Pecuária

A Importância da Radiação para a Cultura da Soja

Daniel Vilar
Especialista
4 min de leitura
A Importância da Radiação para a Cultura da Soja
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No caso da cultura da soja, a radiação solar está relacionada com a fotossíntese, elongação de haste principal e ramificações, (CÂMARA, 2000). Maior eficiência no uso da radiação solar é importante para o rendimento da cultura da soja, principalmente durante o período de enchimento de grãos (SHIBLES; WEBER, 1966).

Por ser uma planta C3, a soja é menos eficiente na utilização de radiação solar e água, encontrando-se em desvantagem quando comparada com plantas daninhas do tipo C4, que competem por esses recursos durante o ciclo de desenvolvimento. A quantidade de luz e CO2 determina a resposta fotossintética das folhas. Em algumas situações, a fotossíntese é limitada por um suprimento inadequado de luz e CO2, em outras, a absorção demasiada de luz pode provocar problemas sérios, razão pela qual mecanismos especiais protegem o sistema fotossintético de luz excessiva (TAIZ; ZIEGER, 2004).

As folhas absorvem o máximo de luz quando o limbo está perpendicular à luz incidente. A soja controla a absorção de luz ajustando-se seu limbo de forma que ele fique perpendicular aos raios solares. Assim, a planta consegue manter a máxima taxa fotossintética permitida ao longo do dia, inclusive pela manha e no final da tarde (TAIZ; ZIEGER, 2004).

A radiação solar, ao atingir a folha, pode ser refletida, absorvida ou transmitida, sendo isso influenciado pela densidade das folhas e pelo modo como essas folhas estão dispostas em relação à radiação incidente. Dessa forma, apenas parte dessa radiação incidente é aproveitada pelas plantas, sendo dependente de parâmetros físicos, biológicos e geométricos. Dentre esses, o índice de área foliar é um dos fatores que mais afeta a interceptação e o nível de atenuação da radiação.

O índice de área foliar (IAF) é definido pela soma de toda a superfície foliar em determinada área de solo. Assim, o IAF deve proporcionar interceptação em torno de 95% da quantidade de radiação solar (WELL, 1991), pois a produção de grãos vai depender da taxa fotossintética do dossel. O IAF de soja, necessário para garantir rendimentos elevados, varia entre 3,5 a 4,5m² para cada m² de área de solo, ou seja, uma relação aproximada de 4:1. Dessa forma, deve-se cultivar soja com o objetivo de obter esse IAF o mais rápido possível, para melhor aproveitamento dos recursos do ambiente e, consequentemente, maior produtividade. Assim, fatores como temperatura e fotoperíodo adequados estão ligados diretamente a época e local de semeadura, bem como as características de cada genótipo, que são fundamentais.

A utilização de cultivares de grupo de maturidade inadequado para determinada região pode reduzir o tempo para o florescimento, o que reflete negativamente no desenvolvimento da área foliar e, consequentemente, na otimização dos fatores primários de produção orgânica (radiação solar, fotossíntese) (RODRIGUES, 2006).

Gassem (2002) afirma que, com base na biologia da planta, é preciso manter a área foliar e estabelecer a decisão de controle de pragas ou doenças foliares, a partir das necessidades da planta e evitar índices de desfolhamento causados por insetos ou por doenças. Plantas de soja com IAF 7:1 toleram mais de 40% de desfolhamento, enquanto aquelas com IAF 3:1 não o permitem.

A quantidade de área foliar ótima é complexa, pois os cultivares possuem diferentes características. Dessa forma, o valor exato depende, além do cultivar, da intensidade de luz, forma e ângulo da folha, dentre outros fatores. O número de folhas, por sua vez, depende da taxa de desenvolvimento e da manutenção dessas folhas verdes no caule e nos ramos laterais. O incremento de carbono na planta de soja não está somente relacionado à taxa de troca de CO2 das folhas individualmente, mas também à área total de folhas de planta e à duração de área foliar (BEGÔNIA et al., 1987).

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Fonte

SEDIYAMA, Tuneo; SILVA, Felipe; BORÉM, Aluízio. Soja: do Plantio à Colheita. Viçosa – MG: Editora UFV, 2015.

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