Doenças no Alface Causadas por Fungos
1. Introdução
As doenças fúngicas na cultura da alface podem reduzir a produção, a qualidade e, em algumas situações, inviabilizar o cultivo.
Os sintomas podem variar de falhas na germinação, murchas, tombamento, manchas foliares, melas até a morte generalizada.
O conhecimento da sintomatologia, etiologia e práticas de manejo é fundamental para a implementação de sistemas sustentáveis de produção.

2. Doenças foliares
2.1. MÍLDIO - Bremia lactucae Regel
O míldio representa uma das maiores ameaças ao cultivo da alface, podendo causar perdas superiores a 80%.
Inicialmente, a doença se manifesta por meio de manchas foliares verde-claras ou amarelas, úmidas e de tamanho variável.
Elas apresentam aspecto angular, sendo delimitadas pelas nervuras e ao evoluírem tornam-se necróticas, pardas e recobertas por um crescimento branco na face inferior (Fig. 1 a 5).





A doença pode ocorrer em qualquer fase da cultura. Logo após a germinação, ela pode infectar os cotilédones das plântulas causando a sua morte.
Na fase de mudas afeta principalmente as folhas basais, apresentando sintomas semelhantes aos descritos anteriormente. No campo e cultivo hidropônico, a doença é mais frequentes após o fechamento da cultura.
O agente causal do míldio, o Oomycota Bremia lactucae, produz esporângios em esporangióforos que possuem de 4 a 6 ramificações dicotômicas.
Os esporangióforos apresentam dimensões que variam de 430-990 x 7-16 μm, terminando em extremidades dilatadas (apófise) em forma de taça, cada uma contendo 4-5 esterigmas nos quais os esporângios são formados (Fig. 6).

Os esporangióforos são finos, longos, com coloração que varia do branco ao marrom escuro e emergem no tecido lesionado através dos estômatos.
A doença pode ser causada por várias raças de B. lactucae, o que dificulta a obtenção de cultivares resistentes, e torna necessária uma constante reavaliação dos cultivares, em função das raças do patógeno predominantes em cada região.
Na Europa existem identificadas cerca de 31 raças do patógeno, enquanto que no Brasil foram detectadas até o momento 4 raças, nos estados de São Paulo e Minas Gerais.
Destaca-se que as populações do patógeno são dinâmicas, sendo o surgimento ou a introdução de novas raças algo esperado. Esse fato exige que os programas de melhoramento estejam sempre incorporando novos genes de resistência para que essa não seja quebrada.
Sabe-se que além do gênero Lactuca, B. lactucae pode afetar também outros hospedeiros como marianinha (Centaurea cyanus L.), sempre-viva (Helichrysum bracteatum L) serralha-lisa (Sonchus oleraceus L.), serralha de espinho (Sonchus asper L.) e, em alguns casos, alcachofra (Cynara sclolymus L.).
A doença é favorecida por alta umidade (chuva fina, orvalho e névoa) e temperaturas na faixa de 12 a 20°C. Uma vez presente na área, ela apresenta rápida disseminação pela ação de ventos, respingos e presença de água livre, proveniente de chuvas e irrigação.
2.2. SEPTORIOSE - Septoria lactucae Pass.
Favorecida por temperaturas amenas e alta umidade, a septoriose causa lesões foliares que podem comprometer seriamente a estética e o potencial de mercado da alface.
Os sintomas iniciais caracterizam-se pela presença de pequenas manchas cloróticas e irregulares nas folhas basais. Essas, ao evoluírem, tornam-se necróticas, pardo-escuras, envoltas por um halo amarelado e podem atingir toda área foliar (Fig. 7 e 8).


Ataques severos são caracterizados por intensa desfolha, presença de lesões escuras nas hastes florais e falhas na formação de sementes. Nos tecidos afetados é comum observar a presença de picnídios escuros recobertos por uma massa de conídios denominada cirros.
Os conídios de S. lactucae são filiformes, multisseptados e hialinos e são facilmente disseminados através de sementes contaminadas, mudas doentes e respingos de água de chuva e irrigação.
A septoriose também pode ocorrer no gênero Chichorum.

2.3. CERCOSPORIOSE - Cercospora lactucae-sativae Sawada
A cercosporiose é uma doença foliar frequente no campo e em cultivo hidropônico. Os sintomas aparecem principalmente nas folhas mais velhas e são caracterizados por manchas circulares ou ovais, marrons, com centro claro, e envoltas ou não por um halo amarelo (Fig. 9 e 10).


