Agricultura

Custeio variável na produção agrícola: um estudo da aplicação do método nas culturas de soja e milho

Daniel Vilar
Especialista
41 min de leitura
Custeio variável na produção agrícola: um estudo da aplicação do método nas culturas de soja e milho
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O estudo parte do pressuposto de que os produtores agrícolas não possuem controle gerencial de  custos  e  despesas  na  formação,  manutenção  e  colheita  da  cultura.  Logo,  estabeleceu-se como objetivo aplicar o método custeio variável na produção agrícola nas culturas de soja e milho  para  fins  de  tomada  de  decisão  e  controle  de  custos.  Seus  fundamentos  teóricos  se pautam na literatura sobre a gestão de custos aplicada ao agronegócio, essencialmente sobre a utilização do método do custeio variável. Os procedimentos metodológicos classificam esta pesquisa  como  sendo descritiva,  aplicada,  qualitativa,  documental,  bibliográfica  eex-post-facto, empregando o método de abordagem dedutivo e como pesquisa de campo. Para coletar os dados, utilizaram-se a entrevista não padronizada e coleta de documentos relativos à produção do milho e soja no período de 2015 e 2016, que foram realizadas diretamente junto aos  produtores.  Os  resultados  da  pesquisa  evidenciaram  que  a  cultura  do  milho  safrinha proporcionou uma margem de contribuição de 57,47% ante a cultura da soja, que foi 44,15%;com relação ao ponto de equilíbrio, o milho se dá em 26.174 sacas e a soja em 34.126, sendo favorável ao cultivo do milho; com relação à margem de segurança, também se denota que os cálculos são melhores quando se compara as duas culturas, o que evidencia que o milho, no período estudado, apresentou números mais rentáveis aos produtores.

1 Introdução

A  atividade  agrícola  segundo  Oliveira  (2014)  está  presente  desde  o  início  das civilizações,  época  em  que  a  disponibilidade  dos  alimentos  vinha  espontaneamente  da natureza.  Com  o  passar  dos  tempos,  tornou-se  uma  atividade  destinada  à  produção  e comercialização de alimentos. Andrade et  al., (2011) menciona que o  desenvolvimento da industrialização, no âmbito da atividade agrícola, vem trazendo evolução no setor a partir do uso de novas tecnologias, fato que proporciona maior qualidade nos meios de produção, mas também exige aumento de investimento e gera aumento nos custos, o que torna a gestão e análise dos custos fundamentais para melhores resultados.   

Nesse  contexto,  a  contabilidade  aplicada  às  empresas  rurais  tem  sido  mais compreendida  no  sentido  de  informações  para  fins  fiscais,  algo  que  deve ser  ampliado  na direção do uso da contabilidade para fins  gerenciais, o que requer um  melhor controle de geração de informações para tomada de decisões, na qual se insere a gestão de custos. Diante disso,  ressalta-se  a  necessidade  das  propriedades  rurais  em  desenvolver  uma  forma  de gerenciamento dos seus custos, pois, na medida em que controles contábeis são adotados na administração de uma empresa rural, melhoram-se as decisões que podem ser tomadas para um resultado mais eficiente das atividades (CREPALDI, 1998; GONÇALVES et al., 2013). 

Uma das formas mais indicadas para tal processo é a aplicação da Contabilidade de Custos,  a  qual  gera  informações  para  que  os  produtores  rurais  adquiram  uma  visão  mais empresarial  de  suas  atividades  no  agronegócio,  gerenciando  suas  propriedades  como empresas, tornando-se mais competitivos, com maior capacidade de se manter no mercado, além do conhecimento pleno dos resultados de suas culturas. Para tanto, entende-se que o uso do método custeio variável e suas ferramentas podem ser de grande valia para tal proposição, já que, devido à carência de controles e informações de custos nas propriedades rurais, sua aplicação pode, então, contribuir substancialmente para a boa gestão da propriedade.

Embora a atividade seja de fundamental importância para a economia, observam-se certo  amadorismo  em  termos  de  instrumentos  de  controles  de  produção,  das  finanças, rentabilidade, produtos mais lucrativos, entre outras situações não medidas pelos agricultores. Logo,  verifica-se  que  o  controle  de  custos  não  se  encontra  presente  na  maioria  das propriedades  rurais,  o  que  levou  ao  estabelecimento  da  seguinte  questão,  para  fins  desta pesquisa: que ferramentas do custeio variável se aplicam plenamente à produção agrícola de soja e milho para fins decisoriais? Em termos de objeto de estudo fica determinado que se trata de propriedades rurais no município de Maringá, Paraná, e região, na qual se aprecia a cultura da soja e milho safrinha, na safra que se refere ao ano de 2015/2016.   

