Manejo Integrado da Traça-do-Tomateiro (Tuta absoluta) em Sistema de Produção Integrada de Tomate Indústria (PITI)
Introdução
A traça-do-tomateiro Tuta absoluta (Meyrick) (Lepidoptera: Gelechiidae) está presente nos principais países produtores de tomate da América Latina (Argentina, Uruguai e Brasil) e, nestes países, é considerada uma das mais importantes pragas da cultura do tomate. T. absoluta foi constatada pela primeira vez no Brasil em 1979, em Morretes-PR (MUSZINSKI et al., 1982), tendo sido registrada oficialmente como praga a partir da coleta de exemplares em Jaboticabal-SP, em 1980 (MOREIRA et al., 1981). Sua disseminação no país foi muito rápida e em 1981 já estava no Vale do Salitre, em Juazeiro-BA (MORAES; NORMANHA FILHO, 1982). Em apenas três anos, após sua identificação em São Paulo, a traça-do-tomateiro estava dispersa por todas as regiões produtoras de tomate do país (SOUZA; REIS, 1992). É provável que as características de comercialização do tomate para mesa, com intenso intercâmbio regional entre centros produtores e consumidores, tenham favorecido a disseminação da praga.
Especificamente em tomate para processamento industrial, a traça-do-tomateiro causa danos consideráveis. Ataques intensos do inseto acarretam significativas perdas de produção e consequentes impactos econômicos, ambientais e sociais. Com relação aos impactos econômicos, devem ser considerados os prejuízos dos produtores, que não obtém os lucros esperados com a lavoura, além de aumento no custo de produção; o prejuízo das indústrias, que recebem uma quantidade de tomate inferior a sua capacidade de processamento e o prejuízo dos consumidores, que pagam um preço maior para adquirir os produtos processados. Do ponto de vista do impacto ambiental, deve ser considerado que o uso indiscriminado de agrotóxicos para o controle da traça-do-tomateiro pode ocasionar a poluição de águas superficiais e subterrâneas, bem como a redução da população de inimigos naturais das pragas. Quanto aos impactos sociais, as perdas ocasionadas pela traçado-tomateiro, uma vez que reduzem a produção, podem causar redução do número de empregos oferecidos nas lavouras e nas fábricas.
Como exemplo desses impactos, pode-se citar o grande surto populacional da traça-do-tomateiro ocorrido em 1989 na região do Submédio do Vale do São Francisco. A impossibilidade de controle da traça-do-tomateiro na região reduziu a área plantada com tomate. Em 1992, das cinco indústrias de tomate para processamento instaladas na região, apenas duas funcionavam (HAJI, 1992). As práticas de cultivo e o manejo inadequado do inseto, com a utilização excessiva e indiscriminada de agrotóxicos, a não eliminação de restos culturais e os plantios realizados durante todo o ano de forma escalonada na mesma área foram os responsáveis pelo desastre observado (HAJI et al., 2002).
O histórico de controle da traça-do-tomateiro, em situações em que os inseticidas são utilizados em larga escala, demonstra bem que não se deve utilizar apenas uma ferramenta para diminuir os danos causados pelos insetos-pragas. Além dessa ferramenta não ser capaz de deter o crescimento da população da praga quando o seu manejo é inadequado, as pulverizações frequentes levam à seleção de populações resistentes aos produtos utilizados (VILLAS BÔAS, 1996). Essa seleção, ainda que algumas vezes não seja constatada nos testes de laboratório, pode ser inferida quando se avalia o histórico de controle de um inseto. Para a traça-do-tomateiro, segundo França (1993), as recomendações técnicas de pulverizações com Cartap em 1983-1986 previam quatro a seis aplicações durante todo o ciclo da cultura, cuja dosagem variava de 500 a 750 g de ingrediente ativo (i.a.) por hectare, e danos de até 15% nos frutos eram tolerados. Já em 1993, dosagens de 1.500 g i.a./ha eram utilizadas pelos agricultores e as pulverizações do produto eram mais frequentes, podendo chegar a até duas vezes por semana. Ainda assim, a eficiência do controle era baixa, e em certos casos ocorriam até 40% de frutos danificados, tanto em tomate para mesa como para indústria.
