Agricultura

Fertilizantes voltam a sair do Golfo

Apesar da melhora, o mercado ainda enfrenta desafios.

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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O mercado global de fertilizantes começa a dar sinais de normalização após o acordo provisório que interrompeu o conflito entre Estados Unidos e Irã. Os embarques pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o comércio de insumos agrícolas, voltaram a crescer, mas especialistas alertam que a recuperação ainda será lenta.

Antes do conflito, cerca de um terço da ureia comercializada mundialmente — principal fertilizante nitrogenado utilizado nas lavouras — e quase metade do enxofre transportado por via marítima passavam pelo estreito. Durante mais de três meses de guerra, esse fluxo foi drasticamente reduzido, provocando forte alta nos preços internacionais dos fertilizantes e preocupações com o abastecimento.

Desde o anúncio da trégua, em 15 de junho, aproximadamente 640 mil toneladas de enxofre deixaram a região com destino a países como Indonésia, Marrocos, Tanzânia e China. Durante todo o período do conflito, haviam sido embarcadas apenas 80 mil toneladas.

Os embarques de ureia também aumentaram. Segundo a consultoria CRU, cerca de 427 mil toneladas passaram pelo Estreito de Ormuz após o cessar-fogo, ante 275 mil toneladas durante a guerra. Outros fertilizantes importantes, como amônia e fosfatos, também registraram aumento nas exportações.

Apesar da melhora, o mercado ainda enfrenta desafios. Analistas afirmam que grande parte das cargas liberadas corresponde a contratos fechados antes da guerra. Ou seja, ainda não há um fluxo consistente de novas vendas que possa ampliar a oferta mundial e aliviar os preços de forma mais significativa.

Além disso, centenas de navios continuam aguardando autorização para navegar na região. A retomada completa depende da remoção de obstáculos deixados pelo conflito, da recuperação das instalações industriais atingidas e, principalmente, da consolidação de um acordo de paz duradouro.

Segundo estimativas da CRU, ainda existem cerca de 600 mil toneladas de ureia retidas na região, enquanto entre 300 mil e 400 mil toneladas de enxofre aguardam embarque. Especialistas avaliam que os volumes de fertilizantes só deverão voltar aos níveis anteriores ao conflito a partir de agosto, caso não ocorram novos episódios de instabilidade.

Exemplo prático

Para o produtor brasileiro, esse cenário merece atenção, principalmente para quem já começa a planejar a compra de fertilizantes para a safra 2026/27. Embora a retomada dos embarques seja uma notícia positiva, a oferta global ainda permanece limitada e a volatilidade dos preços pode continuar nas próximas semanas.

🔧 Orientação prática: Se você ainda não definiu sua estratégia de compra de fertilizantes, acompanhe a evolução do mercado internacional e evite deixar toda a aquisição para o último momento. Em períodos de instabilidade logística, antecipar negociações e diversificar fornecedores pode reduzir riscos de custo e de abastecimento.

Fonte: Reuters.

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