Agricultura

Fertilizante com aditivo biológico melhora solo e planta

Os experimentos foram conduzidos com milho em casa de vegetação por 45 dias.

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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Pesquisadores da Esalq/USP avaliaram o efeito de um fertilizante mineral associado a um aditivo biológico no solo e no desenvolvimento das plantas. Os resultados mostraram que o tratamento melhora o crescimento do milho, especialmente em solos com histórico de rotação de culturas, com incrementos na altura, na biomassa e nos teores de fósforo e enxofre, além de favorecer a atividade microbiana do solo.

O estudo, conduzido pela bióloga Paloma Barros Dias sob orientação do professor Fernando Dini Andreote, partiu de uma preocupação real: os fertilizantes minerais são essenciais para a produtividade, mas seu uso intensivo pode impactar negativamente a biodiversidade microbiana do solo, comprometendo funções como decomposição de matéria orgânica, supressão de patógenos e fixação biológica de nitrogênio.

Para entender como esses produtos influenciam as comunidades microbianas em diferentes condições de manejo, os experimentos foram conduzidos com milho em casa de vegetação por 45 dias. No primeiro experimento, os pesquisadores usaram solos com diferentes históricos: mata nativa, pastagem, rotação de culturas e manejo convencional. No segundo, aplicaram a técnica de "diluição para extinção", que reduz gradualmente a diversidade microbiana, permitindo avaliar como diferentes níveis de biodiversidade afetam a resposta das plantas.

Resultados expressivos

Os resultados mostraram que solos mais conservados — como mata nativa e rotação de culturas — apresentaram maior diversidade microbiana, maior atividade biológica e respostas mais positivas aos tratamentos. Quando o fertilizante mineral veio acompanhado do aditivo biológico, os ganhos foram significativos: até 14,5% a mais de biomassa na parte aérea, 7,15% de aumento na altura das plantas e incrementos nos teores de fósforo e enxofre.

Além disso, os tratamentos favoreceram a atividade enzimática e microbiana do solo, além de aumentar a conectividade das redes ecológicas — ou seja, as interações entre os microrganismos ficaram mais equilibradas e funcionais.

O que isso significa para o produtor

O trabalho reforça uma lição importante: a eficiência de tecnologias biológicas não depende apenas do produto aplicado, mas também do contexto ecológico do solo — seu histórico de manejo, a presença de matéria orgânica e a conservação da microbiota nativa.

Isso significa que práticas como rotação de culturas, plantio direto e manutenção de cobertura vegetal não são apenas "boas práticas ambientais". Elas criam um solo mais vivo e mais responsivo a tecnologias que podem aumentar a produtividade com menor impacto ambiental.

🔧 Orientações:

  1. Invista em rotação de culturas: os resultados mostram que solos com rotação responderam melhor ao tratamento. Planeje ciclos que alternem gramíneas, leguminosas e outras famílias para manter a diversidade microbiana.

  2. Mantenha a matéria orgânica: ela é o "combustível" da vida no solo. Palhada, composto orgânico e cobertura verde alimentam os microrganismos que tornam os nutrientes disponíveis para as plantas.

  3. Considere aditivos biológicos: fertilizantes associados a produtos biológicos podem potencializar os resultados. Converse com seu engenheiro agrônomo sobre as opções disponíveis para sua região e cultura.

  4. Analise o solo além da química: além dos nutrientes, avalie indicadores biológicos (respiração, atividade enzimática, diversidade microbiana). Isso ajuda a entender a "saúde" do seu solo.

  5. Reduza distúrbios: evite compactação, erosão e uso excessivo de agroquímicos que possam desequilibrar a microbiota. Um solo vivo é mais resiliente a pragas, doenças e estresses climáticos.

Fonte: USP.

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