Em  decorrência  da  situação  exposta,  determinou-se  o  objetivo  deste  estudo,  que consiste em aplicar o método custeio variável na produção agrícola nas  culturas de soja e milho para fins de tomada de decisão e controle de custos. Entende-se como relevante esta proposição, pois um efetivo controle de custos no setor agrícola impacta positivamente em seu  resultado  financeiro,  pois  possibilita  que  as  informações  geradas  façam  com  que  o produtor desenvolva uma visão mais empresarial de seu negócio.    

A  escolha  do  método  custeio  variável  se  deu  devido  à  carência  de  controles  na propriedade, em termos de apuração do resultado operacional, margem de contribuição, ponto de  equilíbrio,  margem  de  segurança  e  aprimoramento  das  informações  para  administrar  a propriedade.  No  âmbito  financeiro,  não  se  verificou  nenhum  tipo  de  informação  sobre  o desempenho das culturas, seu desempenho, sobre como o quê, quanto e como produzir, enfim, sem  informações  desta  natureza,  fato  que  pode  ser  mensurado  com  esta  proposição  de pesquisa e, assim, auxiliar o produtor a melhor conhecer detalhes de sua atividade.   

Em  termos  de  estruturação,  este  artigo  se  compõe  de  cinco  seções,  sendo  que  a primeira  trata  do  contexto,  problema  de  pesquisa,  questão  de  pesquisa,  objeto,  objetivo, justificativa e estruturação do estudo. Na seção dois, fez-se uma revisão de literatura como forma de se estabelecer as bases teóricas que deram suporte ao estudo empírico. Já na seção três, determinam-se os procedimentos metodológicos julgados adequados para a consecução do estudo, bem como os métodos de coleta e análise dos dados. A seção quatro evidencia a apresentação e análise dos dados obtidos pelo estudo até  ao objetivo proposto. Por fim, a seção de número cinco exibe os achados da pesquisa e a apreciação final do objeto de estudo. 

2 Revisão de literatura 

2.1 Gestão de custos no agronegócio   

A produção agrícola se desenvolveu grandemente a partir da década de 1970, período em que a demanda dos grãos trouxe expansão do setor e contribui com mais de um terço do crescimento  econômico  da  produção  mundial,  que,  de  acordo  com  a  Embrapa  (2011),  no Brasil a produção da soja e do milho contribui com cerca de 80% da produção de grãos do país,  mostrando  sua  expressiva  importância  na  cadeia  do  agronegócio.  Com  o desenvolvimento produtivo a agricultura passou a depender de diversos serviços tecnológicos como máquinas, insumos, infraestrutura para locomoção dos grãos, entre outros, trazendo um novo termo denominado agribusiness na década de oitenta, de origem na língua inglesa que se traduziu como agronegócio (OLIVEIRA, 2014; WARNKEN, 1999).   

Por ser uma área complexa e ampla, os produtores devem adotar uma visão de gestão para conhecer e compreender todos  os aspectos  que rodeiam seus negócios, visando a um melhor desempenho no mundo globalizado atual (BAQUETA et al., 2013). Nesse contexto de tantos  fatores  que  influenciam  e  diferentes  fatores  que  interferem  na  produção  e comercialização, vê-se como imperativo que a atividade tenha um controle efetivo dos gastos ao longo de toda a cadeia produtiva, para que decisões possam ser tomadas de forma racional e com foco na lucratividade. Oliveira Filho e Nerger (2004) salientam que no agronegócio a produção  das  culturas  da  soja  e  milho  na  agricultura  brasileira  é  de  larga  escala,  com expressiva  participação  na  economia  do  país  e,  segundo  o  CEPEA  (Centro  de  Estudos Avançados em Economia Aplicada), de janeiro a dezembro de 2016 o PIB do agronegócio brasileiro acumulou crescimento de 4,48%. Os autores comentam que produtores brasileiros têm a necessidade de produzir em condições cada vez mais competitivas pela alta do setor, o que passa pelo estudo e racionalização dos custos. 