Ataques severos podem comprometer o desenvolvimento das plantas e a qualidade do produto final.
A doença é causada pelo fungo Cercospora lactucae-sativae, que apresenta conídios filiformes, hialinos, multisseptados e produzidos em conidióforos.
A sua disseminação ocorre principalmente através de sementes contaminadas, mudas doentes e respingos de água de chuva e irrigação. No Brasil, o fungo C. lactucae-sativae também foi descrito em feijão de corda (Vigna sinensis).
A cercosporiose é favorecida por períodos úmidos e temperaturas ao redor de 25°C, sendo mais comum em cultivares dos grupos Lisa e Americana.
2.3. OÍDIO - Golovinomyces cichoracearum (DC.) V.P. Heluta
O oídio raramente causa prejuízos em cultivos convencionais de alface, porém ele pode ser limitante em cultivos protegidos ou submetidos à irrigação localizada.
A doença é caracterizada por um crescimento branco-acinzentado que se desenvolve sobre a superfície das folhas. Posteriormente, as áreas afetadas tornam-se retorcidas, amareladas e necróticas, podendo haver a seca completa das folhas.
O fungo G. cichoracearum é um parasita obrigatório que apresenta conídios elípticos e hialinos, produzidos em cadeias sob conidióforos curtos e simples, que se disseminam com facilidade pelo ar espalhando a doença no cultivo.
O oídio é favorecido por períodos secos, ausência de água livre na superfície do hospedeiro e temperaturas que variam de 16 a 25° C.
2.4. MOFO CINZENTO, PODRIDÃO DE BOTRITIS – Botrytis cinerea Pers.: Fr.
O mofo cinzento em alface é considerado uma doença secundária no Brasil. Na fase de produção de mudas a doença pode se manifestar causando o tombamento de plântulas ou o apodrecimento de plantas jovens, nas fases de pré ou pós-transplante (Fig. 11).

No campo, em cultivos protegidos, hidropônia e pós-colheita a doença é caracterizada pelo aparecimento de manchas concêntricas, úmidas, castanho-escuras, geralmente localizadas na ponta das folhas externas.
Posteriormente, essas evoluem para uma podridão mole que pode atingir a planta como um todo (Fig. 12).

B. cinerea é um fungo polífago que pode afetar um grande número de plantas ornamentais, oleráceas e frutíferas. Possuí crescimento micelial vigoroso, hifas septadas, conidióforos ramificados e produz conídios unicelulares, ovoides, incolores ou acinzentados.
A sua disseminação ocorre principalmente através de sementes e/ou mudas contaminadas e pela ação de correntes de ar e respingos de água de chuva ou irrigação.
O fungo também produz escleródios negros, duros e irregulares em tecidos infectados ou mortos pela doença.
Esses são estruturas de resistência capazes de produzir hifas e conídios que podem iniciar novos ciclos da doença. B. cinerea também pode ocorrer associado a outras podridões causadas principalmente por Rhizoctonia solani e Sclerotinia spp.
A doença é favorecida por períodos úmidos e temperaturas que variam de 18 a 22° C.

