Tratamento de Sementes de Soja com Fungicidas
Cenário atual do tratamento de sementes com fungicidas
A cultura da soja está sujeita ao ataque de grande número de doenças fúngicas, que podem causar prejuízos tanto no rendimento quanto na qualidade das sementes produzidas.
Entretanto, já é possível realizar o controle econômico das doenças da soja pela utilização das tecnologias geradas pelas instituições de pesquisa brasileiras, mesmo estando a cultura sob condições climáticas adversas ao seu bom desenvolvimento e, portanto, favoráveis ao ataque das doenças.
Assim sendo, o sucesso no controle dessas enfermidades vai depender das práticas adotadas pelo produtor, a quem cabe, juntamente com a assistência técnica, a tomada de decisões no momento oportuno.
No manejo integrado das doenças da soja, não se deve usar nenhum método isolado de controle, tomando-se o cuidado de se adotar práticas conjuntas a fim de obter uma lavoura sadia e, consequentemente, produção de sementes de alta qualidade e livres de patógenos.
Dentre essas práticas, pode-se citar: a adubação equilibrada (principalmente em relação ao potássio – K), o uso de cultivares resistentes às doenças, a rotação de culturas, a aplicação de fungicidas para o controle de doenças de final de ciclo e o tratamento de sementes com fungicidas para o controle de fungos das sementes e, em algumas situações, do solo.

Importância das sementes na transmissão de patógenos
A maioria das doenças de importância econômica que ocorrem na cultura da soja é causada por patógenos que podem ser transmitidos pelas sementes.
Por meio delas, esses microrganismos sobrevivem ao longo dos anos (meio de perpetuação de doenças de geração a geração) e se disseminam pela lavoura, como focos primários de doenças.
As principais implicações resultantes da interação patógenos-sementes são: introdução de doenças em áreas novas ou mesmo a reintrodução em áreas cultivadas nas quais a doença já havia sido controlada pela adoção de práticas eficientes de manejo, como, por exemplo, a rotação de culturas; disseminação de patógenos a longas distâncias; aumento de inóculo em áreas de cultivos sucessivos; redução do vigor e do poder germinativo das sementes (esses danos estão relacionados à presença nas sementes dos fungos P. sojae e F. semitectum).
Como consequência dessas implicações, ocorre redução da produtividade e aumento do custo de produção para o controle dessas doenças.
Patógenos alvo do tratamento de sementes de soja
Grande número de microrganismos fitopatogênicos pode ser transmitido pelas sementes de soja, sendo o grupo dos fungos o mais numeroso.
A ocorrência de fungos em sementes de soja tem sido relatada em diversos países do mundo onde a cultura é explorada.
Até 1981, já haviam sido encontradas 35 espécies de fungos transmitidos pelas sementes, sendo que os de maior importância no Brasil são P. sojae, C. truncatum, C. kikuchii, F. semitectum, S. sclerotiorum, C. cassiicola e A. flavus, os quais já foram descritos anteriormente.
Baseado em critérios de importância, patogenicidade e ocorrência, merece destaque também um outro patógeno que, pelo fato de não pertencer a essa categoria de “fungos de sementes”, não havia sido descrito até então.
Trata-se do fungo de solo Rhizoctonia solani Kuhn, grupo de anastomose (AG)-4 (teleomorfo: Thanatephorus cucumeris (A.B. Frank) Donk), o qual pode ser transmitido pelas sementes, porém raramente isto ocorre, motivo pelo qual a semente não é considerada a principal fonte de inóculo desse fungo. Este patógeno é dividido em grupos e subgrupos de anastomose (AG).
Anastomose em R. solani é a capacidade de fusão de hifas entre diferentes isolados. O grupo de anastomose é um conjunto de isolados estritamente relacionados, agrupados com base na capacidade de fazerem anastomose entre si.
A princípio, a maioria das doenças causadas por R. solani, associadas a plântulas e sementes, é pertencente ao AG4, que possui três subgrupos: HGI, HGII e HGIII.
Nessa oportunidade serão descritos dois tipos de doenças causadas por esse patógeno: o tombamento de plântulas e a fome oculta.

Tombamento de plântulas (damping-off)
Na região Centro-Oeste do Brasil, principalmente na soja cultivada nos Cerrados, o principal agente causal dessa doença é o fungo R. solani, que é um parasita necrotrófico e habitante natural do solo.
É um fungo polífago, pois ataca grande número de espécies vegetais. Os principais sintomas dessa doença ocorrem na fase inicial de desenvolvimento da cultura, se manifestando de duas maneiras: atacando a soja na fase de plântula (tombamento de pós-emergência) e as sementes por ocasião da germinação (tombamento de pré-emergência – Figura 94).

A planta atacada por R. solani desenvolve apodrecimento seco das raízes, estrangulamento do colo e lesões deprimidas e escuras (marrom-avermelhadas) no hipocótilo, abaixo e ao nível do solo (Figuras 95 e 96), resultando em murcha, tombamento ou sobrevivência temporária, com emissão de raízes adventícias acima da região afetada.
Estas plantas geralmente tombam, num período compreendido entre o início da emergência até 10 a 15 dias após a emergência (Figuras 97, 98 e 99).


Este patógeno, estando presente no solo, além de ocasionar perdas significativas na fase de plântulas (falha no estande – Figura 100), pode servir ainda como fonte de inóculo para culturas subsequentes.

O crescimento do fungo em meio BDA é caracterizado pela presença de culturas com crescimento micelial abundante, hifas espessas, ramificadas com ângulos de 90°, característica típica do patógeno R. solani (Figuras 101, 102 e 103).

Fome oculta
Em algumas situações, infecções nos estádios iniciais permanecem dormentes, não provocando a morte das plantas.
Estas, por sua vez, tornam-se amareladas (semelhantes àquelas com deficiência de nitrogênio) e subdesenvolvidas (atrofiadas, de menor porte e raquíticas), sendo que, em função deste aspecto, muitas vezes o stand parece irregular (Figura 104).

Na maioria das vezes, essas plantas, mesmo infectadas de forma sistêmica pelo patógeno, passam despercebidas dentro da lavoura e completam seu ciclo reprodutivo sem que estes sintomas sejam observados.
É de se esperar que estas plantas produzam menos do que as sadias. Para este tipo de situação e sintomatologia dá-se o nome de “fome oculta”.
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Fonte
GOULART, Augusto César Pereira. Fungos em Sementes de Soja Detecção, Importância e Controle. 2ª ed. Brasília – DF: Embrapa, 2018.