Empresas  rurais  exploram  a  capacidade  produtiva  do  solo  pelo  cultivo  da  terra  e transformação de determinados produtos agrícolas, como dispõe o item 5 do Pronunciamento Técnico  29  (CPC,  2009),  que  diz  que    “Atividade  agrícola  é  o  gerenciamento  da transformação biológica e da colheita de ativos biológicos para venda ou para conversão em produtos agrícolas ou em ativos biológicos adicionais, pela entidade”. O campo de empresas rurais do grupo produção vegetal denominada por atividade agrícola é indispensável para o desenvolvimento da economia do país. Esse setor econômico possui características distintas dos demais setores da economia e carece de estudados, já que o agronegócio fornece matéria-prima necessária para a produção de alimentos (CREPALDI, 1998; MARION, 2014).   

A partir disso, Crepaldi (1998) explica que a agricultura deve assumir o conceito de uma cadeia com diversos fatores que influenciam sua atividade. Em geral, é indispensável que as empresas rurais adotem controles gerenciais para dar suporte à administração em etapas: primeira  etapa:  formação  da  equipe  do  campo;  segunda  etapa:  definição  do  controle operacional; terceira etapa: execução diária de todo o planejamento e quarta etapa: elaboração de  orçamentos.  No  entender  de  Oliveira  (2014,  p.  97),  “Para  ser  bem  administrada,  uma propriedade  rural  pode  ser  dividida  em  cinco  áreas:  produção,  finanças,  comercialização, recursos humanos e familiares”.   

Ao administrar a contabilidade de uma propriedade rural, o gestor tem informações da maioria dos dados financeiros relativos às receitas, custos e despesas do empreendimento, que visam à geração de informações que auxiliem no processo de tomada de decisão. Embora algum tipo de informação sempre seja gerado, denota-se que falta utilizar tais informações de modo que recursos físicos, terra, máquinas, equipamentos, insumos e produtos sejam levados em conta, o administrador deve planejar, executar, controlar, entre outras, a utilização desses recursos,  buscar  uma  melhor  coordenação  administrativa  a  fim  de  atingir  seus  objetivos (CREPALDI, 1998; OLIVEIRA, 2014).   

O conhecimento acerca da atividade facilita o processo de aplicação da contabilidade agrícola, que atua em duas frentes: as culturas conhecidas temporárias e permanentes. Para fins desta pesquisa, foco reside na cultura temporária, que se caracteriza como sendo aquelas que estão sujeitas ao replantio após a colheita com o período de vida menor que um ano, o caso  da  soja  e  do  milho.  Os  gastos  de  culturas  temporárias  devem  ser  rateados proporcionalmente a cada cultura, considerando custos de cultura os gastos que estão ligados direta ou indiretamente à produção agrícola como sementes, adubos, combustível, depreciação de máquinas, entre outros e despesas do período àqueles não  relacionados à cultura como despesa de venda, administrativa e financeira (MARION, 2014; OLIVEIRA, 2014).   

Os custos constituem um importante instrumento para análise e gestão em todos os ramos.  No  agronegócio  permite  avaliar  em  que  medida  os  produtores  estão  utilizando adequadamente  os  recursos  e  os  fatores  de  produção.  Na  agricultura  custos  dos  grãos geralmente são definidos em relação à quantidade produzida: quanto maior é a produtividade dos  grãos,  menores  são  seus  custos  por  unidade  (saca),  decorrentes  dos  ganhos  da produtividade. Gestão de custos nas empresas rurais tem como papel fundamental dar suporte a  mais  importante  decisão  a  ser  tomada  para  maximizar  os  recursos,  particularmente  em produtos que participam de mercado com elevada concorrência (CORBARI et al., 2007).   

Andrade et al. (2011) e Crepaldi (1998) argumentam que os custos do setor agrícola são muito altos, sendo um ambiente de riscos e incertezas para o produtor. O agronegócio detém características como uma forte dependência do clima e dos insumos fornecidos pelo mercado, com altos preços e oscilações no momento da venda do produto. Dessa forma, é essencial  possuir  controle  dos  seus  custos.  O  autor  ainda  complementa  que  “Cercado  de informações, o produtor rural tem maior possibilidade de reduzir riscos de prejuízos no final do ciclo produtivo, identificando os riscos a que está exposto, podendo utilizar instrumentos de mercado disponíveis para minimizá-los”.   

