Pecuária

Avaliação da produtividade do maracujá (Passiflora Edulis) na região central de Rondônia–Amazônia Ocidental

Daniel Vilar
Especialista
25 min de leitura
Avaliação da produtividade do maracujá (Passiflora Edulis) na região central de Rondônia–Amazônia Ocidental
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Com produção anual de aproximadamente 700 mil toneladas, o Brasil se destaca como o maior produtor mundial de maracujá.  Embora  a  produção  ocorra  principalmente  na  região Nordeste  do  país,  a  produção  na  região  amazônica –Amazonas, Pará e Rondônia –também é destacável. Com isso, o presente estudo teve como objetivo principal apurar e avaliar a produtividade do maracujá (Passiflora Edulis) na região central de Rondônia –Amazônia Ocidental, Brasil. Para  isso, foi necessário realizar uma pesquisa  descritiva e exploratória, bem como umapesquisa  bibliográfica  e um estudo de campo, empregando entrevista semiestruturada para o levantamento de dados. Os dados apurados junto a 37 (trinta e sete) produtores de maracujá que cultivam o fruto na Amazônia Ocidental/Brasil –região centraldo estado de Rondônia,  foram  tratados  qualitativamente  e  quantitativamente.  Assim,  foi  apurado  que  houve  uma  produção  média de  11,14  toneladas  por  hectares  no  período  analisado,  equivalente  a  13,70  toneladas  por  hectare/ano.  Concernente  a análise  de  correlação  dePearson  realizada,  destaca-se  a  média  dependência  da  produtividade  com  a  prática  de assistência  técnica  (possui  ou  não  possui  assistência  técnica).  Adicionalmente  foi  investigado  e  percebido  que  os produtores  que  tiveram  assistência  técnica  no  período,  perceberam  uma  produção  97,75%  superior  à  média  da produção  na  região  (média  de  22,03  toneladas/ha  contra  11,14  toneladas/ha).  Portanto,  infere-se  que  o  investimento em  assistência  técnica  é  uma  das  possibilidades  de  aumento  da  produtividade  do  maracujá  na  região  central  de Rondônia –Amazônia Ocidental.

Introdução

A  passiflora  edulis,  conhecido  popularmente  como  maracujá,  é  uma  fruta  originária  da  América  Tropical  (Falesi, et al., 2013; Landau, et al., 2020), sendo que a maioria de suas espécies são aptas a temperaturas elevadas e a precipitação bem distribuída  (Lemos, et  al.,  2012).  Dentreas  mais  de  500  espécies  tropicais  e  subtropicais  do  gênero  passiflora,  só  no  Brasil existemmais de 150 espécies nativas (Sato, et al., 1992; Falesi et al., 2013; Faleiro, et al., 2019).

Inicialmente,  no  Brasil  o  maracujá  era  utilizado  basicamente  para  fins  medicinais.  Já  a  partir  da  década  de 70  do século passado, o fruto passou a ser comercializado “in natura” e após 1980 o maracujá também começou aser transformado em  produto  industrializado,  principalmente  na  forma  de  sucos  (Falesi  et  al.,  2013;  Sá, etal.,  2015).  Contudo,  o  consumo interno do maracujá é realizado mais comumente na forma “in natura” para retirada doméstica de sua polpa para o preparo de doces e sorvetes, além do seu tradicional suco (Pimentel et al., 2009).

Quanto à questão produtiva, assim como Avelino e Rodrigues (2016), Furlaneto, et al.,(2010) também afirmam que o Brasil  é  o maior  produtor  de  maracujá  do  mundo,  produzindo  cerca  de  70%  do  volume  mundial,  seguido  de  Equador  com produção  aproximada  de  13%  e  da  Colômbia,  com  produção  estimada  de  5%.  Mesmo  com  as  reduções  percebidas  na  área cultivada e no volume de produção nos últimos anos, o Brasil ainda produz aproximadamente 700 mil toneladas de maracujá anualmente em quase 50 mil hectares plantados (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística , 2019).

