Irrigação na Cultura do Maracujá
Em regiões subúmidas e semiáridas onde há menor disponibilidade hídrica, a irrigação dos pomares é essencial para garantir a produção. Em regiões onde os totais de precipitação são considerados razoáveis, como é o caso do Sudeste do Brasil, o emprego da irrigação pode viabilizar a produção na entressafra. Naquela região, no período de setembro a dezembro, quando ocorrem períodos de déficit hídrico antes da estação chuvosa e os preços são mais compensadores, o produtor pode antecipar a produção através da irrigação, colocando frutos no mercado ainda na entressafra.
O método mais comumente usado para irrigar pomares de maracujá tem sido a irrigação localizada, representada pelos sistemas de gotejamento e microaspersão. A microaspersão promove maior área molhada de solo comparada ao gotejamento, permitindo maior expansão do sistema radicular. Na microaspersão, a água é aspergida na atmosfera e, como no método de aspersão, pode levar à formação de um microclima próximo às plantas favorável ao surgimento de doenças, como a Murcha e a “Podridão-do-pé”.
O sistema de irrigação por gotejamento vem tendo ampla aceitação entre os produtores de maracujá, pois proporciona condições de umidade e aeração do solo que estimulam o pleno desenvolvimento das plantas e a produção da cultura. Adicionalmente, o gotejamento tem a vantagem de não contribuir para a formação de um microclima úmido transitório no interior da cultura, pois não molha a parte aérea das plantas, reduzindo assim os riscos de incidência de doenças.
A distribuição mais comum do sistema de gotejamento no campo é o uso de uma linha lateral disposta ao longo das fileiras de plantas, com dois gotejadores por planta, mantidos a uma distância da planta que varia de 20 cm em solos arenosos a 40 cm em solos argilosos.
Pode-se usar tanto o sistema de gotejamento superficial quanto o subsuperficial ou enterrado. Em caso de se optar por este último, e devido à característica do maracujazeiro de apresentar um sistema radicular superficial (inferior a 50 cm), recomenda-se instalar as linhas de gotejadores a profundidades variando de 20 cm, em solo arenoso, a 25 cm, em solo argiloso. Ainda no gotejamento enterrado, o plantio em época chuvosa facilita o desenvolvimento das raízes, que alcançarão profundidade sufi ciente para garantir absorção de água do volume molhado nos períodos secos subsequentes.

1. Requerimento de água
O maracujazeiro encontra condições ideais para seu desenvolvimento em regiões com precipitações pluviais de 800 a 1.750 mm, distribuídas regularmente durante o ano. Produtividades em torno de 40 t/ha-1 para a cultura irrigada por gotejamento foram encontradas por Martins et al. (1998) para uma lâmina d’água total (chuva + irrigação) variando de 1.300 a 1.470 mm, sendo 826 mm desse total contribuição das chuvas.
O teor de água no solo é um dos fatores que mais influenciam o florescimento da cultura do maracujá (VASCONCELLOS; CEREDA, 1994). A falta de umidade no solo provoca a queda das folhas e dos frutos, principalmente no início de seu desenvolvimento. Caso cheguem a se formar, os frutos podem crescer com enrugamento, prejudicando a qualidade da produção (MANICA, 1981; RUGGIERO et al., 1996).
A escassez de água no solo afeta a hidratação dos tecidos da planta e, sob condições de estresse hídrico, formam-se ramos menores, com menor número de nós e comprimento de internós, refletindo, consequentemente, no número de botões florais e flores abertas (MANZEL et al., 1986). Proporcionalmente, o estresse hídrico prejudica mais o desenvolvimento de brotos florais do que a perda de flores ou frutos por queda prematura.
2. Manejo da irrigação
Uma vez implantado o pomar e o sistema de irrigação escolhido, define-se o conjunto de procedimentos que auxiliarão o agricultor a decidir sobre quando irrigar e a quantidade de água a aplicar. É o manejo da irrigação. No Brasil, geralmente água e área não são fatores limitantes à produção. Qualquer que seja a situação, no entanto, o melhor método de programação da irrigação, do ponto de vista do produtor, é aquele que proporciona os maiores lucros.
A irrigação pode ser programada com base em experiências passadas e em um conhecimento de práticas já comprovadamente capazes de proporcionar bons rendimentos às culturas. Tanques de evaporação têm sido usados como guias para determinação da lâmina de irrigação e frequência de aplicação. Em outros casos, a estimativa das necessidades hídricas das plantas é feita a partir de variáveis meteorológicas e do monitoramento do estado da água no solo.

Apesar dos avanços obtidos na área de irrigação, precisamos ainda progredir nas pesquisas para determinar o manejo adequado, as necessidades hídricas, a tensão ótima de umidade do solo e a lâmina de irrigação.
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Fonte
PIRES, Mônica de Moura; SÃO JOSÉ, Abel Rebouças; DA CONCEIÇÃO, Aline Oliveira. Maracujá: avanços tecnológicos e sustentabilidade. 1ª ed. Ilhéus - BA: Editus, 2011.