Na concepção de Alloe e Valle (1974, p. 207), “Como a função da empresa agrária é somente a de produzir, a apuração do resultado agrícola se resume na determinação dos custos de produção”. Os autores ainda esclarecem que se entende por custos os sacrifícios suportados para  a  obtenção  de  um  serviço  de  carácter  oneroso.  Quem  se  propõe  a  produzir  tem  de suportar os riscos, como ao contrário das indústrias, que possuem seus preços regulados pelos custos de produção. Nas atividades  rurais os preços de venda não são influenciados pelos custos e sim pela lei da oferta e procura. Fagundes et  al. (2016) e Oliveira Filho e Nerger (2004)  apontam  que  em  uma  propriedade  agropecuária  gestão  de  custos  é  compreendida, muitas  vezes,  como  mais  um  gasto  desnecessário  para  o  negócio.  No  entanto,  estudos abordam como necessária a gestão de custos para qualquer empreendimento. Para se aumentar a  rentabilidade  e  conhecer  o  potencial  da  propriedade  devem-se  domínio  sobre  suas atividades, bem como controlar os custos e o orçamento. Para melhor  aproveitamento dos recursos,  uma  diluição  nos  custos  de  produção  proporcionará  um  maior  ganho  para  a propriedade,  principalmente  no  agronegócio,  que  se  encontra  exposto  às  oscilações  da economia mundial. O gestor deve manter-se atento às técnicas de controle de gastos. 

Empresas  rurais  devem  buscar  eficiência  na  tomada  de  decisão,  nos  processos relacionados ao planejamento, controle, tomada de decisão e avaliação de resultados, visando à  maximização,  assim  como  as  indústrias  devem  compreender  a  contabilidade  como ferramenta de apoio à gestão, um meio utilizado pelo produtor, gerente ou administrador da empresa.  Ainda  que  de  forma  intuitiva,  buscam  definir  o  que,  quanto  e  de  que  forma  irá produzir. Se souber desenhar o modelo ideal de controle de custos, não terá mais problemas para obter informações gerenciais e passará a contar com um precioso suporte para o negócio de  forma  eficiente  que  lhe  propiciem  melhores  retornos  econômicos  (CALLADO; CALLADO, 1999; CORBARI et al., 2007).  

2.2 Método de custeio variável 

Os primeiros sistemas da contabilidade de custos surgiram nas empresas comerciais da Era do Mercantilismo, e após as transformações da revolução industrial do século XVIII com a necessidade das empresas transformarem a matéria-prima em novos produtos surgiu o custo de  fabricação.  As  apurações  desses  custos  estão  diretamente  ligados  aos  produtos  das empresas  e  definidos  em  métodos  para  distinção  dos  gastos  do  período.  Métodos  de custeamento não se diferem entre as empresas dos diversos setores da economia e devem ser utilizados nas empresas do sistema agroindustrial que buscam controle e informações para tomada de decisão (BATALHA; FIGUEIREDO, 2001; BRUNI; FAMÁ, 2004). 

Para compreensão do estudo, faz-se necessário entender o significado de método de custeio que, conforme Padoveze (2003), ele identifica os meios para apurar os custos unitários dos produtos, classifica os gastos que devem fazer parte da apuração dos custos unitários dos produtos. A definição do método a ser utilizado está ligada ao sistema de decisão da empresa. Esses  diferentes  métodos  auxiliam  e  padronizam  a  atividade  produtiva,  as  estruturas  dos modelos  decisórios  que  devem  ser  parametrizadas  de  acordo  com  o  método  adotado.  No presente  estudo  utilizou-se  o  método  custeio  variável  por  ser  de  grande  importância  para controles  gerenciais  e  tomada  de  decisão.  Para  Megliorine  (2011)  e  Leone  (1997)  nesse método  os  custos  devem  ser  separados  como  fixos  e  variáveis,  os  custos  fixos  não  são apropriados  aos  produtos,  já  que  estão  relacionados  à  estrutura  da  organização  e  não  à produção; já os custos variáveis são aqueles decorrentes da produção.  