Além  da  importância  produtiva  e  comercial,  o  maracujá  possui  outros atributos  contributivos  quanto  aos  aspectos econômicos e sociais em todas as regiões do Brasil. A maioria dos produtores de maracujá que cultivam o fruto são pequenos produtores rurais, com características de agricultura familiar (Araújo, et al., 2004; Lima, 2012; Moreira, et al., 2012). Segundo Nogueira, et al.,(2004), Pimentel et al. (2009) e Lima (2012) a produção de maracujá ocorre principalmente em áreas que não ultrapassam  cinco  hectares.  Estes  aspectos  colaboram  com  a  permanência  do  homem  no  campo,  especialmente  quanto  aos pequenos agricultores.

Outra questão importante da atividade do maracujá é relativa à empregabilidade. Um hectare de plantio de maracujá emprega  em  média  dois  trabalhadores  de  forma  direta eaté  quatro  de  forma  indireta,  enquanto  a  produção  de  grãos,  por exemplo, de forma geral emprega 0,50 homem na mesma área (Nogueira et al., 2004; Hafle, et al., 2010). Araújo et al. (2004) comenta que a maioria dos gastos no cultivo do maracujá é relativo a mão de obra, já que a maioria das operações são manuais. A  necessidade  de  mão  de  obra  na  cultura,  deve-se  especialmente  aos vários  tratos  culturais  demandados  pela  planta,  como o plantio, adubação,controle de pragas, polinização artificial e colheita (Lima, 2012).

Historicamente,  os  estados  da  Bahia,  Ceará,  Santa  Catarina  e  Minas  Gerais  são  os  estados  brasileiros  que  mais produziram o fruto no país nos últimos anos (Avelino & Rodrigues, 2016; Furlaneto et al., 2010; IBGE, 2019). Embora grande parte  da  produção  de  maracujá  seja  realizada  na  região nordeste,  representando  mais  de 60%  da  produção nacional,  a região amazônica também congrega uma produção de maracujá relativamente significativa, especialmente nos estados do Amazonas, Pará e Rondônia.

Especificamente no estado de Rondônia, a produção do maracujá nos últimos anos é uma das mais destacáveis dentre a  fruticultura. Além disso, do ponto de vista  comercial, a produção do estado também é relevante, pois as lavouras na região são  responsáveis  pelo  abastecimento  interno  do  estado,  além  de  prover  a  maioria  do  fornecimento  nas  capitais  dos  estados circunvizinhos (Oliveira, 2011).

De acordo  com  Souza  et  al. (2020),  após observação  a  produção  do  fruto  em  Rondônia no período de  1997  à  2016, mesmo sendo percebidas algumas quedas na produção do estado em alguns anos, especialmente em anos anteriores a 2011, o território teve um expressivo ritmo de crescimento produtivo nos últimos tempos (ressalva-se que a produção do estado voltou a cair no ano2017 e 2018, seguindo o ritmo de produção brasileira do fruto).

De  toda  forma,  estima-se  que  o  cultivo  do  maracujá  no  estado  de  Rondônia  contribuiu  para  o  estado,  gerando empregos  e  distribuindo  renda,  principalmente no  campo.  Além  da  questão  econômica  e  social,  o  maracujá  também  pode proporcionar  benefícios  ambientais.  Na  realidade  amazônica  o  cultivo  da  fruta  também  pode  contribuir  com  o  controle  do desmatamento, já que as plantações não necessitam de grandes áreas, pois a maioria das plantações ocorrem em espaço inferior a cinco hectares (Nogueira et al., 2004; Pimentel et al., 2009; Lima, 2012; Furlaneto, 2012) –ao contrário do que ocorre, por exemplo  com  a  pecuária  extensiva  que  é  uma  das  principais  atividades  responsáveis  pelo  desmatamento  em  Rondônia(Townsend, et  al.,  2007;  Instituto  Nacional  de  Pesquisas  Espaciais  ,  2018).  Andersen  (2015)  também  comenta  que culturas perenes  na  região  amazônica,  como  a  laranja,  pimenta  e  o  maracujá,  possuem  uma  abordagem  agrícola  mais sustentável, mesmo que seja necessário a utilização de fertilizantes e pesticidas. 

