Gás natural na secagem do café eleva rendimento
Teste inédito no ES mostra ganho de R$ 415 mil por safra e melhora na qualidade da bebida.
A substituição da lenha pelo gás natural na secagem dos grãos de café pode trazer ganhos expressivos de produtividade e qualidade. É o que mostra um teste inédito no Brasil, realizado na Fazenda Chapadão, em Linhares (ES), e apresentado na semana passada durante o Vitória Coffee Summit. O Espírito Santo, maior exportador de conilon do país, foi o palco dessa inovação.
A pesquisa, conduzida pelo Centro de Comércio de Café de Vitória (CCCV) e pela ES Gás, em parceria com a JDE Peet's, contou com um investimento de aproximadamente R$ 1 milhão. Ao longo de três meses, mais de 5 mil sacas de café foram monitoradas para comparar os efeitos da secagem com lenha e com gás natural.
Ganhos de rendimento e qualidade
Os resultados foram expressivos. A incidência de notas de fumaça – um defeito que compromete a bebida – caiu de 27% para apenas 1% quando a secagem foi feita com gás natural. Além disso, 93% das amostras apresentaram perfil sensorial classificado como "Neutro" ou superior.
Outro dado relevante foi a redução das perdas de massa ao longo da secagem, que elevou o rendimento médio em aproximadamente 4%. Esse percentual equivale a 415 sacas adicionais em uma safra de 10 mil sacas. Considerando a cotação da saca no Espírito Santo a R$ 1.000, o ganho pode chegar a R$ 415 mil por safra.
Precisão, homogeneidade e sustentabilidade
A pesquisa também identificou outros benefícios. O uso do gás natural permite maior precisão no controle da temperatura dos secadores, garantindo uma secagem mais homogênea e preservando as características naturais dos grãos, o que reduz o risco de defeitos.
Do ponto de vista ambiental e social, a substituição da lenha reduz a emissão de partículas, a geração de fuligem e os riscos para os trabalhadores que abasteciam as fornalhas manualmente. A transição para uma fonte de energia mais limpa também contribui para a sustentabilidade da atividade.
Exemplo prático para o produtor
Se você usa secadores a lenha, os resultados do estudo indicam que a mudança para o gás natural pode trazer retornos significativos. O aumento de rendimento de 4% e a melhora na qualidade da bebida podem justificar o investimento, especialmente em regiões onde a lenha está escassa e cara.
Além disso, a redução de defeitos como a nota de fumaça aumenta o valor agregado do café, permitindo acessar mercados mais exigentes e com melhores preços.
🔧 Orientações para você aplicar agora:
1. Avalie a viabilidade do investimento: o custo de conversão para gás natural pode variar, mas os ganhos em rendimento e qualidade devem ser considerados no cálculo do retorno.
2. Verifique a disponibilidade de gás na sua região: o gás natural está disponível em algumas áreas do Espírito Santo e de outros estados. Consulte as concessionárias locais para avaliar a viabilidade.
3. Conte com assistência técnica: a transição para o gás natural exige ajustes nos equipamentos e no manejo. Procure orientação técnica para garantir uma adaptação correta.
4. Monitore os resultados: mantenha registros da secagem, da temperatura e da qualidade final dos grãos para avaliar os ganhos e ajustar o processo.
Os resultados da pesquisa mostram que o gás natural pode ser uma alternativa viável e vantajosa para a secagem do café, com ganhos de produtividade, qualidade e sustentabilidade. O produtor que adotar essa tecnologia pode colher benefícios imediatos e duradouros.