A experiência da região do Submédio São Francisco, as observações sobre a perda de eficiência dos produtos e a constatação da seleção de populações resistentes aos inseticidas apontam a necessidade de se evitar a repetição dos erros cometidos. Para isso, é importante a adoção do Manejo Integrado da traça-do-tomateiro. O Manejo Integrado envolve o emprego de medidas de controle legislativo, cultural, químico e biológico, quando necessário, a fim de que a população da praga seja mantida em um nível em que perdas econômicas não ocorram. A racionalização do uso de inseticidas com o emprego das práticas de Manejo Integrado reduz os impactos ambientais causados pelo uso indiscriminado desses produtos.
Atualmente, há uma demanda social crescente para a comercialização de alimentos sem resíduos de agrotóxicos e que apresentem reduzido impacto social e ambiental em sua produção. Para atender a essa demanda, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) tem procurado viabilizar o Programa de Produção Integrada para as diferentes culturas produzidas no território brasileiro, incluindo o tomate indústria.
Deste modo, em 2005 foi iniciado o Programa de Produção Integrada de Tomate Indústria (PITI) para o Estado de Goiás (VILLAS BÔAS et al., 2007), onde a adoção do Manejo Integrado da traça-do-tomateiro é uma importante ferramenta para o seu sucesso. Porém, para que o Manejo Integrado seja viabilizado, é fundamental que os envolvidos na cadeia de produção de tomate tenham conhecimento da biologia e do comportamento da traça-do-tomateiro, bem como tenham conhecimento das medidas de controle disponíveis, assuntos que serão abordados a seguir.

A Traça-do-tomateiro
Biologia e Comportamento
Os adultos são pequenas mariposas de coloração cinza-prateado (Figura 1), com cerca de 10 mm de envergadura e 6 mm de comprimento (COELHO; FRANÇA, 1987). Podem ser vistas ao amanhecer e ao entardecer, quando voam, acasalam e fazem a postura.

Os ovos são colocados individualmente nas folhas (Figura 2), principalmente nas folhas do terço superior da planta, mas também podem ser encontrados nas hastes, flores e frutos. Apresentam formato elíptico e coloração amarelada, passando a marrom-escuro quando próximos à eclosão, que ocorre três a cinco dias após a postura. O número médio de ovos por fêmea é de 55,2 (COELHO et al., 1984; COELHO; FRANÇA, 1987; HAJI et al., 1988a, 1988b).

As lagartas (o estágio da praga que ocasiona danos) medem cerca de 6 a 9 mm de comprimento, apresentam coloração inicial branca tornando-se, posteriormente, verde-arroxeadas (Figura 3) e são caracterizadas pela placa protoráxica preta, em forma de “meia lua”. Logo após a eclosão, penetram no parênquima foliar, nos frutos ou nos ápices das hastes, onde permanecem de oito a dez dias, quando se transformam em pupas.

A pupa é verde, passando depois para a coloração marrom. No tomate rasteiro é encontrada no solo e muito raramente nas folhas. A fase de pupa tem duração de sete a dez dias (HAJI, 1982; COELHO; FRANÇA, 1987; HAJI et al., 1988a). O ciclo completo de T. absoluta dura de 26 a 30 dias. A longevidade de fêmeas e machos é de 11,5 e 9,7 dias, respectivamente (HAJI et al., 1988a).
Ecologia
Ocorre durante todo o ciclo da cultura, o ano todo e em todos os estados produtores do país, sendo o período crítico a fase de formação dos frutos. Períodos quentes e secos favorecem sua ocorrência, verificando-se menor população em períodos chuvosos. A disseminação da praga é feita pelo vento e pelo transporte de frutos atacados contendo lagartas (SOUZA; REIS, 1992).
Danos
As lagartas formam galerias (minas) transparentes nas folhas e se alimentam no interior destas. Atacam também o caule, formando minas, e os frutos, formando galerias; nos locais de ataque observam-se fezes escuras (SOUZA; REIS, 1992) (Figura 4). Em ataques severos, podem destruir completamente as folhas do tomateiro, ocorrendo um secamento dos folíolos e a consequente morte da planta. Os frutos danificados ficam impróprios para comercialização, além de facilitar a contaminação por patógenos (fungos e bactérias). As plantas ficam com sua capacidade de produção reduzida, havendo queda de frutos atacados e maturação forçada dos que permanecem.

