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Doenças em Pimenteira-do-reino Causadas por Fungos

Daniel Vilar
Especialista
9 min de leitura
Doenças em Pimenteira-do-reino Causadas por Fungos
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As doenças mais comuns em pimenta-do-reino são:

  • podridão-das-raízes ou fusariose
  • murcha-amarela
  • queima-do-fio
  • antracnose

A fusariose é a principal doença, embora avance mais lentamente no plantio, principalmente por diminuir a produção e a vida útil dos pimentais. A murcha-amarela, embora ocorra apenas em algumas cultivares, pode levar um pimental à morte em pouco tempo, por disseminar-se rapidamente entre as plantas.

Já a queima-do-fio e a antracnose não chegam a causar perdas significativas de produção, mas a antracnose ainda pode causar desfolha acentuada e consequente perda de plantas em viveiros de mudas.

Podridão-das-raízes

Mais conhecida como fusariose, a podridão-das-raízes é uma doença grave, que pode trazer muitos danos para um pimental, com redução anual de 3% da área cultivada e da produção.

Um pimental sadio tem uma vida útil de 12 anos ou mais. Com fusariose, essa vida útil não passa de 5 ou 6 anos. Isso dificulta muito a manutenção do pimental, principalmente para os pequenos produtores ou agricultores familiares, que não tem o retorno devido pelo alto investimento feito no plantio, pois não há cultivares comerciais resistentes nem controle químico eficaz para a doença.

  • Fungo causador: Fusarium solani f. sp. piperis.
  • Também conhecida como fusariose.
  • Prejuízo anual: 10 milhões de dólares e redução de 3% da área cultivada.
  • Diminui a vida útil do pimental de 12 para 5 ou 6 anos.
  • Não há cultivares comerciais resistentes, nem controle químico eficaz.
  • O período chuvoso favorece a multiplicação do fungo e a contaminação de plantas vizinhas.

Sintomas

A infecção da fusariose geralmente começa pelas raízes mais jovens e secundárias de plantas com mais de 2 anos de idade. Com o apodrecimento das raízes, começam a aparecer os sintomas mais visíveis, como o amarelecimento e a murcha das folhas, que caem no solo ou necrosam e ficam aderidas ao estacão (Figura 1).

Como o período chuvoso favorece a fusariose, nas condições paraenses de cultivo é comum as plantas morrerem depois de 2 ou 3 anos com a doença.

No estágio avançado, a podridão alcança o colo da planta, ficando visível o escurecimento dos tecidos internos do caule (Figura 2).

Prevenção e controle

Não existe controle químico eficiente para a fusariose no campo e também não há cultivares resistentes à doença. Por isso, é muito importante adotar algumas medidas no plantio dos pimentais, como:

  • Utilizar estacas ou mudas de plantas comprovadamente sadias ou vindas de viveiros credenciados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Se as mudas estiverem contaminadas, a perda poderá ser total ainda no primeiro ano após o plantio, pois a infecção em raízes jovens é muito mais agressiva.
  • Em terrenos planos ou em baixadas, deve ser evitado o encharcamento do solo, que, por si só, causa o apodrecimento das raízes e pode agravar a infecção pelo patógeno.
  • Durante as capinas e outros tratos culturais, é preciso evitar ao máximo o ferimento das raízes localizadas nas camadas mais superficiais de solo, para que o processo de infecção não seja acelerado, sendo recomendável a manutenção da cobertura vegetal, viva ou morta, nas entrelinhas.

Lembre-se: Não existe tratamento para recuperar uma pimenteira com podridão-das-raízes. Uma vez doente, a planta deve ser retirada e queimada fora do pimental, para diminuir a disseminação do patógeno na área.

Murcha-amarela

A murcha-amarela também pode causar sérios prejuízos à produção de pimenta-do-reino, principalmente para os produtores de pimenta-branca que utilizam a cultivar Guajarina, que não é resistente à doença.

  • Fungo causador: Fusarium oxysporum.
  • Pode causar sérios danos à produção.
  • Ocorre em qualquer época do ano.
  • No Pará, ocorre apenas nas cultivares Guajarina e Bento.

Sintomas

Os principais sintomas da murcha-amarela são a descoloração do caule e dos ramos e o amarelecimento e a queda das folhas (Figura 3). Isso acontece porque o fungo penetra na planta pelas raízes e chega aos vasos condutores, obstruindo a passagem de água e nutrientes.

Também aparecem lesões triangulares nos ramos, na região dos nós, necrosando apenas um lado da haste, ficando metade verde e metade enegrecida (Figura 4). Esses sintomas são observados, normalmente, em plantas com mais de 2 anos de idade, em qualquer época do ano, e as plantas severamente atacadas chegam a morrer. No Pará, essa doença ocorre apenas em plantios das cultivares Guajarina e Bento.

Prevenção e controle

O primeiro passo para a prevenção da murcha-amarela é o plantio de mudas sadias. Evitar o encharcamento na base das plantas também é muito importante, durante todo o ciclo da cultura. Como apenas as cultivares Guajarina e Bento têm apresentado a doença no campo, pode ser dada preferência para as outras cultivares disponíveis para plantio. Em áreas onde a murcha-amarela ocorrer, deve-se eliminar as pimenteiras afetadas, queimá-las fora do pimental e, se a incidência for alta, substituir as cultivares Guajarina ou Bento por outra.

