Estudo da produção de milho no Brasil: Regiões produtoras, exportação e perspectivas.
O agronegócio é uma das principais atividades da economia nacional e de vital importância para a balança comercial brasileira. O milho é o segundo grão mais cultivado e exportado, perdendo apenas para a soja. Além disso, o cereal é o principal componente para a produção de ração animal, voltado para um dos principais segmentos do comércio exterior do Brasil, a cadeia produtiva de carne animal. Sendo assim, o objetivo deste artigo é investigar a produção nacional do milho, bem como, principais regiões e estados produtores, produtividade e áreas de plantio. Para tanto, foram coletados dados na Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os resultados mostram as duas principais regiões produtoras, Sul e Centro-Oeste, e que a 2ª safra, chamada de safrinha é a responsável pelo incremento da produção nacional do grão, em especial o estado do Mato Grosso, destaque como maior produtor nas últimas safras.
Introdução
O Agribusinessbrasileiro é um dos principais setores da economia nacional, e de fundamental importância para a balança comercial brasileira, segundo Souza et al. (2017). As exportações do agronegócio brasileiro no ano de 2016, representaram US$ 85,0 bilhões. Seu principal mercados foi a Ásia, com US$ 37,4 bilhões.Os compradores mais importantes foram a China com US$ 20,8 bilhões, União Europeia (28 países), com US$ 16,7 bilhões, seguida pelos EUAque importaram US$ 6,3 bilhões (DEAGRO, 2016).
De acordo com dados divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos USDA (2017), o milho é o grão mais cultivado. A produção mundial do grão atingiu 968 milhões (t) em 2016. No Brasil o cultivodo milho vem ganhando espaço e se apresenta como um dos principais segmentos econômicos do agronegócio brasileiro, sendo o segundo grão mais exportado. Em 2016, os EUA lideraram o ranking mundial dos principais produtores de milho, com 345 milhões (t), seguido pela China com 224 milhões (t) e o Brasil com 67 milhões (t) (DEAGRO, 2016) (USDA, 2017).
O Brasil tem aproveitado o crescente aumento da demanda mundial pelo milho, visto que, o maior produtor mundial, os EUA, tem destinado parte da sua colheita para produção de etanol. Outro fato que contribui para uma maior participação do Brasil no mercado internacional é implementação de novas tecnologias no plantio, expansão de áreas plantadas, e o aumento da produtividade tem permitido ao Brasil maior participação no mercado internacional (CONAB, 2017).
Diante deste contexto, o presente estudo tem como objetivo invesrtigar a evolução da produção brasileira do milho no Brasil, principais regiões e estados produtores, visando contribuir para para um melhor planejamento logistico de exportação, tendo as projeções de crescimento das exportações do grão no mercado internacional, conforme projeções do Ministério da Agricultura(MAPA , 2016)Para compreender o panorama da produção do milho brasileiro e o papel das regiões produtoras, optou-se por uma pesquisa quantitativa de caráter exploratório. Para tal, utilizou-se a base de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatítica (IBGE) e da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), observando as séries históricas.
A produção do milho no Brasil
No Brasil o milho é cultivado em duas etapas, 1º e 2ª safra. A região Centro-Oeste é a grande responsável pela produção da segunda safra.

Fonte: (DEPEC 2017).
Observa-se na tabela 1 a importância da segunda safra, também conhecida como safrinha, para o calendário nacional agrícola do milho. Enquanto que a primeira safra representa 40% da produção nacional, segunda safra é responsável por 60% de toda aprodução brasileira.7
O fato do plantio da segunda safra ser efetuado logo após a colheita da soja e no mesmo local, tem permitido uma maior produtividade da safrinha do milho, em virtude do aproveitamento dos resíduos de fertilizantes no solo dessas áreasde plantio (REIS et al., 2016).
Segundo a CONAB (2017), através do acompanhamento da série histórica da produção de grãos brasileiros, iniciado na década de 70, registram um aumento de mais de 245% na produção do milho nos últimos 39 anos. Os estudos consideram as safras de 1976/77 a 2015/16 (Fig. 1).

