Mecanismo de Ação: Inibidores da Enzima Protoporfirinogênio Oxidase (PROTOX)
Este grupo é composto por herbicidas cujo mecanismo de ação inibe a atuação da enzima protoporfirinogênio oxidase (PPO ou PROTOX).
São também denominados inibidores da síntese do tetrapirrole ou inibidores da síntese de protoporfirina IX.
Características gerais
- Podem ser absorvidos pelas raízes, caule ou folhas de plantas novas;
- Geralmente apresentam pouca ou nenhuma translocação nas plantas;
- Requerem luz para serem ativados;
- Partes das plantas expostas aos produtos e à luz morrem rapidamente (um a dois dias);
- São altamente sorvidos pela matéria orgânica do solo e altamente resistentes à lixiviação;
- Devido aos dois itens anteriores, quando aplicados em pré-emergência, a atuação ocorre próximo à superfície do solo, durante a emergência das plantas;
- O período residual no solo varia consideravelmente entre herbicidas. Casos eventuais de carryover foram observados com a utilização de fomesafen e sulfentrazone.
Modo de ação
O mecanismo de ação dos produtos deste grupo parece estar relacionado com a inibição da enzima protoporfirinogênio oxidase (PPO ou PROTOX), que atua na oxidação de protoporfirinogênio à protoporfirina IX (precursores da clorofila).
Com a inibição da enzima, ocorre o acúmulo de protoporfirinogênio, que se difunde para fora do centro reativo, onde acontece uma oxidação não-enzimática da mesma.
Cogita-se que a protoporfirina IX produzida pela via não enzimática não sofreria a atuação da Mg-quelatase para transformar-se em Mg-protoporfirina IX, e, ou, que teria uma conformação estrutural diferente daquela produzida pela via normal.
Neste caso, ocorreria a interação entre oxigênio e luz para levar o O2 ao estado singlet, o qual seria responsável, em última instância, pela peroxidação de lipídeos observada nas membranas celulares.
Lipídeos e proteínas são oxidados, resultando em perda da clorofila e carotenoides e no rompimento das membranas, o que faz com que as organelas desidratem e se desintegrem rapidamente.
Quando aplicados em pré-emergência, estes herbicidas causam a morte das plantas quando estas entram em contato com a camada de solo tratada. Os tecidos sensíveis sofrem rapidamente necrose e morte, causados pela peroxidação de lipídeos.
Plantas susceptíveis apresentam necrose nas folhas rapidamente (um a três dias). Mesmo em espécies consideradas tolerantes, as plantas podem exibir injúrias de moderadas a severas após a aplicação destes herbicidas em pós-emergência.
Doses subletais podem produzir sintomas de bronzeamento das folhas mais novas, ao passo que a deriva de pequenas gotas causa o aparecimento de pequenas manchas brancas nas folhas.
Seletividade
Quando em contato direto com a folhagem apresentam pouca seletividade. No entanto, muitas culturas tem capacidade de rapidamente recuperar a área foliar afetada (ex: lactofen e acifluorfen aplicados em soja) ocorre certo nível de injúria, mas as plantas se recuperam (o efeito é unicamente de contato, as folhas novas que saem após a aplicação não são afetadas).
Para o oxyfluorfen, em espécies como Pinus sp. e cebola, a tolerância aumenta com a idade devido ao menor molhamento e menor penetração via foliar, os quais ocorrem em função da maior deposição de cera cuticular.
Em alguns casos, a seletividade só é obtida por meio de aplicações dirigidas às entrelinhas (café, citros).
Herbicidas como o flumioxazin e o carfentrazone, isolados ou em misturas com outros herbicidas como glyphosate e 2,4-D, podem ser utilizados em operações de dessecação pré-plantio, em áreas de semeadura direta, normalmente com o intuito de acelerar o efeito de dessecação ou de melhorar o controle sobre plantas daninhas específicas (Jaremtchuk et al., 2008).
Grupos químicos e herbicidas

Principais misturas:
- Fluzifop-p-butyl+fomesafen: Fusiflex, Robust
Outros herbicidas e respectivos grupos químicos: acifluorfen-sódio, aclonifen, bifenox, chlomethoxyfen, ethoxyfen, fluoroglycofen, halosafen (difeniléteres), flutiacet-methyl, thidiazimim (thiadizoles), fluazolate, pyraflufen-ethyl (phenylpirazoles), azafenidim, bencarbazone (triazolinona), cinidon-ethyl (N-fenilftalimida), oxadiargyl (oxadiazol), pentoxazone (oxazolidinediona), benzfendizone, butafenacil (pirimidinadionas),flufenpyr-ethyl, profluazol, pyraclonil (outros).
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Fonte
DE OLIVEIRA, Rubem Silvério Júnior; CONSTANTIN, Jamil; INOUE, Miriam Hiroko. Biologia e Manejo de Plantas Daninhas. Curitiba - PR: Ommipax, 2011.