Manejo Integrado
Controle Legislativo
A primeira medida para reduzir a população da traça-do-tomateiro em lavouras de tomate indústria é limitar a oferta de alimentos para o inseto. Isso pode ser conseguido por meio da fixação do período permitido para plantio. No Estado de Goiás é adotado um calendário de plantio anual, onde é mantido um período livre de plantio de tomate de três meses (novembro a janeiro). Em Goiás, o transplantio de tomate rasteiro, seja para fins industriais ou mesa, só poderá ocorrer de 1º de fevereiro a 30 de junho de cada ano (Instrução Normativa nº 05, de 13/11/2007-GO). Essa Instrução Normativa estabelece ainda que o transplantio de tomate tutorado nos municípios de Morrinhos, Itaberaí, Turvânia, Cristalina, Orizona, Vianópolis e Goianésia está sujeito ao mesmo período de plantio de tomate rasteiro, ou seja, 1º de fevereiro a 30 de junho.

Controle Cultural
Entende-se por controle cultural os procedimentos adotados no manejo da lavoura a fim de contribuir para reduzir a população da traça-do-tomateiro nas áreas de cultivo, visando à interrupção de seu ciclo biológico.
É importante que se evitem os plantios sucessivos da cultura, na mesma área/região. Em alguns casos, já foi observado que os produtores, para atender à demanda das indústrias por tomate para processamento, dividem os pivôs centrais em duas, três ou quatro partes e plantam as lavouras em intervalos de 15 a 20 dias. Essa prática apresenta riscos crescentes de perda da produção à medida que o período de plantio avança em determinada região, ou seja, quanto mais tarde o produtor plantar, maiores serão esses riscos. Para reduzir os riscos, os produtores de uma região, em comum acordo com as indústrias, devem procurar concentrar o plantio, sendo que o escalonamento de plantio de tomate, tutorado ou rasteiro, não deve ultrapassar 60 dias para cada microrregião (Instrução Normativa nº 05, de 13/11/2007-GO).
É fundamental a destruição dos restos culturais após a colheita. De acordo com observações de campo, alguns produtores não destroem imediatamente os restos culturais após a colheita, desrespeitando o que está determinado na Instrução Normativa nº 05. A manutenção desses restos culturais no campo permite que as pupas, que se alojam no solo ou nas folhas das plantas, se desenvolvam e originem novos adultos. Estes adultos podem se dispersar para outras áreas vizinhas cultivadas com tomate indústria e, com isso, aumentar o potencial de dano nas áreas que recebem os insetos migrantes.
Recomenda-se ainda eliminar plantas alternativas hospedeiras do inseto, como as solanáceas silvestres joá-bravo e maria-pretinha (FRANÇA; CASTELO BRANCO, 1992).
A irrigação por pivô central ou por aspersão convencional é outra prática que contribui para reduzir a população da traça-do-tomateiro. Em geral, as plantas dessas áreas são menos danificadas do que aquelas irrigadas por sulco e por gotejo. Isso ocorre porque a irrigação por aspersão derruba até 30% dos ovos da traça-do-tomateiro e contribui para a mortalidade das pupas que se encontram no solo, interferindo na capacidade de multiplicação das populações do inseto (CASTELO BRANCO, 1992; COSTA et al., 1998; SILVA et al., 1994).
Por fim, é importante que os produtores utilizem mudas sadias e vigorosas provenientes de viveiros idôneos. Deve ainda ser realizada adubação adequada, sendo fundamental que se faça análise de solo antes do plantio, a fim de se identificar corretamente as necessidades de adubação.
Controle Químico
O controle químico é hoje a técnica mais empregada para o controle da traça-do-tomateiro. Frequentemente, essas aplicações são feitas sem que seja realizado um monitoramento para definir o momento exato em que as pulverizações devem ser realizadas nas lavouras. Armadilhas de feromônio, já disponíveis no mercado (www.biocontrole.com.br), dispostas ao redor da cultura para identificar o momento exato da chegada dos primeiros adultos na lavoura, podem indicar o momento a partir do qual o controle químico deve ser efetivamente iniciado. Além de reduzir os impactos ambientais negativos causados pelos agrotóxicos, essa prática também contribui para reduzir os custos dos produtores. Caso o produtor não empregue essas armadilhas de feromônio, as amostragens semanais da parte superior das plantas, para verificar a presença de ovos, podem também indicar o momento de se iniciar as aplicações nas lavouras (CASTELO BRANCO et al., 1996). Os inseticidas pertencentes ao grupo químico dos Bis(tiocarbamatos), Reguladores de crescimento, Benzoiluréia, Avermectina, Espinosinas, Diacilhidrazina, Piretróides e Organofosforados são os mais comumente empregados. Populações de traça-do-tomateiro resistentes a alguns dos inseticidas utilizados para o seu controle já foram encontradas em Minas Gerais, São Paulo e Goiás, o maior produtor de tomate indústria do país (SIQUEIRA et al., 2000a, 2000b; DEBONI; CASTELO BRANCO, 2007).