3. Doenças de solo e substrato
3.1 TOMBAMENTO OU “DAMPING OFF” – Rhizoctonia solani J.G. Khün; Fusarium spp.; Pythium spp. (Globisporangium spp.) e Phytophthora spp.
O tombamento ocorre durante a fase de produção de mudas e caracteriza-se principalmente por reduzir o estande e a qualidade das mudas.
A doença é caracterizada pelo apodrecimento de sementes, raízes e colos, ocasionando falhas na germinação, murcha, tombamento e a morte de plântulas e mudas recém-transplantadas.
Os agentes causais do tombamento são em geral parasitas polífagos comuns em solo/substrato e ambientes úmidos.
Eles podem ser facilmente disseminados por sementes, mudas, substratos, água, bandejas e ferramentas contaminadas.
Os gêneros Phytophthora e Pythium pertencem ao Reino Stramenopila, Filo Oomycota, e são parasitas facultativos que podem causar podridão radicular em grande número de hospedeiros.
Apresentam parede celular com celulose e beta glucanas, micélio cenocítico, hifas ramificadas, esporangióforos, esporângios de formato variável, zoosporos biflagelados móveis e podem originar esporos de resistência de origem sexual denominados oosporos.
O fungo R. solani possui hifas septadas, micélio marrom a ocre, com a presença de ramificação lateral em ângulo reto e ausência de conídios.
Fusarium spp., por sua vez, possui micélio vigoroso que pode variar do branco ao lilás, apresenta hifas septadas e produz macro e microconídios curvos, fusiformes, septados ou não. Ambos produzem estruturas de resistência denominadas escleródios e clamidósporos, respectivamente.
A doença é favorecida por temperaturas que podem variar de 18 a 30° C, substratos densos, ambientes pouco iluminados, abafados e úmidos.
3.2. MOFO BRANCO - Sclerotinia sclerotiorum (Lib.) de Bary, Sclerotinia minor Jagger
O mofo branco está entre as doenças fúngicas de maior potencial destrutivo no cultivo da alface, principalmente quando coexistem fatores como: histórico de ocorrência da doença em safras anteriores, alta umidade, temperaturas amenas e o cultivo sucessivo com espécies suscetíveis.
A doença afeta a base das plantas, causando o apodrecimento do caule e das folhas próximo do solo. As plantas afetadas apresentam inicialmente sintoma de murcha progressiva, seguida de amarelecimento, colapso generalizado e morte.
As lesões apresentam aspecto úmido, coloração castanho claro ou escuro, e são recobertas por um denso micélio branco onde se formam escleródios negros (Fig. 13 e 14).


Apesar de ser considerada uma doença típica de solo, sua ocorrência também pode ser observada em cultivo hidropônico.
O mofo branco pode ser causado pelos fungos S. sclerotiorum e S. minor. As principais diferenças entre as duas espécies referem-se principalmente ao tamanho dos escleródios, ao ciclo de vida e ao espectro de hospedeiras.
S. sclerotiorum produz escleródios grandes (20-10 mm de diâmetro), lisos, com formato arredondado enquanto que em S. minor esses são menores (0,5 - 2 mm de diâmetro), ásperos e angulares.
Ambos também diferem quanto ao ciclo de vida. Os escleródios de S. minor raramente produzem apotécios na natureza.
Estes, ao germinarem, formam um crescimento cotonoso esbranquiçado na superfície do solo que em contato direto com tecidos senescentes do hospedeiro dão início ao processo infeccioso.
Os escleródios são estruturas de resistência desses fungos que os permitem sobreviver no solo em condições adversas por períodos de 8 a 10 anos.
Apesar dos escleródios de S. sclerotiorum germinarem diretamente, eles também possuem a capacidade de produzir apotécios em condições específicas.
Os apotécios são corpos de frutificação que produzem ascósporos que são ejetados e, em seguida, dispersos pelo vento ou água. Em contato com a planta, eles germinam e dão início à infecção.
Os ascósporos podem sobreviver por até duas semanas antes de iniciar uma infecção. Quanto ao modo de infecção, S. sclerotiorum produz ascósporos que podem alcançar longas distâncias pela ação do vento ou água, enquanto que S. minor afeta apenas plantas que estão próximas aos escleródios germinados.
A doença é favorecida por períodos úmidos e temperaturas que variam de 10 a 20° C, sendo mais severa após o fechamento da cultura.
3.3. PODRIDÃO RADICULAR - Globisporangium spp. (Pythium spp.)
A podridão radicular é muito comum em sistemas hidropônicos. As plantas afetadas podem apresentar sintomas de tombamento, redução do crescimento, podridão radicular, murcha e morte.
As principais espécies relatadas como causadoras de podridão radicular em alface são: G. debaryanum, G. intermedium, G. irregulare, G. sylvaticum, P. aphanidermatum, P. dissotocum e P. myriotylum.
Pertencem ao Reino Stramenopila, Filo Oomycota, são parasitas facultativos e podem causar podridão radicular em grande número de hospedeiros.
Apresentam parede celular com celulose e beta glucanas, micélio cenocitico, hifas ramificadas, esporangióforos, esporângios de formato variável, zoosporos biflagelados móveis e podem originar esporos de resistência de origem sexual denominados oosporos.
A doença é favorecida por temperaturas que variam de 18 a 30° C e alta umidade. Além de sistemas hidropônicos, a doença pode ocorrer em solos pesados e úmidos.
3.4. FUSARIOSE, MURCHA DE FUSARIUM – Fusarium oxysporum f. sp. lactucae
A fusariose é considerada uma ameaça recente à cultura da alface no Brasil. A doença afeta de forma significativa o estande, a produtividade e a qualidade, podendo causar perdas superiores a 70%.
Os sintomas característicos da doença são: amarelecimento das folhas basais, atrofia generalizada, não formação de cabeça, listras marrons ou negras no sistema vascular, córtex acastanhado ou avermelhado, murcha progressiva, redução do sistema radicular e morte de plantas (Fig. 15 e 16).


