Avaliação da produtividade do maracujá (Passiflora Edulis) na região central de Rondônia–Amazônia Ocidental
Com produção anual de aproximadamente 700 mil toneladas, o Brasil se destaca como o maior produtor mundial de maracujá. Embora a produção ocorra principalmente na região Nordeste do país, a produção na região amazônica –Amazonas, Pará e Rondônia –também é destacável. Com isso, o presente estudo teve como objetivo principal apurar e avaliar a produtividade do maracujá (Passiflora Edulis) na região central de Rondônia –Amazônia Ocidental, Brasil. Para isso, foi necessário realizar uma pesquisa descritiva e exploratória, bem como umapesquisa bibliográfica e um estudo de campo, empregando entrevista semiestruturada para o levantamento de dados. Os dados apurados junto a 37 (trinta e sete) produtores de maracujá que cultivam o fruto na Amazônia Ocidental/Brasil –região centraldo estado de Rondônia, foram tratados qualitativamente e quantitativamente. Assim, foi apurado que houve uma produção média de 11,14 toneladas por hectares no período analisado, equivalente a 13,70 toneladas por hectare/ano. Concernente a análise de correlação dePearson realizada, destaca-se a média dependência da produtividade com a prática de assistência técnica (possui ou não possui assistência técnica). Adicionalmente foi investigado e percebido que os produtores que tiveram assistência técnica no período, perceberam uma produção 97,75% superior à média da produção na região (média de 22,03 toneladas/ha contra 11,14 toneladas/ha). Portanto, infere-se que o investimento em assistência técnica é uma das possibilidades de aumento da produtividade do maracujá na região central de Rondônia –Amazônia Ocidental.

Introdução
A passiflora edulis, conhecido popularmente como maracujá, é uma fruta originária da América Tropical (Falesi, et al., 2013; Landau, et al., 2020), sendo que a maioria de suas espécies são aptas a temperaturas elevadas e a precipitação bem distribuída (Lemos, et al., 2012). Dentreas mais de 500 espécies tropicais e subtropicais do gênero passiflora, só no Brasil existemmais de 150 espécies nativas (Sato, et al., 1992; Falesi et al., 2013; Faleiro, et al., 2019).
Inicialmente, no Brasil o maracujá era utilizado basicamente para fins medicinais. Já a partir da década de 70 do século passado, o fruto passou a ser comercializado “in natura” e após 1980 o maracujá também começou aser transformado em produto industrializado, principalmente na forma de sucos (Falesi et al., 2013; Sá, etal., 2015). Contudo, o consumo interno do maracujá é realizado mais comumente na forma “in natura” para retirada doméstica de sua polpa para o preparo de doces e sorvetes, além do seu tradicional suco (Pimentel et al., 2009).
Quanto à questão produtiva, assim como Avelino e Rodrigues (2016), Furlaneto, et al.,(2010) também afirmam que o Brasil é o maior produtor de maracujá do mundo, produzindo cerca de 70% do volume mundial, seguido de Equador com produção aproximada de 13% e da Colômbia, com produção estimada de 5%. Mesmo com as reduções percebidas na área cultivada e no volume de produção nos últimos anos, o Brasil ainda produz aproximadamente 700 mil toneladas de maracujá anualmente em quase 50 mil hectares plantados (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística , 2019).
Além da importância produtiva e comercial, o maracujá possui outros atributos contributivos quanto aos aspectos econômicos e sociais em todas as regiões do Brasil. A maioria dos produtores de maracujá que cultivam o fruto são pequenos produtores rurais, com características de agricultura familiar (Araújo, et al., 2004; Lima, 2012; Moreira, et al., 2012). Segundo Nogueira, et al.,(2004), Pimentel et al. (2009) e Lima (2012) a produção de maracujá ocorre principalmente em áreas que não ultrapassam cinco hectares. Estes aspectos colaboram com a permanência do homem no campo, especialmente quanto aos pequenos agricultores.
Outra questão importante da atividade do maracujá é relativa à empregabilidade. Um hectare de plantio de maracujá emprega em média dois trabalhadores de forma direta eaté quatro de forma indireta, enquanto a produção de grãos, por exemplo, de forma geral emprega 0,50 homem na mesma área (Nogueira et al., 2004; Hafle, et al., 2010). Araújo et al. (2004) comenta que a maioria dos gastos no cultivo do maracujá é relativo a mão de obra, já que a maioria das operações são manuais. A necessidade de mão de obra na cultura, deve-se especialmente aos vários tratos culturais demandados pela planta, como o plantio, adubação,controle de pragas, polinização artificial e colheita (Lima, 2012).
