Agricultura

Índia deve importar só metade do açúcar liberado

Mas a forte queda de preços desde o anúncio tirou o brilho das importações para os moinhos

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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A Índia, maior consumidor mundial de açúcar, provavelmente importará apenas cerca da metade das 1 milhão de toneladas de açúcar bruto que o governo permitiu com isenção de impostos. A queda dos preços internos corroeu a lucratividade das importações, afirmaram autoridades do setor à Reuters nesta terça-feira, 25 de agosto.

O governo indiano autorizou na semana passada importações isentas de impostos até 31 de outubro, com o objetivo de aliviar os preços recordes antes da temporada de festivais, quando a demanda por doces tradicionais atinge o pico. No entanto, os preços domésticos à saída da fábrica caíram quase 20% em relação ao máximo recorde atingido há poucos dias.

Por que as importações perderam atratividade?

De acordo com Rahil Shaikh, diretor da comercializadora MEIR Commodities India, as importações pareciam atraentes na semana passada, quando os preços estavam firmes e em alta. "Mas a forte queda de preços desde o anúncio tirou o brilho das importações para os moinhos", afirmou.

A margem de importação é pequena e não há garantia de que se manterá quando as remessas chegarem ao país, o que deve ocorrer em quase dois meses. Por isso, Shaikh e outros quatro revendedores de casas de comércio global estimam que as importações não devem exceder 500 mil toneladas, com a maior parte do volume provavelmente absorvida por refinarias.

O que muda com a nova safra?

A Índia também pediu que as usinas antecipem o início da moagem da cana para 15 de outubro, visando aumentar o fornecimento doméstico. Com a nova temporada de processamento se aproximando, a expectativa é que a oferta interna aumente a partir de meados de outubro, o que pode pressionar ainda mais os preços locais.

O governo permitiu apenas importações de açúcar bruto, que provavelmente virão do Brasil, maior produtor mundial. Esse açúcar precisa ser processado antes de ser vendido no mercado interno. Segundo um revendedor de Mumbai, seria necessário permitir importações isentas de impostos de açúcar branco junto com o bruto para aumentar rapidamente a oferta.

Exemplo prático para o produtor brasileiro

O que acontece na Índia afeta o mercado global de açúcar e, consequentemente, o bolso do produtor brasileiro. Se a Índia importa menos açúcar bruto do Brasil, a demanda externa pelo produto brasileiro diminui, o que pode pressionar os preços para baixo. Por outro lado, se a safra indiana for menor que o esperado, o país pode precisar importar mais no futuro, sustentando as cotações internacionais.

O movimento dos preços na Índia também reflete um fenômeno comum no mercado de commodities: anúncios de medidas governamentais geram expectativas que impactam os preços antes mesmo de os efeitos práticos acontecerem.

🔧 Orientações para você aplicar agora:

  1. Acompanhe os indicadores globais: a produção e as políticas da Índia, maior consumidor de açúcar, têm impacto direto sobre os preços internacionais e sobre a demanda pelo açúcar brasileiro.

  2. Fique atento à safra indiana: se a produção da Índia for menor que o esperado, o país pode aumentar as importações, o que seria positivo para os preços do açúcar brasileiro. Por outro lado, se a safra for boa, a demanda externa pode diminuir.

  3. Monitore o câmbio: a valorização ou desvalorização do real frente ao dólar afeta a rentabilidade das exportações de açúcar. Um real mais desvalorizado torna o produto brasileiro mais competitivo no exterior.

  4. Diversifique mercados: além da Índia, outros países como China, Indonésia e Bangladesh são grandes importadores de açúcar. Acompanhar a demanda desses mercados ajuda a planejar a comercialização.

  5. Planeje suas vendas: em momentos de incerteza no mercado internacional, vale a pena segmentar as vendas – parte para o mercado interno e parte para exportação – para reduzir riscos e aproveitar oportunidades.

O mercado global de açúcar é dinâmico e influenciado por fatores como clima, políticas governamentais e demanda sazonal. Estar bem informado é a melhor ferramenta para tomar decisões acertadas na hora de vender sua produção.

Fonte: Reuters.

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