Agricultura

Sulfato ferroso ou Quelato de Ferro?

Antes de investir em uma fonte de ferro, faça uma análise de solo e observe o pH da área.

Daniel Vilar
Especialista
3 min de leitura
Compartilhar 𝕏 f WA in

Quando o assunto é corrigir deficiência de ferro nas plantas, uma dúvida aparece com frequência: vale mais a pena usar sulfato ferroso ou quelato de ferro? A resposta depende principalmente do tipo de solo, da forma de aplicação e da velocidade com que você precisa disponibilizar o nutriente para a cultura.

Além de serem fontes eficientes de ferro, esses produtos também chamam atenção por outro motivo: junto com os fertilizantes à base de cobre, os fertilizantes contendo ferro estão entre os mais caros do mercado quando o assunto é custo por quilograma de nutriente. Por isso, entender as diferenças entre eles pode evitar desperdícios e melhorar o retorno do investimento.

Como é produzido o sulfato ferroso?

O sulfato ferroso é um sal mineral obtido, na maior parte das vezes, pela reação do ferro metálico ou de óxidos de ferro com ácido sulfúrico. Também pode ser produzido como subproduto da indústria do aço e da produção de dióxido de titânio, passando por etapas de purificação antes de ser destinado ao uso agrícola.

Existem duas formas comerciais mais comuns:

  • Sulfato ferroso heptahidratado (FeSO₄·7H₂O): cerca de 20% de ferro (Fe).

  • Sulfato ferroso monohidratado (FeSO₄·H₂O): cerca de 30% de ferro (Fe).

São fontes altamente solúveis em água e de custo relativamente menor por unidade de ferro. No entanto, apresentam uma limitação importante: em solos com pH elevado, o ferro rapidamente reage formando compostos insolúveis, reduzindo sua disponibilidade para as plantas.

Como são produzidos os quelatos de ferro?

Nos quelatos, o ferro é "envolvido" por uma molécula orgânica chamada agente quelante. Esse processo protege o nutriente contra reações químicas no solo, mantendo-o disponível por mais tempo para absorção pelas raízes.

Os principais quelatos utilizados na agricultura são:

Quelato de ferro

Teor de Fe

Fe-EDTA

13%

Fe-DTPA

11%

Fe-EDDHA

6%

Embora apresentem menor concentração de ferro quando comparados ao sulfato ferroso, os quelatos possuem eficiência agronômica muito superior em condições de solo desfavoráveis, principalmente em áreas com pH elevado e alta concentração de carbonatos.

O Fe-EDTA apresenta melhor desempenho em solos com pH até aproximadamente 6,5. O Fe-DTPA mantém boa estabilidade até pH próximo de 7,5. Já o Fe-EDDHA é considerado a referência para solos alcalinos, permanecendo disponível mesmo em pH acima de 8.

Qual é a principal diferença agronômica?

Na prática, a escolha depende muito das condições da área.

O sulfato ferroso costuma ser indicado quando:

  • o solo possui pH ácido;

  • o custo é fator decisivo;

  • há necessidade de aplicações via solo ou fertirrigação em ambientes favoráveis.

Já os quelatos de ferro são mais indicados quando:

  • o solo apresenta pH elevado;

  • existem problemas recorrentes de clorose férrica;

  • busca-se maior eficiência, principalmente em fruticultura, horticultura e sistemas de alta tecnologia.

Em outras palavras, o sulfato oferece mais ferro por quilograma de produto, mas parte desse ferro pode ficar indisponível dependendo do solo. Os quelatos fornecem menos ferro por quilo, porém conseguem manter esse nutriente disponível por muito mais tempo.

Quanto um equivale ao outro?

Considerando apenas a quantidade de ferro fornecida, 1 kg de sulfato ferroso monohidratado (30% de Fe) contém aproximadamente 300 g de ferro. Para fornecer essa mesma quantidade utilizando quelatos, seriam necessários aproximadamente:

Fonte

Quantidade equivalente

Sulfato ferroso monohidratado (30% Fe)

1,00 kg

Sulfato ferroso heptahidratado (20% Fe)

1,50 kg

Fe-EDTA (13% Fe)

2,31 kg

Fe-DTPA (11% Fe)

2,73 kg

Fe-EDDHA (6% Fe)

5,00 kg

Esses valores consideram apenas o teor de ferro presente no fertilizante. Na prática, a dose recomendada pode variar conforme a cultura, a análise de solo, o pH, a forma de aplicação e a eficiência esperada.

O que vale mais a pena?

Não existe uma fonte universalmente superior. Em solos ácidos, o sulfato ferroso costuma oferecer excelente relação custo-benefício. Já em solos alcalinos, onde boa parte do ferro precipita rapidamente, os quelatos compensam o investimento por manterem o nutriente disponível por mais tempo.

🔧 Dica prática: Antes de investir em uma fonte de ferro, faça uma análise de solo e observe o pH da área. Muitas vezes, o produtor paga mais caro por um quelato sem necessidade. Em outras situações, economizar usando sulfato ferroso pode resultar em baixa eficiência e exigir novas aplicações. Escolher a fonte correta significa fornecer ferro na forma que realmente estará disponível para a planta — e isso costuma gerar mais resultado do que simplesmente aplicar a maior quantidade de nutriente.

Mais de Agricultura

Ver todas →

Boletim Agriconline

O agronegócio na sua caixa de entrada, todo dia às 6h.

Cotações, clima, mercado e as principais notícias do campo — em 5 minutos de leitura.

Enviaremos um e-mail pra você confirmar. Sem spam — descadastre quando quiser.