O nível de resistência de uma população de T. absoluta a um inseticida pode ser bastante elevado. Como exemplo, em avaliação realizada no Distrito Federal em 1999, foi constatado que era necessária uma dose de 1.200 ml/100 litros de água de Deltametrina para matar 90% das larvas de uma população de traça-do-tomateiro, enquanto a dose recomendada do produto, de 30 ml/100 litros de água, matava apenas 5% das larvas (Figura 5). Isso significava que o produto Deltametrina, na dose recomendada, era ineficiente para controlar a traça-do-tomateiro em campo. Os resultados dos testes de laboratório indicaram que, para matar no mínimo 90% das larvas do inseto em suas lavouras, os produtores da região avaliada deveriam empregar uma dose 40 vezes maior que a dose recomendada, o que seria inviável do ponto de vista econômico e ambiental.

Ainda que as informações sobre a resistência da traça-do-tomateiro a alguns produtos estejam disponíveis, os envolvidos nessa cadeia de produção continuam utilizando esses produtos considerados ineficientes e, em muitos casos, falhas de controle não são observadas.
Como Entender a Eficiência do Controle Químico
Em primeiro lugar, a ocorrência de falhas de controle de uma praga é dependente da ocorrência simultânea de vários fatores, sendo um dos principais a ocorrência de condições ambientais favoráveis à rápida multiplicação do inseto. No caso da traça-do-tomateiro, altas temperaturas ou ausência de chuvas aumentam o crescimento da população do inseto e o potencial de dano. Como exemplo, Barrientos et al. (1998) verificaram que a 14ºC, 20ºC e 27ºC o desenvolvimento do inseto de ovo a adulto era de respectivamente 76,3; 39,8 e 23,8 dias. Assim, um inseticida ineficiente, que consiga controlar uma percentagem baixa dos insetos (50%, por exemplo) pode também contribuir para manter a população abaixo do nível de dano econômico, dependendo do tamanho inicial da população. A título de ilustração, em área de produção onde haja um total de 20 larvas na lavoura e seja aplicado um inseticida que controle 50% dessa população, 10 poderão sobreviver e gerar adultos para continuar infestando a lavoura. Por outro lado, em área de produção onde haja um total de 200 larvas na lavoura e seja aplicado o mesmo inseticida e este controle também 50% dessa população, 100 larvas irão sobreviver e gerar adultos para infestar a lavoura. Evidentemente o potencial de dano é muito maior no último caso.
Em segundo lugar, em muitos casos o controle da traça-do-tomateiro é feito com mistura de inseticidas. É bastante provável que em alguns casos seja utilizada uma mistura de um produto eficiente com um produto ineficiente e, em campo, a eficiência de controle seja devida principalmente ao produto eficiente que é utilizado. Ocorre, porém, que a mistura de produtos ineficientes com eficientes gera consequências indesejáveis. A primeira consequência é que o produtor, ao adquirir um produto ineficiente, emprega seu capital na compra de produto que seria dispensável, ou seja, realiza um gasto desnecessário. A segunda consequência é que o inseticida ineficiente, ainda que não controle a traça, continua causando todos os impactos ambientais negativos que lhe são inerentes. O inseticida pode, por exemplo, eliminar os inimigos naturais da traça-do-tomateiro e de outras pragas da lavoura; poluir a água subterrânea ou de superfície e afetar as populações locais de aves e mamíferos. Esses impactos ambientais negativos podem ser eliminados se o inseticida ineficiente não for empregado.
Essas considerações indicam que a decisão sobre os inseticidas que serão empregados para o controle da traça-do-tomateiro deve ser tomada preferencialmente após a realização de bioensaios de laboratório ou alguns ensaios de campo, que avaliem a eficiência dos inseticidas registrados para o controle da população local da traça-do-tomateiro (CASTELO BRANCO et al., 2001; DEBONI; CASTELO BRANCO, 2007). Com isso, o produtor poderá adquirir apenas os inseticidas de eficiência comprovada.
