Agricultura

<strong>Inoculação com</strong> <strong>Azospirillum brasilense</strong> <strong>para a produção de milho para silagem</strong>

Daniel Vilar
Especialista
27 min de leitura
<strong>Inoculação com</strong> <strong>Azospirillum brasilense</strong> <strong>para a produção de milho para silagem</strong>
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A  adubação  nitrogenada  tem  papel  fundamental  para  a  determinação  da  produtividade  e  rentabilidade  da  cultura  do milho.  O  gênero Azospirillum possui  a  capacidade,  quando  associado  com  as  gramíneas,  de  fixar  o  nitrogênio atmosférico e  prover reguladores de  crescimento. Este  trabalho teve  como objetivo avaliar o efeito da  inoculação de Azospirillum brasilense nas sementes de milho cultivado para a produção de silagem em Santana do Livramento, RS. Os  tratamentos  consistiram  em  comparar  plantas  de  milho  para  a  produção  de  silagem  com  e  sem  inoculação  na semeadura das cepas AbV5 e AbV6 de Azospirillum brasilense, na concentração de 2x108UFC ml-1. Foram analisados, a partir de 20 repetições por tratamento, os parâmetros de altura de planta, diâmetro de colmo, massa da parte aérea da planta, massa da raiz, massa média da espiga, quantidade de espigas produzidas por planta e produtividade (kg ha-1). Também  foram obtidos os  teores  de  amido, proteína,  fibra  bruta, matéria  mineral,  umidade  e  voláteis,  FDA,  FDN  e matéria seca  da  silagem  de  milho  a  partir  de  três  repetições  por  tratamento.  O  experimento  foi  conduzido  em delineamento inteiramente casualizado e os resultados submetidos ao teste de Tukey, ao nível de 5% de probabilidade de erro. O uso de inoculante proporcionou maior altura de plantas, redução da massa de raiz e dos teores de amido e proteína  da  silagem.  Os  demais  parâmetros  analisados  não  foram  alterados  pela  inoculação  das  sementes  com A. brasilense.

1. Introdução

O milho pertence à família Poaceae, subfamília Panicoideae, tribo Maydeae e nome botânico Zea mays L. (Barbosa, 1983). Segundo Barros et al.,(2014), o milho se originou do teosinto (Zea mays subsp. mexicana (Schrad.) Iltis). A cultura do milho é cultivada há mais de 8.000 mil anos em diversos países devido a sua boa adaptabilidade e aos seus variados genótipos, o que permite a sua produção em regiões de climas tropicais a temperados. 

Segundo Ponciano et al. (2003), o milho pode ser usado de  forma in natura como forragem e ração no que se  refere  à  alimentação animal.  Conforme  Emygdio et  al. (2013), a produtividade média obtida no RS é de 3.000 kg ha-1. Conforme o levantamento anual do acompanhamento da safra 2016/2017 realizado pela Emater/RS-Ascar, houve um incremento de 9,35% na área cultivada, superando os 816 mil hectares (Rosa, 2017).Segundo  a  FEE  (2019),  em  2018  foram  produzidas  8.225  toneladas  de  milho  no  município  de  Santana  do Livramento/RS, mantendo nos últimos três anos a média de produção. O município é caracterizado pela bacia leiteira formada por  pequenos  produtores  familiares  que  realizam  o  plantio  da  cultura  destinada  à  produção  de  silagem,  a  fim  de  suprir  a necessidade de suplementação animal na época do vazio forrageiro (Silva, et al.,2019). Segundo Cotrim (2014), os motivos que levam os produtores leiteiros a optarem pela silagem de milho são a ampla oferta de híbridos no mercado, relativo baixo custode produção e alta produtividade, a automação durante o processo de produção e a aceitação pelos animais, sendo o principal suplemento volumoso para os rebanhos leiteiros.

