerância às principais espécies de cigarrinhas.
Restrições
- Não recomendada para solos de baixa fertilidade e com drenagem deficiente;
- Apresenta susceptibilidade à cigarrinha-da-cana (Mahanarva fimbriolata).
Brachiaria Brizantha – Cultivar Xaraés

Descrição
Cultivar de braquiária proveniente do Burundi, África. O capim Xaraés foi lançado pela Embrapa em 2003. É uma planta cespitosa, que pode alcançar até 2 m de altura e florescimento tardio. As folhas são lanceoladas e longas, coloração verde escuras e com poucos pelos.
É indicada para regiões de clima tropical úmido e solos de média a alta fertilidade. Apresenta alta produção de folhas e proporciona maior produtividade animal por área quando comparada com a cultivar Marandu.
O ganho de peso médio foi de 680 e 310 g/novilho.dia, respectivamente, no período chuvoso e seco do ano. A taxa de lotação varia em função da adubação utilizada, podendo alcançar até 7 UA/ha.
Plantio e Manejo
Pode ser cultivada em praticamente todo o país, em regiões com bom regime de chuvas (acima de 800 mm). A semeadura recomendada é de, no mínimo, 4,5 kg de SPV/ha, distribuídas de 3 a 6 cm de profundidade seguida de leve compactação.
O plantio deve ser realizado durante a estação chuvosa; de outubro até fevereiro para as regiões Sudeste e Centro-Oeste.
O manejo sob lotação rotacionada deve observar as seguintes alturas do pasto: entrada dos animais nos piquetes com 40 cm e saída com 20 cm.
Vantagens
- Alta produção de forragem;
- Maior capacidade de suporte que o capim Marandu;
- Rápida rebrota após pastejo;
- Florescimento tardio, prolongando o período de pastejo.
Restrições
- Não recomendada para áreas com histórico de ataque de cigarrinha.

Brachiaria Brizantha – Cultivar BRS Piatã

Descrição
A cultivar BRS Piatã foi lançada pela Embrapa em 2006. É uma gramínea vigorosa e de porte médio (até 1,1 m de altura). Apresenta folhas sem pelos, porem ásperas na face superior e de borda cortante. Possui porte ereto, colmos finos e ramificados.
O florescimento é precoce (janeiro-fevereiro) nas condições do Centro-Oeste brasileiro. Essa gramínea é medianamente exigente em fertilidade do solo. Apresenta boa produção de forragem, com elevada proporção de folhas e bom valor nutritivo.
Os ganhos de peso de bovinos no capim Piatã são semelhantes aos obtidos em pastagens de capim Marandu, porém maiores que os obtidos com capim Xaraés. As taxas de lotação em pastagens do capim Piatã adubadas variam de 3 a 5 UA/ha na época chuvosa e de 1,2 a 1,8 UA/ha na época seca do ano.
Obtiveram-se ganhos de peso de novilhos entre 660 e 900 g/animal/dia, durante o período chuvoso e de 200 a 350 g/animal/dia na seca. Os ganhos por área variaram entre 580 e 720 kg/há/ano.
Plantio e Manejo
Essa forrageira pode ser plantada em sistema convencional, com preparo do solo, em plantio direto ou sistema de integração lavoura-pecuária. Para boa formação são necessárias pelo menos 4 kg de SPV/ha.
O plantio deve ser feito entre 2 e 5 cm de profundidade, a lanço ou usando plantadeira, seguido de gradagem niveladora.
Em pastejo contínuo, a altura da pastagem deve ser mantida entre 25 e 35 cm e, enquanto na lotação rotacionada, a altura de entrada dos animais no piquete deve ser de 30-35 cm e de saída, de 15-20 cm.
Vantagens
- Forragem de bom valor nutritivo;
- Elevada proporção de folhas e colmos finos;
- Boa alternativa para sistemas de integração lavoura- pecuária.
Restrições
- Média exigência quanto à fertilidade do solo;
- Não é resistente à cigarrinha-da-cana (Mahanarva fimbriolata).
Brachiaria Brizantha – Cultivar BRS Paiaguás

