Berne do Novo Mundo volta aos EUA e acende alerta
A reintrodução da praga foi confirmada em junho e já inclui um caso de infestação em um cão no estado do Novo México.
Uma praga que não era registrada no sudoeste dos Estados Unidos desde a década de 1970 voltou a preocupar autoridades sanitárias e produtores rurais. Trata-se do berne do Novo Mundo, também conhecido como mosca-da-bicheira (screwworm), um parasita cujas larvas se alimentam de tecido vivo de animais de sangue quente.
A reintrodução da praga foi confirmada em junho e já inclui um caso de infestação em um cão no estado do Novo México. O episódio acendeu um alerta não apenas para a pecuária, mas também para animais de estimação e a fauna silvestre.
A mosca deposita seus ovos em feridas abertas de bovinos, equinos, ovinos, caprinos, cães, gatos e outros mamíferos. Após a eclosão, centenas de larvas começam a se alimentar da carne viva do hospedeiro, ampliando rapidamente as lesões. Sem tratamento, a infestação pode levar o animal à morte.
Os veterinários recomendam atenção a sinais como:
Feridas inchadas ou que não cicatrizam;
Presença de pus;
Odor forte de carne em decomposição;
Dor, lambedura excessiva ou mordidas na região afetada;
Apatia e perda de apetite.
Mesmo quando as larvas não são visíveis, esses sintomas exigem avaliação veterinária imediata.
Embora a praga represente uma ameaça sanitária significativa, especialistas destacam que não há risco para a segurança dos alimentos, e os casos em seres humanos são considerados raros.
Para os pecuaristas, a preocupação é ainda maior porque a mosca se espalha principalmente pelo deslocamento de animais infestados. Uma única fêmea pode depositar centenas de ovos, permitindo rápida disseminação caso os focos não sejam identificados e tratados.
A prevenção passa pelo monitoramento constante do rebanho, principalmente de animais que apresentam feridas decorrentes de manejo, descorna, castração, marcação ou acidentes. Medicamentos antiparasitários utilizados regularmente para controle de carrapatos e pulgas em pets também podem oferecer proteção adicional contra a mosca.
Nos Estados Unidos, o Departamento de Agricultura (USDA) intensificou as ações de vigilância, implementou restrições ao trânsito de animais e ampliou investimentos na produção de moscas estéreis, uma tecnologia utilizada há décadas para interromper o ciclo reprodutivo da praga. O método consiste em liberar machos estéreis na natureza, reduzindo gradativamente a população do inseto.
Apesar dos esforços, especialistas avaliam que a capacidade atual de produção dessas moscas ainda é insuficiente para uma supressão rápida do surto.
Se um bovino apresentar uma pequena lesão no umbigo, na orelha ou em áreas de manejo e ela começar a produzir secreção e mau cheiro em poucos dias, o produtor deve suspeitar imediatamente de miíase (bicheira) e buscar atendimento veterinário. Quanto mais cedo a infestação for identificada, maiores são as chances de recuperação do animal.
🔧 Orientação: inspecione regularmente os animais, especialmente após procedimentos de manejo e períodos de maior atividade de moscas. Qualquer ferida com mau cheiro, aumento de tamanho ou presença de secreção deve ser comunicada ao médico-veterinário. Em casos de suspeita de bicheira, evite tratamentos improvisados e nunca descarte larvas no ambiente, pois elas podem completar seu desenvolvimento e gerar novos focos da praga.