Dartora et al. (2013) afirmam que em solos com baixa fertilidade natural e deficiência de nitrogênio pode ser constatada a  redução  da  produtividade  do  milho,bem  como na  maioria  dos  solos  brasileiros que possuem baixa  disponibilidade  de nitrogênio. Além disso, apenas 50% do nitrogênio aplicado nos solos são aproveitados pelas plantas, sendo o restante perdido em outros processos, tais como, a lixiviação e a volatilização. A adubação nitrogenada tem papel fundamental na determinação da  produtividade  e  rentabilidade  da  cultura  do  milho.  Dessa  forma,  é recomendável que  a  adubação  nitrogenada  atenda às necessidades da  cultura agrícola, evite efeitos negativos do excesso de nitrato nos mananciais e  que não seja  onerosa para  os produtores (Cantarella et al.,2004; Feitosa et al., 2021).

Na natureza existem alguns microrganismos capazes de colonizar a superfície das raízes, rizosfera, filosfera e os tecidos internos das plantas, dentre os quais as bactérias diazotróficas ou fixadoras de nitrogênio atmosférico, que possuem a capacidade de se associar às plantas em diferentes graus, podendo ser classificadas como bactérias associativas, endofíticas e/ou simbióticas (Hungriaet al., 2007; Almeida et al., 2021; Silva et al., 2022). Dentre esses microrganismos, existem aqueles que são capazes de produzir reguladores de crescimento, como auxinas e giberelinas, sendo denominados também como Bactérias Promotoras de  Crescimento  em  Plantas  (BPCPs)  por  influenciarem  no  desenvolvimento  e  desempenho  produtivo  vegetal,  bem  como auxiliarem na absorção de água e nutrientes (Davison, 1888; Peoples et al., 1995; Silva et al., 2022).

Alguns  exemplos  de  BPCPs  são  aquelas  pertencentes  aos  gêneros Azospirillum,  Rhizobium,  Bradyrhizobium,Agrobactetiriume Gluconacetobacter. Esses gêneros são formados por bactérias gram-negativas de vida livre, com metabolismo de carbono e nitrogênio de grande versatilidade. O gênero Azospirillum Possui a capacidade, quando associado com as gramíneas, de fixar o nitrogênio atmosférico e auxiliar com a solubilização do fosfato inorgânico, além de estar amplamente presente nos solos tropicais e subtropicais (Elmerich & Newton, 2007; Huergo et Al., 2008, Almeida et al., 2021).Segundo Cantarella (2007), esses organismos assimilam o nitrogênio atmosférico e o transformam em NH3,sendo responsáveis pela fixação biológica através do complexo enzimático nitrogenase. O processo de fixação biológica de nitrogênio consiste no segundo processo biológico das plantas de maior importância, atrás somente da fotossíntese. 

O nitrogênio atua no metabolismo vegetal, pois participa diretamente na biossíntese de proteínas e clorofila, bem como no desenvolvimento inicial da planta (Andrade et al., 2003). Entretanto, a utilização de fertilizantes a base de amônio e ureia acaba ocasionando a acidificação do solo, principalmente com o aumento das doses no sistema de produção (Caireset al., 2015), onerando a produção e potencializando impactos ambientais (Fernandes et al.,2007).

Conforme Bartchechen et al. (2010), a principal barreira para a utilização de Azospirillum em larga escala tem sido a inconsistência dos resultados apresentados nos estudos. Essas variações têm sido associadas à diversidade genética das distintas cultivares, condições edafoclimáticas e metodologias utilizadas nas pesquisas.

Bashan et al. (2010) relataram maior desenvolvimento das raízes, absorção da água e minerais e uma maior tolerância ao estresse em relação à seca e à salinidade como resultados advindos da inoculação com Azospirillum brasilense. Já Correa et al. (2008) apontaram que com o aumento do crescimento radicular e nutrição pela prática da inoculação com o A. brasilense, as plantas desenvolvem uma maior tolerância aos agentes patogênicos.

Sales et al (2021)observaram, na inoculação das sementes de arroz com A. brasilense somados a 50% da dose de N recomendada, houve  o  incremento  em altura  de plantas,  número  de  panículas  e produtividade  de  grãos. Rampim  (2021)não verificaram diferenças entre os tratamentos na  primeira  safra de  milho,  mesmo  com  doses  superiores  ao  recomendado  de inoculante.O maior desenvolvimento radicular das mudas foi obtido apenas a partir da reinoculação por duas safras seguidas, contudo foi restringido o desenvolvimento da parte aérea das plantas de milho.