Descrição
A cultivar BRS Paiaguás é uma opção para diversificação de pastagens em solos de média fertilidade. Apresenta boa produtividade e alta proporção de folhas. Apresenta maior potencial para produção animal na época seca do ano, quando comparada ao capim Piatã.
Foram observados ganhos de peso de 650 g/novilho/dia, na época chuvosa e 280 g/novilho/dia na seca, e taxas de lotação de 3,4 e 1,5 UA/ha, respectivamente nestes períodos.
Essa cultivar sofre danos intermediários com a cigarrinha-das-pastagens Notozulia entreriana e dano severo com a Mahanarva fimbriolata. Por esse motivo, seu cultivo deve ser evitado em áreas com histórico de ataque dessas pragas.
Plantio e Manejo
Essa forrageira pode ser plantada em sistema convencional, com preparo do solo, em plantio direto ou sistema de integração lavoura-pecuária. Para boa formação, são necessários entre 3,5 e 5 kg de SPV/ha.
As sementes devem ser enterradas entre 3 e 6 cm de profundidade, usando plantadeira ou fazendo o plantio a lanço, seguido de gradagem niveladora.
Em pastejo contínuo, a altura da pastagem deve ser mantida em 30 cm, enquanto na lotação rotacionada, a altura de entrada dos animais no piquete deve ser de 30-35 cm e, de saída, de 15-20 cm.
Vantagens
- Forragem de bom valor nutritivo;
- Maior produção de forragem na época seca do ano, quando comparada à Piatã;
- Boa alternativa para sistemas de integração lavoura-pecuária.
Restrições
- Média exigência quanto à fertilidade do solo;
- Não é resistente à cigarrinha-da-cana (Mahanarva fimbriolata).

Brachiaria Humidicola – Cultivar BRS Tupi

Descrição
Resultado de seleção massal em populações coletadas em Burundi, África, a BRS Tupi surge como mais uma opção para áreas úmidas de baixa a média fertilidade. Destaca-se por sua produtividade, vigor, rapidez de estabelecimento e boa distribuição da produção ao longo do ano.
É uma planta fortemente estolonífera e desenvolve formando touceiras. Apresenta porte mediano (50 a 75 cm), florescimento mais precoce (primavera/verão), perfilhamento mais intenso e denso e lâminas foliares mais longas e estreitas do que a B. humidicola comum.
A BRS Tupi também apresenta desempenho superior, sobretudo no período da seca, quando, em experimento, sustentou lotação mais alta e garantiu produção de 80 kg de peso vivo/ha, em comparação aos 62 kg de peso vivo obtidos com a cultivar comum.
Plantio e Manejo
Deve ser semeada durante o período de chuvas, de outubro a fevereiro. Para um bom estabeleci mento, recomenda-se uma taxa de semeadura de 4-5 kg/ha de sementes puras viáveis (SPV), a profundidade entre 3 e 5 cm.
Deve ser manejada sob lotação contínua, mantendo-se uma altura média do pasto de 10-15 cm. Apresenta tendência ao acamamento quando manejada sob pastejo leve, pois cresce rapidamente.
Contudo, um pastejo mais intenso na primavera pode evitar o problema, facilitando o manejo durante o período chuvoso.
Vantagens
- Maior resistência às cigarrinhas-das-pastagens comparada a cultivar comum;
- Opção forrageira para áreas sujeitas a alagamentos temporários.
Restrições
- Estabelecimento lento;
- Florescimento precoce;
- Tendência ao acamamento quando manejada com baixa taxa de lotação.
Brachiaria Decumbens – Cultivar Basilisk

Descrição
A cultivar Basilisk foi introduzida no Brasil no início da década de 1960. Apresenta crescimento decumbente, folhas pilosas e pode alcançar até 1 m de altura.
Esta forrageira teve rápida expansão nos trópicos nas décadas de 1960 e 1970, devido à sua boa adaptação a solos ácidos e pobres, fácil multiplicação por sementes e bom desempenho animal, em comparação às pastagens nativas.
Embora seja uma opção para cultivo em regiões de topografia montanhosa e de solos pobres, essa cultivar é altamente suscetível às cigarrinhas-das-pastagens, bem como pode provocar fotossensibilização, especialmente em bezerros desmamados.
Apresenta período de florescimento prolongado, com maior concentração nos meses de janeiro e fevereiro.
Plantio e Manejo
Para boa formação são necessários entre 3 e 4 kg de semente puras viáveis por hectare. Recomenda-se o plantio entre 2 e 5 cm de profundidade, usando plantadeira ou fazendo o plantio a lanço, seguido de gradagem niveladora.
Pode ser utilizada sob lotação continua ou rotacionada. Para lotação contínua, procurar manter a vegetação entre 20-30 cm de altura.
Para lotação rotacionada, a entrada dos animais deve ser com a gramínea com 30-35 cm de altura e a saída com 15-20 cm.
Vantagens
- Tolerância a solos ácidos e de baixa fertilidade;
- Opção para áreas com topografia montanhosa.
Restrições
- Suscetível às cigarrinhas-das-pastagens;
- Pode causar problemas de fotossensibilização aos animais.
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Fonte
PEREIRA, Antonio Vander; PACIULLO, Domingos Sávio Campos; GOMIDE, Carlos Augusto de Miranda; LÉDO, Francisco José da Silva. Catálogo de Forrageiras Recomendadas pela Embrapa. Brasília - DF: Embrapa, 2016.