Principais Manejos na Cultura do Tomate Orgânico
Este artigo apresenta inicialmente os principais manejos de produção da agricultura orgânica para aplicação no cultivo do tomate orgânico de mesa. Será enfoque a irrigação, cobertura morta, capinas, amontoa, tutoramento e amarrio, adubação em cobertura, desbrota e capação.
a) Irrigação
Neste sistema, tem-se verificado, nas propriedades que praticam a agricultura orgânica, que o manejo da água de irrigação é de vital importância para o sucesso da produção. Excesso de água neste sistema pode proporcionar multiplicação excessiva de patógenos, que prejudicarão o adequado desenvolvimento das plantas.
No dia seguinte ao plantio, é preciso iniciar a irrigação. Daí em diante, o solo deve ser mantido com um nível adequado de água, úmido, mas sem encharcar.
O sistema de aspersão é contraindicado porque molha as folhas e umedece o ambiente em torno das plantas, o que favorece o aparecimento de doenças, como a requeima. Assim, as melhores opções são o gotejamento e a microaspersão, que molham apenas o solo em torno da planta (Figura 5). Dessa forma, o tipo de irrigação é um bom aliado na prevenção de problemas fitossanitários. A frequência de irrigações é variável conforme o tipo de solo e o clima.

b) Cobertura morta
A cobertura com palha retém água no solo, diminui o crescimento de ervas espontâneas, diminui o impacto da chuva e evita que o solo se aqueça excessivamente, além de fornecer nutrientes, após a decomposição do material. Recomenda-se optar por materiais de pequena granulometria ou triturados, para não elevar a umidade das plantas novas, o que favorece a incidência de doenças precocemente.
Pode-se empregar também a lona plástica preta, possibilitando as vantagens em comum com a palha e, ainda, permite reduzir as perdas de nitrogênio por lixiviação e volatilização, tornando esse nutriente mais disponível para as culturas, além de não elevar a umidade relativa do ar, na superfície do solo.

c) Capinas
No sistema orgânico, recomenda-se a capina em faixas, mantendo limpa a área junto às plantas, para não haver competição das ervas espontâneas com a cultura. No meio das linhas, deve ser deixada uma estreita faixa de mato, com cerca de 40 cm de largura. Essa vegetação espontânea é importante para manter o equilíbrio ecológico de insetos.
Com o uso da cobertura morta nas linhas de plantio, o trabalho de capina é facilitado, pois há redução no crescimento das ervas espontâneas. Caso não se utilize cobertura morta, por ocasião da primeira capina do tomate, é feita a amontoa das plantas, que consiste em chegar terra junto ao “colo” das mesmas. Após esta fase, também pode ser empregada a cobertura morta com palhas.
d) Amontoa
É uma operação muito importante em plantios de tomate realizados em covas. Constitui-se do “chegamento” de terra nas linhas de plantio, deslocando-se a terra da entrelinha para próximo às plantas. Deve ser realizada logo após a adubação em cobertura.
A altura da amontoa deve ser de, no mínimo, 20 cm de altura, permitindo preservar a qualidade do adubo orgânico usado na cobertura, concentrar nutrientes na zona de raiz, propiciar a emissão de raízes adventícias e, ainda, melhorar a sustentação do tomateiro. Esses fatores, em conjunto, permitem uma maior absorção de nutrientes e elevam a produtividade de frutos.
e) Tutoramento e amarrio
O tutoramento do tomateiro que produz frutos para consumo in natura é necessário porque suas hastes são herbáceas e flexíveis. Ele pode ser feito com taquara ou bambu, com arame e com fitas (Figura 6). O objetivo é manter a planta ereta e afastada do solo. O fundamental é que este tutoramento seja vertical, evitando-se a cerca cruzada, pois assim tem-se um melhor arejamento dentro do plantio, diminuindo a umidade relativa e, consequentemente, reduzindo problemas com doenças.