Na pesquisa realizada por Novakowiski et al. (2011), foi avaliada a associação da adubação nitrogenada na pastagem de inverno (azevém e aveia preta) e a inoculação de A. brasilense no milho. Concluíram que nesse sistema de produção existe efeito residual do nitrogênio aplicado na pastagem sobre a cultura do milho, bem como o aumento da produtividade do milho pela inoculação. Para Dartora et al. (2013), ao avaliarem a resposta de inoculação de A. brasilense e H. seropedicae em relação à adubação nitrogenada no milho, verificaram que a adubação nitrogenada favoreceu o desenvolvimento da cultura. A inoculação dos microrganismos proporcionou um aumento de 12% na matéria seca da parte aérea e de 7% na produtividade.

Conforme  Araújo et  al. (2014), a  inoculação com A. brasilense no milho aumentou o número e  a  massa  das espigas comerciais empalhadas. Além disso, a combinação de inoculação e adubação nitrogenada aumentou em aproximadamente 30% a produção de espigas. Já no experimento conduzido por Dias et al. (2018), a inoculação com A. brasilense promoveu o aumento da produtividade e do teor de óleo nos grãos. Assim, o A. brasilense tem se mostrado como uma alternativa para complementar o  fornecimento  do  nitrogênio  para  o  milho  (Araújo  et  al.,  2015).  Essa  interação  tem  possibilitado  a  redução  na  aplicação  de fertilizantes na cultura e a redução nos custos de produção, bem como proporcionado menor contaminação ambiental (Hungriaet  al.,  2010).A  partir  do  exposto  e  da  necessidade  de  pesquisas,  o  presente  trabalho  teve  como  objetivo  avaliar  o  efeito  da inoculação de Azospirillum brasilense nas sementes de milho cultivado para a produção de silagem em Santana do Livramento, RS.2. 

2.Metodologia 

O  experimento foi conduzido na  área rural de  Santana do Livramento –RS,  no assentamento São Leopoldo, situado geograficamente  na  latitude  30°48'12"S  e  longitude  55°10'45"O  (Google  Earth,  2019).  O  solo  é  classificado  como  Alissolo Hipocrômico, tendo por características ser medianamente profundo a profundo, com horizonte B podendo variar de textural a nítico. Caracterizado como solo profundo e bem drenado, sendo o horizonte A, 56 cm, de areia franca espessa com transição clara para o horizonte B, de 200 cm, predominante de argila. Quanto a parte química, este solo é ácido, com baixa Capacidade de Troca de Cátions (CTC), com teores de médio abaixo para K, Ca, Mg, e P e baixo teor de carbono orgânico no horizonte A, podendo  chegar  a  média  no  horizonte  B.  É  caracterizado  como  limitante  quanto  a  fertilidade  natural,  apresenta  alta susceptibilidade a erosão e com maior predisposição à ocorrência de deficiência hídrica às plantas pelos 100 cm de profundidade de solo arenoso (Klamtet al., 1995; Santoset al., 2018). É caracterizada como de clima subtropical úmido (CFA). Apresenta o mês mais frio com média acima de 3 °C e no mês mais quente com temperatura superior a 22°C. A precipitação é abundante e bem distribuída ao longo de todo o ano (Köppen et al.,1928).

Os  tratamentos  consistiram  em:  T1 -inoculação  das  sementes  e  T2 -testemunha,  sem inoculação  das  sementes  por ocasião da semeadura. O inoculante empregado foi o produto comercial da Embrapa, Azototal®, composto pelas cepas AbV5 e AbV6  da  bactéria Azospirillum  brasilense,  na  concentração  de  2x108UFC  ml-1 e densidade  de  1,00  g  cm-3,  aplicados manualmente em um tanque de plástico, de forma homogênea nas sementes no volume de 100 ml de inoculante para cada 60.000 sementes e posteriormente foi realizada a semeadura.

