Pecuária

A Influência no Desenvolvimento no Fruto do Tomateiro

Daniel Vilar
Especialista
5 min de leitura
A Influência no Desenvolvimento no Fruto do Tomateiro
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Assim como a iniciação floral, este estádio do desenvolvimento reprodutivo é crítico, uma vez que envolve uma sequência de eventos, incluindo polinização, germinação do grão de pólen, crescimento do tubo polínico, fertilização dos óvulos e iniciação do crescimento do fruto, os quais são influenciados por fatores ambientais e endógenos (KINET; PEET, 1997).

Pouco antes da antese da 1ª flor do cacho, a atividade dreno da inflorescência é mínima; na antese, o crescimento do ovário pára e é retomado após a fertilização juntamente com o incremento na importação de assimilados pela inflorescência e pelo ovário (ARCHBOLD; DENNIS; FLORE, 1982).

Fatores Ambientais

Apesar de a estrutura floral facilitar o processo de polinização e de os cachos sofrerem movimentação pela ação do vento e/ou por práticas culturais, como desbrotas e amarrios, a polinização pode ser insuficiente devido à natureza pegajosa dos grãos de pólen, principalmente sob condição de alta umidade relativa do ar e baixas intensidades de luz e de temperatura (PICKEN, 1984). Em casa de vegetação, sobretudo no Hemisfério Norte, é comum o uso de vibradores nos cachos (eletric bee) com a função de promover a queda do pólen sobre o estigma e, consequentemente, a polinização (PICKEN, 1984; ERCAN; VURAL, 1994; KINET; PEET, 1997). A polinização é extremamente importante, havendo relação linear e correlação positiva entre o número de grãos de pólen liberados sobre o estigma e a frutificação (SATO; PEET; THOMAS, 2000).

O prolongamento do estigma além do cone anteriodal também pode causar falha na polinização e consequente aborto floral. Apesar de o comprimento do estilo ser controlado geneticamente e de o estigma estar receptivo a partir de 16-18h antes e até seis dias após a antese, condições de luz deficientes, de altas temperaturas, disponibilidade de nitrogênio e aplicação exógena de GA podem promover o crescimento antecipado e demasiado do estilo, provocando falha na polinização (FERNANDES-MUÑOZ; CUARTERO, 1991; KINET; PEET, 1997).

Quando viáveis e sob temperatura adequada, os grãos de pólen germinam três horas após, e o tubo polínico penetra no óvulo 24 horas após a polinização (ERCAN; VURAL, 1994). À temperatura de 18-25ºC, a viabilidade do grão de pólen pode ser mantida por 2-5 dias após a antese. Porém, extremos de temperatura (acima de 37,5ºC ou abaixo de 5ºC) limitam a germinação do grão de pólen e inibem o crescimento do tubo polínico (ERCAN; VURAL, 1994; SATO; PEET; THOMAS, 2000).

A receptividade do estigma também é prejudicada por temperaturas elevadas (CHARLES; HARRIS, 1972), enquanto baixas temperaturas reduzem a quantidade e a viabilidade do grão de pólen, afetando a frutificação e a produtividade (ERCAN; VURAL, 1994). A temperatura noturna parece exercer papel chave nos processos reprodutivos, uma vez que, em condições de clima quente, o incremento na diferença da temperatura diurna/noturna de 1ºC para 4ºC durante a frutificação proporcionou aumento no número total de frutos e no percentual de frutos maiores (WILLITS; PEET, 1998).

Temperaturas entre 21-30ºC durante o dia e 15-21ºC durante a noite são consideradas, para a maioria das variedades cultivadas do tomateiro, as mais favoráveis ao processo de fertilização (RUBATZKY; YAMAGUCHI, 1997). A irradiância e a umidade relativa do ar parecem exercer efeito menos acentuado do que a temperatura sobre esses processos (PICKEN, 1984; FERNANDESMUÑOZ; CUARTERO, 1991). Uma vez ocorrida a fertilização, a irradiância torna-se fundamental, pois ovários fertilizados cessam sua expansão devido à baixa irradiância, alta temperatura e interação entre estes fatores (KINET; PEET, 1997).

Em termos de irradiância, o estádio crítico ocorre entre a antese e o início da frutificação, mas quanto mais tardia for a deficiência de luz, menos afetado será o crescimento dos frutos, pois baixa irradiância durante duas semanas seguidas à antese da primeira flor do cacho impede o crescimento da maioria dos frutos do cacho (MCAVOY et al., 1989).

O efeito inibitório da deficiência de luz no crescimento dos frutos parece estar relacionado com a competição por fotoassimilados entre as estruturas reprodutivas e os órgãos vegetativos, visto que o decréscimo da temperatura em 4ºC, o incremento na concentração de CO2 do ar ou a retirada contínua de folhas jovens ou a decapitação da planta estimularam a frutificação (KINET, 1980, apud KINET; PEET, 1997). Existe forte competição por assimilados entre cachos e entre frutos de uma mesma inflorescência, em que os distais são inibidos pelos proximais (BANGERTH; HO, 1984), especialmente quando a luz é limitante (KINET; PEET, 1997).

Reguladores de Crescimento

A atuação hormonal no estádio de frutificação ainda não está bem clara. Entretanto, sementes são fontes de auxinas, sendo que o conteúdo de auxina endógena alcança o pico entre 7 a 10 dias após a antese (IWAHORI, 1967; MAPELLI et al., 1978). Além disto, a aplicação de auxina exógena também estimula a frutificação (WITTWER; BUKOVAC, 1962, apud KINET; PEET, 1997; RUBATZKY; YAMAGUCHI, 1997).

Apesar de que a presença de sementes pareça não ser essencial para o crescimento do fruto (VERKERK, 1957, apud KINET; PEET, 1997), a aplicação exógena de auxina durante períodos de frio promove a frutificação (como forma de contornar a deficiência da polinização) (RUBATZKY; YAMAGUCHI, 1997).

As giberilinas também parecem estar envolvidas no controle da frutificação em tomate, pois, sob baixa irradiância, quando aplicadas na inflorescência durante a antese, promovem a frutificação. Ademais, seu conteúdo é elevado em ovários de cultivares partenocárpicos (MAPELLI et al., 1978). Altos níveis de poliaminas (putrescina, espermidina e espermina) foram encontrados em grãos de pólen germinando, possivelmente participando do crescimento do tubo polínico (SONG; NADA; TACHIBANA, 2001).

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Fonte

Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural. Tomate. Vitória – ES: Incaper, 2010.

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