O amarrio acompanha o tutoramento. A planta deve começar a ser amarrada no tutor quando tiver 30 cm de altura, em média. À medida que a planta cresce é preciso fazer novos amarrios. Para isso, podem ser usadas fibras naturais ou sintéticas existentes no mercado. Com as fibras, é melhor fazer um amarrio na forma de “oito”, para evitar atrito das hastes com o tutor.
f) Adubação em cobertura
A adubação de cobertura visa, principalmente, ao fornecimento de nitrogênio, que não se mantém no sistema por muito tempo, tornando necessária uma reposição ou ciclagem constante.
A adubação de cobertura pode ser feita com composto orgânico, esterco de aves, biofertilizante líquido, biofertilizante Supermagro ou chorume de composto.
A recomendação de composto orgânico é de 10 t/ha (50% umidade), o que dá 480 g/planta. O esterco de galinha pode ser usado na base de 3 t/há (30% de umidade), ou seja, 144 g/planta. Esses adubos orgânicos devem ser colocados em torno da planta e, depois, cobertos com terra, o que pode ser feito no momento da capina.
Uma alternativa, que tem se revelado muito eficiente, é a utilização de biofertilizantes líquidos via solo, preparados especificamente para a cultura, utilizando-se materiais orgânicos ricos em nitrogênio e potássio, como farelos de soja e cacau, torta de mamona ou planta de mamona triturada, cinza vegetal, dentre outros. Neste caso, fazer aplicações semanais a partir dos 30 dias após o plantio, até a fase de frutificação, na base de 200 ml por planta. Veja, a seguir, o resumo do preparo desse biofertilizante.

Em um recipiente com capacidade volumétrica de 1.000 L, acrescentasse o ingrediente da base orgânica (composto ou esterco bovino) e 500 L de água, fazendo uma pré-mistura. Após homogeneizada esta solução, acrescentar a mamona (ou resíduo similar) e a cinza vegetal, agitando até nova homogeneização. Completar com água até o volume total do recipiente. Para evitar mau cheiro, advindo da fermentação anaeróbica, esta solução deve ser agitada durante um tempo mínimo de 5 minutos, no mínimo 3 vezes ao dia. Após 10 dias de fermentação, pode-se iniciar a retirada da parte líquida (procedendo à um peneiramento fino e/ou coando), sempre após uma pré agitação, para aplicação nas culturas de interesse.
Em função da grande quantidade de partículas em suspensão e da massa resultante no fundo do recipiente, após o uso deste primeiro preparado, pode-se acrescentar novamente 500 L de água aos mesmos ingredientes, agitar vigorosamente, e reutilizar este novo preparado com bons resultados. Entretanto, não se recomenda reutilizar mais de uma vez a mistura, pois a concentração dos nutrientes já estará reduzida.

Recomendações de uso:
1. Diferentemente dos biofertilizantes bovino e Supermagro, a aplicação do biofertilizante líquido enriquecido deve ser realizada via solo, na região da raiz, lateralmente às plantas, como uma adubação em cobertura.
2. Esta preparação rende aproximadamente 500 L de solução líquida para pronto uso. A malha de filtragem dependerá do sistema de aplicação que será adotado.
3. A aplicação pode ser realizada manualmente (com regador), por bombeamento ou em redes de fertirrigação. Neste último caso, a filtragem deve ser bem feita para evitar entupimentos dos equipamentos.
g) Desbrota e capação
A desbrota ou poda de brotações consiste em eliminar todos os brotos que saem das axilas das plantas, deixando apenas uma haste em cada planta, para um melhor aproveitamento do adubo orgânico. Os brotos laterais diminuem o vigor vegetativo da planta e consomem nutrientes que poderiam ser conduzidos para a formação dos frutos.
A obtenção de frutos de melhor qualidade e maiores e a maior sanidade do cultivo são alguns benefícios conseguidos com a poda.
Os brotos devem ser cortados quando ainda estão bem pequenos, para que não haja muita perda de nutrientes pela planta.
A capação consiste na poda da haste principal após a emissão de um certo número de cachos. Esta prática limita o número de frutos que se quer colher e diminui o ciclo da planta. Assim, a quantidade de frutos produzidos é menor, mas eles serão maiores e de melhor qualidade.
A capação permite, também, reduzir os problemas fitossanitários, pela redução do ciclo vegetativo e pela não emissão de folhas novas, uma vez que as folhas já estabelecidas estarão protegidas por caldas e extratos protetores.
Em sistemas orgânicos, recomenda-se proceder à capação da haste principal após a emissão do 3º ao 6º cacho, dependendo do vigor e do estado fitossanitário da cultura. É recomendável deixar, no mínimo, um par de folhas acima do último cacho mantido na planta. Em outras palavras, em plantas manejadas com 4 cachos, a poda deve ser realizada imediatamente abaixo do 5º cacho. Pode-se também optar em manter todas as folhas acima do último cacho, eliminando-se todos os novos cachos que forem sendo emitidos, como forma de aumentar a taxa fotossintética e a translocação de fotoassimilados para os frutos.
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Fonte
Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural. Tomate. Vitória - ES: Incaper, 2010.