Agricultura

Mecanismo de Ação: Inibidores da Enzima Protoporfirinogênio Oxidase (PROTOX)

Daniel Vilar
Especialista
4 min de leitura
Mecanismo de Ação: Inibidores da Enzima Protoporfirinogênio Oxidase (PROTOX)
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Este grupo é composto por herbicidas cujo mecanismo de ação inibe a atuação da enzima protoporfirinogênio oxidase (PPO ou PROTOX).

São também denominados inibidores da síntese do tetrapirrole ou inibidores da síntese de protoporfirina IX.

Características gerais

  1. Podem ser absorvidos pelas raízes, caule ou folhas de plantas novas;
  2. Geralmente apresentam pouca ou nenhuma translocação nas plantas;
  3. Requerem luz para serem ativados;
  4. Partes das plantas expostas aos produtos e à luz morrem rapidamente (um a dois dias);
  5. São altamente sorvidos pela matéria orgânica do solo e altamente resistentes à lixiviação;
  6. Devido aos dois itens anteriores, quando aplicados em pré-emergência, a atuação ocorre próximo à superfície do solo, durante a emergência das plantas;
  7. O período residual no solo varia consideravelmente entre herbicidas. Casos eventuais de carryover foram observados com a utilização de fomesafen e sulfentrazone.

Modo de ação

O mecanismo de ação dos produtos deste grupo parece estar relacionado com a inibição da enzima protoporfirinogênio oxidase (PPO ou PROTOX), que atua na oxidação de protoporfirinogênio à protoporfirina IX (precursores da clorofila).

Com a inibição da enzima, ocorre o acúmulo de protoporfirinogênio, que se difunde para fora do centro reativo, onde acontece uma oxidação não-enzimática da mesma.

Cogita-se que a protoporfirina IX produzida pela via não enzimática não sofreria a atuação da Mg-quelatase para transformar-se em Mg-protoporfirina IX, e, ou, que teria uma conformação estrutural diferente daquela produzida pela via normal.

Neste caso, ocorreria a interação entre oxigênio e luz para levar o O2 ao estado singlet, o qual seria responsável, em última instância, pela peroxidação de lipídeos observada nas membranas celulares.

Lipídeos e proteínas são oxidados, resultando em perda da clorofila e carotenoides e no rompimento das membranas, o que faz com que as organelas desidratem e se desintegrem rapidamente.

Quando aplicados em pré-emergência, estes herbicidas causam a morte das plantas quando estas entram em contato com a camada de solo tratada. Os tecidos sensíveis sofrem rapidamente necrose e morte, causados pela peroxidação de lipídeos.

Plantas susceptíveis apresentam necrose nas folhas rapidamente (um a três dias). Mesmo em espécies consideradas tolerantes, as plantas podem exibir injúrias de moderadas a severas após a aplicação destes herbicidas em pós-emergência.

Doses subletais podem produzir sintomas de bronzeamento das folhas mais novas, ao passo que a deriva de pequenas gotas causa o aparecimento de pequenas manchas brancas nas folhas.

Seletividade

Quando em contato direto com a folhagem apresentam pouca seletividade. No entanto, muitas culturas tem capacidade de rapidamente recuperar a área foliar afetada (ex: lactofen e acifluorfen aplicados em soja) ocorre certo nível de injúria, mas as plantas se recuperam (o efeito é unicamente de contato, as folhas novas que saem após a aplicação não são afetadas).

Para o oxyfluorfen, em espécies como Pinus sp. e cebola, a tolerância aumenta com a idade devido ao menor molhamento e menor penetração via foliar, os quais ocorrem em função da maior deposição de cera cuticular.

Em alguns casos, a seletividade só é obtida por meio de aplicações dirigidas às entrelinhas (café, citros).

Herbicidas como o flumioxazin e o carfentrazone, isolados ou em misturas com outros herbicidas como glyphosate e 2,4-D, podem ser utilizados em operações de dessecação pré-plantio, em áreas de semeadura direta, normalmente com o intuito de acelerar o efeito de dessecação ou de melhorar o controle sobre plantas daninhas específicas (Jaremtchuk et al., 2008).

Grupos químicos e herbicidas

Principais misturas:

  • Fluzifop-p-butyl+fomesafen: Fusiflex, Robust

Outros herbicidas e respectivos grupos químicos: acifluorfen-sódio, aclonifen, bifenox, chlomethoxyfen, ethoxyfen, fluoroglycofen, halosafen (difeniléteres), flutiacet-methyl, thidiazimim (thiadizoles), fluazolate, pyraflufen-ethyl (phenylpirazoles), azafenidim, bencarbazone (triazolinona), cinidon-ethyl (N-fenilftalimida), oxadiargyl (oxadiazol), pentoxazone (oxazolidinediona), benzfendizone, butafenacil (pirimidinadionas),flufenpyr-ethyl, profluazol, pyraclonil (outros).

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Fonte

DE OLIVEIRA, Rubem Silvério Júnior; CONSTANTIN, Jamil; INOUE, Miriam Hiroko. Biologia e Manejo de Plantas Daninhas. Curitiba - PR: Ommipax, 2011.

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