Martins  (2010)  defende  que  no  método  custeio  variável  a  incorporação  dos  custos fixos na produção não é de grande utilidade para avaliações gerenciais e tomada de decisões. O autor identifica três problemas: os custos fixos existem independentes da produção;  são distribuídos aos bens e serviços com base em critério de rateio; a maior parte da apropriação é feita em função de fatores que, na verdade não estão efetivamente vinculados à produção e o valor do custo fixo depende do volume de produção. Se o volume aumenta, tem-se menos custo fixo por unidade, e vice-versa. O custo de um produto pode variar em função de seu volume, mas não da quantidade dos outros bens fabricados. O autor entende que, portanto, no custeio variável só são alocados aos produtos os custos variáveis, considerando os fixos como despesa do período diretamente para o resultado.  

Para o processo de tomada de decisão, o método custeio variável - também conhecido como custeio direto - é o mais recomendado, apesar de não ser aceito legalmente, porque fere os princípios fundamentais da contabilidade, em especial, de realização da receita, o regime de competência e a confrontação, que, segundo esses, devemos reduzir da receita todos os sacrifícios envolvidos para a sua obtenção. Esse fato não impede que as empresas o utilizem para  fins  gerenciais  internos  (MARTINS,  2010;  MEGLIORINE,  2011;  LEONE,  1997). Bernandes et  al. (2014) consideram custeio variável o método adequado para o controle e tomada de decisão sobre a empresa, já que o volume de vendas e lucro se move com a mesma proporção,  o  que  permite  melhores  informações  sobre  o  desempenho  da  organização;  já Megliorine  (2011)  afirma  que  esse  método  facilita  o  cálculo  da  margem  de  contribuição, ponto de equilíbrio, margem de segurança operacional e a rentabilidade da empresa. Beuren et al. (2004) e Andrade et  al. (2011) asseveram no que diz respeito à utilização desse método, que é relevante para se tomar decisões sobre os produtos e a rentabilidade da empresa.  

A separação dos custos variáveis e fixos no conceito de custeio variável destina-se à obtenção  de  informações  para  o  processo  decisório.  Embora  sejam  decisões  baseadas  em resultados de curto prazo, esse método fornece análises de fatores significativos no resultado, como a margem de contribuição, que é a diferença entre o preço de venda de um produto deduzindo seus custos de despesas variáveis, é o valor que cada unidade efetivamente traz à empresa, representa o quanto cada produto está contribuindo para cobrir os custos fixos e em qual  desses  produtos  a  entidade  deve  aplicar  mais  esforços  para  se  obter  uma  melhor lucratividade (MARTINS, 2010; LEONE. 1997; PADOVEZE, 2003).  Beuren et  al.  (2004) e Andrade et al. (2011) acrescentam que o cálculo da margem de contribuição possibilita, de forma mais precisa, conhecer qual o volume necessário de produtos para cobrir os custos fixos e  garantir  o  retorno,  auxiliando  substancialmente  no  processo  decisório  dos  gestores.  Sua aplicação  possibilita  inúmeras  análises  da  empresa,  como  a  realização  de  políticas  para redução dos custos.

O  método  de  custeio  variável  é  considerado  o  mais  apropriado  para  o  controle  e tomada de decisões da empresa, pois nele o lucro se move com a mesma proporção do volume de vendas, permitindo melhores informações sobre o desempenho dos produtos da entidade, facilitando o cálculo da margem de contribuição, ponto de equilíbrio, margem de segurança e rentabilidade, informações relevantes para o processo decisório (MEGLIORINE, 2011). Tais ferramentas  configuram-se  então  como  fundamentais  para  que  se  produzam  decisões  mais acertadas, fato que se considera ao se empreender esta pesquisa que objetiva aplicar o método custeio variável em uma propriedade rural nas culturas de soja e milho para fins de tomada de decisão e controle de custos. 

3 Procedimentos metodológicos 

A metodologia da pesquisa é definida como o estudo de métodos e procedimentos técnicos para que os resultados gerados sejam confiáveis. De acordo com Silva (2010), facilita a  sistematização  dos  objetivos  pretendidos,  para  se  chegar  ao  fim  que  se  deseja.  Na determinação da classificação de pesquisa algumas categorias podem ser utilizadas para uma adequada tipificação  e,  neste  estudo,  as  tipologias  utilizadas  são  apresentadas  nesta  seção. Quanto aos objetivos, a pesquisa é descritiva, tipologia na qual o pesquisador busca saber exatamente o que deseja medir, quando e onde fará, e tem como principal objetivo a descrição das caraterísticas entre as variáveis. Descrever significa relatar, comparar, identificar, entre outros.  Uma  de  suas  características  é  a  padronizada  coleta  de  dados  (ANDRADE,  2007; BEUREN  e  RAUPP,  2014;  SILVA,  2010).  Já  no  que  se  refere  à  natureza  da  pesquisa, classifica-se em aplicada, pois não tem como objetivo gerar conhecimento científico, mas sim utilizar conhecimentos adquiridos da literatura e aplicar no ambiente de propriedade rural, como afirmam Freitas e Prodanov (2013, p. 51): “objetiva gerar conhecimentos para aplicação prática dirigidos à solução de problemas específicos. Envolve verdades e interesses locais”  