Historicamente, os estados da Bahia, Ceará, Santa Catarina e Minas Gerais são os estados brasileiros que mais produziram o fruto no país nos últimos anos (Avelino & Rodrigues, 2016; Furlaneto et al., 2010; IBGE, 2019). Embora grande parte da produção de maracujá seja realizada na região nordeste, representando mais de 60% da produção nacional, a região amazônica também congrega uma produção de maracujá relativamente significativa, especialmente nos estados do Amazonas, Pará e Rondônia.
Especificamente no estado de Rondônia, a produção do maracujá nos últimos anos é uma das mais destacáveis dentre a fruticultura. Além disso, do ponto de vista comercial, a produção do estado também é relevante, pois as lavouras na região são responsáveis pelo abastecimento interno do estado, além de prover a maioria do fornecimento nas capitais dos estados circunvizinhos (Oliveira, 2011).
De acordo com Souza et al. (2020), após observação a produção do fruto em Rondônia no período de 1997 à 2016, mesmo sendo percebidas algumas quedas na produção do estado em alguns anos, especialmente em anos anteriores a 2011, o território teve um expressivo ritmo de crescimento produtivo nos últimos tempos (ressalva-se que a produção do estado voltou a cair no ano2017 e 2018, seguindo o ritmo de produção brasileira do fruto).
De toda forma, estima-se que o cultivo do maracujá no estado de Rondônia contribuiu para o estado, gerando empregos e distribuindo renda, principalmente no campo. Além da questão econômica e social, o maracujá também pode proporcionar benefícios ambientais. Na realidade amazônica o cultivo da fruta também pode contribuir com o controle do desmatamento, já que as plantações não necessitam de grandes áreas, pois a maioria das plantações ocorrem em espaço inferior a cinco hectares (Nogueira et al., 2004; Pimentel et al., 2009; Lima, 2012; Furlaneto, 2012) –ao contrário do que ocorre, por exemplo com a pecuária extensiva que é uma das principais atividades responsáveis pelo desmatamento em Rondônia(Townsend, et al., 2007; Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais , 2018). Andersen (2015) também comenta que culturas perenes na região amazônica, como a laranja, pimenta e o maracujá, possuem uma abordagem agrícola mais sustentável, mesmo que seja necessário a utilização de fertilizantes e pesticidas.
Portanto, observado as diversas contribuições do maracujá, a presente pesquisa tem como objetivo central apurar e avaliar a produtividade do maracujá (Passiflora Edulis) na região central de Rondônia –Amazônia Ocidental, Brasil. Desta forma, para atingir este propósito, este estudo descritivo e exploratório, empregou a pesquisa bibliográfica e do estudo de campo junto a 37 (trinta e sete) produtores de maracujáda região, tratandoos dados qualitativamente e quantitativamente.
Desta forma, acredita-se que o trabalho possa ser pertinente a academia por enriquecer as pesquisas sobre o maracujá na região amazônica, que ainda são escassas (Souza, 2020). Além disso, a pesquisa também buscou contribuir com os produtores do fruto estabelecidos na região central de Rondônia –Amazônia Ocidental. A partir da apuração dos dados sobre a produtividade do maracujá e a avaliação dos principais fatores que o influenciam, espera-se que os produtores utilizem tais informações para um melhor gerenciamento da atividade, aumentando a produtividade, empregabilidade, geração e distribuição de renda na Amazônia.
Metodologia
Nesta seção são dispostos os procedimentos metodológicos empregados nesta pesquisa para o alcance dos objetivos diligenciados. Para Chizzotti (2005) a pesquisa deverá utilizar métodos adequados de acordo com o grau de complexidade oportunizados pelas questões estabelecidas na investigação. Desta forma, neste trabalho buscou estabelecer os métodos mais condizentes com o problema proposto, prezando em otimizar a realidade dos resultados.