Outra vantagem dos bioensaios de laboratório e/ou testes de campo na região de produção é que a identificação dos produtos eficientes permitirá eliminar a necessidade do uso de misturas, que normalmente são empregadas “para obter um controle mais eficiente”, o que não é verdade em muitos casos. Vale ressaltar que, tecnicamente, a mistura de inseticidas para o controle de uma praga é uma prática não recomendada.

A técnica mais correta para o uso de inseticidas é o uso de um produto por vez e a realização da rotação de inseticidas considerados eficientes. Essa rotação deve ser realizada com inseticidas de grupos químicos diferentes (por exemplo, Espinosinas, Biológico, Benzoiluréia, Organofosforados, Piretróides, Bis(tiocarbamato) ou outro qualquer indicado) e cada inseticida deve ser utilizado por um período de 28 dias (quatro semanas) para cobrir aproximadamente uma geração da praga, ou seja, de ovo a adulto. Devem ser empregados, no mínimo, três produtos diferentes a fim de que uma geração do inseto não seja pulverizada com dois produtos de grupos diferentes, pois, no campo, são encontrados diferentes estágios do inseto, ou seja, observa-se simultaneamente ovos, larvas, pupas e adultos. Quando inseticidas Piretróides e Organofosforados forem utilizados, devem ser aplicados preferencialmente quando ocorrer a menor atividade de adultos. Deve-se evitar o objetivo de atingir os adultos, o que ajuda a retardar a seleção de populações resistentes. No Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) existem vários produtos comerciais registrados para o controle da traça-do-tomateiro (Tabela 1). Os inseticidas escolhidos para serem usados para o controle da praga podem ser escolhidos dentro dessa lista de recomendação.

Em resumo, para se empregar o controle químico eficientemente e retardar a seleção de populações resistentes deve-se procurar seguir as recomendações abaixo:
- Utilizar armadilhas de feromônio ao redor da lavoura, a fim de identificar o momento de chegada de adultos da traça-do-tomateiro na lavoura e o momento exato para o início das aplicações de inseticidas;
- Realizar bioensaios de laboratório para identificar os inseticidas eficientes para o controle da traça-do-tomateiro (a metodologia para a execução de bioensaios pode ser encontrada em CASTELO BRANCO et al., 2001 e DEBONI; CASTELO BRANCO, 2007);
- Realizar a rotação de inseticidas com grupos químicos diferentes, a fim de retardar a seleção de populações resistentes aos produtos empregados nas lavouras.
Controle Biológico
Desde a introdução da traça-do-tomateiro no Brasil, muito esforço tem sido feito no sentido de estabelecer o seu controle biológico. O surto populacional da traça-do-tomateiro na região do Submédio São Francisco em 1989 e suas consequências fizeram com que, a partir de 1990, fossem buscadas alternativas de controle de menor impacto ambiental. Na Frutinor, em Petrolina-PE, foi adaptada e estabelecida a metodologia para o controle biológico da traça-do-tomateiro tomando-se como base a experiência da Colômbia. Dessa forma, procedeu-se ao controle biológico com liberações massais do parasitoide de ovos Trichogramma pretiosum Riley, associado a aplicações do inseticida biológico Bacillus thuringiensis (HAJI et al., 1995).
De 1990 a 1995, o emprego dessa técnica no Brasil apresentou resultados bastante positivos na redução dos danos causados pela praga. Em 1991, por exemplo, o nível de ataque de lagartas presentes nos frutos foi de apenas 1%. Porém, vale ressaltar que, além da liberação massal do parasitoide para a redução dos danos da traça-do-tomateiro, foram empregadas também as técnicas de Manejo Integrado de Pragas descritas anteriormente, como, por exemplo, a rotação de culturas, a eliminação de restos culturais, a escolha de agrotóxicos compatíveis com o parasitoide liberado como o B. thuringiensis e o uso de cultivares resistentes às doenças (HAJI et al., 1995). No Distrito Federal, o mesmo sistema de controle utilizado apresentou igualmente resultados positivos no início da década de 90 (FRANÇA et al., 1992).
Em 1995, a ocorrência de tospovírus (vira-cabeça do tomateiro) transmitido pelo tripes Frankliniella schultzei (Trybom) (Thysanoptera: Tripidae) e da mosca-branca Bemisia tabaci biótipo B (Homoptera: Aleyrodidae), vetor dos geminivírus, causaram sérios danos à produção de tomate em Petrolina-PE. A consequência imediata foi a intensificação das aplicações de produtos químicos para controlar a mosca-branca e o tripes, interferindo negativamente no programa de controle biológico da traça-do-tomateiro. O controle biológico da traça-do-tomateiro foi interrompido (HAJI et al., 2002) e grande parte da produção de tomate para processamento foi deslocada para a região Centro-Oeste, onde atualmente é produzido com o uso de controle químico tanto para a traça-do-tomateiro quanto para a mosca-branca.