Portanto,  observado  as  diversas  contribuições  do  maracujá,  a  presente  pesquisa  tem  como  objetivo  central  apurar  e avaliar  a  produtividade  do  maracujá  (Passiflora  Edulis)  na  região central  de  Rondônia –Amazônia  Ocidental,  Brasil.  Desta forma,  para  atingir este  propósito,  este  estudo  descritivo  e  exploratório,  empregou  a  pesquisa  bibliográfica  e  do  estudo  de campo junto a 37 (trinta e sete) produtores de maracujáda região, tratandoos dados qualitativamente e quantitativamente.

Desta forma, acredita-se que o trabalho possa ser pertinente a academia por enriquecer as pesquisas sobre o maracujá na  região  amazônica,  que  ainda  são  escassas  (Souza,  2020).  Além  disso, a  pesquisa  também  buscou  contribuir  com  os produtores do fruto estabelecidos na região central de Rondônia –Amazônia Ocidental. A partir da apuração dos dados sobre a produtividade  do  maracujá  e  a  avaliação  dos  principais  fatores  que  o  influenciam,  espera-se  que  os  produtores  utilizem  tais informações   para   um   melhor   gerenciamento   da   atividade,   aumentando   a   produtividade,   empregabilidade,   geração   e distribuição de renda na Amazônia.

Metodologia 

Nesta  seção  são  dispostos  os  procedimentos  metodológicos  empregados  nesta  pesquisa  para  o  alcance  dos objetivos diligenciados.  Para  Chizzotti  (2005)  a  pesquisa  deverá  utilizar  métodos  adequados  de  acordo  com  o  grau  de  complexidade oportunizados  pelas  questões estabelecidas  na  investigação.  Desta  forma,  neste  trabalho buscou  estabelecer  os  métodos  mais condizentes com o problema proposto, prezando em otimizar a realidade dos resultados.

2.1 Método e Tipo de Pesquisa

A  presente  pesquisa  utilizou-se  do  método  estatístico  para  descrever  quantitativamente  a  realidade da  unidade estudada,estabelecendo especialmentedeterminadas correlações, probabilidades e conclusões a partir dos cálculos estatísticos. Para Gil (2010), o método estatístico possui relativa precisão e por isso é aceito por boa parte de pesquisadores.Quanto  ao  tipo  de  pesquisa,  relativo  aos  objetivos, o  presente  estudotrata-se  de  uma  pesquisa  exploratória  e descritiva.  Inicialmente  o trabalhocontou  com  uma  pesquisa  exploratória  utilizando-se  de  análise  qualitativa.  Na  etapa subsequente foi realizada pesquisa descritiva, aproveitando de informações apuradas a partir da pesquisa exploratória anterior, na  busca  do  estabelecimento  de  características,  variáveis,  relações  e  fatos  relevantes  percebidos  no  contexto  do  cultivo  de maracujá na região central do estado de Rondônia –Amazônia Ocidental/Brasil –que pudessem contribuir com o atingimento dos objetivos do trabalho. Desta  forma, como percebido, destaca-se  que  a pesquisa  utilizou, quanto a  sua abordagem, tanto a análise  qualitativa  quanto  a  quantitativa. Na  oportunidade  de realização  da  pesquisa  exploratória  empregou  a  análise qualitativa,  enquanto  que  na  fase  posterior  foram  priorizadas  a  utilização  da  análise  qualitativa  e  quantitativa  na  pesquisa descritiva.Quanto aos procedimentos, a pesquisa  caracterizou-se  como pesquisa bibliográfica  e pesquisa  de campo. A pesquisa bibliográfica, realizada a partir da análise de obras já publicadas, foi necessária para compreender os assuntos pesquisados. A pesquisa  de  campo  foi  utilizada  na  fase  de  investigação  junto  aos  produtores  rurais,  empregando  inclusive  a  pesquisa  na modalidade survey e com o emprego em alguns momentos –durante as visitas aos produtores, como sugerido por Yin (2010) –da técnica de observação não participante para melhor entendimento do sistema produtivo do maracujá na região.