Observa-se na Figura 1, o primeiro registro de produção do grão na safra 1976/77, com 19 milhões (t) produzidas. Na safra de 1986/87 os dados apontam 26 milhões (t). Na década de 90, em especial a safra de 1996/97 o volume foi de 35 milhões (t). Já a safra de 2006/2007, 51 milhões (t), apontando um crescimento exponencial na produção nacional do cereal.
Em que pese uma significativa queda na produção da safra 2015/16 com 21,4% com 66 milhões (t) em comparação com a safra de 2014/15 de 84 milhões (t), as estimativas da CONAB indicam uma colheita recorde em torno de 91 milhões (t)para safra 2016/17.
Referente as áreas de plantio, poucas foram as alterações. Os estudos evidenciaram que no ano de 1976, 11,7 milhões hectares eram destinados a plantação da cultura do milho no Brasil. Comparando com a safra de 2015/16, houve uma expansão de 34,97%, considerando uma área para cultivo de 15,9 milhões de hectares.
Uma média de 13,2 milhões de hectares disponíveis para o cultivo ao longo da série histórica de 40 anos. A implementação de novas tecnologias tem contribuído para significativos patamares de produtividade no Brasil, que comprovam que o setor vem se profissionalizado (Figura 2). As novas tecnologias estão associadas a cultivares de alto potencial genético (híbridos simples e triplos) e transgênicas; espaçamento reduzido associando à maior densidade de plantio; melhoria na qualidade de sementes; controle químico de doenças; correção de solos (EMBRAPA, 2017).

Como ilustra a Fig. 2, em termos comparativos, a safra de 2015/16 teve uma produtividade de 4.178 kg/ha, cerca de 250% a mais que à safra de 1976/77, onde o Brasil colheu 1.632 kg/ha. As duas safras de maior destaque ao longo da série histórica foram a de 2014/15 com 5.396 kg/ha e de 2012/13 com 5.149 kg/ha. Na média da série histórica, houve uma variação de mais de 33% no aumento da produtividade ao logo dos 39 anos (Fig. 3).

Para o IBGE (2017), que pesquisa o ano civil, a projeção de colheita da commoditydo milho é de 96 milhões (t) para o ano de 2017, um crescimento de 52% em relação a produção do ano 2016 que foi de 63 milhões (t), como podeser observado na Quadro1.


Fonte: IBGE (2017).
Regiões produtorasDe acordo com a CONAB (2017), a produção nacional do milho está nas Regiões Sul, Centro-Oeste e Sudeste. Os cinco principais Estados produtores, são, por ordem de grandeza, Paraná, Mato Grosso, Minas Gerais, Bahia e Pará.
Aolongo das quatro décadas, a expansão territorial agrícola no Brasil tem crescido significativamente. Até as décadas de 1980 e 1990 a produção agrícola nacional era realizada especificamente na região Sul do país. O aumento de demanda pelo grão nacional ea disponibilidade de terras mais baratas, propiciaram o deslocamento da produção da região Sul para o norte do Brasil, com destaque região Centro-Oeste. Para Caldarelli e Bacchi (2012), outros fatores alavancaram a expansão da cultura do milho em terras brasileiras. Maior rentabilidade do agricultor com a valorização do grão, desregulamentação da economia, acordos internacionais com redução das tarifas de importação, impulsionaram a produção nacional de grãos colocando o país a um patamar de maior competitividade.
Desse modo, pode-se observar uma nova configuração na produção nacional, bem como nas regiões produtoras (Figura 4). Para CONAB (2017), o aumento da produção está diretamente relacionado a dois fatores, a utilização de novas áreas agricultáveis em novas fronteiras agrícolas e a implementação de tecnologias voltadas a promover maior produtividade nas tradicionais áreas de cultivo (Sul e Sudeste).

Conforme ilustrado na Figura 4, a partir de meados da década de 1980, configura-se uma nova dinâmica de produção do milho em regiões brasileiras.
Dados analisados com base no período das safras de 1990/91 a 2015/16 indicam a região Centro-Oeste como maior produtora do grão, com crescimento de 520%. Em segundo lugar a região Norte com 215% de expansão, seguida pela Sul, Nordeste e Sudeste com 164%, 69% e 19% respectivamente.
Apesar da região Centro-Oeste tem apresentado o maior crescimento em termos de produção, a região Sul se destaca com maior eficiência em produtividade, como pode ser observado na Figura 5.

