Agricultura

Planejamento da Implantação da Lavoura de Café Arábica

Daniel Vilar
Especialista
6 min de leitura
Planejamento da Implantação da Lavoura de Café Arábica
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O planejamento faz parte da administração de um empreendimento e consiste em tomar decisões e programar ações sobre: que, por que, quando, quanto, como e onde fazer. A comercialização da produção é outro aspecto fundamental a ser considerado, pois, para produzir, é conveniente saber, antecipadamente, para quem e onde vender o produto final.

A resposta a todas essas questões envolve, também, a busca de informações sobre a conjuntura cafeeira, identificando ameaças e oportunidades do ambiente econômico, bem como os pontos fracos e fortes da propriedade, como: aptidão das terras, existência de infraestrutura adequada, existência de fornecedores de insumos e serviços, disponibilidade e qualificação da mão de obra, possibilidade de diversificação e ou adoção de atividades complementares, de acordo com o potencial da propriedade.

Devem-se, ainda, avaliar aspectos legais para uso do solo, da água e de outros recursos naturais, bem como zoneamento agroclimático para a cafeicultura. Uma vez tomada a decisão pela implantação, dependendo do porte do empreendimento, deve-se adotar um plano de ação para antecipar algumas providências como a definição de quais cultivares a serem plantadas, assegurando o suprimento de mudas em tempo e em quantidade.

1. Escolha da Área

Para a implantação da lavoura cafeeira, é necessário analisar parâmetros que visem atender uma proposta, antes de tudo, econômica e que mantenha as condições de equilíbrio do sistema, dentro de um conceito de uma cafeicultura moderna e de alta produtividade. Alguns são fundamentais para a atividade e devem ser analisados:

1.1. Temperatura

É um fator limitante para a cafeicultura. A temperatura média de aptidão para o cafeeiro arábica está entre 18ºC e 23ºC.

1.2. Precipitação

O regime de chuvas considerado ideal está entre 1.200 mm e 1.800 mm anuais, para permitir a exploração comercial da cultura. É importante que a precipitação esteja distribuída de forma que atinja os períodos de desenvolvimento vegetativo e frutificação.

O cafeeiro da espécie arábica pode suportar um déficit hídrico de até 150 mm, sem grandes prejuízos, desde que ocorra no período de repouso vegetativo. Em regiões marginais, pode ser necessária a utilização da irrigação.

1.3. Ventos

A incidência de ventos pode causar grandes problemas ao cafeeiro, devido a danos mecânicos, principalmente nas folhas e nos ramos, favorecendo a infecção por fungos e bactérias. Nesses casos, apenas o controle químico não tem se mostrado eficiente.

Ventos excessivos podem provocar, ainda, injúrias na região do coleto, devido à frequente fricção do caule com o solo, levando, em casos extremos, ao tombamento de plantas novas. Para minimizar tais efeitos, deve-se planejar a utilização de quebra-ventos, que poderão ser temporários (feijão--guando, milho, etc.) e permanentes (grevílea, bananeira, cedro- australiano, etc.).

1.4. Umidade relativa

O cafeeiro e a qualidade do café produzido podem ser prejudicados tanto com alta, quanto com baixa umidade relativa do ar. Os locais com alta umidade relativa favorecem a incidência de pragas, doenças e fermentações indesejáveis. Esta condição ocorre geralmente próximo a represas, grotas sombreadas, etc.

Os locais com baixa umidade relativa favorecem o ataque de algumas pragas e a redução do desenvolvimento do cafeeiro. Os efeitos da umidade relativa podem ser minimizados por meio do planejamento de ações em todas as fases da cultura.

1.5. Altitude

No café arábica, recomenda-se o plantio em áreas entre 600 m e 1.200 m de altitude, pela influência que exerce na longevidade, na produtividade da lavoura e na qualidade da bebida.

1.6. Topografia

Influencia diretamente na escolha das cultivares, no sistema de plantio, no espaçamento e na mecanização dos tratos culturais e colheita.

1.7. Solo

O solo deve propiciar um ambiente favorável ao pleno desenvolvimento do cafeeiro. Deve possuir as características físicas, químicas e biológicas necessárias para o bom desenvolvimento da planta. A profundidade efetiva mínima deve ser de 120 cm e com boas condições de textura e estrutura.

Limitações de natureza física, como: adensamento do solo, pedras, cascalho, prejudicam o aprofundamento e desenvolvimento das raízes das plantas. Se o solo estiver compactado, é necessário que se faça uma subsolagem e ou um coveamento mais profundo, ultrapassando essa camada. Do ponto de vista químico e biológico, o solo, na sua fertilidade natural, pode apresentar restrições a um desenvolvimento inicial satisfatório do cafeeiro. A análise de solos irá mostrar as correções necessárias.

O sistema radicular do cafeeiro é responsável, em grande parte, pelo sucesso das práticas de manejo de uma lavoura. Quando tem início o declínio de um cafezal, marcado pela seca de ponteiros, principalmente em decorrência da altas cargas, é necessário, antes de qualquer intervenção para contornar o problema, uma avaliação o estado do sistema radicular.

Em muitas situações, as causas podem ser atribuídas às características do solo, associadas ou não à qualidade da muda, preparo do terreno, cuidados no plantio etc. Quando os problemas estão relacionados às raízes, qualquer medida que venha a ser adotada torna-se ineficiente ou antieconômica, ou, quando muito, de eficácia temporária.

1.8. Linha de geada

Em regiões de ocorrência de geadas, a demarcação da linha de geada é um fator importante a ser considerado na implantação da lavoura. É uma linha imaginária que delimita a faixa considerada inapta ou restrita à cafeicultura, pela alta incidência do fenômeno. A possibilidade de ocorrência de geada pode ser verificada por meio de informações e histórico da área ou de sintomas observados em plantas indicadoras, sensíveis ao frio intenso.

1.9. Plantio em áreas de cafezais erradicados

Para a implantação em terrenos anteriormente ocupados com cafezais, deve-se verificar o histórico da ocorrência de pragas das raízes (cigarras, moscas e cochonilhas-de-raiz), adotando-se medidas de controle. Atenção especial deve ser dada à presença de nematoides, posto que sua ocorrência poderá inviabilizar a exploração econômica.

1.10. Legislação ambiental

Outro fator importante que deve ser observado é a correta ocupação do solo, segundo a sua aptidão agrícola, em consonância com o que é definido pela Legislação Ambiental.

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Fonte

MESQUITA, Carlos Magno de et al.. Manual do Café: Implantação de cafezais (Coffea arábica L.). 1ª ed. Belo Horizonte - MG: Emater/MG, 2016.

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