2.2 Local e Sujeitos da Pesquisa

Quanto  a  região  escolhida,  destaca-se  que  a  pesquisa  foi  desenvolvida  junto  a  produtores  estabelecidos  na  região central  de  Rondônia –Amazonia  Ocidental –especificamente  nos  municípios  de  Castanheiras  (latitude11º25'03"S  e  a umalongitude61º56'19"O)e Novo Horizonte do Oeste (latitude 11°42'36'' S e a uma longitude 61°59'49'' O),pertencentes a microrregião rondoniense de Cacoal; e no município de Presidente Médici (latitude 11º10'33" S e a uma longitude -61º54'03" O), pertencente a microrregião rondoniense de Ji-Paraná.

Na Figura  1  a  seguir  são  apresentadas  as  microrregiões  de  Rondônia,  para  melhor  identificação  e  visualização  da localidade onde fora procedido o estudo.

Em relaçãoaos sujeitos da pesquisa, estes foram os produtores de maracujá da região central do Estado de Rondônia –Amazônia  Ocidental/Brasil –obtidos a  partir  de  uma  amostra  não  probabilística.  Os  produtores  escolhidos  foram  osque iniciaram o plantio do maracujáa partir do segundo semestre de 2017 até janeiro de 2018. Para identificação dos produtores, após  identificação  do  primeiro  produtor,  foi  utilizada  a  técnica  metodológica snowball,  ou  “bola  de neve” para  atingir  os demais  produtores.  Desta  forma, foram  os  próprios  produtores,  ao  final  de  cada  visita  que  indicavam  novos  produtores  que possuíam  as  características  desejadas  na  investigação.  Isto  ocorreu  até  iniciar  o  ponto  de  saturação, ou  seja,  osprodutores começaram  a  indicar  produtores  que  já  haviam  sido  pesquisados  anteriormente.  Com  isso,  obteve-se  o  quantitativo  de  37 produtores nos três municípios.

2.3 Coleta e Tratamento dos Dados 

A   coleta   dos   dados   iniciou   em   janeiro   de   2018   a partir   de uma   entrevista   semiestruturada,   havendo   o acompanhamento subsequente dos plantios quinzenalmente até o encerramento do primeiro ciclo produtivo 1. Assim, o período analisado compreendeu os meses de janeiro de 2018 à dezembro de 2018, sendo que os primeiros produtores com a primeira safra encerrada ocorreram em maio de 2018 e os derradeiros em dezembro de 2018.

Após  a  captura  dos  dados,  os  mesmos  foram  tratados  para  consecutiva  análise para assim  diligenciar  atingir  os objetivos propostos pelo trabalho. A partir disso, realizou-se o tratamento dos dados com emprego de cálculos matemáticos e estatísticos,  especialmente  quanto  ao  estabelecimento  de  frequências,  medidas  de  dispersão  e  análise  de  correlação.  Para realização dos cálculos matemáticos e estatísticos foram adotados o software Statistical Package for Social Sciences(SPSS) e o Microsoft Excel®.