A  área  total  de  plantio  foi  de  4,00  ha  de  milho,  sendo  uma  gleba  de  0,38  ha  divididos  em  0,19  ha  destinados  aos tratamentos  com  e  sem  inoculação.  No  dia  14/12/2019  foi  realizada  a  semeadura  e  adubação  com  o  auxílio  de  semeadora-adubadora Semeato (modelo PHS 125, com 03 linhas) sob sistema de plantio direto. Foi realizada adubação de base de 200 kg ha-1de NPK (5-20-20) e 180 kg ha-1de adubo orgânico a base de cama de aviário (3-3-2) de acordo com as recomendações da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo (2016).

As sementes de milho híbrido utilizadas foram da variedade 20A78PW (Morgan®), de ciclo superprecoce. Esse genótipo é resistente ao herbicida glifosato e com tecnologia BT®(Bacillus thuringiensis) de proteção contra insetos. A semeadura foi realizada na densidade de 8,8 grãos m-2, sendo a sua distribuição no espaçamento entre as plantas de 12,5 cm e entrelinhas de 90,0  cm,  o  que  equivale  a  uma  densidade  de  plantio  de  88.000  plantas  ha-1 (Silvaet  al.,  2021).  A  área  escolhida  para  o experimento tem sido utilizada para a semeadura do milho para a produção de silagem no verão há 15 anos, ficando em pousio entre  os cultivos do milho no verão. No dia 01/12/2019, antes da  semeadura, foi realizada  a primeira aplicação de herbicidas para o controle de plantas espontâneas. O volume de calda utilizado na pulverização foi de 115 L ha-1e as concentrações dos produtos comerciais adotadas foram de 1,7 L ha-1de 2,4-D (sal de dimetilamina de (2,4-dichlorophenoxy) acetic acid) e 2 kg ha-1de glifosato (sal isopropilamina de N-(phosphonomethyl) glicine).

Foram realizadas 20 repetições por tratamento. Cada repetição foi composta por três plantas de fileiras de semeadura lindeiras, coletadas a cada 7 m. Antes de proceder a coleta das plantas, a altura de planta, com auxílio de fita métrica, obtida por meio da medição entre a superfície do solo até a inserção do pendão. O diâmetro do colmo foi determinado a 10 cm da superfície do solo, com o auxílio de uma trena(Lopes,2016; Gomes,2019).

Após  a  coleta  das  plantas,  foram  realizadas  as  análises  de  massa da  parte  aérea da  planta,  massa  da  raiz  e  massa  da espiga com o auxílio de uma balança digital. O número de espigas produzidas por planta também foi contabilizado e, juntamente com a densidade de plantas no momento da colheita, utilizado para determinar a produtividade. Para a análise de massa de raiz, foi realizado um corte com profundidade de um metro, retirado o excesso de solo e então pesadas individualmente. Já para a massa de espiga foram retiradas das plantas as espigas com palha e pesadas individualmente(Gomes, 2019).

A  parte  aérea  das  plantas  e  as  espigas  foram  trituradas  separadamente.  Posteriormente  foram  alocadas  em  sacos individuais de polietileno de baixa densidade (PEBD) transparente de 150 micras. Esses sacos foram colocados em sacos de ráfia e  acondicionados  em  um  tambor  de  plástico  azul  coberto  por  saco  preto,  até  o  dia  26/05/2020,  totalizando  48  dias  em fermentação.

Os  sacos  foram  abertos  e  a  silagem  de  cada  tratamento  homogeneizada  para  a  coleta  de  amostras  de  50  g,  sendo utilizadas  três  repetições  por  tratamento.  No  mesmo  dia  da  coleta,  as  amostras  foram  enviadas  ao  laboratório  da  empresa  de nutrição Languiru®para a realização da análise bromatológica. Foram determinados os teores de amido, proteína, fibra bruta, matéria  mineral,  umidade  e  voláteis,  fibra  em  detergente  ácido  (FDA),  fibra  em  detergente  neutro  (FDN)  e  matéria  seca  da silagem de milho conforme o método reconhecido pela “Association of Official Analytical Chemists” (AOAC) e aprovado oficialmente pelo Ministério da Agricultura (Ferrarini, 2004).

O  experimento foi implantado em Delineamento Inteiramente  Casualizado (DIC). Os resultados foram submetidos à análise de variância e a comparação das médias foi realizada pelo teste de Tukey, ao nível de 5% de probabilidade de erro.

