Agro exporta mais, mas pode ganhar menos
O agronegócio brasileiro começou 2026 com um resultado histórico nas exportações. Segundo dados do MAPA, o setor somou US$ 38,1 bilhões em vendas externas no primeiro trimestre, com um superávit de US$ 33 bilhões.
Mesmo com esse volume recorde, há um ponto de atenção importante: o crescimento veio mais pela quantidade exportada do que pelo preço. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a receita avançou 0,9%, enquanto os preços médios caíram 2,8%. Por outro lado, o volume embarcado cresceu 3,8%.
Na prática, isso significa que o Brasil está vendendo mais produto, mas recebendo menos por unidade. Esse movimento reflete um cenário internacional de preços mais pressionados, mesmo com boa demanda.
Um dos fatores que sustentaram esse resultado foi a ampliação dos mercados compradores. Só no primeiro trimestre, o país abriu 30 novos destinos para produtos agropecuários, somando-se a mais de 500 mercados conquistados nos últimos anos. Essa estratégia ajuda a reduzir a dependência de poucos compradores e aumenta a segurança comercial.
Ainda assim, a China segue como o principal destino das exportações, mantendo forte influência sobre o desempenho do setor.
Esse avanço em novos mercados é importante porque distribui melhor a demanda e reduz riscos. Em momentos de queda de preços internacionais, como o atual, ter mais compradores pode ajudar a manter o fluxo de vendas, mesmo com margens mais apertadas.
Exemplo:
Se você produz soja, milho ou carne, por exemplo, pode perceber que está conseguindo vender normalmente sua produção, mas com preços menos atrativos do que em anos anteriores. Isso acontece porque o mercado internacional está pagando menos por tonelada, mesmo com boa demanda.
Ou seja, produzir mais não garante automaticamente mais lucro — principalmente quando os custos de produção continuam elevados.
Orientação:
Fique atento à sua margem, não apenas ao volume vendido. Em cenários de preços mais baixos, controlar custos e buscar eficiência produtiva se torna ainda mais importante. Sempre que possível, avalie estratégias de comercialização antecipada para travar preços e reduzir riscos.