Commodities agrícolas fecham semestre divididas
O destaque ficou para o óleo de soja, que acumulou alta de 33,2% no período.
O primeiro semestre de 2026 foi marcado por desempenhos bastante distintos entre as commodities agrícolas. Enquanto óleos vegetais lideraram as valorizações impulsionados pela demanda da indústria de biocombustíveis, produtos como café, cacau e suco de laranja devolveram parte dos fortes ganhos acumulados nos últimos anos diante da expectativa de uma oferta mais abundante.
O destaque ficou para o óleo de soja, que acumulou alta de 33,2% no período. O avanço foi sustentado principalmente pelas propostas dos Estados Unidos para ampliar a mistura obrigatória de combustíveis renováveis, aumentando a demanda por óleos vegetais destinados à produção de biodiesel e diesel renovável. A valorização do petróleo também reforçou esse movimento ao tornar os biocombustíveis mais competitivos.
Na sequência apareceram a borracha natural (+18,18%) e o óleo de palma (+13,48%). No caso da borracha, o mercado foi favorecido pela oferta limitada nos principais países produtores asiáticos e pela demanda consistente da indústria de pneus. Já o óleo de palma ganhou força com o aumento do consumo para biodiesel na Indonésia, Malásia e Tailândia, além da recuperação da demanda internacional.
Entre os grãos, algodão (+12,36%), trigo (+12,20%), soja (+7,44%) e milho (+2,37%) também encerraram o semestre em alta, refletindo um mercado ainda atento às condições climáticas e às oscilações da oferta mundial.
No sentido oposto, café (-7,4%), cacau (-17,19%) e suco de laranja (-17,83%) registraram as maiores quedas do período. No café, o mercado passou a precificar uma recuperação da safra brasileira em 2026/27, que pode resultar em produção recorde e maior disponibilidade global. O cacau recuou diante das perspectivas de recuperação da produção na Costa do Marfim e em Gana, enquanto o suco de laranja foi pressionado pela expectativa de melhora na produção brasileira após anos marcados por problemas climáticos.
Apesar da recente influência das tensões geopolíticas no Oriente Médio sobre alguns mercados, analistas avaliam que o principal fator de risco para o segundo semestre passa a ser o clima. A possível intensificação do fenômeno El Niño poderá alterar a produtividade de diversas culturas, influenciando diretamente os preços de commodities como café, açúcar, cacau, soja, milho e trigo.
🔧 Orientação prática: Para quem produz, o cenário reforça a importância de acompanhar não apenas oferta e demanda, mas também fatores externos como petróleo, políticas de biocombustíveis e previsões climáticas. Esses elementos têm influenciado cada vez mais a formação dos preços agrícolas e podem criar boas oportunidades de comercialização ao longo da safra.
Fonte: Bloomberg.