3. Resultados e Discussão

Na  Tabela  1  estão  dispostos  os  dados  climáticos  concedidos  pelo  INMET  de  acordo  com  cada  período  fenológico estimado durante o ciclo de desenvolvimento do experimento. A  semeadura foi realizada no dia 14/12/2019, o período I -da germinação à emergência ocorreu do dia 14/12/2019 até 08/01/2020 (25 dias);o período II -de crescimento e desenvolvimento do dia 09/01/2020 até 12/02/2020 (34 dias);o período III -do florescimento ao enchimento de grãos do dia 13/02/2020 até o 23/03/2020 (39 dias);e o período IV-da maturação fisiológica até a colheita do dia 24/03/2020 até 08/04/2020 (15 dias).

Tendo em vista que esse experimento não utilizou irrigação e a precipitação pluvial foi inferior à demandada pela cultura (Tabela 1), sua capacidade de desenvolvimento e produção não ocorreu nas condições mais adequadas para a cultura. A reduzida ocorrência de precipitação pluvial nos períodos fenológicos III e IV também foi inferior à normal climatológica para os meses de março e abril em Santana do Livramento.

As  temperaturas  mínimas  foram  muito  inferiores  às  recomendadas  por  Landau  et  al.  (2016),  21  ºC  a  25ºC,  não alcançando 12 ºC. Enquanto as máximas recomendadas (30 ºC a 35 ºC), sendo nos períodos fenológicos I e III superiores, com 38,4  ºC  e  37,9  ºC  respectivamente,  e  nos  períodos  fenológicos  II  e  IV  de  acordo  com  o  recomendado,  de  34,6  ºC  e  31,6  ºC respectivamente. As temperaturas médias foram similares às observadas na normal climatológica dos últimos 10 anos e estiveram de acordo com a recomendação para a cultura (Landauet al., 2016).

Os dados de altura de planta e diâmetro de colmo de milho com e sem inoculação de A. brasilense na semeadura estão dispostos na Tabela 2.

A utilização de inoculante na semeadura do milho ocasionou maior altura de planta. No entanto, não houve diferença entre o diâmetro de colmo das plantas de milho com e sem inoculação.

Segundo  Mendonça  et  al.  (2006),  as  bactérias A.  brasilense tem  a  capacidade  de  colonizar  primeiramente  as  raízes, seguidas pelos colmos e por último as folhas. Pode não ter ocorrido a colonização de forma expressiva nos colmos, não diferindo quanto  ao  diâmetro  das  plantas  testemunhas.  Corroborado,Gaviraghi  (2021)  obteve  maior  diâmetro  de  colmo em  plantas inoculadas com A. brasilense e o emprego de metade das doses recomendadas de adubação nitrogenada e cama de aviário.

Junior et al. (2020) verificaram aumento de altura de plantas e diâmetro do colmo das plantas de milho quando realizadas adubações nitrogenadas em diferentes doses, sem que o uso de  inoculante influenciasse  nesses parâmetros. Silva  et  al  (2021)também não observaram variação na altura de plantas e diâmetro do colmo ao testarem a associação de quadrados distintas de adubação nitrogenada em conjunto com a inoculação com A. brasilense em experimento com milho. Vendruscolo et al. (2020), em experimento conduzido em solo latossolo vermelho com adubação de  cobertura  e nitrogenada e aplicações isoladas de A. brasilense e  tiamina  no  município  de  Goiânia, também não  verificaram  respostas  significativas  quanto  à  altura  de  plantas  e diâmetro do colmo no milho doce.

Lopes (2016) comparou a inoculação de A. brasilense nas sementes de milho Velox TL® (ciclo superprecoce) com a inoculação  realizada  no  sulco  de  modo  mecanizado  em  Cruzeiro  do  Sul/RS  na  safra  2015/2016.  Naquelas  condições, independentemente  do método de  inoculação, Azospirillum  brasilense também proporcionou maior altura  do milho plantado, bem  como  não  houve  influência  no  diâmetro  do  colmo,  corroborando  com  os  resultados  do  presente  experimento  em que  se realizou a inoculação manual das sementes e logo em seguida se realizou a semeadura.

