Agricultura

Pragas Que Atacam Raízes da Cultura da Soja

Daniel Vilar
Especialista
5 min de leitura
Pragas Que Atacam Raízes da Cultura da Soja
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Percevejo-castanho-da-raiz (Scaptocoris castanea, S. carvalhoi e S. buckupi)

Ninfas

São brancas e, nos últimos ínstares, os primórdios das asas são bem visíveis e de cor amarelada. A presença desse percevejo no solo, independente da espécie, é facilmente perceptível pelo odor característico e desagradável que exalam.

Tem alta capacidade de movimentação vertical no perfil do solo. Ninfas de todos os tamanhos podem ser encontradas a mais de 1,20 m de profundidade, mas durante os meses mais quentes e chuvosos concentram-se nos primeiros 20 cm do solo.

Adultos

Têm coloração castanha, corpo convexo medindo entre 5 a 10 mm, com as pernas anteriores adaptadas para cavar. Quando expostos à superfície esses percevejos emitem um som estridente. Os adultos saem do solo em revoadas no período chuvoso, com maior frequência de novembro a março.

O acasalamento ocorre no interior do solo e já foram observados adultos em cópula a mais de 1,5 m de profundidade. No Brasil, o número de espécies e a sua distribuição geográfica, ainda não são bem conhecidos

.

Danos

Adultos e ninfas sugam as raízes da soja, desde a fase de plântula até a colheita, podendo causar decréscimo no rendimento. Quando o ataque ocorre na fase inicial, as plantas atacadas podem morrer, resultando em falhas de estande na lavoura.

Ocorrem em reboleiras, e dentro destas, a densidade populacional pode alcançar mais de 300 indivíduos/m2. No Cerrado, perdas no rendimento da soja podem ocorrer a partir de populações entre 25 e 40 percevejos/m de fileira, dependendo da fertilidade do solo. Devido a seu hábito críptico são insetos de difícil controle.

Cochonilha-da-raiz (Dysmicoccus brevipes)

As cochonilhas são encontradas usualmente nas raízes, mas eventualmente podem atingir a parte aérea da planta, e pelo seu aspecto são chamadas de cochonilhas farinhosas ou pulverulentas.

As ninfas passam por três estádios antes de chegar à fase adulta. Uma das espécies que ocorrem em soja é Dysmicoccus brevipes, também chamada de cochonilha farinhosa-do-abacaxi.

Adultos

As fêmeas têm o corpo convexo de cor rosada e apresentam filamentos laterais serosos longos, projetando-se para fora do perímetro do corpo. Cada fêmea pode produzir uma progênie, em média, de 240 indivíduos.

Sua longevidade varia entre 50 a 110 dias. Em média vivem 90 dias. Os machos têm asas desenvolvidas, sendo, portanto, de vida livre e passam por quatro estádios ninfais, até atingirem a fase adulta.

Danos

Sugam as raízes e, quando suas populações são elevadas, podem causar atraso no desenvolvimento das plantas, formando reboleiras com plantas de menor porte nas lavouras.

Corós (Phyllophaga cuyabana, Liogenys spp., Plectris pexa e outros)

As larvas dos corós ocorrem no solo e são brancas, com três pares de pernas torácicas. A coloração da cabeça varia com a espécie, mas em geral é marrom amarelada ou avermelhada. As larvas passam por três ínstares e as espécies rizófagas mais comuns podem atingir 35 mm de comprimento.

Larvas de corós que fazem galerias no solo podem medir 50 mm de comprimento. A fase larval de P. cuyabana dura cerca de 8,5 meses, incluindo um período de diapausa de 4 a 5 meses, quando ficam inativas em câmaras, no solo.

Adultos

Os adultos dos corós rizófagos mais comuns em soja, são besouros ovalados, marrom-avermelhados. Com comprimento variável conforme a espécie: 12 a 15 mm (Liogenys sp.), 15 a 20 mm (Phyllophaga sp.) e 15 a 17 mm (Plectris sp.).

Apresentam hábitos noturnos e as revoadas geralmente ocorrem logo após o crepúsculo. Adultos de P. cuyabana se agregam sobre a folhagem da lavoura para o acasalamento. Em geral, cerca de 2 a 4 horas após o início da revoada, os adultos retornam ao solo, onde colocam os ovos.

Danos

As larvas consomem principalmente, as raízes secundárias, causando redução do crescimento da planta, folhas amareladas e murchas. O ataque é em reboleiras e quando ocorre na fase inicial da cultura, pode resultar em morte das plantas. Quando o ataque é mais tardio, a soja produz menor número de vagens e grãos, que, também, são menores nas plantas atacadas.

Os adultos geralmente não causam danos. Larvas de algumas espécies que fazem galerias e não se alimentam de raízes vivas, são benéficas e, geralmente, não causam danos à soja. Os corós benéficos podem ser diferenciados por “andarem de costas”, arrastando o dorso no chão.

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Fonte

SOSA-GÓMEZ, Daniel Ricardo. et al. Manual de Identificação de Insetos e Outros Invertebrados da Cultura da Soja. 3ª ed. Londrina - PR: Embrapa Soja, 2014.

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