Competição Entre Plantas Daninhas e a Pastagem
A palavra competição é oriunda do latim “competere”, que significa solicitar ou lutar por alguma coisa que outro também esteja requisitando. Clements et al. (1929) definiram que, a competição começa quando o suprimento de um fator essencial de crescimento está abaixo das exigências combinadas das plantas em convivência.
Christoffoleti e Victoria Filho (2001), afirmaram que a competição ocorre quando dois ou mais organismos necessitam de um mesmo fator essencial de crescimento, que se encontra em quantidade limitada para todos os indivíduos.
Esta definição diferencia competição do termo mais amplo denominado “interferência” que inclui, além da própria competição, a alelopatia, a interferência biótica e as modificações ambientais.
Fatores que regulam a competição:
O grau de competição está diretamente relacionado com os fatores inerentes à comunidade infestante, ou seja, às espécies presentes, às respectivas densidades populacionais, à distribuição na área, à duração da competição e aos fatores ligados à planta cultivada, através do espaçamento, densidade de plantio e da própria espécie e/ou cultivar plantada.
Todos estes fatores são modificados pelo tipo de solo (condições edáficas) e pelas condições climáticas. A presença de plantas daninhas em um ambiente quase sempre resulta em “interferência”, que foi definida por Pitelli e Karan (1988) como sendo a soma das ações aplicadas à cultura ou à atividade humana.
Pitelli e Durigan (1984), citados por Gazziero et al. (2001), propuseram uma terminologia para definir períodos de controle e de convivência entre invasoras e as culturas. O “Período Total de Prevenção e Interferência” compreende o período a partir da semeadura até o “fechamento” ou cobertura do solo pela cultura, quando a mesma passa a exercer controle cultural eficiente.
O “Período de Pré-Interferência” se refere ao período a partir da semeadura, quando a cultura ainda não é afetada negativamente pela competição, até imediatamente antes da interferência ser iniciada. Já, o “Período Crítico de Prevenção da Interferência” ocorre a partir do início da interferência negativa da comunidade infestante até a cobertura do solo.
Na formação de pastagens esses períodos são muito variáveis, em função das diferentes características das forrageiras. A utilização de sementes de boa qualidade, a semeadura ou plantio uniforme e na época recomendada, e a adubação adequada, dentre outros fatores, proporcionam melhor desenvolvimento inicial das plantas, permitindo que se reduza o período total de interferência e, consequentemente, proporcionando maior eficácia no controle das invasoras.

- Competição por nutrientes:
Dentre os nutrientes, o nitrogênio, o fósforo e o potássio são os mais importantes para o processo de competição. Como exemplo, uma planta de mostarda-brava (Brassica campestris) necessita duas vezes mais nitrogênio e fósforo e quatro vezes mais potássio que uma planta de aveia cultivada; a planta daninha caruru (Amaranthus spp.) pode armazenar o nitrogênio em seus tecidos na forma de nitrato, beneficiando-se durante os períodos de escassez do nutriente e, principalmente, durante os períodos de maior competição.
- Competição por água:
A água é o principal fator limitante da produção das culturas. As plantas daninhas usam mais ou menos a mesma quantidade de água que as culturas, porém elas possuem sistema radicular bastante desenvolvido e, portanto, são mais eficientes na absorção de água.
O sistema radicular das plantas cresce muito mais rapidamente que a parte aérea. Sendo assim, a competição por água e nutrientes sempre começa antes da competição por luz. Na Tabela 2 são apresentados os dados de necessidade de água de algumas plantas daninhas e cultivadas.
- Competição por luz:
O terceiro fator essencial de crescimento pelo qual as plantas competem é a luz, fator cujo suprimento em uma determinada área é perfeitamente previsível. No entanto, em contraste com a água e os nutrientes, a luz não pode ser acumulada para posterior uso; ela tem que ser consumida quando recebida.
O efeito do sombreamento independe da competição direta por água e nutrientes, é inteiramente sob influência da luz. Ghafar e Watson (1983) verificaram que a densidade de tiriricão (Cyperus esculentus) decrescia à medida que aumentava a densidade e o sombreamento do milho, chegando a reduzir a produção de tubérculos da planta daninha em até 70%.
Shetty et al. (1982), constataram que o sombreamento pode reduzir em 30% a produção de tubérculos de tiririca (Cyperus rotundus). Com o manejo inadequado das pastagens, a redução do sombreamento no solo traz como consequência uma rápida infestação por invasoras.

Se você tem interesse em saber mais sobre o Cultivo de Pastagem, te convido a conhecer a plataforma da AgricOnline. Ao fazer a sua assinatura, você tem acesso ilimitado a todos os cursos da plataforma. São cursos que vão desde produção vegetal, produção animal, mercado e carreira.
Ao término de cada curso, você tem direito ao certificado com a carga horária de cada curso, clique no link para conhecer.

Ou clique no link:
https://go.agriconline.com.br/pass/?sck=portal
Fonte
PEREIRA, Francisco de Assis Rolim; VERZIGNASSI, Jaqueline Rosemeire; ARIAS, Edison Rubens Arrabal; DE CARVALHO, Fernando Tadeu; E SILVA, Alexandre de Paula. Controle de plantas daninhas em pastagens. 1º ed. Campo Grande - MS: Embrapa Gado de Corte, 2011.