Fonte: CONAB (2017).
Os estudos observados na Figura 5,indicam a região Sul como a maior produtividade do Brasil, foram colhidos 6.068 kg/ha na safra de 2015/16. Em segundo lugar no ranking maior produtividade do cereal encontra-se a região Sudeste com 4.775 kg/ha, seguida pelo Centro-Oeste com 3.996 kg/ha. Com exceção a safra de 2011/12, onde foram colhidos 4.953 kg/ha, a região Sul se apresenta com o maior índice de produtividade entre as regiões, considerando as safras de 2006/07 a 2015/16.
Principais estados produtores
No que concerne aos principais estados produtores, o Paraná aparece como o maior produtor do grão até a safra de 2011/12. Entretanto, a partir da safras seguintes, conforme série histórica (Fig. 6), o Mato Grosso assume o protagonismo no raking dos maiores produtores do grão, com os volumes de 19, 18, 20 e 15 milhões (t) produzidas nas últimas quatro safras. O que permitiu o impulso da produção no Mato Grosso, além do aproveitamente das terras produtoras de soja (2ª safra), a expansão de terras agricultáveis.
Ao longo do acompanhamento da serie histórica é possível notar que Paraná dispunha de 2.153 mil/ha (1976/77) contra 2.612 mil/ha(2015/16), uma expansão de terras de 21,3%. Já o Mato Grosso, teve uma expansão de 1.436,6% no mesmo período. Suas primeiras terras disponiveis para a cultura do milho era de 542 mil/ha (1976/77) contra as atuais 3.800 mil/ha(2015/16).

Fonte: CONAB (2017).
Os estudos também evidenciaram queda na produtividade dos dois principais estados produtores, considerando a safra de 2015/16 em relação a 2014/15. O Paraná registrou uma queda de 14,1% contra 33,9% de estado do Mato Grosso. Contudo, ao longo da série histórica o estado do Paraná detém a maior participação de produtividade entre os estados produtores.
Exportação
O milho é o principal macro ingrediente para a produção de ração animal. A suinocultura e a avicultura de corte são os grandes propulsores do consumo nacional do milho. Para Reis et al. (2016), o cultivo do milho tem como destino atender a demanda interna,voltada a produção de ração animal.
Além do que, o grão supri também a indústria alimentícia para consumo humano e outros produtos em gerais. O excedente da produção é absorvido pelo mercado internacional. Ainda que os aumentos da produtividade do grão seja expressivo, o Brasil não é um exportador tradicional do grão. Desse modo, a produção brasileira segue a tendência determinada pelas demandas do mercado doméstico, apresentando pouca interação com o mercado internacional (CALDARELLI e BACCHI, 2012).
Dados coletados no portal da Aliceweb apontam que não obstante a queda de 24,4% nas exportações em relação ao ano anterior, no ano de 2016 o Brasil exportou 21 milhões (t) de milho (MDIC, 2017).
Figura 7–Dez principais mercados do milho brasileiro.

Fonte: Trade Map -Trade statistics for international business development (2017).
A Figura 7 ilustra os cinco principais destinos do cereal no ano de 2016. Entre os principais compradores estão o Irã na liderança do ranking com 21% das exportações. Em segundo lugar aparece o Vietnã com 13%, seguido por Japão, Malásia e Coréia do Sul, com 12%, 7% e 6% respectivamente.
Conclusões e Perspectivas
Visando descrever o panorama do plantio do milho brasileiro, o presente estudo conclui que, de acordo com a série histórica de 1976/77 a 2015/16, a produção nacional do grão cresceu 245,5%. Observou-se um incremento de 250% na produtividade no mesmo período, tendo uma variação de aproximadamente de 33% na média da série histórica, comparado entre as décadas de colheita. Referente as áreas de cultivo, houve uma expansão média de 34,97%, saltando de 11,7 para 15,9 milhões de hectares de áreas destinadas ao cultivo do cereal. Além disso, a partir de meado da década de 1980, o cultivo do milho se deslocou da região Sul e Sudestepara as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Das principais novas fronteiras produtoras do milho, o destaque ficou para a região Centro-Oeste, com ganhos de produção de 520%. Evidentemente a 2ª safra a grande responsável pelo crescimento da região. No ranking dos cinco principais estados produtores estão o Paraná, Mato Grosso, Minas Gerais, Bahia e Pará. O Paraná até a safra de 2011/12 manteve a liderança absoluta do maior produtor nacional do grão. No entanto, a partir da safra de 2012/13, o Mato Grosso assumiu a liderança. O crescimento das áreas disponiveis para plantio, justificam a produção dos dois principais estados produtores. O Paraná teve uma expansão de 21,3% ao longo do periodo estudado (1976/2016), porém o Mato Grosso teve um crescimento exponencial, 1.436,6% no mesmo período. Por último, o crescimento da produção da proteina animal e o aumento da demanda mundial pelo milho que norteará a cadeia produtiva nacional do milho. Deste modo, os próximos estudos poderão se concentrar na melhora logística das principais regiões produtoras.
Referências Bibliográficas
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Fonte
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