Calagem e Adubação na Cultura da Pimenta-do-reino
Para o cultivo da pimenteira-do-reino, é fundamental a escolha de uma área adequada, pois a plantação deverá permanecer no campo por muito tempo, geralmente mais de 5 anos.
Outro aspecto relevante é que a pimenteira-do-reino necessita de grandes quantidades de nutrientes para crescer e obter altas produtividades, por isso os solos ácidos e pobres em nutrientes precisam de calagem e adubação, que devem ser baseadas na análise de solo.
Área de plantio
O terreno precisa ser plano a levemente inclinado, pois favorece a conservação do solo, facilita a demarcação das linhas de plantio, os tratos culturais e a colheita, além de propiciar um trânsito seguro de tratores e implementos nos carreadores (Figura 1).

Solos de textura média são os mais indicados, pois não secam tão rápido quanto os arenosos e não encharcam tão facilmente quanto os argilosos, mantendo a umidade razoavelmente uniforme por mais tempo.
Os solos também devem ser bem drenados, evitando-se áreas de baixada ou com lençol freático próximo da superfície. Não é recomendado instalar a plantação em solos pedregosos, principalmente naqueles com muita piçarra.
Se possível, a decisão final pela escolha da área deve ser apoiada na análise de solo, que vai determinar a textura do solo e a viabilidade inicial do investimento, com base na necessidade de recursos financeiros para aquisição de calcário e adubos.
Calagem
A calagem deve ser realizada de modo a elevar a saturação por bases a 60%. A dose de calcário pode ser calculada utilizando-se esta fórmula:

em que:
- DC é a dose de calcário a ser aplicada, expressa em t ha-1;
- V é a saturação por bases indicada na análise de solo, expressa em %;
- CTC é a capacidade de troca de cátions a pH 7 indicada na análise de solo, expressa em cmolc dm-3;
- PRNT é o poder relativo de neutralização total do calcário, expresso em %.
Se o teor de magnésio (Mg) do solo estiver abaixo de 0,7 cmolc dm-3, deve-se utilizar calcário com teor de MgO superior a 12 %. Aplicar o calcário na superfície do terreno e incorporá-lo ao solo a 20 cm de profundidade.
Adubação
As adubações de plantio, formação e produção devem ser realizadas com o auxílio da Tabela 1.

Em solos com teor de Mg menor que 0,7 cmolc dm-3, aplicar sulfato de magnésio na dose correspondente a um terço da dose de cloreto de potássio (KCl).
É recomendado aplicar um adubo nitrogenado ou fosfatado contendo enxofre (S), que pode ser o sulfato de amônio ou superfosfato simples, respectivamente.
Adubação de plantio
Aplicar por cova:

Misturar os adubos com a terra da camada superficial para preencher a cova e esperar no mínimo 10 dias para proceder ao plantio.
Adubação de formação
Primeiro ano
Aplicar a dose de N e K2O recomendada na Tabela 1. Dividir em três partes iguais as doses de N e K2O e aplicá-las, respectivamente, aos 30, 60 e 90 dias após o plantio das mudas.
Aplicar os adubos em meio círculo na frente do tronco da planta, a cerca de 25 cm (Figura 2), cobrindo-se a mistura dos adubos com terra.

Segundo ano
No início do período chuvoso, aplicar por planta a dose total de P2O5 e um terço das doses de N e de K2O, como indicado na Tabela 1, e 10 L de esterco de curral curtido ou 5 L de cama de aviário curtida ou 2 L de torta de mamona.
Aplicar os adubos em cobertura ao redor das plantas, no limite das raízes, cobrindo-os com terra. Aplicar os dois terços restantes de N e de K2O aos 45 e 90 dias após a primeira adubação de modo semelhante.
Adubação de produção
A partir do terceiro ano
Repetir a dose de adubo orgânico (esterco de curral curtido, cama de aviário curtida ou torta de mamona) do segundo ano e aplicar as doses de N, P2O5 e K2O, de acordo com a Tabela 1, repetindo-se o parcelamento e modo de aplicação do segundo ano.
É muito importante monitorar a fertilidade do solo e a nutrição das plantas pela realização periódica de análises de solo e de planta.
Caso seja detectada alguma deficiência nutricional, uma nova adubação deverá ser realizada. Se a deficiência for de micronutrientes, é recomendada a adubação foliar.
Se você tem interesse em saber mais sobre a Cultura da Pimenta-do-reino, te convido a conhecer a plataforma da AgricOnline. Ao fazer a sua assinatura, você tem acesso ilimitado a todos os cursos da plataforma. São cursos que vão desde produção vegetal, produção animal, mercado e carreira.
Ao término de cada curso, você tem direito ao certificado com a carga horária de cada curso, clique no link para conhecer.

Ou clique no link:
https://go.agriconline.com.br/pass/?sck=portal
Fonte
DE LEMOS, Oriel Filgueira; TREMACOLDI, Célia Regina; POLTRONIERI, Marli Costa. Boas práticas agrícolas para aumento da produtividade e qualidade da pimenta-do-reino no Estado do Pará. 1ª ed. Brasília - DF: Embrapa, 2014.