No campo, a fusariose afeta plantas ao acaso e pode ocorrer associada a outras doenças como a queima da saia (Rhizoctonia solani) e a murchadeira (Thielaviopsis basicola).
Fusarium oxysporum f. sp. lactucae possui micélio vigoroso que pode variar do branco ao roxo, apresenta hifas septadas e produz macro e microconídios curvos, fusiformes, septados ou não e produz estruturas de resistência denominadas clamidósporos (Fig. 17 E 18).


Três raças desse fungo são capazes de infectar a alface, porém, até o presente momento, apenas as raças 1 e 3 foram identificadas no Brasil.
O fungo penetra nas raízes através de aberturas naturais ou ferimentos e coloniza o sistema vascular das plantas dificultando a absorção de água e nutrientes. A obstrução do xilema causa, com o passar do tempo, a murcha, atrofia e morte das plantas.
Na ausência de hospedeiros suscetíveis ou condições adversas, o fungo pode permanecer viável na área infestada por longos períodos através de estruturas de resistência denominadas clamidósporos ou, ainda, associado a restos de cultura ou matéria orgânica.
Estudos têm evidenciado que o patógeno pode permanecer viável no solo por períodos de até 8 anos.
O uso de sementes infectadas é considerado o modo mais importante de disseminação da doença. A introdução do fungo em áreas sadias é feita através do plantio de mudas infectadas.
No campo, a transmissão da doença deve-se principalmente ao uso de implementos e ferramentas agrícolas infestados, água de irrigação, chuvas e circulação de pessoas e veículos.
A ocorrência da fusariose é mais frequente no verão, quando prevalecem períodos com altas temperaturas e umidade. A maioria dos tipos de alface cultivados (crespa, lisa, americana e mimosa) é suscetível à doença.
Além da alface, a fusariose afeta também outra astereacea a Valerianella locusta, conhecida também como alface de cordeiro. Sabe-se, ainda, que o patógeno pode colonizar o sistema radicular de plantas de tomate, melão, melancia e algodão sem, no entanto, causar sintomas.

3.5. PODRIDÃO NEGRA, MURCHADEIRA – Thielaviopsis basicola (Berk. & Broome) Ferraris
A podridão negra pode ser facilmente confundida com sintomas fisiológicos causados pela falta ou excesso de água, adubação desequilibrada e excesso de frio ou calor. A doença ocorre tanto em cultivos em campo como em cultivo hidropônico.
As plantas atacadas apresentam desenvolvimento reduzido, murcha nas horas mais quentes do dia e exibem sistema radicular enegrecido e parcialmente destruído.
A planta emite novas raízes tentando se restabelecer. Quando incide sobre plântulas pode causar tombamento ou “damping off”.
O agente causal, o fungo T. basicola, apresenta dois tipos de esporos, que são produzidos em grande quantidade, conhecidos como conídios e clamidósporos.
Os conídios são hialinos e com as extremidades ligeiramente arredondadas. São facilmente dispersos por correntes de ar para áreas sadias.
Os clamidósporos são escuros, com paredes espessas e são produzidos em cadeias, com dois a oito esporos. Estes se separam quando maduros e são capazes de sobreviver no solo por três a cinco anos, em condições desfavoráveis ou na ausência de hospedeiros.
Em contato com o hospedeiro, os esporos germinam e penetram diretamente nas raízes, sem a necessidade de aberturas ou ferimentos.
O fungo é facilmente disseminado através de mudas, solo/ substrato, ferramentas e implementos contaminados, e pela ação da água da chuva e irrigação.
Além de alface, T. basicola afeta mais de 100 espécies de plantas em 33 famílias diferentes, entre elas, outras folhosas importantes como rúcula, almeirão e chicória.
A podridão negra é favorecida por temperaturas que variam de 23 a 30° C e solos excessivamente úmidos.
3.6. QUEIMA DA SAIA - Rhizoctonia solani J.G. Kühn
A queima da saia, causada pelo fungo R. solani, é uma doença comum na cultura da alface e pode ser problemática em áreas intensamente cultivadas.
Inicialmente a doença é caracterizada pela formação de pequenas lesões marrom-claras nas nervuras que aumentam de tamanho e, em condições favoráveis, tornam as folhas mais velhas necrosadas e amolecidas.
Nas plantas afetadas observa-se, junto à nervura central e na base do limbo foliar, a formação de um crescimento micelial vigoroso, branco no início e de coloração parda num estágio mais avançado (Fig. 19).

