Pecuária

Componentes do Sistema de Irrigação por Gotejamento

Daniel Vilar
Especialista
5 min de leitura
Componentes do Sistema de Irrigação por Gotejamento
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Basicamente, o sistema de gotejamento compreende os gotejadores, tubulações, cabeçal de controle e conjunto motobomba.

O cabeçal de controle prepara a água que será distribuída no sistema, no qual são instalados o sistema de filtragem, que visa reduzir o entupimento dos emissores, os manômetros e as válvulas de controle de pressão, que permitem maior controle da lâmina de irrigação.

Além disso, no cabeçal de controle podem ser inseridos os sistemas de injeção de fertilizantes e de automação.

O conjunto motobomba exerce o importante papel de impulsionar água no sistema com pressão e vazão adequadas. Normalmente, são utilizadas bombas centrífugas, de eixo horizontal, com motores elétricos ou à combustão interna.

Assim, resumidamente, os principais componentes do sistema de irrigação por gotejamento são:

  • Emissores (gotejadores).
  • Linhas laterais (tubos de polietileno que suportam os emissores).
  • Linha principal e ramais de derivação (tubulação em geral de PVC 35, 50, 75 ou 100mm).
  • Filtragem (filtros separadores: de tela, de disco ou de areia).
  • Automação (controladores, solenóides e válvulas).
  • Válvulas de segurança (controladora de bomba, ventosa, antivácuo).
  • Fertirrigação (reservatórios, injetores, agitadores).
  • Bombeamento (motor, bomba, transformador etc.).

Gotejadores

Os gotejadores podem ser do tipo “online”, que são os gotejadores acoplados à tubulação de polietileno após perfuração da mesma, o que facilita o posicionamento do emissor sob a copa da planta.

Além disso, existem gotejadores denominados “inline”, que já vêm inseridos na tubulação de polietileno, o que possibilita a formação de uma faixa molhada.

Qualquer que seja o tipo, eles podem ser normais ou autorreguláveis (ou autocompensantes: gotejadores cuja vazão varia muito pouco se a pressão variar).

A equação que descreve a vazão dos gotejadores pode ser escrita como:

q = K x hx

onde q é a vazão em l/h-1 (litros por hora), K e x são constantes do gotejador e h é a pressão (mca, metros de coluna d´água). Geralmente, a pressão de funcionamento do sistema de gotejamento varia de 5 a 15 mca e a vazão de 2 a 20 litros por hora.

Filtros

A filtragem da água de irrigação constitui medida eficaz para a redução de bloqueios físicos dos emissores, principalmente o sistema de irrigação por gotejamento. Para tanto, a escolha dos filtros deve ser realizada de acordo com o tipo de emissor e a qualidade da água, garantindo, assim, a prevenção de bloqueios dos emissores.

A filtragem é realizada de modo que a água tenha de passar por orifícios tão pequenos que as impurezas possam ser retidas. Em geral, esses orifícios têm tamanho de 1/6 a 1/10 da menor passagem existente dentro dos emissores.

Os filtros podem ser centrifugadores, de tela, de disco ou de areia. Filtros centrifugadores - são filtros que separam partículas por mecanismos de força centrífuga.

São muito utilizados para remover partículas de areia presentes em águas subterrâneas.

Filtros de tela - a tela pode ser de material plástico ou metálico. A velocidade de filtragem é da ordem de 0,15 m s-1. Os tamanhos vão desde pequenos filtros plásticos de ¾ de polegada até filtros metálicos automáticos de grande porte. A limpeza dos filtros de tela pode ser manual ou automatizada. Toda vez que a diferença entre a pressão de entrada e a pressão de saída superar um valor pré determinado, em geral 5 a 8 mca, ocorre a lavagem automática do filtro, que pode ser auxiliada por escovas, dispositivos de sucção etc. Essa retrolavagem também pode ser feita manualmente, através da simples abertura do registro.

Filtros de disco - nestes filtros a água é forçada a passar entre discos plásticos com ranhuras.

Filtros de areia - funcionam retendo impurezas num meio poroso. Normalmente, a água é forçada a passar entre partículas de areia de 0,8 a 1,5 mm.  Partículas de areia de 1,5 mm equivalem a 100 a 130 mesh, de 1,20 mm (130 a 140 mesh), de 0,78 mm (140 a 180 mesh), de 0,70 mm (150 a 200 mesh) e 0,47 mm (200 a 250 mesh). As partículas são, em geral, arestadas para reter com mais eficiência filamentos orgânicos. As partículas não têm exatamente o mesmo diâmetro. Por isso, são preparadas de modo que tenham coeficiente de uniformidade 1,2 a 1,5 (o diâmetro do orifício que deixa passar 60% das partículas é 50% maior que o diâmetro que deixa passar 10%).

A velocidade da filtragem dos filtros de areia é tal que cada metro quadrado de seção transversal do meio poroso filtra, aproximadamente, 50 m³ h-1. A espessura do leito filtrante é da ordem de 40 a 50 cm.

Em geral, emprega-se mais de um tanque para possibilitar a retrolavagem. Neste caso, enquanto um tanque filtra a água, no outro a água passa no sentido inverso para expandir em cerca de 30% a areia, afastando os grânulos um do outro, possibilitando a saída das impurezas retidas.

A areia dos filtros é trocada somente após vários anos de funcionamento (5 a 10 anos), bastando apenas completar anualmente, pois alguns grânulos podem escapar juntamente com a água da retrolavagem.

Este processo dura de 1 a 4 minutos, dependendo da quantidade de impurezas retidas. Para escolha do filtro a ser utilizado, é necessário conhecer o teor de sedimentos inorgânicos e orgânicos da água a ser filtrada.

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Fonte

ESTEVES, Bárbara dos Santos; DA SILVA, Dione Galvão; PAES, Herval Martinho Ferreira; DE SOUSA, Elias Fernandes. Irrigação por gotejamento. Niterói – RJ: Programa Rio Rural, 2012. (Programa Rio Rural. Manual Técnico, 32).

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