Adubação de Plantio na Cultura do Café
Adubação Orgânica
A matéria orgânica na cova/sulco de plantio tem duas finalidades principais. A primeira, é a de servir como fonte de nutrientes de disponibilidade lenta às plantas.
Devido a este fato, a maior parte dos nutrientes liberados durante sua decomposição, é assimilado pelas raízes das plantas, havendo pouca perda por lixiviação e por processos erosivos.
A segunda, é a de constituir-se em condicionador do solo, sendo responsável por melhor agregação das suas partículas, facilitando a infiltração de água; aumentar a CTC, ou seja, aumento das cargas negativas do solo, contribuindo para maior retenção dos elementos nutrientes aplicados através dos fertilizantes; complexar o alumínio com redução das formas tóxicas no solo; aumentar a retenção de umidade, etc. que provocam melhorias generalizadas no solo, levando a uma condição muito mais favorável ao crescimento e produção das plantas cultivadas.
Apesar de todas estas virtudes, a adubação orgânica não deve ser realizada de forma exclusiva, mas sim, de forma a complementar a adubação mineral e contribuir para potencializar a eficiência desta última.
A Tabela 2 apresenta sugestão para a realização da adubação orgânica, que é baseada no volume de solo dentro da cova/sulco de plantio.

Este volume (V) é facilmente determinado, bastando apenas que se multiplique o comprimento da cova (C0) largura (L), o resultado multiplica-se pela altura (A), ou seja, V = C x L x A.
Normalmente os valores das dimensões da cova é dado em metro (m). Portanto o resultado será em metro cúbico (m3).
Para fins de facilitar o cálculo, será dado um exemplo prático para uma cova com 0,25 m de comprimento por 0,20 m de largura e 0,30 m de profundidade. O resultado será igual a 0,015 m3. Este valor corresponde a 15 dm3 de solo dentro da cova.

A cova do exemplo dado, utilizando-se uma fonte de M.O. que exija relação solo: matéria orgânica igual a 4:1 terá 12 litros de solo e 3 litros de M.O.
Se o plantio é feito no sulco, o cálculo do volume de solo é feito da seguinte forma: largura da abertura do sulco (L), multiplicado pela profundidade (P), dividido por 2 e multiplicado pelo comprimento de 1 m (C), ou seja, V = (L x P)/2 x C.
Em geral é muito difícil misturar toda a terra do sulco com o calcário, fertilizantes e adubo orgânico, daí a necessidade de reduzir o volume pela metade.
Por exemplo, se um sulco tem 0,4 m de largura de boca, 0,4 m de profundidade, o volume total de terra em um metro de sulco será igual a 0,08 m3, ou seja, 80 dm3. Como a mistura de terra e fertilizantes será realizada aproximadamente apenas na metade inferior do sulco, teremos um volume de incorporação igual a 40 dm3.
É com base neste volume de solo que será calculado as quantidades de fertilizantes, calcários e adubo orgânico a ser aplicado em 1,0 m linear de sulco.
Adubação Fosfatada
O fósforo (P) é um dos nutrientes que maiscontribui para a formação e desenvolvimento do sistema radicular das plantas.
A adubação dentro da cova/sulco é o momento ideal para se aplicar o nutriente em profundidade para atender à demanda das raízes subsuperficiais e potencializar seu aproveitamento.
Este fato é particularmente verdadeiro para o fósforo que apresenta extrema dificuldade em se movimentar no solo (difusão) ao encontro das raízes absorventes.
Na Tabela 3, é apresentada sugestão para aplicação de fertilizantes fosfatados. A indicação é baseada em análise de solo que se encontra na primeira coluna da Tabela.

Na coluna seguinte verifica-se que as quantidades de fertilizante fosfatado diminuem, à medida que os teores de fósforo no solo aumentam.
Neste exemplo foi utilizado como fonte de fósforo, o fertilizante denominado superfosfato simples, apenas por ser a mais conhecida dos produtores; poderia, naturalmente, ser outra qualquer.
O importante é. preservar a informação contida na terceira coluna, onde é mostrado a quantidade de P2O5/dm3 de solo da cova/sulco. Finalmente, na última coluna, pode-se calcular o aumento teórico de fósforo no solo provocado pela adição do fertilizante fosfatado.
A princípio este aumento pode parecer exagerado, no entanto deve-se ter sempre em mente que boa parte do fósforo aplicado participa de reações no solo que o torna temporária ou definitivamente indisponível às plantas.
Estas reações são mais intensas nos solos argilosos e menos nos arenosos. Como consequência, ao se aplicar quantidades semelhantes de fósforo em ambos os solos, deverá ocorrer maior disponibilidade nos solos arenosos, podendo desta forma a quantidade ser diminuída em relação aos solos argilosos (Tabela 4).