Queima-do-fio

É uma doença que tem menor impacto sobre a produção de pimenta-do-reino. Se o controle for realizado logo no início do aparecimento dos sintomas, não ocorrerá perda significativa da cultura. Sua ocorrência e disseminação concentram-se apenas no período chuvoso. Assim, não é um problema nos meses mais secos.

  • Fungo causador: Koleroga noxia.
  • Já existe tratamento de controle, por isso não causa perda significativa.
  • Ocorre no período chuvoso e não é um problema nos meses mais secos.

Sintomas

O sintoma típico da queima-do-fio é a formação de cordão micelial (aglomerado de hifas do fungo), a partir das gemas nos ramos em direção às folhas. Esse cordão, no início, é branco/prateado e, depois, escuro.

Esse cordão se ramifica em forma de teia, cobrindo a superfície das folhas e espigas, que secam, necrosam, soltam-se dos ramos e ficam penduradas pelo fio micelial. Daí o nome da doença (Figura 5).

Infecções severas causam queda de muitas folhas e morte de várias hastes das plantas, o que leva à diminuição da produção. Os sintomas observados na parte aérea da plantação se parecem com os causados pela fusariose, ou podridão-das-raízes, mas, de perto, pode ser visto o cordão micelial nos ramos e folhas necrosadas, o que não se observa na fusariose. A doença aparece mais nos meses chuvosos, pois o patógeno se beneficia da alta umidade e dos períodos de temperaturas mais amenas para se reproduzir e causar infecções.

Prevenção e controle

Como a doença prevalece no período chuvoso, é importante fazer inspeções periódicas no pimental e, sempre que for encontrado um ramo com sintomas, este deve ser podado e queimado fora do pimental. Depois, deve-se fazer um curativo no ramo com uma calda bordalesa e pulverizar as plantas tratadas e as vizinhas com fungicida à base de cobre (3 a 5 g/L). Se esse controle inicial for eficiente, a doença se manterá a níveis muito baixos no pimental ou até deixará de ocorrer após a eliminação dos primeiros focos.

Antracnose

A antracnose normalmente não causa perdas de produção em plantas adultas. É uma doença comum em pimentais, especialmente nos meses mais secos.

  • Fungo causador: Colletotrichum gloeosporioides.
  • Não causa perda significativa em plantas adultas.
  • Pode ser importante em viveiros de mudas.
  • Comum nos meses mais secos do ano.
  • Ocorrência associada à deficiência de potássio.

Sintomas

A ocorrência da antracnose está, geralmente, associada à deficiência de potássio, mas também acontece independentemente dela. São observadas lesões necróticas nos ápices das folhas, na mesma região em que ocorre a queima do tecido decorrente da falta de potássio, mas também em outros locais do limbo foliar. A necrose avança sobre os tecidos em forma de anéis concêntricos, com a região limítrofe entre a lesão e o tecido sadio apresentando-se amarelada (Figura 6). Pode haver, também, infecção da base do pedúnculo floral, causando a queima das espigas, mas isso raramente tem sido visto nos plantios. Plantas com sintomas de antracnose são facilmente encontradas nos pimentais, principalmente nos meses mais secos do ano.

Prevenção e controle

Em pimentais adultos, não é necessário adotar medidas de controle da antracnose, pois não causa prejuízos à produção e, em geral, as plantas afetadas são recuperadas com a correção da deficiência de potássio ou com a chegada do período chuvoso.

Doenças causadas por fungos em mudas

Em mudas, a antracnose pode causar grandes perdas do número de plantas por provocar desfolha severa.

A podridão-das-estacas e a podridão-do-colo-da-planta, ainda na fase de pré-enraizamento, causadas pelo fungo Sclerotium rolfsii, também podem trazer sérios prejuízos, por formar escleródios que podem permitir a sobrevivência do patógeno nos solos por longos períodos de tempo.

A podridão-das-estacas, a podridão-das-raízes e a podridão-do-colo-da-planta, causadas pelos fungos Fusarium solani f. sp. piperis e Lasiodiplodia theobromae, podem levar à perda total das mudas produzidas no viveiro.

Controle da sanidade das mudas

O único fungicida registrado pelo Mapa para a cultura da pimenta-do-reino é o cúprico, que pode funcionar apenas para as doenças da parte aérea. Independentemente da doença, o método de controle mais eficaz é a retirada e a queima das mudas doentes. Outras medidas como evitar o sombreamento excessivo, permitir ventilação constante das mudas nos viveiros e evitar o encharcamento do solo podem diminuir os riscos de ocorrência dessas doenças.

Lembre-se: Na instalação do pimental, é importante plantar mudas comprovadamente sadias ou provenientes de viveiros credenciados pelo Mapa.

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Fonte

DE LEMOS, Oriel Filgueira; TREMACOLDI, Célia Regina; POLTRONIERI, Marli Costa. Boas práticas agrícolas para aumento da produtividade e qualidade da pimenta-do-reino no Estado do Pará. 1ª ed. Brasília - DF: Embrapa, 2014.

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