Fachinelli (2017), em experimento conduzido em condições de solo e inoculação semelhantes às do presente trabalho, testou diferentes espaçamentos de plantio e verificou efeito significativo das BPCP no diâmetro de colmo para o espaçamento de 90 cm. De acordo com Batistela & Barbosa (2017), em pesquisa realizada no período de maio a junho do ano de 2016 em Ourinhos -SP para comparar o desempenho de diferentes híbridos de milho (ciclos superprecoces) submetidos à inoculação de sementes  com Azospirillum  brasilense(dose  de  100  mL  ha-1),  concluíram  que  a  inoculação  das  sementes  não  apresentou influência nos híbridos testados para os parâmetros de altura de planta e diâmetro de colmo devido às interferências de fatores edafoclimáticos. 

Jales et  al. (2021) não verificaram interação entre diferentes disponibilidades hídricas com o uso de  inoculação com Azospirillum brasilense, condição alterada apenas para adubação nitrogenada.Oliveira et al. (2021b) não observaram influência pela inoculação com A. brasilensee pela adubação nitrogenada fornecida no consórcio com soja e no monocultivo do milho para silagem em índice de clorofila foliar, teores foliares (N, P, K, Ca, Mg, S, Fe, Mn, Zn e B), altura de planta, diâmetrode colmo e densidade de plantas.

Os dados de massa média fresca de planta e de raiz do milho com e sem inoculação de A. brasilense na semeadura estão dispostos na Tabela 3. 

A utilização de inoculante na semeadura do milho para produção de silagem não afetou a massa média da parte aérea da planta. Gaviraghi (2021) em seu experimento associando doses de N, cama de aviário e A. brasiliense, não constatou influência da inoculação nos mesmos parâmetros. Rampim (2021) obteve maior desenvolvimento radicular das mudas de milho, quando reinoculadas em safras seguidas, com A. brasilense, porém foi identificada a redução do desenvolvimento da parte aérea.

As condições térmicas e de escassez hídrica ocorridas durante o ciclo da cultura (Tabela 1) podem ter contribuído para não ter havido melhor desempenho das plantas submetidas à inoculação na semeadura. Conforme Barros & Calado (2014), o estresse hídrico reduz a capacidade normal de absorção de nutrientes provindos do solo e pode influenciar no desenvolvimento das plantas também pelo fechamento estomático e redução da fotossíntese líquida.

Entretanto,  aquelas  plantas  que  se  desenvolveram  sem  a  influência  do inoculante  apresentaram  maior  massa  média fresca de raiz. Esse resultado pode ser um indicativo de que as plantas testemunhas necessitaram de maior crescimento e atividade radicular para prover de  nutrientes e  água e  manter o mesmo acúmulo de  massa  úmida da  parte aérea quando comparadas às plantas oriundas de semeadura com a inoculação de A. brasilense, como observado por Jaleset al (2021).

De acordo com Barber et al. (1988), a temperatura e a disponibilidade hídrica interferem no desenvolvimento do sistema radicular e na  absorção de  nutrientes do milho, que  em situações de  estresse  hídrico severo somente  deixa  de  se  desenvolver apenas no ponto de murcha permanente. A precipitação pluvial acumulada nos meses de dezembro a fevereiro totalizou 182,6 mm, superando os 150 mm necessários nos períodos fenológicos I e II, enquanto nos períodos fenológicos III e IV, nos meses de março e abril, houve o acúmulo de 108,8 mm, sendo inferiores aos 800 mm recomendados como ideais (Tabela 1). Os valores de temperaturas mínimas e máximas em todos os períodos fenológicos não foram adequados, no entanto as temperaturas médias atenderam às necessidades da cultura. Com tais variações de temperatura e estresse hídrico nos estágios finais, a absorção de nutrientes e desenvolvimento das raízes são diretamente afetadas.

