Pecuária

China reconhece Brasil livre de aftosa

A decisão também fortalece a imagem sanitária da pecuária brasileira no cenário internacional.

Gustavo Loose
Especialista
4 min de leitura
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O mercado pecuário brasileiro recebeu uma notícia estratégica nesta semana. A Administração Geral das Alfândegas da China anunciou o reconhecimento de todo o território brasileiro como livre de febre aftosa, encerrando restrições sanitárias que ainda afetavam áreas do Norte do Brasil.

A decisão representa um avanço importante para a pecuária nacional e abre novas oportunidades para as exportações de carnes bovina e suína ao principal destino dos produtos brasileiros.

A China é atualmente o maior importador mundial de carne bovina e o principal comprador da proteína produzida no Brasil. Apenas no primeiro trimestre deste ano, os chineses importaram quase US$ 3 bilhões em carne brasileira. Em 2025, mais da metade das exportações brasileiras de carne bovina teve como destino o mercado chinês.

Segundo o governo brasileiro, a medida é resultado de mais de duas décadas de negociações entre os dois países. O anúncio ocorreu após uma série de reuniões diplomáticas realizadas em Pequim, incluindo a participação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

Com o reconhecimento sanitário, produtos que antes enfrentavam limitações passam a ter maior potencial de acesso ao mercado chinês. Entre eles estão carnes com osso, miúdos e outros itens de maior valor agregado para a indústria frigorífica.

A decisão também fortalece a imagem sanitária da pecuária brasileira no cenário internacional. O status de livre de febre aftosa é um dos principais requisitos considerados pelos países importadores na avaliação de riscos sanitários.

O momento é especialmente relevante porque a própria China enfrentou recentemente focos da doença. Em março deste ano, o país registrou surtos de febre aftosa em rebanhos das regiões de Gansu e Xinjiang, levando as autoridades chinesas a reforçar medidas de controle, vacinação e vigilância sanitária.

Para o setor pecuário brasileiro, a expectativa é de ampliação gradual dos embarques e fortalecimento das relações comerciais com o principal parceiro internacional da carne nacional.

Na prática, essa decisão pode significar maior demanda pelos produtos brasileiros e mais oportunidades para toda a cadeia produtiva, desde o pecuarista até os frigoríficos exportadores.

🔧 Orientação prática: Se você trabalha com pecuária de corte ou integra programas de exportação, vale acompanhar os próximos movimentos dos frigoríficos e das habilitações sanitárias. A abertura de novos mercados e produtos costuma gerar oportunidades comerciais que podem refletir diretamente na valorização dos animais destinados ao abate.

Fonte: Reuters.

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