Com relação à abordagem do problema, a pesquisa se enquadra como qualitativa, pois  não  será  utilizado  instrumento  estatístico.  O  estudo  se  caracteriza  pelo  embasamento teórico e coleta de dados em propriedade rural, a resposta do estudo. Nesse sentido, Beuren e Raupp  (2014)  complementam  que  abordar  um  problema  qualitativamente  justifica  a existência  de  problemas  que  podem  ser  investigados  visando  destacar  características  não observadas. Os procedimentos técnicos adotados são de pesquisa documental e ex-post facto. Na visão de Beuren e Raupp (2014), a pesquisa documental se caracteriza por materiais que ainda não receberam tratamento analítico, quando se deseja explorar aspectos relacionados à situação patrimonial, econômica ou financeira, tendo sua utilização no sentido de organizar informações; já Ex-Post Facto, a qual Silva (2010, p. 56) apregoa ser a modalidade na qual “o experimento  é  efetivado  depois  dos  fatos;  o  pesquisador  não  possui  controle  sobre  as variáveis. Existe semelhança de procedimentos aos experimentos propriamente ditos”.  

O  método  de  abordagem  utilizado  é  o  dedutivo,  pois,  para  chegar  a  conclusões partiu-se de teorias gerais de estudo, e que Andrade (2007) complementa que o geral leva ao particular, que leva à conclusão. Por fim, o ambiente de pesquisa é tido como de campo, pois foram coletados, interpretados e analisados dados da propriedade, necessários para o objetivo de estudo da pesquisa. Andrade (2007) conceitua que a coleta de dados é efetuada em campo, não havendo interferência do pesquisador sobre ela.  

Os autores Freitas e Prodanov (2013) fundamentam que o método coleta de dados tem o objetivo de coletar informações da realidade do objeto para que possam ser analisados e interpretados.  Nesse  caso  em  particular,  a  propriedade  rural,  a  coleta  utilizada  foi  a  não padronizada, que, segundo os autores, possibilita total liberdade ao entrevistado. Neste caso, o produtor rural, para fornecer informações sobre seu negócio. Para Beuren e Raupp (2014), existem  dois  tipos  de  coleta:  a  primária  e  a  secundária,  sendo  que,  para  esta  pesquisa  se utilizou fontes primárias, já que se fez uso de documentos e relatórios, bem como entrevista informal com o produtor rural. 

Quanto à análise dos dados coletados, como afirmam Freitas e Prodanov (2013, p. 112),  “A  análise  e  a  interpretação  desenvolvem-se  a  partir  das  evidências  observadas,  de acordo  com  a  metodologia,  com  relações  feitas  através  do  referencial  teórico  e complementadas com o posicionamento do pesquisador”. No presente estudo a análise dos dados  coletados  teve  como  apoio  o  conteúdo  fornecido  em  entrevista  informal  junto  ao produtor rural, que fez uso da análise de conteúdo para sua apreciação, e também a análise documental, pois a apreciação dos dados se pautou em documentos e relatórios financeiro da propriedade  que  possibilitaram  a  aplicação  do  método  custeio  variável  e  consequente  à margem de contribuição, ponto de equilíbrio e margem de segurança para tomada de decisão e controle de custos sobre a propriedade.  

4 Apresentação e análise dos resultados 

4.1 Descrição do objeto de estudo

Esse estudo foi feito sobre a produção da família Silva, formada pela sociedade de três irmãos, os quais possuem como atividade econômica o cultivo da soja e milho, na forma de contrato de arrendamento agrícola. A família arrenda propriedades na região de Maringá, estado do Paraná, e em Alto Taquiri, no estado de Mato Grosso. Para fins de elaboração deste estudo se utilizou apenas dos dados das plantações sobre as terras arrendadas em Maringá e região,  as  quais  estão  distribuídas  nos  municípios  da  seguinte  forma:  Iguaraçu,  com  37 alqueires, Ângulo, 35 alqueires, Marialva, 8 alqueires, Sarandi, 28 alqueires, Mandaguaçu, 70 alqueires e Maringá, 134 alqueires, com o total de 312 alqueires de terras agricultáveis.  

