A Importância da Matéria Orgânica no Solo
Conforme sua própria denominação e princípios a agricultura orgânica, emprega de preferência os nutrientes na forma orgânica.
O objetivo é que o produtor regenere o solo com matéria orgânica, de forma que o mesmo tornado agora um solo vivo, forneça os nutrientes necessários para as plantas, sem necessidade de contínuas incorporações, como ocorre na agricultura convencional.
A matéria orgânica presente nos solos é formada por restos animais e vegetais em diferentes fases de decomposição, decomposição esta realizada pelos organismos decompositores - a micro e mesovida do solo - fungos, bactérias, minhocas, cupins, etc.
Portanto, a matéria orgânica é o alimento da vida do solo e como ela está em constante decomposição, nós precisamos também repô-la com frequência.
Durante a decomposição são liberados nutrientes, água e gás carbônico, e são formadas outras substâncias orgânicas entre as quais o húmus, que além de funcionar como cimento na formação dos agregados de areia-silte-argila, tem também a mesma capacidade da argila de atrair e reter nutrientes, só que em grau muito mais elevado.
A matéria orgânica tem a capacidade de reter duas a três vezes maior o seu volume a água, que será fornecido para as plantas e para a vida de toda flora e fauna presente no solo, assim como manter a sua temperatura em condições adequadas à vida.
Além dos nutrientes encontrados nos adubos orgânicos, as plantas podem absorver grandes quantidades de moléculas orgânicas como: aminoácidos, proteínas, enzimas, vitaminas, antibióticos naturais, alcaloides, etc.

Estes produtos promovem uma maior vitalidade e resistência das plantas, sendo resultados da atividade biológica do solo e da decomposição da matéria orgânica.
As plantas cultivadas em solos adubados com matéria orgânica são mais resistentes às pragas e às doenças por dois motivos principais: estão nutricionalmente equilibradas porque recebem todos os nutrientes que necessitam, tanto macro como micronutrientes, sem falta nem excesso; a atividade biológica produz diversas substâncias, inclusive antibióticos, que protegem as plantas dos microrganismos que causam doenças.
Qualidade da matéria orgânica
A adubação orgânica é importante para o solo quando é feita com qualidade, fornecendo níveis adequados de nitrogênio e de carbono, como biomassa.
A matéria orgânica além de fornecer nutrientes para as plantas apresenta outras vantagens como: aumentam o volume de espaços vazios no solo e sua agregação.
Desta maneira, o solo estará dotado de permeabilidade e retenção de água, pelo qual se incrementará a drenagem e proteção contra temperaturas excessivas. Para uma boa disponibilidade de matéria orgânica para as plantas, a análise do solo deve apresentar um teor acima de 3% de Matéria Orgânica.
O material orgânico a ser empregado como adubo deve estar totalmente decomposto, para que não ocorra fermentação no solo.
A má decomposição provoca acidificação do terreno, pela retirada de oxigênio, e isto causa danos a germinação das sementes e desenvolvimento das raízes (enfraquecimento) das plantas crescidas.
O gás metano e amônia, formados no processo de fermentação, enfraquecerão as raízes e causarão a má formação dos brotos.
Assim como ocorre com os nitrogenados solúveis, a incorporação de matéria orgânica não decomposta (muito ricas em nitrogênio e com carência de potássio), como esterco de galinha e outros, favorecem a sensibilidade das plantas ao ataque de moléstias e insetos sugadores (ácaros e pulgões).
Os compostos orgânicos e biofertilizantes são fornecedores de estirpes de microrganismos, sendo favoráveis a aceleração e a condução adequada da decomposição da biomassa vegetal (ricas em carbono) presente no solo, fazendo assim uma compostagem diretamente no terreno, chamado de Compostagem Laminar.
Os produtos orgânicos a serem utilizados para a fertilização não podem ser provenientes de resíduos contaminados por metais pesados e componentes químicos tóxicos e agrotóxicos.
Quando de origem externa da propriedade, precisam ser homologados pela legislação e regulamentações das entidades certificadoras de agricultura orgânica, tanto a nível nacional, quanto internacional.
O valor do húmus
O húmus melhora não apenas as propriedades físicas do solo, através da sua estruturação, mas também melhora as suas propriedades químicas, isto tanto nos solos arenosos como nos solos argilosos.
Mas, nas condições de clima tropical e subtropical, o húmus não é estável, ele não se acumula como nos solos de clima temperado; pelo contrário, ele continua sendo decomposto em nutrientes, água e gás carbônico, através da atividade das bactérias do solo, o que resulta na perda da estrutura dos agregados e no comprometimento da fertilidade, diretamente ligada à essa estrutura.
Numa agricultura ecológica, como no sistema orgânico, é recomendado o emprego do húmus sempre em complementação com a aplicação de elevadas quantidades de matéria orgânica, como compostos orgânicos, que permitem a sobrevida da fauna do solo, como macro e microrganismos.

A agricultura orgânica preconiza a reposição constante de matéria orgânica morta para alimentar a atividade biológica que produz húmus, o que pode ser feito de várias formas, entre as quais a adubação verde e a adição de composto.
Manejo da matéria orgânica
Deve ser considerada numa agricultura ecológica que a fertilidade do solo e sua atividade microbiana deverão ser aprimoradas ou conservadas mediante o aporte de quantidade suficiente de material biodegradável de origem vegetal ou animal.
Dessa forma, o material orgânico utilizado na adubação deverá preferencialmente ter origem conhecida, sem a possibilidade de contaminações químicas ou biológicas, sendo melhor se produzido na própria unidade agropecuária.
A recomendação é que a matéria orgânica seja aplicada, preferencialmente, na superfície do solo ou incorporada superficialmente para melhorar ou manter sua estrutura e fertilidade.
Quanto aos cultivas orgânicos, deverão ser suplementadas com materiais naturais, de acordo suas especificidades, sendo que as fontes de nutrientes deverão ser usadas de maneira eficiente e sustentável, considerando períodos e locais apropriados para otimizar seus efeitos.
As práticas de manejo do esterco nas áreas de alojamento, estabulação ou pastoreio do gado, deverão ser implementadas de maneira que as instalações de armazenagem e manipulação do esterco, incluindo as instalações de composto, deverão ser projetadas, construídas e operadas de maneira que previnam a contaminação das águas subterrâneas ou superficiais e minimizem a degradação do solo e da água.
As taxas de aplicação de esterco devem ser em níveis que não contribuam para a contaminação das águas subterrâneas ou superficiais, por nitratos e bactérias patogênicas e otimizem a reciclagem de nutrientes.
Não devem ser realizadas queimadas ou qualquer prática em desacordo com os regulamentos técnicos da produção orgânica.
É necessário cuidado, no momento e os métodos de aplicação do esterco não devem aumentar o potencial de escorrimento em direção aos reservatórios, rios e riachos, pelo elevado risco de contaminação.
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Fonte
PENTEADO, Silvio Roberto. Adubação Na Agricultura Ecológica: Cálculo e Recomendação Numa Abordagem Simplificada. 3ª ed. Valinhos - SP: Via Orgânica, 2019.