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Chocolate tradicional pode voltar às prateleiras

Além do preço, novas regras também influenciam esse retorno ao chocolate tradicional.

Daniel Vilar
Especialista
3 min de leitura
Chocolate
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A queda de quase 70% nos preços do cacau desde o fim de 2024 está levando grandes fabricantes a aumentar novamente o uso de cacau nas receitas de chocolate. Empresas do setor haviam reduzido o teor do ingrediente, diminuído o tamanho das barras e investido em alternativas mais baratas durante o pico histórico das cotações.

A Hershey confirmou que pretende retomar as receitas originais de produtos como Reese’s a partir do próximo ano, elevando o teor de cacau em itens que hoje são classificados como “chocolate candy”. Especialistas avaliam que outras gigantes do setor devem seguir o mesmo caminho, já que produzir chocolate tradicional voltou a ser mais competitivo.

O movimento acontece após o mercado global registrar forte retração na demanda por cacau. Em 2024, os preços chegaram a superar US$ 12 mil por tonelada devido a problemas climáticos e doenças nas lavouras da África Ocidental, principal região produtora do mundo.

Com isso, fabricantes passaram a usar mais wafers, castanhas, frutas e gorduras vegetais para reduzir custos. Houve também avanço de produtos sem cacau, como alternativas produzidas à base de aveia e sementes de girassol.

Agora, com os preços mais baixos, supermercados e consumidores pressionam por redução nos preços finais dos chocolates. A Mondelez já informou que reduziu preços em parte da Europa e observou recuperação no volume de vendas.

A mudança pode beneficiar diretamente os produtores de cacau, especialmente em países como Costa do Marfim e Gana, onde milhões de agricultores dependem da cultura. Ainda assim, analistas avaliam que a recuperação total da demanda deve ocorrer de forma lenta, podendo levar mais de dois anos para retornar aos níveis anteriores à crise.

Além do preço, novas regras também influenciam esse retorno ao chocolate tradicional. No Brasil, por exemplo, uma lei recente passou a exigir teor mínimo de 35% de sólidos de cacau para produtos classificados como chocolate amargo.

Para o produtor rural, o cenário indica possível retomada gradual da demanda mundial por cacau, mas ainda com um mercado bastante sensível a clima, consumo e custos industriais.

🔧 Orientação prática:
Se você atua na cadeia do cacau, acompanhe o comportamento das indústrias e das exportações nos próximos meses. A retomada do uso de cacau nas receitas pode abrir novas oportunidades de mercado e melhorar a sustentação dos preços no médio prazo.

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