Preparo de Solo e Sistemas de Plantio para Cana-de-Açúcar
O preparo do solo, no sentido amplo da expressão, deve ser compreendido como o conjunto de ações a serem adotadas objetivando-se a eliminação, ou pelo menos a minimização, de condições adversas à obtenção das máximas produtividades econômicas, como a compactação, baixos teores de nutrientes e elevados teores de alumínio, pragas do solo ou ainda fatores externos como a infestação de ervas daninhas (perenes ou anuais), a própria soqueira a ser reformada ou outra cultura anterior.
Por ocasião do plantio da cana-de-açúcar recomenda-se efetuar a sulcação com o solo em níveis de umidade adequados, de forma a não levantar torrões (solo seco) e nem vitrificar as paredes do sulco (solo molhado). A distribuição da muda, picação e cobrição devem ser feitas preferencialmente no mesmo dia da sulcação, o que garante melhores índices de germinação à cultura. É necessário fiscalizar, devendo situar-se entre 12 e 6 gemas/metro (dependendo da variedade e/ou época de plantio). Lembre-se que a falta de gemas estabelece por 5 a 6 anos um canavial com falhas, enquanto o excesso onera demasiadamente o custo do plantio.
1. Épocas de plantio
A época de plantio ou estabelecimento dos canaviais e o período de desenvolvimento (cronologia) resultam em distintas designações, limitações e potenciais para a cultura da cana-de-açúcar.
A cultura canavieira pode ser estabelecida quando existe umidade (água disponível) no solo, e as temperaturas médias mensais do solo não sejam baixas (menores que 20ºC), pois neste caso a germinação poderá ser prejudicada pela elevada incidência do fungo que ocasiona a podridão “abacaxi” (Vitti e Mazza, 2002).
2. Cana de ano e meio
O tempo de crescimento deverá variar entre 13 e 20 meses, o que justifica a designação “ano e meio”. Considerando-se um tempo mínimo de crescimento de 12 meses, poderão ser adotadas variedades precoces, médias ou tardias. Ainda em função do elevado tempo de crescimento, em média 15 a 18 meses, ajustam-se solos de fertilidade baixa, média ou alta, já que, mesmo nos solos de menor fertilidade, devido ao elevado tempo de crescimento, adotando-se as devidas correções e adubações, pode-se obter boas produtividades (Vitti e Mazza, 2002).
3. Cana de inverno
Quanto à cana de inverno, estabelecida aproximadamente no período de final de maio a agosto/setmbro, e assim designada por desenvolver-se em período de ocorrência de menores temperaturas, poderá ser adotada com segurança quando houver disponibilidade de irrigação com água ou resíduos, podendo-se citar esta disponibilidade como sua maior limitação. Uma das vantagens justifica-se pelo menor período de utilização da terra, 12 a 14 meses, em média, com produtividade elevadas bastante próximas às produtividades obtidas com o plantio da cana de ano-e-meio. Outra vantagem da cana de inverno é o elevado potencial no controle da erosão, pois o fechamento do canavial dará entre outubro/novembro, onde se inicia a fase chuvosa e as temperaturas mais quentes do ano, contribuindo para um bom e rápido desenvolvimento da cultura (Vitti e Mazza, 2002).
4. Cana de ano
É estabelecida a partir de setembro estendendo-se até no máximo até novembro, ao se iniciar o período de precipitações, na região centro-sul, caracteriza-se por apresentar uma série de limitações, a saber: devem ser adotadas variedades de precocidade média a tardia ou precoces de rápido crescimento, porém para a colheita do meio para o final da safra.
O período de plantio, está sujeito a chuvas mais intensas e as fases do perfilhamento e enfolhamento ainda não ocorreram, o que poderá torna-la extremamente susceptível à erosão/assoreamentos, justificando-se, portanto, a necessidade de ajuste aos solos de maior teor de argila, maior grau de estruturação e menores declividades das áreas (Vitti e Mazza, 2002).
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Fonte
VITTI, Godofredo César; QUEIROZ, Fábio Eduardo de Campos; OTTO, Rafael; QUINTINO, Thiago Aristides. Nutrição e Adubação de Cana-de-Açúcar. Piracicaba - SP: ESALQ/USP, 2005.