Estudos mais recentes feitos em ambiente protegido demonstraram a viabilidade do controle biológico para a traça-do-tomateiro (MEDEIROS et al., 2006; MEDEIROS et al., 2009). No entanto, ainda que o controle biológico da traça-do-tomateiro tenha se mostrado eficiente, essa técnica apresenta dificuldades para ter o seu uso ampliado. A principal delas é devido ao pacote tecnológico de controle de pragas estabelecido entre a indústria e os produtores, em que são definidos previamente os produtos a serem utilizados pelos produtores para as diversas pragas do tomateiro (incluindo as doenças). Em segundo lugar, a falta de disponibilidade do parasitoide para o produtor. Atualmente, existem algumas empresas especializadas que criam e comercializam este parasitoide no país, mas a produção precisará ser aumentada à medida que o número de usuários desta técnica se amplie.
Outro aspecto que deve ser considerado é o caráter preventivo do controle biológico. Recomenda-se que a primeira liberação de parasitoides ocorra assim que se constatar a presença de adultos na área, podendo esta constatação ser feita com o uso de armadilhas de feromônio, como descrito anteriormente. Além disso, o emprego contínuo de B. thuringiensis associado à liberação de parasitoides apresenta a possibilidade de seleção de populações resistentes ao produto. Por isso, recomenda-se a rotação de B. thuringiensis de subespécies diferentes (subespécie thuringiensis e subespécie aizawai) e o emprego de inseticidas com alta seletividade com relação ao parasitoide, como os reguladores de crescimento Clorfluazurom, Diflubenzurom, Teflubenzurom, Tebufenozide e Triflumurom (Tabela 1).
Atualmente comercializam o parasitoide Trichogramma spp. os laboratórios Megabio e Bug (www.megabio.com.br e www.bugagentesbiologicos.com.br).
Outros laboratórios, como Gravena, comercializam o parasitoide e assessoram o produtor no manejo da cultura (www.gravena.com.br).

Considerações Finais
A traça-do-tomateiro é um problema sério devido ao seu potencial reprodutivo e pela existência de populações resistentes aos principais agrotóxicos utilizados para o seu controle. Por isso, é importante que os produtores, ao iniciarem o controle da praga, tenham informações disponíveis sobre outros métodos que possam colaborar para a redução dos danos causados pelo inseto. Em resumo, o controle eficiente da traça-do-tomateiro pode ser obtido com:
- Plantio de cultivares mais adaptadas à região;
- Uso de rotação de culturas, de modo a interromper gerações sucessivas de traçado-tomateiro na mesma área ou região;
- Uso de adubação racional e equilibrada, que propicie plantas vigorosas e saudáveis, capazes de tolerar melhor os danos causados pela traça-do-tomateiro;
- Emprego da rotação de agrotóxicos, de modo a aumentar a vida útil dos produtos disponíveis para o controle da traça-do-tomateiro;
- Concentração dos plantios em cada microrregião em determinado espaço de tempo;
- Utilização dos insumos recomendados de maneira racional, coordenada e articulada, de modo que os problemas comuns à cultura sejam enfrentados por todos ao mesmo tempo;
- Desinfecção sistemática dos vasilhames e dos meios de transporte, para redução das condições de disseminação da praga entre regiões;
- Inspeções periódicas das áreas de produção;
- Eliminação dos restos culturais imediatamente pós a colheita;
- Adoção de mão de obra especializada, com experiência no reconhecimento de pragas e seus danos (chamado “pragueiro”), para realizar a amostragem e indicar as aplicações.
A utilização dessas medidas requer o treinamento e mudança de atitude por parte de todos os envolvidos na cadeia de produção de tomate industrial. No entanto, a sua implementação certamente contribuirá para o sucesso da cultura nas principais regiões produtoras nos próximos anos.
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Fonte
VILLAS BÔAS, Geni Litvin; CASTELO BRANCO, Marina; DE MEDEIROS, Maria Alice. Manejo Integrado da Traça-do-Tomateiro (Tuta absoluta) em Sistema de Produção Integrada de Tomate Indústria (PITI). Brasília - DF: Embrapa, 2009.