2.1 Método e Tipo de Pesquisa
A presente pesquisa utilizou-se do método estatístico para descrever quantitativamente a realidade da unidade estudada,estabelecendo especialmentedeterminadas correlações, probabilidades e conclusões a partir dos cálculos estatísticos. Para Gil (2010), o método estatístico possui relativa precisão e por isso é aceito por boa parte de pesquisadores.Quanto ao tipo de pesquisa, relativo aos objetivos, o presente estudotrata-se de uma pesquisa exploratória e descritiva. Inicialmente o trabalhocontou com uma pesquisa exploratória utilizando-se de análise qualitativa. Na etapa subsequente foi realizada pesquisa descritiva, aproveitando de informações apuradas a partir da pesquisa exploratória anterior, na busca do estabelecimento de características, variáveis, relações e fatos relevantes percebidos no contexto do cultivo de maracujá na região central do estado de Rondônia –Amazônia Ocidental/Brasil –que pudessem contribuir com o atingimento dos objetivos do trabalho. Desta forma, como percebido, destaca-se que a pesquisa utilizou, quanto a sua abordagem, tanto a análise qualitativa quanto a quantitativa. Na oportunidade de realização da pesquisa exploratória empregou a análise qualitativa, enquanto que na fase posterior foram priorizadas a utilização da análise qualitativa e quantitativa na pesquisa descritiva.Quanto aos procedimentos, a pesquisa caracterizou-se como pesquisa bibliográfica e pesquisa de campo. A pesquisa bibliográfica, realizada a partir da análise de obras já publicadas, foi necessária para compreender os assuntos pesquisados. A pesquisa de campo foi utilizada na fase de investigação junto aos produtores rurais, empregando inclusive a pesquisa na modalidade survey e com o emprego em alguns momentos –durante as visitas aos produtores, como sugerido por Yin (2010) –da técnica de observação não participante para melhor entendimento do sistema produtivo do maracujá na região.
2.2 Local e Sujeitos da Pesquisa
Quanto a região escolhida, destaca-se que a pesquisa foi desenvolvida junto a produtores estabelecidos na região central de Rondônia –Amazonia Ocidental –especificamente nos municípios de Castanheiras (latitude11º25'03"S e a umalongitude61º56'19"O)e Novo Horizonte do Oeste (latitude 11°42'36'' S e a uma longitude 61°59'49'' O),pertencentes a microrregião rondoniense de Cacoal; e no município de Presidente Médici (latitude 11º10'33" S e a uma longitude -61º54'03" O), pertencente a microrregião rondoniense de Ji-Paraná.
Na Figura 1 a seguir são apresentadas as microrregiões de Rondônia, para melhor identificação e visualização da localidade onde fora procedido o estudo.

Em relaçãoaos sujeitos da pesquisa, estes foram os produtores de maracujá da região central do Estado de Rondônia –Amazônia Ocidental/Brasil –obtidos a partir de uma amostra não probabilística. Os produtores escolhidos foram osque iniciaram o plantio do maracujáa partir do segundo semestre de 2017 até janeiro de 2018. Para identificação dos produtores, após identificação do primeiro produtor, foi utilizada a técnica metodológica snowball, ou “bola de neve” para atingir os demais produtores. Desta forma, foram os próprios produtores, ao final de cada visita que indicavam novos produtores que possuíam as características desejadas na investigação. Isto ocorreu até iniciar o ponto de saturação, ou seja, osprodutores começaram a indicar produtores que já haviam sido pesquisados anteriormente. Com isso, obteve-se o quantitativo de 37 produtores nos três municípios.
2.3 Coleta e Tratamento dos Dados
A coleta dos dados iniciou em janeiro de 2018 a partir de uma entrevista semiestruturada, havendo o acompanhamento subsequente dos plantios quinzenalmente até o encerramento do primeiro ciclo produtivo 1. Assim, o período analisado compreendeu os meses de janeiro de 2018 à dezembro de 2018, sendo que os primeiros produtores com a primeira safra encerrada ocorreram em maio de 2018 e os derradeiros em dezembro de 2018.
Após a captura dos dados, os mesmos foram tratados para consecutiva análise para assim diligenciar atingir os objetivos propostos pelo trabalho. A partir disso, realizou-se o tratamento dos dados com emprego de cálculos matemáticos e estatísticos, especialmente quanto ao estabelecimento de frequências, medidas de dispersão e análise de correlação. Para realização dos cálculos matemáticos e estatísticos foram adotados o software Statistical Package for Social Sciences(SPSS) e o Microsoft Excel®.
Quanto à aplicação da correlação, como habitualmente empregada em ciências sociais, frisa-se que se utilizou o coeficiente de correlação de Pearson para análise do relacionamento entre as variáveis estudadas. Para análise da correção, que pode variar entre -1 e 1, adotou-se a classificação realizada por Cohen (1988), que considera“pequenas” as correlações(ou escores) entre 0,10 e 0,29; “médios”entre 0,30 e 0,49;e “grandes”entre 0,50 e 1 (também denominada por forte dependência por alguns estatísticos). Já para análise de confiança, aplicou-se a significância com pvalor aos patamares de 0,05 (nível significativo à 5%) e 0,01 (nível significativo à 1%) (Figueiredo Filho & Silva Júnior, 2009).
Resultados e Discussão
Nesta seção serão apresentados, analisados e discutidossobre os principais dadosprodutivos nocultivo do maracujá na região central de Rondônia –Amazônia Ocidental.
