Pecuária

Broca do café: Conhecendo o Inseto até o Controle

Daniel Vilar
Especialista
6 min de leitura
Broca do café: Conhecendo o Inseto até o Controle
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1. O Inseto

A broca do café (Hypothenemus hampei), é um pequeno coleóptero (besouro). De origem africana, chegou ao Brasil, provavelmente, através de sementes de café importadas, tendo sido diagnosticada a sua presença, pela primeira vez, em lavouras paulistas em 1913, de onde ocorreu a sua disseminação para todo o país.

O inseto adulto fêmea possui cerca de 2 mm de comprimento, coloração preta brilhante e corpo cilíndrico. O macho é menor, possui cerca de 1,2 mm, não voa, permanecendo dentro dos frutos do café, onde ocorre a fecundação das fêmeas. Há citações na literatura de duração do ciclo da broca (ovo-larvapupa-adulto) variando de 17 a 63 dias, podendo ocorrer até 7 gerações por ano, dependendo das condições climáticas.

Os frutos atacados vão desde o estádio de chumbinho até secos, sendo que em frutos chumbinho, a fêmea faz apenas o furo não realizando a oviposição devido ao estado ainda leitoso do endosperma. Quando o fruto já apresenta o endurecimento do endosperma, a fêmea faz a perfuração, geralmente na região da coroa e constrói uma galeria até a semente, onde faz a oviposição.

Após a eclosão dos ovos, as larvas passam a se alimentar da semente do café no interior dos frutos onde se encontram alojadas. Passam, a seguir pelo estádio de pupa e uma vez atingido o estádio adulto, as fêmeas já copuladas, abandonam o fruto à procura de outros frutos, dando continuidade à infestação.

Os frutos que permanecem nos cafeeiros sem serem colhidos ou mesmo no chão, constituem o principal meio de sobrevivência da broca após a colheita.

2. Condições Favoráveis para o Inseto

Condições de umidade e temperatura elevadas favorecem o desenvolvimento da broca do café, por isso, lavouras próximas de grandes represas ficam mais vulneráveis à infestação. Lavouras adensadas favorecem, de um modo geral, à sobrevivência da broca, sendo mais infestadas em comparação com lavouras mais arejadas. Áreas irrigadas também têm tendência a serem mais atacadas.

3. Prejuízos Causados Pelo Inseto

Os danos causados pelo ataque da broca são variáveis em função da intensidade de ataque da praga, sendo os principais:

  • Perda na qualidade da bebida: o ataque pela broca abre porta de entrada para microrganismos que, por sua vez, produzem fermentações indesejáveis, prejudicando a bebida. Além disso, os grãos brocados constituem ameaça sob o ponto de vista da segurança alimentar, pela possibilidade de ocorrência de contaminações que possam provocar intoxicações no consumidor;
  • Redução no peso dos grãos: ocorre devido à alimentação pelas larvas de parte ou de toda a semente;
  • Queda prematura dos frutos atacados;
  • Prejuízos na classificação do café beneficiado, em relação ao tipo: a presença de 3 a 5 grãos brocados em uma amostra de 300 gramas equivale a 1 defeito, refletindo em maior percentual de catação e rebaixamento do tipo, com depreciação do produto.

4. Monitoramento dos Insetos

O monitoramento da infestação da broca deve ser iniciado no chamado período de trânsito, época em que as fêmeas estão saindo dos grãos da safra anterior, voando à procura dos novos frutos para perfurar e fazer a oviposição.

O período de trânsito coincide com os frutos em estádio de desenvolvimento, entre 3 e 5 meses após a primeira florada, geralmente entre os meses de novembro a janeiro. Deve-se fazer a amostragem coletando-se frutos da primeira florada, em número de dez por planta, em lados opostos, no terço médio, em 100 plantas do talhão, em locais distintos, aleatoriamente.

A seguir é feita a contagem dos frutos atacados, sendo considerado brocados todos frutos perfurados na região da coroa. Quando, ainda no período de trânsito, o nível de infestação ultrapassar 5%, inicia-se o controle químico. Em regiões com histórico de ataque intenso, considerar o nível acima de 3%.

Um método de monitoramento com a utilização de armadilhas para captura das fêmeas foi desenvolvido pelo IAPAR - Instituto Agronômico do Paraná. São artefatos que contêm uma mistura de etanol e óleo de café que funciona como um atrativo para as fêmeas do inseto.

As armadilhas são confeccionadas com garrafas descartáveis tipo PET, contendo no interior um frasco de vidro (10 ml), com uma tampa de borracha com furo na parte central, suspenso na extremidade superior, contendo a mistura de etanol + óleo de café. Na extremidade inferior da garrafa, são colocados 200 ml de água com 5% de sabão líquido, onde as fêmeas ao caírem morrem afogadas. Devem ser distribuídas no mínimo 25 armadilhas por hectare, colocadas no terço médio da planta.

5. Controle dos Insetos

Uma das formas mais eficientes para o controle da broca do café ainda é o método cultural, que consiste em uma colheita bem feita, de forma a não deixar frutos remanescentes nas árvores nem no chão, o que resulta em redução da população da praga na próxima safra. Portanto, é recomendável que em lavouras com histórico de alta infestação se faça o repasse e a varrição após a colheita.

Quando a secagem é processada em secador mecânico, ocorre a morte da broca, interrompendo o ciclo da praga, porém sem reduzir os prejuízos já causados pelo inseto aos grãos. Algumas tentativas para o estabelecimento do controle biológico foram feitas através da introdução de vespas oriundas da África, mais precisamente a Vespa de Uganda, porém, sem grandes resultados. Há estudos sobre a utilização de parasitóides para o controle da praga, com resultados potenciais. O emprego do fungo Beauveria bassiana também proposto por pesquisadores, não tem apresentado resultado eficiente em função da associação com produtos de ação fungicida.

É importante salientar que as pulverizações feitas com turbo atomizador são mais eficientes do que as convencionais, pois proporcionam a movimentação dos ramos e folhas, permitindo o alcance do produto às rosetas mais internas, resultando em um contato mais direto com os frutos.

O adensamento, dependendo do grau, pode dificultar ou até mesmo impedir a realização de uma boa pulverização, uma vez que, além de oferecer uma barreira física à dispersão do inseticida, limita a ação do operador, aumentando riscos de intoxicação. Com a proibição do inseticida Endossulfan, o controle químico da broca do café é feito com produtos do grupo das diamidas (MESQUITA et al., 2016).

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Fonte

ANDRADE, Otávio Canestri de Souza. Manual da Cafeicultura: Do Plantio à Pós-colheita. 2020.

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