Adubação Potássica
A aplicação de potássio (K) na cova/sulco de plantio é uma prática obrigatória, especialmente nos solos com carência deste elemento, embora a demanda pelas plantas jovens seja pequena.
É conhecido o efeito do potássio na formação do amido, cuja deficiência pode provocar menor crescimento das plantas, menor formação e desenvolvimento de ramos e folhas.
O potássio é particularmente muito demandado pelas plantas adultas em produção, devido à grande extração pelos frutos.

Tem sido demonstrado que a utilização de potássio nas práticas de adubação confere maiores níveis de K no tecido foliar e maior tolerância do cafeeiro à geada (CHAVES & MANETTI FILHO, 1990).
Na Tabela 5, é apresentada sugestão para a adubação potássica na cova/sulco de plantio em solo argiloso. A indicação é baseada no resultado de análise de solo.

Foi utilizado como fonte de potássio, o fertilizante conhecido como cloreto de potássio por ser bem conhecido dos produtores. Nada impede que outra seja utilizada.
O importante é manter inalterados os valores de K2O/dm3 de solo da cova ou sulco da terceira coluna. Na última coluna, observa-se o aumento teórico do teor de potássio no solo, devido ao fertilizante aplicado.
A princípio os valores podem parecer exagerados, porém devemos lembrar sempre que na implantação da lavoura é o momento ideal para se aplicar os fertilizantes em profundidade. Além disso, a planta pode utilizar esses nutrientes por longo período de tempo.
Na Tabela 6 é indicada a adubação potássica na cova/sulco de plantio para cafeeiros localizados em solos arenosos.

Adubação Com Enxofre
Tem sido documentado na literatura a importância do enxofre na nutrição e produção do cafeeiro. O enxofre nas plantas, forma substâncias determinantes da qualidade do produto, desempenhando importantes funções, sobretudo no metabolismo das albuminas e nas reações enzimáticas.
Especula-se que os grupos sulfidrilos (-SH) do tecido vegetal contribuem para aumentar a resistência das plantas ao frio e à seca.
Nas plantas jovens, como é o caso das mudas nos dois primeiros anos do cafeeiro, o suprimento de enxofre pode ser feito com a utilização de matéria orgânica de boa qualidade e aplicação de superfosfato simples ou gesso na cova/sulco de plantio (Tabela 7).

O uso posterior do sulfato de amônio como fonte de N, também será suficiente para manter satisfatório a nutrição com relação ao enxofre, durante o crescimento do cafeeiro.
Adubação Com Micronutrientes
O uso de micronutrientes na cova/sulco de plantio do cafeeiro, não é uma prática muito comum entre os produtores.

Este fato é verificado porque o produtor, tradicionalmente se habituou a utilizar matéria orgânica e macronutrientes.
Como a matéria orgânica é uma fonte muito segura de micronutrientes, até um passado não muito distante, o suprimento para as plantas podia ser exclusivamente feito através desta prática.
Com o manejo inadequado dos solos e seu consequente depauperamento, as evidências de carências de micronutrientes, especialmente boro e zinco passaram a ser mais frequentes.
Isto não indica, no entanto, que se deva aplicar indiscriminadamente micronutrientes em qualquer situação. Existem resultados de pesquisas que mostram um estreito intervalo entre valores foliares adequados e excessivos.
O excesso pode ser mais prejudicial que a falta. Afinal suprir a falta é muito mais fácil do que eliminar o excesso.
Em condições normais de uso do solo, a adequada adubação orgânica, supre as necessidades iniciais da planta jovem. Posteriormente, através de pulverizações e/ou aplicações no solo pode ser suprida a demanda da planta adulta.
O não uso de matéria orgânica na cova, em solos degradados e com histórico de deficiência de micronutrientes, pode levar à má formação inicial das plantas.
Diante desta situação indica-se a aplicação de micronutrientes conforme sugestão apresentada na Tabela 8.

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Fonte
CHAVES, Júlio César Dias. Manejo do Solo, Adubação e Calagem: Antes e Após a Implantação da Lavoura Cafeeira. 1ª ed. Londrina – PR: IAPAR, 2002.