Características relevantes no cultivo do maracujá na região central de Rondônia –Amazônia Ocidental
Incialmente, antes mesmo da apresentação das informações sobre aprodutividadedo maracujá na região central de Rondônia –Amazônia Ocidental –para uma melhor compreensão sobrea realidade produtiva do fruto na região, foram realizadoslevantamentosde dadosque se jugam importantes para a pesquisa, especialmente para utilização posterior na análise estatística do estudo. Assim, são apresentados no Quadro1um resumo dos principais achados relativos as características produtivas do maracujá na região.

Com isso, após apresentação de algumas das principais características produtivas no cultivo do maracujá na região centralde Rondônia –Amazonia Ocidental –conforme dados apresentados no quadro 1, na sequênciaé procedido a avaliação da produtividade do maracujá naregião.
3.2 Avaliação da produtividade do maracujá na região central de Rondônia, Amazônia Ocidental/Brasil
Quanto a questão produtiva, a partir do acompanhamento da safra por produtor, foi possível identificar a produtividade do fruto na região, conforme disposto na Tabela 1.

De acordo com dos dados da tabela 1, pode-se constatar que a produtividade média foi de 224,55 caixas do fruto na primeira safra na região, equivalente a 3.592,83 kg ou ainda 3,59 toneladas. A significativa amplitude encontrada deve-se,além de alguns produtores de fato terem baixa/alta produtividade, por alguns produtores possuírem 7 (sete) vezes mais pés plantados do que outros.
Por isso, para melhor compreensão e comparabilidade das informações produtivas, é apresentado na tabela 2 osdados sobre o rendimento da produção na região.

Assim é possível observar que a produção média por pé na região na primeira safra foi de 0,78 caixas, ou aproximadamente 12,48 kg por pé. Ademais, dado relevante encontrado também se referea produtividade por hectare. Foiconstatado que houve um rendimento médio de 11,14 toneladas por hectares no período analisado, sendo que a maior produtividade encontrada foi de 29,06 toneladas por hectares em determinada propriedade. Se proporcionalizado a produção por hectare ao ano (vide extensão do ciclo produtivo anteriormente apresentado no quadro 1), pode-se concluirque na região a produção média foi de 13,70 toneladas por hectare por ano (produção de 11,14 / ciclo médio de 9,76 x 12 meses). Também é importante a análise do intervalo de confiança, que ficou entre 8,73 e 13,54 toneladas por hectare na região (ou 10,73 e 16,65 toneladas por hectare ao ano).
Araújo Neto (2004) em análise a produtividade submetidas a vários níveis de adensamento da fruta, encontrou produtividade na primeira safra de 11,94 toneladas, com adensamento de 1.841 pés por hectare. Araújo et al. (2004) mencionam produtividade de 40 toneladas ao ano por hectare na região do Submédio do São Francisco; semelhante a Moreira et al. (2012) que dispõe produtividade de42 toneladas no primeiro ano; já Lemos et al. (2012) estimam potencial de produção de até 80 toneladas na Zona da Mata Rondoniense.
Contudo, de forma geral a realidade produtiva brasileira do maracujá é diferente do encontrado em vários estudos. Segundodados do IBGE (2019), a produtividade média anual no país é de aproximadamente14,1 toneladas por hectareao ano, enquanto que no estado de Rondônia a média no período foi de 12,42 e nos municípios estudados foram de 16,16 em Presidente Médici, 13,26 em Castanheiras e 14,82 em Novo Horizonte do Oeste. Assim, de forma geral, nota-se que a produtividade do maracujána região estudada é similar as médias brasileiras e rondoniense.
Adicionalmente, as variáveis produtivas apuradas também foram submetidasa análise de correlação de Pearson, conforme apresentado na Tabela 3.

Conforme observado na Tabela 3, e considerando a classificação indicada por Cohen (1988), observa-se que a variável rendimento “tonelada por hectare” e “caixas por pé” possuem média dependência com a prática de assistência técnica (possui ou não possui assistência técnica), apresentando correlação de 0,439 e 0,496, respectivamente, e ambas com significância no nível 0,01. O achado é confirmado quando complementarmente se observa nos dados coletados a produtividade por produtor. Nota-se que os produtores que tiveram assistência técnica no período, perceberam uma produção 97,75% superior à média da produção da região (média de 22,03 toneladas/ha contra 11,14 toneladas/ha). Contudo, como evidenciado no quadro 1, a incidência de propriedades que possuem assistência técnica na região no cultivo do maracujá é mínima, o que compromete a produtividade de maracujá na região central de Rondônia.