Quanto  à aplicação  da  correlação,  como  habitualmente  empregada  em  ciências  sociais,  frisa-se  que se  utilizou o coeficiente de correlação de Pearson para análise do relacionamento entre as variáveis estudadas. Para análise da correção, que pode  variar  entre -1  e  1,  adotou-se  a  classificação  realizada  por  Cohen  (1988),  que  considera“pequenas” as correlações(ou escores) entre 0,10 e 0,29; “médios”entre 0,30 e 0,49;e “grandes”entre 0,50 e 1 (também denominada por forte dependência por  alguns  estatísticos).  Já  para  análise  de  confiança,  aplicou-se  a  significância  com pvalor  aos  patamares  de  0,05  (nível significativo à 5%) e 0,01 (nível significativo à 1%) (Figueiredo Filho & Silva Júnior, 2009).

Resultados e Discussão

Nesta seção serão apresentados, analisados e discutidossobre os principais dadosprodutivos nocultivo do maracujá na região central de Rondônia –Amazônia Ocidental. 

Características relevantes no cultivo do maracujá na região central de Rondônia –Amazônia Ocidental

Incialmente,  antes  mesmo  da  apresentação  das  informações  sobre  aprodutividadedo  maracujá  na  região  central  de Rondônia –Amazônia  Ocidental –para uma melhor  compreensão  sobrea  realidade  produtiva do  fruto  na  região,  foram realizadoslevantamentosde dadosque se jugam importantes para a pesquisa, especialmente para utilização posterior na análise estatística  do  estudo.  Assim,  são  apresentados no Quadro1um  resumo dos  principais  achados  relativos  as  características produtivas do maracujá na região.

Com  isso,  após apresentação  de  algumas  das  principais  características  produtivas  no  cultivo  do  maracujá na  região centralde Rondônia –Amazonia Ocidental –conforme dados apresentados no quadro 1, na sequênciaé procedido a avaliação da produtividade do maracujá naregião.

3.2 Avaliação da produtividade do maracujá na região central de Rondônia, Amazônia Ocidental/Brasil

Quanto   a   questão   produtiva,   a   partir   do   acompanhamento   da   safra   por   produtor,   foi   possível   identificar   a produtividade do fruto na região, conforme disposto na Tabela 1.

De acordo com dos dados da tabela 1, pode-se constatar que a produtividade média foi de 224,55 caixas do fruto na primeira  safra  na região,  equivalente  a  3.592,83  kg  ou  ainda  3,59  toneladas.  A  significativa  amplitude  encontrada  deve-se,além  de  alguns  produtores  de  fato  terem  baixa/alta  produtividade,  por  alguns  produtores  possuírem  7 (sete) vezes  mais  pés plantados do que outros. 

Por isso, para melhor compreensão e comparabilidade das informações produtivas, é apresentado na tabela 2 osdados sobre o rendimento da produção na região.

Assim  é  possível  observar  que  a  produção  média  por  pé  na  região  na  primeira  safra  foi  de  0,78  caixas,  ou aproximadamente  12,48  kg  por  pé.  Ademais,  dado  relevante  encontrado  também se  referea  produtividade por  hectare.  Foiconstatado  que  houve  um  rendimento  médio  de  11,14  toneladas  por  hectares  no  período  analisado,  sendo  que  a  maior produtividade  encontrada  foi  de  29,06  toneladas  por  hectares  em  determinada  propriedade.  Se  proporcionalizado  a  produção por hectare ao ano (vide extensão do ciclo produtivo anteriormente apresentado no quadro 1), pode-se concluirque na região a produção média foi de 13,70 toneladas por hectare por ano (produção de 11,14 / ciclo médio de 9,76 x 12 meses). Também é importante a análise do intervalo de confiança, que ficou entre 8,73 e 13,54 toneladas por hectare na região (ou 10,73 e 16,65 toneladas por hectare ao ano).

