Consumo global de álcool deve cair
De acordo com a IWSR, o consumo médio por pessoa também deverá diminuir.
Mesmo com o crescimento da população mundial e o avanço de mercados emergentes, o consumo global de bebidas alcoólicas deverá continuar em queda nos próximos anos. A previsão é da consultoria internacional IWSR, especializada em análise do mercado de bebidas, que divulgou um estudo projetando o comportamento do setor até 2035.
Segundo a pesquisa, os volumes globais de consumo de álcool devem permanecer em trajetória de queda ao longo da próxima década. A expectativa é que, mesmo em 2035, o consumo total ainda esteja cerca de 1% abaixo do registrado em 2024, apesar de o número de consumidores em idade legal para beber crescer aproximadamente 9% no mesmo período.
A mudança reflete transformações importantes no comportamento dos consumidores. Após o forte crescimento observado no período pós-pandemia, fabricantes de bebidas passaram a enfrentar um cenário mais desafiador. O aumento do custo de vida em diversos países, a busca por hábitos mais saudáveis, a redução do consumo entre os jovens e até a popularização de medicamentos para perda de peso estão influenciando a demanda global.
De acordo com a IWSR, o consumo médio por pessoa também deverá diminuir. Até 2035, cada consumidor deverá ingerir menos álcool do que atualmente, reduzindo o equivalente a cerca de duas garrafas de destilados ou uma caixa de vinho por pessoa ao ano.
As categorias tradicionais também devem sentir os efeitos dessa mudança. A previsão indica redução nos volumes consumidos de cerveja, vinho e bebidas destiladas. Em contrapartida, novos produtos, como coquetéis prontos para consumo e bebidas de conveniência, tendem a ganhar espaço entre os consumidores.
Outro destaque do estudo é a mudança na geografia do consumo mundial. Os dois maiores mercados do planeta, China e Estados Unidos, devem registrar forte desaceleração. A expectativa é de que o consumo de álcool nesses países caia mais de 18% até 2035. Tendência semelhante também é esperada em mercados tradicionais como Alemanha, Japão e Reino Unido.
Enquanto isso, alguns países emergentes devem impulsionar parte da demanda global. A Índia aparece como o principal destaque. O país deverá registrar crescimento de 38% no consumo de bebidas alcoólicas nos próximos dez anos e ultrapassar os Estados Unidos em 2032, tornando-se o segundo maior mercado de álcool do mundo, atrás apenas da China.
Outros países que devem apresentar expansão no consumo são Colômbia, com crescimento estimado de 26%, Vietnã, com alta de 15%, e México, com avanço de 13%.
Para as grandes empresas do setor, o cenário exige adaptação. Fabricantes globais de cerveja, vinho e destilados já enfrentam desaceleração nas vendas desde 2023. A avaliação da consultoria é que as empresas precisarão desenvolver novos produtos e atender às mudanças de preferência dos consumidores, em vez de depender exclusivamente das categorias tradicionais que impulsionaram o crescimento do mercado durante décadas.
O que isso significa para o agro?
A indústria de bebidas é uma importante compradora de matérias-primas agrícolas, como cevada, milho, trigo, cana-de-açúcar, uva, laranja e outros ingredientes utilizados na fabricação de cervejas, destilados, vinhos e bebidas prontas para consumo. Mudanças nos hábitos dos consumidores podem influenciar, ao longo dos próximos anos, as estratégias de compra e processamento dessas cadeias produtivas.
🔧 Orientação:
Se você atua em cadeias ligadas à indústria de bebidas, vale acompanhar não apenas os volumes produzidos, mas também as tendências de consumo. Em muitos mercados, o crescimento pode vir menos da quantidade vendida e mais da busca por produtos diferenciados, de maior valor agregado e alinhados às novas preferências dos consumidores.