Agricultura

Fungicida pode ser preventivo e curativo?

Na agricultura moderna, muitos fungicidas comerciais reúnem diferentes ingredientes ativos justamente para ampliar essa janela de atuação.

Daniel Vilar
Especialista
3 min de leitura
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É muito comum ouvir que um fungicida é preventivo, curativo ou erradicante. Mas será que essas classificações dividem os produtos em grupos diferentes? Na prática, não. Um mesmo fungicida pode apresentar uma, duas ou até as três formas de atuação, dependendo de suas características e do momento em que é aplicado na lavoura.

A ação preventiva ocorre quando o fungicida é aplicado antes da infecção ou da germinação dos esporos do fungo. Nesse caso, o produto forma uma barreira de proteção sobre ou dentro da planta, impedindo que o patógeno consiga iniciar a doença. É por isso que aplicações realizadas antes de períodos favoráveis, como chuvas prolongadas e alta umidade, costumam apresentar maior eficiência.

Já a ação curativa acontece quando o fungicida é aplicado após a infecção, mas antes que a doença esteja totalmente estabelecida. Alguns ingredientes ativos conseguem penetrar nos tecidos vegetais e interromper o desenvolvimento do fungo nos estágios iniciais da infecção. Essa "janela de cura" costuma ser limitada e varia conforme o princípio ativo, a cultura, a doença e as condições ambientais.

A ação erradicante, por sua vez, refere-se à capacidade do fungicida de eliminar o fungo que já está instalado na planta ou reduzir drasticamente seu desenvolvimento, inclusive diminuindo a produção de novos esporos em algumas situações. No entanto, é importante destacar que poucos produtos apresentam um efeito erradicante realmente amplo, e essa característica depende da doença-alvo e da recomendação registrada em bula.

Na agricultura moderna, muitos fungicidas comerciais reúnem diferentes ingredientes ativos justamente para ampliar essa janela de atuação. É comum encontrar produtos que combinam moléculas com ação predominantemente preventiva e outras com ação curativa, oferecendo maior flexibilidade de uso. Alguns exemplos registrados em bula, como Priori Xtra®, são descritos como fungicidas com efeito preventivo, curativo, erradicante e antiesporulante. Outros, como Dinapic® Triple WG e Consento®, associam ingredientes ativos com diferentes características, proporcionando proteção antes da infecção e controle após o início da doença.

Isso significa que as classificações preventivo, curativo e erradicante não representam categorias fixas de fungicidas, mas sim as diferentes possibilidades de atuação que um produto pode apresentar. Em outras palavras, um mesmo fungicida pode atuar de forma preventiva quando aplicado antes da infecção, exercer ação curativa se utilizado nos primeiros estágios da doença e, em algumas situações específicas previstas na bula, apresentar também efeito erradicante.

🔧 Orientação: Antes de definir o momento da aplicação, consulte sempre a bula do fungicida. Ela informa quais tipos de ação o produto possui para cada cultura e doença, além da melhor janela de aplicação para alcançar o máximo de eficiência e reduzir o risco de seleção de fungos resistentes.

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