Condições Ideais do Solo para o Cultivo da Pimenta-do-reino
Topografia
O cultivo da pimenteira-do-reino deve ser estabelecido, preferencialmente, em terrenos planos e suave ondulados, com declives inferiores a 8%, condições que facilitam o manejo da cultura, as práticas culturais, a colheita e a conservação do solo.
Nos terrenos moderadamente ondulados, com declives de 8% a 13% e de 13% a 20%, há restrições; enquanto naqueles com declividades acima de 20% não se deve instalar o cultivo. Em áreas com declives na faixa entre 8% a 20% há necessidade de aplicação de práticas de controle da erosão.
Nas regiões produtoras de pimenteira-do-reino no Brasil, são utilizadas as áreas de terra firme, porque as áreas de várzeas são inundáveis, tornando-se inadequadas, mesmo com uso de práticas de drenagem.
Profundidade
A pimenteira-do-reino necessita de solos profundos, sem quaisquer impedimentos físicos, químicos e ou biológicos. Solos de baixas profundidades, muito comuns no litoral do Sudeste e do Nordeste (tabuleiros costeiros) requerem cuidadosas práticas de manejo. Em solos com compacidades, o desenvolvimento das plantas é limitado.
Compacidade é o arranjamento ou agrupamento cerrado das partículas que um solo pode apresentar. Num perfil de solo, tanto em função de processos pedogenéticos quanto em função do manejo empregado, podem aparecer camadas com graus diferentes de arranjamento cerrado, ou seja, com graus diferentes de compacidade.
Neste texto, separa-se com denominações distintas compacidades de naturezas diferentes. Para compacidade devida a processos pedogenéticos adota-se a denominação de “camadas adensadas”; para compacidade devida ao manejo do solo reserva-se a denominação “camadas compactadas”.
As camadas adensadas e as camadas compactadas produzem, basicamente, duas condições desfavoráveis ao desenvolvimento das plantas:
a) um impedimento físico ao desenvolvimento do sistema radicular;
b) restrição do movimento da água e do ar ao longo do perfil, com a consequente diminuição da aeração e da capacidade do solo de armazenar água disponível.
As principais características das camadas adensadas e das camadas compactadas encontram-se descritas por Winters e Simonson.
Aeração
A disponibilidade adequada de oxigênio é de fundamental importância para o bom desenvolvimento do sistema radicular da pimenteira-do-reino. A falta de oxigênio provoca a morte das raízes por asfixia. Uma má aeração do solo pode ser causada pelo seu adensamento, pela sua compactação ou pelo seu encharcamento.
Os excessos contínuos de umidade no solo promovem perdas irreparáveis no sistema radicular, com reflexos negativos na produção da cultura. Por isso, os solos cultivados com pimenteira-do-reino devem apresentar boas propriedades físicas, tais como profundidade, porosidade, boa drenagem interna, para que os excessos de umidade sejam drenados rapidamente.
Tipos de Solos
A pimenteira-do-reino se adapta em diversos tipos de solos, e neste particular, a maioria dos solos de grande parte do Brasil se presta ao seu cultivo com a obtenção de bons resultados, tendo em vista que, sem considerar os aspectos nutricionais da planta, a sua maior exigência diz respeito às propriedades físicas dos solos, consideradas como razoáveis e boas para a maioria destes.
Entre as classes de solos que reúnem condições edáficas e qualidades para o cultivo da pimenteira-do-reino estão os Latossolos e os Argissolos, que são predominantes. Entretanto, outros solos apresentam potencial para o cultivo desta especiaria.
Na Tabela 03 se encontra um resumo das classes de solos com descrição das qualidades, das limitações e das práticas de manejo recomendadas.

Escolha do solo
Na escolha dos solos para o cultivo da pimenteira-do-reino, o conhecimento de suas características físicas, químicas e biológicas são de primordial importância para o empreendimento ter sucesso.
Alguns aspectos importantes relativos à capacidade de uso da terra para o cultivo da pimenteira-do-reino, são apresentados na Tabela 04, a seguir.

Em resumo, a pimenteira-do-reino exige, para o seu cultivo, solos com boas características físicas, sem problemas de encharcamento e ricos em matéria orgânica. Apesar da exigência em nutrientes, para uma boa produção, estes podem ser fornecidos em adubações assim como a matéria orgânica.
Solos muito argilosos devem ser evitados, devido à sua baixa capacidade de infiltração de água, que pode levar ao encharcamento, acarretando a morte de raízes e facilitando a entrada de fungos causadores de doenças, principalmente dos gêneros Fusarium e Phytophthora.
Se você tem interesse em saber mais sobre a Cultura da Pimenta-do-reino, te convido a conhecer a plataforma da AgricOnline. Ao fazer a sua assinatura, você tem acesso ilimitado a todos os cursos da plataforma. São cursos que vão desde produção vegetal, produção animal, mercado e carreira.
Ao término de cada curso, você tem direito ao certificado com a carga horária de cada curso, clique no link para conhecer.

Ou clique no link:
https://go.agriconline.com.br/pass/?sck=portal
Fonte
DIAS, Ailton Geraldo. O Cultivo da Pimenta-do-reino. 1ª ed. Rio Verde - GO: Sementes Vitoria, 2014.