Lima (2018) e Vendruscolo et al. (2020) não observaram alterações na produção de massa fresca e seca de milho pelo emprego de inoculante com A. brasilense, atribuindo que fatores como estresse hídrico afetaram negativamente os efeitos do uso de inoculante. Corroborando,Jales et al. (2021) em experimento com restrição hídrica e inoculação com A. brasiliense doses diferentes  de  N verificaram  que o  estresse  hídrico  promoveu  maior  comprimento  de  raiz.  Miotti (2021)  constataram maior tolerância de plantas de milho submetidas ao estresse salino com o uso do inoculante. 

Os dados de massa média da espiga, quantidade de espigas produzidas por planta e produtividade da lavoura de milho com e sem inoculação de A. brasilense na semeadura estão dispostos na Tabela 4.

A  utilização  de  inoculante  na  semeadura  de  milho  não  influenciou  na  massa  média  fresca  de  espiga,  quantidade  de espigas  produzidas  por  planta  e  produtividade  da  lavoura  no  presente experimento.  Spolaor  et  al.  (2016) e Gaviraghi  (2021) também  não  verificaram  influência  na  produtividade  de  milho  em  decorrência  de  inoculação  com A. brasiliense das  mesmas estirpes Abv5 e Abv6 utilizadas no presente experimento, ou mesmo com diferentes doses de adubação nitrogenada de cobertura em latossolo vermelho. 

Amorim et al. (2021) não verificaram diferença estatística quanto ao parâmetro produtividade, contudo, evidenciou-se um incremento de três sacas de milho (sacas de 60 kg) entre os tratamentos em relação à testemunha. O presente trabalho também não constatou diferença estatística quanto aos parâmetros produtivos de massa média da espiga, quantidade de espigas produzidas por planta e produtividade de lavoura de milho produzida para silagem. 

Junior  et  al.  (2020) não observaram  influência no  uso  de  inoculante nos  parâmetros  número  de  fileiras  por  espiga, número de grãos por fileira, número de grãos por espiga,massa de 1000 grãos e produtividade. Silva et al (2021) associando quatro  doses  diferentes  de  adubação  nitrogenada e inoculação com A.  brasilense também não verificaram  influência  na produção do milho. Barros (2019), em experimento realizado no município de Arapiraca -AL, ao avaliar a associação de fontes de  N  com  inoculação  de A.  brasilense,  também  constatou  que  a  inoculação  das  sementes  de  milho  doce  com  a  BPCP  não interferiu no rendimento de grãos.

Vorpagel (2012) também não observou alteração no rendimento de grãos, massa de mil grãos, massa de grãos da espiga, número de fileiras por espiga e número de grãos por fileira pelo emprego de A. brasilenseno Noroeste do RS (Augusto Pestana), sendo observado maior rendimento de grãos mediante o aumento da massa média de grãos em decorrência do uso isolado da dose completa de nitrogênio em cobertura. No presente experimento também não se observou alteração no resultado da produção de massa média fresca da parte aérea e dos componentes de rendimento de grãos, avaliados pela massa média fresca de espiga, quantidade de espigas produzidas por planta e produtividade estimada da lavoura.

Vendruscolo  et  al.  (2020)  observaram  que  aplicações  isoladas  de A.  brasilense e  tiamina  não  obtiveram  respostas significativas quanto à produtividade de matéria seca e fresca das espigas do milho doce. Por outro lado, Fachinelli (2017), no Mato Grosso do Sul (Vicentina), verificou que o inoculante propiciou o aumento do número de espigas produzidas por planta em experimento conduzido nas mesmas condições de solo (areia quartzosa álica). Duarte et al. (2021),ao testarem a inoculação de A. brasilense na semeadura do milho em condição de solo arenoso como no presente experimento,também não obtiveram interferência nos parâmetros produtivos.

Os parâmetros da análise bromatológica das silagens produzidas com e sem inoculação de A. brasilense na semeadura do milho estão dispostos na Tabela 5. 

A silagem produzida sem o uso de inoculante apresentou maiores teores de amido e proteína do que as plantas de milho inoculadas  na  semeadura.  Os  parâmetros  de  fibra  bruta,  matéria  mineral,  umidade  e  voláteis,  FDA,  FDN  e  matéria  seca  não foram alterados pela inoculação em relação à testemunha sem o uso de A. brasilense. 