Em cultivo hidropônico, ele pode causar podridão do colo e do sistema radicular, provocando amarelecimento e murcha das folhas basais e medianas.
R. solani possui hifas septadas, micélio marrom a ocre, com a presença de ramificação lateral em ângulo reto, ausência de conídios e pode produzir estruturas de resistência denominadas escleródios (Fig. 20).

A doença pode causar perdas elevadas em culturas conduzidas em solos infestados e em condições favoráveis, ou seja, umidade elevada e temperaturas entre 15 e 25 ºC.
O fungo pode sobreviver no solo saprofiticamente por longos períodos ou através de estruturas de resistência denominados escleródios.
4. Medidas de controle
o manejo de doenças fúngicas na cultura da alface deve ser baseado em programas multidisciplinares, que integrem diferentes estratégias, com os objetivos de otimizar o controle, reduzir os custos e promover a sustentabilidade da cadeia produtiva.
Entre os fatores a serem considerados em programas de produção integrada destacam-se:
4.1. LOCAL DE PLANTIO
Deve-se evitar o plantio em áreas de baixada, sujeitas ao acúmulo de umidade e circulação de ar deficiente. Nesses locais apresenta lenta dissipação do orvalho, o que pode favorecer o desenvolvimento de várias doenças.
O plantio deve ser realizado preferencialmente em áreas planas, ventiladas e bem drenadas.
Com o objetivo de conter a disseminação de doenças entre diferentes campos, deve-se evitar a instalação de novas áreas próximo a cultivos em final de ciclo.
4.2. SEMENTES E MUDAS SADIAS
O uso de sementes e mudas sadias é fundamental para a obtenção de cultivos com baixos níveis de doença e alto potencial produtivo.
Além disso, é uma das medidas mais efetivas para evitar a entrada de novas doenças na propriedade.
Para o preparo de mudas é recomendado o uso de substrato, bandejas, bancadas e água de irrigação livres de patógenos e a adoção de práticas que evitem o acúmulo de umidade no ambiente de cultivo tais como: irrigação equilibrada e o favorecimento da circulação de ar.
4.3. PREPARO DO SOLO
A eliminação de possíveis “pés de grade” aumenta a permeabilidade e reduz o acúmulo de umidade nas camadas superficiais de solo contribuindo para limitar doenças como a queima da saia, a murcha de Fusarium, o mofo branco e a podridão negra.
4.4. CULTIVARES
Dentro do possível, o produtor deve sempre optar por cultivares com algum nível de resistência às principais doenças (Quadro 1).

