Parâmetros de Qualidade da Cana-de-açúcar
Qualidade da cana-de-açúcar
Antes, a qualidade da cana-de-açúcar era determinada exclusivamente pela POL (sacarose aparente).
Atualmente, há uma definição mais completa, que engloba as características físico-químicas e microbiológicas dessa matéria-prima, que podem afetar, significativamente, a recuperação do açúcar na fábrica e a qualidade do produto final.
Dois tipos de fatores afetam a qualidade da matéria-prima destinada à indústria:
• Fatores intrínsecos – relacionados à composição da cana (teores de sacarose, açúcares redutores, fibras, compostos fenólicos, amido, ácido aconítico e minerais), que são afetados de acordo com a variedade da cana, variações de clima (temperatura, umidade relativa do ar, chuva), solo e tratos culturais.
• Fatores extrínsecos – relacionados a materiais estranhos ao colmo (terra, pedra, restos de cultura, plantas invasoras) ou compostos produzidos por microrganismos devido à sua ação sobre os açúcares do colmo.
Para avaliar corretamente a qualidade da matéria-prima é preciso considerar dois aspectos – a riqueza da cana em açúcares e o potencial de recuperação dos açúcares da cana.
A Figura 8.1 ilustra a coleta de amostras de cana para avaliação da sua qualidade.

Existe uma série de indicadores que permitem avaliar tanto a riqueza da cana como a qualidade dela para a recuperação dos açúcares.
Os principais fatores relacionados à qualidade da cana-de-açúcar são POL (sacarose aparente), pureza, ATR (açúcares redutores totais) na cana, teor de açúcares redutores, percentagem de fibra e tempo de queima e corte.
Seguem as definições desses indicadores:
POL – teor de sacarose aparente na cana. Para a indústria canavieira, quanto mais elevados os teores de sacarose, melhor.
Pureza – é determinada pela relação POL/Brix x 100. Quanto maior a pureza da cana, melhor a qualidade da matéria-prima para se recuperar açúcar. Todas as substâncias que apresentam atividade óptica podem interferir na POL, como açúcares redutores (glicose e frutose), polissacarídeos e algumas proteínas.
ATR – indicador que representa a quantidade total de açúcares da cana (sacarose, glicose e frutose). O ATR é determinado pela relação POL/0,95 mais o teor de açúcares redutores. A concentração de açúcares na cana varia, em geral, dentro da faixa de 13 a 17,5%. Entretanto, é importante lembrar que canas muito ricas e com baixa percentagem de fibras estão mais sujeitas a danos físicos e o ataque de pragas e microrganismos. Os estudos mostram que nas primeiras 14 horas de deterioração da cana, 93% das perdas de sacarose foram devidas à ação de microrganismos, 5,7% por reações enzimáticas e 1,3% por reações químicas, resultantes da acidez.
Açúcares redutores – é a quantidade de glicose e de frutose presentes na cana, que afetam diretamente sua pureza, já que refletem em menor eficiência na recuperação da sacarose pela fábrica.
Porcentagem da fibra da cana – reflete na eficiência da extração da moenda, ou seja, quanto mais alta a fibra da cana, menor será a eficiência de extração. Por outro lado, é necessário considerar que variedades de cana com baixos teores de fibra são mais suscetíveis a danos mecânicos ocasionados no corte e no transporte, o que favorece a contaminação e as perdas na indústria. Quando a cana está com a fibra baixa, ela também acama e quebra com o vento, o que a faz perder mais açúcar na água de lavagem.
Tempo de queima/corte – é o tempo entre a queima do canavial e a sua moagem na indústria (no caso da colheita manual), ou o tempo entre o corte mecanizado e a moagem. Quanto menor o tempo entre a queima/corte da cana e a moagem, menor será o efeito de atividades microbianas nos colmos e melhor será a qualidade da matéria-prima entregue à indústria. Além de afetar a eficiência dos processos de produção de açúcar e álcool, o tempo de queima/corte também afeta a qualidade dos produtos finais e o desempenho dos processos.
Outros fatores que afetam a qualidade da matéria-prima são:
• temperatura ambiente;
• frequência e quantidade de chuvas;
• umidade relativa do ar;
• quantidade de terra na cana;
• contaminação da cana por bactérias, fungos e leveduras;
• teor de álcool no caldo da cana;
• acidez do caldo, ocasionado por microrganismos;
• concentração de dextrana, composto formado a partir da hidrólise da sacarose por bactérias e associada, portanto, à deterioração da cana;
• concentração de amido na cana;
• pragas e doenças;
• índice de Honig-Bogstra, que é um indicador da performance da decantação do caldo;
• quantidade de palhiço;
• quantidade de ácido aconítico no caldo.

Importância da qualidade da cana para a eficiência industrial
Nos últimos anos, pesquisas sobre a qualidade da matéria-prima e trabalhos em parceria com usinas e destilarias possibilitaram a descoberta de novos indicadores.
A partir das análises de correlação e regressão desses indicadores, tem sido possível dimensionar o impacto da qualidade da matéria-prima sobre o rendimento industrial, sobre as perdas, insumos e qualidade do açúcar produzido.
Baseadas em números, as usinas podem fixar metas e tomar decisões em busca da melhoria dos resultados, tanto para a área agrícola, como para a industrial.
Sem indicadores e números que orientem ambas, não é possível esperar ganhos reais em desempenho, rendimento e qualidade.
Se o objetivo é obter desempenhos elevados e produtos de qualidade, essas duas áreas precisam interagir, diuturnamente.
Resumo
A qualidade da cana-de-açúcar engloba as características físico-químicas e microbiológicas, podendo afetar a matéria-prima, e, por consequência, a recuperação do açúcar na fábrica, afetando assim a qualidade do produto final.
Dois tipos de fatores afetam a qualidade da cana-de-açúcar: os que são relacionados à composição da cana e os que são relacionados a materiais estranhos ao colmo.
Para avaliar corretamente a qualidade da matéria-prima é preciso considerar dois aspectos: a riqueza da cana em açúcares e o potencial de recuperação dos açúcares da cana.
A partir das análises de correlação e regressão desses indicadores, tem sido possível dimensionar o impacto da qualidade da matéria-prima sobre o rendimento industrial, importantes para a busca constante da melhor eficiência da indústria.
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Fonte
DA SILVA, João Paulo Nunes; DA SILVA, Maria Regina Nunes. Noções da Cultura da Cana-de-Açúcar. 1ª ed. Inhumas – GO: IFG, 2012.