Galeano et al. (2019) realizaram um experimento in vitro, onde extraíram A. brasilense estirpes AbV5 e AbV6 de duas  gramíneas, Hymenachne Amplexicaulis(Rudge) Nees(canarana)  e Digitaria  decumbens  Stent.  (capim  pangola)  e observaram  maiores  concentrações  proteicas  e  incremento  de  matéria seca  do  que  sem  a  realização  de  inoculação. Esses resultados divergem do presente experimento, em que o uso de inoculante comercial não alterou a composição da matéria seca da silagem. Em pesquisa realizada por Grunewald (2021), a inoculação de A.brasilense em plantas de milho não modificou a produtividade,  a  altura  de  plantas,  altura  de  espigas,  a  massa  verde,  a  massa  seca.  Vendruscolo  et  al.  (2020)  observaram  que aplicações isoladas de A. brasilense não apresentaram influência nos teores de proteína bruta no milho doce, bem como para os parâmetros de altura de plantas, diâmetro de colmo e produtividade de matéria seca e fresca.

Silva et al. (2021) constatou que a inoculação aumenta a porcentagem de extrato etéreo da silagem a massa de 1000 grãos, conforme se elevou a dose de nitrogênio em cobertura. Conforme Oliveira et al. (2021), adubação nitrogenada aplicada no milho inoculado e consorciado com a soja propiciou composição bromatológica, digestibilidade, pH, teores de energia e perfil de  ácidos  orgânicos característicos  de  silagem com qualidade adequada. Skonieski  (2015),  em  experimento  conduzido  nos municípios de Erechim e Santa Maria na safra 2013/2014, testou diferentes níveis de adubação nitrogenada com e sem inoculação de  dois híbridos de  milho (AS1572®e  Defender®, ambos de  ciclo precoce e  híbridos com tecnologia  BT®) para  produção de silagem e grãos. Diferentemente do presente experimento, naquelas condições a inoculação com a BPCP ocasionou o aumento da produtividade de silagem e grãos, elevou a digestibilidade da matéria orgânica e reduziu a FDA da silagem.

Também  contrastando  com  o ocorrido  no  presente  experimento  em  que  a  área  ficou  em pousio  entre  os  cultivos  do milho, Bertoncell et al. (2017) testaram a influência de culturas de cobertura no inverno antecessoras ao cultivo do milho para a produção de silagem com e sem a inoculação de A. brasilense na semeadura no município de Santa Maria. Os autores verificaram que a inoculação aumentou a produtividade de grãos, porém sem influenciar no teor de proteína da silagem do milho. No entanto, a  cobertura  do  solo  no  inverno  com  a  cultura  da  aveia  preta  (Avena  strigosa  S.),  cultivar  moreninha,  melhorou  a  qualidade bromatológica (massa seca, proteína bruta, FDA, FDN e cinza bruta) da silagem de milho produzida em sequência.

4. Considerações Finais

Em condições convencionais de cultivo do milho ocorre a produção de plantas com maior massa fresca de raiz e silagem com maiores teores de amido e proteína do que a partir de plantas produzidas com a inoculação de sementes utilizando inoculante a  base de Azospirillum  brasilense. A  inoculação ocasiona a  produção de plantas com maior altura, sem alterar a produção de massa úmida da parte aérea, massa de espigas e a produção de espigas por planta em ano agrícola de estiagem nas condições edafoclimáticas de Santana do Livramento.

Estudos  para  determinar  a  relação  equilibrada  de  adubação nitrogenada e o  emprego  de inoculante em  distintas condições edafoclimáticas e com diferentes genótipos de milho se fazem necessários com o intuito de melhor compreensão da interação  entre  os  fatores  envolvidos  para  a  promoção  de  sistemas  mais  sustentáveis  de  produção. Também  se  mostram promissores projetos de pesquisa que busquem o acompanhamento da mesma área para avaliar o efeito das reinoculações e seus impactos na otimização do uso de nitrogênio para as diferentes culturas agrícolas.

Fonte

CAMARGO, Kelly Cristina et al. Inoculação com Azospirillum brasilense para a produção de milho para silagem. Research, Society and Development, v. 11, n. 3, p. e6611326165-e6611326165, 2022.

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