Araújo  Neto  (2004)  em  análise  a  produtividade  submetidas  a  vários  níveis  de  adensamento  da  fruta,  encontrou produtividade  na  primeira  safra  de  11,94  toneladas,  com  adensamento  de  1.841  pés  por  hectare.  Araújo  et  al.  (2004) mencionam produtividade de 40 toneladas ao ano por hectare na região do Submédio do São Francisco; semelhante a Moreira et al. (2012) que dispõe produtividade de42 toneladas no primeiro ano; já Lemos et al. (2012) estimam potencial de produção de até 80 toneladas na Zona da Mata Rondoniense.

Contudo,  de  forma  geral  a  realidade  produtiva  brasileira  do  maracujá  é  diferente  do  encontrado  em  vários  estudos. Segundodados do IBGE (2019), a produtividade média anual no país é de aproximadamente14,1 toneladas por hectareao ano, enquanto  que  no  estado  de  Rondônia  a  média  no  período  foi  de  12,42  e  nos  municípios  estudados  foram  de  16,16  em Presidente  Médici,  13,26  em  Castanheiras  e  14,82  em  Novo  Horizonte  do  Oeste.  Assim,  de  forma  geral,  nota-se  que  a produtividade do maracujána região estudada é similar as médias brasileiras e rondoniense.

Adicionalmente,  as  variáveis  produtivas  apuradas  também  foram submetidasa  análise  de  correlação  de  Pearson, conforme apresentado na Tabela 3.

Conforme  observado  na Tabela 3,  e  considerando  a  classificação  indicada  por  Cohen  (1988),  observa-se  que  a variável rendimento “tonelada por hectare” e “caixas por pé” possuem média dependência com a prática de assistência técnica (possui  ou  não  possui  assistência  técnica),  apresentando  correlação  de  0,439  e  0,496,  respectivamente,  e  ambas  com significância   no  nível   0,01.   O   achado   é   confirmado   quando   complementarmente   se   observa  nos   dados   coletados   a produtividade por produtor. Nota-se que os produtores que tiveram assistência técnica no período, perceberam uma produção 97,75%  superior à média  da  produção  da  região  (média  de  22,03  toneladas/ha  contra  11,14  toneladas/ha).  Contudo,  como evidenciado no  quadro  1,  a  incidência  de  propriedades  que  possuem  assistência  técnica  na  região  no cultivo  do  maracujá  é mínima, o que compromete a produtividade de maracujá na região central de Rondônia. 

Já quando correlacionada com o município, a variável rendimento “caixa por pé” possui dependência média, enquanto a  variável  rendimento  “tonelada  por  hectare”  possui  uma  grande  dependência –com  correlação  de  0,501,  inclusive  está apresentando  significância  ao  nível  0,01.  Também  em  análise  complementar,  percebeu-se  que  a  média  de  produção  no município de Presidente Médici foi de 6,7 toneladas por hectare no período analisado (ou 8,71 toneladas por hectare ao ano), 10,1  em  Novo  Horizonte  do  Oeste  (ou  10,91  toneladas  por  hectare  ao  ano)  e  15,3  em  Castanheiras  (ou  19,53  toneladas  por hectare ao ano). 

Mesmo que a dependência seja pequenaentre a variávelprodutiva “tonelada por hectare” (-0,22) com o tempo em que o produtor trabalha  na atividade, estima-se  que o produtor que  cultiva o fruto há vários anos (e na  mesma  propriedade) pode haver  maior  possibilidade  de  ter  problemas  com  pragas edoenças  (e  consequentemente  menor  produtividade),  até  por  isso Lemos  et  al.  (2012)  recomendam  o  revezamento  da  área  do  plantio.  Nota-se  que  os  produtores  de  Presidente  Médici (município  com  menor  produtividade),  como  já  apresentado  anteriormente,  são  os que  cultivam  o  fruto  a  maior  tempo, enquanto que os produtores que estão há menos tempo na atividade se concentram basicamente no município de Castanheiras (município  com  maior  produtividade),  o  que  pode  explicar  a  dependência  encontrada  entre  as  variáveis.De  fato,  cabe  frisar que em Presidente Médici foram observados problemas fitossanitários mais severos em algumas propriedades, o que pode ter comprometido o rendimento produtivo no município. 