A suscetibilidade das cultivares pode variar em função das condições climáticas, genótipos do patógeno existente na área, pressão de doença, época de plantio, espaçamento adotado, nutrição das plantas, etc.
4.5. ROTAÇÃO DE CULTURAS
Deve-se evitar o plantio sucessivo de alface e outras asteráceas. O intervalo mínimo entre plantios não deve ser inferior a 2-3 anos.
4.6. ESPAÇAMENTO
Evitar plantios adensados, pois eles permitem o acúmulo de umidade e a má circulação de ar entre as plantas favorecendo a ocorrência de doenças.
4.7. ADUBAÇÃO EQUILIBRADA
Recomenda-se o uso de adubação equilibrada para a obtenção de plantas vigorosas e mais resistentes a doenças.
Sabe-se que o excesso de adubos nitrogenados pode favorecer o míldio, o mofo branco e a rizoctoniose, enquanto que níveis adequados de fósforo, potássio e silício podem reduzir essas doenças.
O emprego de fosfito de potássio, além de fornecer de forma direta fósforo e potássio, pode inibir diretamente vários oomicetos (ação fungicida) e induzir o sistema de defesa das plantas tratadas (produção de fitoalexinas).
4.8. MANEJO CORRETO DAS PLANTAS INVASORAS
Além de concorrerem por espaço, luz, água e nutrientes, as invasoras dificultam a dissipação da umidade e a circulação de ar na folhagem.
Além disso, algumas dessas plantas podem ser hospedeiras intermediárias de fungos fitopatogênicos à alface.
4.9. IRRIGAÇÃO CONTROLADA
Evitar longos períodos de molhamento foliar e acúmulo de umidade no solo é fundamental para o manejo de praticamente todas as doenças fúngicas da alface.
Para tanto, deve-se: priorizar o uso de irrigação localizada; evitar irrigações noturnas ou em finais de tarde; minimizar o tempo ou reduzir a frequência das regas em períodos favoráveis.
4.10. ELIMINAR E DESTRUIR RESTOS CULTURAIS
Esta prática visa principalmente eliminar possíveis fontes de inóculo.
4.11. SOLARIZAÇÃO
A solarização consiste na utilização da energia solar para o controle de fungos fitopatogênicos presentes no solo/substrato.
A técnica consiste na cobertura do solo infestado com plástico transparente de forma que a radiação, ao atravessar o plástico, é armazenada, promovendo o aquecimento do solo e, consequentemente, a eliminação ou diminuição do inóculo.
Além disso, a técnica tem efeitos positivos no controle de plantas daninhas, pragas de solo, na fertilidade, vigor das plantas e na restauração da microflora do solo. A prática deve ser utilizada em períodos de alta radiação solar por períodos de 30 a 60 dias.
4.12. CONTROLE BIOLÓGICO
O controle biológico caracteriza-se pelo emprego de micro-organismos não patogênicos de forma a limitar a ação de patógenos e/ou aumentar a resistência do hospedeiro.
Na cultura da alface, a pulverização de formulações de Trichoderma harzianum e Bacillus pumilus pode reduzir de forma significativa a ocorrência e a severidade de doenças causadas pelos gêneros Fusarium, Rhizoctonia, Sclerotinia, Globisporangium e Botrytis.
As aplicações devem ser realizadas com pulverizador costal ou de barra, de forma a promover uma boa cobertura das plantas, sem causar escorrimento.
Recomenda-se aplicar nas horas mais frescas do dia, preferencialmente no final da tarde. Deve-se evitar o tratamento quando a temperatura estiver acima de 27ºC, a umidade relativa do ar abaixo de 70% ou houver a presença de ventos com velocidade acima de 10 km/hora (Quadro 2).

4.13. FUNGICIDAS
O emprego de fungicidas na cultura da alface pode ser feito através de pulverizações foliares e tratamento de sementes.
O uso desses produtos deve ser realizado dentro de programas de produção integrada e deve seguir todas as recomendações do fabricante quanto à dose, volume, intervalo e número de aplicações, uso de equipamento de proteção individual (EPI), intervalo de segurança, etc.
A tecnologia de aplicação é fundamental para que o uso de fungicidas alcance a eficácia esperada. A aplicação inadequada pode comprometer e limitar seriamente a eficácia dos produtos.
Desse modo, fatores como umidade relativa no momento da aplicação, tipo de bicos, volume de aplicação, pressão, altura da barra, velocidade, regulagem, calibração e manutenção dos equipamentos, devem ser sempre considerados, com o objetivo de proporcionara melhor cobertura possível da cultura.
Os fungicidas com modo de ação específico devem ser utilizados de forma alternada ou formulados com produtos inespecíficos.
Deve-se, ainda, evitar o uso repetitivo de fungicidas com o mesmo mecanismo de ação no decorrer da mesma safra. Essas medidas visam reduzir o risco de ocorrência de resistência.
As características técnicas dos fungicidas (ingredientes ativos), com registro no Brasil para o controle de doenças fúngicas da alface, encontram-se descritas nos Quadros 3, 4, 5, 6 ,7 e 8.






4.14 DESINFESTAÇÃO DE FERRAMENTAS E EQUIPAMENTOS
A limpeza e a desinfestação de ferramentas e equipamentos (enxadas, rodas de tratores, implementos, etc.) podem limitar a disseminação de doenças de solo como a fusariose, a rizoctoniose, a podridão negra e o mofo branco.
4.15 VISTORIA DO PROCESSO PRODUTIVO
Deve-se vistoriar todo processo produtivo com o objetivo de identificar possíveis focos de doença e tomar decisões para o seu controle.
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Fonte
COLARICCIO, Addolorata; CHAVES, Alexandre Levi Rodrigues. Aspectos Fitossanitários da Cultura da Alface. 1ª ed. São Paulo - SP: Instituto Biológico, 2017.