Já quando correlacionada com o município, a variável rendimento “caixa por pé” possui dependência média, enquanto a variável rendimento “tonelada por hectare” possui uma grande dependência –com correlação de 0,501, inclusive está apresentando significância ao nível 0,01. Também em análise complementar, percebeu-se que a média de produção no município de Presidente Médici foi de 6,7 toneladas por hectare no período analisado (ou 8,71 toneladas por hectare ao ano), 10,1 em Novo Horizonte do Oeste (ou 10,91 toneladas por hectare ao ano) e 15,3 em Castanheiras (ou 19,53 toneladas por hectare ao ano).
Mesmo que a dependência seja pequenaentre a variávelprodutiva “tonelada por hectare” (-0,22) com o tempo em que o produtor trabalha na atividade, estima-se que o produtor que cultiva o fruto há vários anos (e na mesma propriedade) pode haver maior possibilidade de ter problemas com pragas edoenças (e consequentemente menor produtividade), até por isso Lemos et al. (2012) recomendam o revezamento da área do plantio. Nota-se que os produtores de Presidente Médici (município com menor produtividade), como já apresentado anteriormente, são os que cultivam o fruto a maior tempo, enquanto que os produtores que estão há menos tempo na atividade se concentram basicamente no município de Castanheiras (município com maior produtividade), o que pode explicar a dependência encontrada entre as variáveis.De fato, cabe frisar que em Presidente Médici foram observados problemas fitossanitários mais severos em algumas propriedades, o que pode ter comprometido o rendimento produtivo no município.
Por outro lado, as variáveis produtivas não sofreram dependência das demais variáveis de associação analisadas, como por exemplo, os investimentos realizados por hectare e o adensamento do plantio. Diferentemente do encontrado na região pesquisada, em estudo realizado por Araújo Neto (2004), percebeu-se a influência da concentração do plantio com a produtividade do fruto.
Conclusão
Como principais resultados da pesquisa tem-se que a produtividade média na região foi de 224,55 caixas do fruto na primeira safra, equivalente a 3.592,83 kg ou ainda 3,59 toneladas. Isto corresponde auma produção média de 0,78 caixas de maracujá por pé, ou aproximadamente 12,48 kg por pé. Quando apurado a produção por hectare, foi observado um rendimento médio de 11,14 toneladas por hectares no período analisado. A partir destes dados,apurou-se que aprodução média na região foi de 13,70 toneladas por hectare por ano, percebendo um intervalo de confiança entre 8,73 e 13,54 toneladas por hectare na região. Em relação a análise de correlação de Pearson realizada, destaca-se a média dependência da produtividade com a prática de assistência técnica (possui ou não possui assistência técnica). Adicionalmente foi investigado e percebido que os produtores que tiveram assistência técnica no período, perceberam uma produção 97,75% superior à média da produção daregião (média de 22,03 toneladas/ha contra 11,14 toneladas/ha).
Embora tenha-se encontrado na região produtividade condizente com os níveis nacionais e estaduais de produção, percebe-se a possibilidade de aumento dos volumes de produção do fruto. Para isso, conforme análise estatística empregada, tem-se a utilização da assistência técnica como uma das principais ações necessárias para que se fomente a produtividade na região central de Rondônia –Amazônia Ocidental. Portanto, muito emboraseja possível a contratação privada da assistência técnica pelos produtores, é fundamental a contribuição do Estado quanto a concessão deste subsídio, especialmente por ser sabido e vivenciado nesta pesquisa que a maioria dos cultivadores do maracujá são pequenos produtores.
Destaca-se que o período de auferimentoda produção foi um dos maiores obstáculo deste estudo. A apuração ocorreu até o encerramento da primeira safra do maracujá na região, sendo que a possibilidade de apuração de todas as safras (estimadamente cincosafra na região) poderia ter proporcionado dados mais robustos e consistentes, embora este fato não tenha proporcionado prejuízo a confiabilidade do estudo.
Como sugestões de trabalhos futuros, tem-se a realização do acompanhamento da produtividade do maracujá em demais microrregiões amazônicas, bem como a avaliação dos principais elementos/variáveis que interferem na produtividade do fruto na região, enfatizando a dependência da assistência técnica como variável produtiva. Além disso, seria salutar em estudos futuros o acompanhamento de toda a vida produtiva do fruto.

Fonte
SOUZA, Valdinei Leones de ; TAÑSKI, Nilda Catalina. Avaliação da produtividade do maracujá (Passiflora Edulis) na região central de Rondônia – Amazônia Ocidental. Research, Society and Development, v. 11, n. 13, p. e516111335789, 2022. Disponível em: <https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/35789>. Acesso em: 24 nov. 2022.