Por outro lado, as variáveis produtivas não sofreram dependência das demais variáveis de associação analisadas, como por  exemplo,  os  investimentos  realizados  por  hectare  e  o  adensamento  do  plantio.  Diferentemente  do  encontrado  na  região pesquisada,  em  estudo  realizado  por  Araújo  Neto  (2004),  percebeu-se  a  influência da  concentração do  plantio  com  a produtividade do fruto.

Conclusão 

Como principais resultados da pesquisa tem-se que a produtividade média na região foi de 224,55 caixas do fruto na primeira  safra, equivalente  a 3.592,83 kg ou ainda 3,59 toneladas.  Isto corresponde  auma  produção média de  0,78 caixas de maracujá por pé, ou aproximadamente 12,48 kg por pé. Quando apurado a produção por hectare, foi observado um rendimento médio de 11,14 toneladas por hectares no período analisado. A partir destes dados,apurou-se que aprodução média na região foi de 13,70 toneladas por hectare por ano, percebendo um intervalo de confiança entre 8,73 e 13,54 toneladas por hectare na região.  Em  relação  a  análise  de  correlação  de  Pearson  realizada,  destaca-se  a  média  dependência  da  produtividade  com  a prática  de  assistência  técnica (possui  ou  não  possui  assistência  técnica).  Adicionalmente  foi  investigado  e  percebido  que  os produtores  que  tiveram  assistência  técnica  no  período,  perceberam  uma  produção  97,75%  superior  à  média  da  produção  daregião (média de 22,03 toneladas/ha contra 11,14 toneladas/ha). 

Embora  tenha-se  encontrado  na  região  produtividade  condizente  com  os  níveis  nacionais  e  estaduais  de  produção, percebe-se  a  possibilidade  de  aumento dos volumes de  produção do fruto. Para  isso, conforme  análise  estatística empregada, tem-se  a  utilização da  assistência  técnica  como uma  das principais ações necessárias para  que  se  fomente  a  produtividade  na região central de  Rondônia –Amazônia  Ocidental. Portanto, muito emboraseja  possível  a contratação privada da  assistência técnica  pelos  produtores,  é  fundamental  a  contribuição  do  Estado  quanto  a  concessão  deste  subsídio,  especialmente  por  ser sabido e vivenciado nesta pesquisa que a maioria dos cultivadores do maracujá são pequenos produtores.  

Destaca-se que o período de auferimentoda produção foi um dos maiores obstáculo deste estudo. A apuração ocorreu até  o  encerramento  da  primeira  safra  do  maracujá  na  região,  sendo  que  a  possibilidade  de  apuração  de  todas  as  safras (estimadamente  cincosafra  na  região)  poderia  ter  proporcionado dados  mais  robustos  e  consistentes,  embora  este  fato  não tenha proporcionado prejuízo a confiabilidade do estudo. 

Como  sugestões  de  trabalhos  futuros,  tem-se  a  realização  do  acompanhamento  da  produtividade  do  maracujá  em demais microrregiões amazônicas,  bem como a  avaliação dos principais elementos/variáveis que  interferem na produtividade do  fruto  na  região,  enfatizando  a  dependência  da  assistência  técnica  como  variável  produtiva.  Além  disso,  seria  salutar  em estudos futuros o acompanhamento de toda a vida produtiva do fruto.

Fonte

SOUZA, Valdinei Leones de ; TAÑSKI, Nilda Catalina. Avaliação da produtividade do maracujá (Passiflora Edulis) na região central de Rondônia – Amazônia Ocidental. Research, Society and Development, v. 11, n. 13, p. e516111335789, 2022. Disponível em: <https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/35789>. Acesso em: 24 nov. 2022.

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