Micronutrientes: escolha a fonte certa
A escolha da fonte de micronutrientes pode fazer toda a diferença no resultado da sua lavoura.
As fontes de micronutrientes à base de sulfatos, cloretos e nitratos são amplamente utilizadas, sendo fundamental entender como estes sais solúveis se comportam no solo para evitar perdas e problemas de toxidez.
Essas fontes são altamente solúveis em água, o que garante um efeito rápido após a aplicação. Porém, essa mesma característica pode ser um problema. No solo, esses micronutrientes podem reagir rapidamente com as argilas, formando compostos insolúveis, ou seja, ficam indisponíveis para a planta. Além disso, quando aplicados em doses elevadas, há risco de toxidez ou até perdas por lixiviação, principalmente em solos mais arenosos ou sob chuvas intensas. Logo, devido as suas características os sais solúveis são indicados para uso de forma bem parcelada preferencialmente em via fluida em áreas fertirrigadas.
Além dos sais solúveis os micronutrientes podem ser fornecidos na forma de silicatos (FTE) e de quelatados.
Os chamados FTE (fritas) são obtidos pela fusão com minerais de silício a aproximadamente 1.300 °C. Ao sair do forno, o material é rapidamente resfriado em água, resultando na formação de cristais vítreos, que são finamente moídos. A principal vantagem é a baixa solubilidade sendo os nutrientes liberados lentamente, evitando as reações de precipitação e insolubilização, além da lixiviação e toxidez às plantas.
Na prática, isso significa maior segurança na aplicação, principalmente em doses mais elevadas. Por outro lado, como a liberação é gradual, os FTE são mais indicados para aplicação no plantio, próximos às raízes, funcionando como uma fonte de longo prazo.
Tabela 01: Características dos Compostos Silicatados de Micronutrientes (FTE / Fritas)
Composto Silicatado | Zn (%) | B (%) | Cu (%) | Fe (%) | Mn (%) | Mo (%) |
|---|---|---|---|---|---|---|
FTE BR-8 | 7,0 | 2,5 | 1,0 | 5,0 | 10,0 | 0,1 |
FTE BR-9 | 6,0 | 2,5 | 0,8 | 6,0 | 3,0 | 0,1 |
FTE BR-10 | 7,0 | 2,0 | 1,0 | 4,0 | 4,0 | 0,1 |
FTE BR-12 | 9,0 | 2,5 | 0,8 | 3,0 | 2,0 | 0,1 |
FTE BR-13 | 7,0 | 1,8 | 2,0 | 2,0 | — | 0,1 |
FTE BR-15 | 8,0 | 1,5 | 0,8 | — | — | 0,1 |
FTE BR-16 | 3,5 | 2,8 | 3,5 | — | — | 0,4 |
Fonte: PREZOTTI; GUARÇONI M. (2013).
Já os micronutrientes quelatados seguem outra lógica. Apesar de serem solúveis, eles ficam protegidos por moléculas orgânicas que “envolvem” o nutriente. Isso impede que ele reaja com o solo e se torne indisponível. Na prática, o nutriente permanece disponível por mais tempo e é absorvido com maior eficiência.
Essa proteção faz com que os quelatos tenham eficiência até cinco vezes maior por unidade aplicada. Além disso, eles podem ser misturados com fertilizantes líquidos sem risco de reação, sendo utilizados em fertirrigação e principalmente aplicações foliares. A limitação no uso dos quelatos está nos valores por unidade de nutrientes que tendem a ser maiores.
🔧 Orientação:
Se você está implantando uma lavoura em solos que são constatadas, por meio da análise química, baixos teores de micronutrientes, o uso de FTE no sulco pode garantir um fornecimento mais estável ao longo do ciclo. Já em situações de correção rápida, como deficiência visual durante o desenvolvimento da cultura, o uso de sais solúveis e quelatos por via foliar e ou fertirrigação tendem a ser mais eficientes.
Antes de escolher a fonte, avalie o objetivo: correção rápida ou fornecimento gradual. Em solos mais arenosos ou com alto risco de lixiviação, priorize fontes de liberação lenta. Já para respostas rápidas, os sais solúveis e quelatos são mais indicados. E, sempre baseie a decisão no histórico da área e nas análises químicas de solo e foliar — isso evita desperdício e melhora o retorno do investimento.