O estudo do ano safra teve início em outubro de 2015 e término em fevereiro de 2016 com a cultura da soja na safra de verão e de março de 2016 a julho de 2016, com a cultura  do  milho  conhecida  como  período  safrinha  de  inverno.  Os  produtores  utilizam  a rotação de cultura nas propriedades arrendadas e o período nos cultivos das plantas vai desde a germinação até o período em que está pronta para a colheita com duração de cinco meses, tendo o clima como determinante.  

4.2 Apresentação dos custos  e despesas da produção 

Neste tópico se faz a apresentação dos  gastos realizados na produção,  ou seja, se evidenciam os custos e despesas da produção do milho e da soja, que são: insumos, mão-de-obra  fixa,  temporária  e  familiar,  combustível,  depreciação,  manutenção  das  máquinas  e equipamentos,  arrendamento  e  água.  No  que  se  refere  aos  insumos  agrícolas,  têm-se  os adubos,  sementes,  fertilizantes,  entre  outros,  sendo  o  principal  item  do  custo  variável  dos cultivares da soja e do milho, pois se trata da matéria-prima necessária para a produção. Esses custos de plantio foram apurados de acordo com os registros do livro caixa durante o período de  preparo,  plantio  e  manutenção  da  cultura.  Esses  registros  estão  informando  o  valor  da compra  sem  informar  qual  a  classificação  desse  insumo,  se  são  sementes,  fertilizantes, adubos, entre outros, e apenas com o nome das empresas que disponibilizam esses insumos. Para cultura da soja temos a compra de insumos na Cocamar, de R$1.548.691,91, Integrada R$3.838,59,  Belagricola  R$469.461,80  e  C  Vale  R$134.647,47,  o  que  gerou  um  total  de R$2.156.639,77 de custo com insumos. Na cultura do milho temos Integrada R$45.756,07, G N Cruz R$2.700,00, Ferrari e Zagatto R$286.705,45 e Bussadori Garcia R$521.753,61, o que gerou um custo de R$856.915,13. 

A verificação da mão-de-obra, que é basicamente composta do trabalho familiar, os produtores  mantêm  um  funcionário  registrado  e  contrata  mão-de-obra  temporária  nos períodos de maior concentração de trabalho, que são os momentos de plantio e de colheita. Durante o período do plantio da soja, as atividades foram realizadas pelos produtores e pelo funcionário  registrado,  o  que  gerou  um  custo  de  mão-de-obra  fixa  de  R$128.398,50.  Na colheita da soja foi contratada também mão-de-obra temporária de cinco funcionários, para trabalharem  como  tratorista  e  auxiliar.  Na  safra  da  soja,  mão-de-obra  temporária  teve  um custo total de R$7.852,83. Na safra do milho para o plantio, os produtores mantiveram os cinco funcionários temporários e, após o plantio, rescindiram quatro desses, e a colheita foi realizada por um funcionário  temporário,  um  fixo  e  pelos  produtores.  

Na  safra  do  milho  a  mão-de-obra temporária teve um custo total de R$14.052,65 e custo de mão-de-obra fixa dos produtores e funcionário registrado foi de R$119.970,53. O custo da mão de obra temporária é classificado como custo variável, pois o tempo de serviço é determinado pelo tempo da cultura desde o plantio  à  colheita.  Quanto  à  mão-de-obra  fixa,  é  considerada  como  custo  fixo,  pois  o funcionário e os produtores auxiliam em outras atividades, independentes do tempo de cultura e da área de plantio. As despesas com mão-de-obra familiar e com o funcionário registrado são  relativas  aos  dois  meses  que  não  existem  cultura  em  andamento,  no  caso,  agosto  e setembro,  logo,  considerado  como  despesa  fixa  em  R$51.283,68  divididos  pelas  duas culturas. 

O item combustível, utilizado amplamente durante a colheita e o plantio, se apurou de acordo com o livro caixa e notas fiscais emitidas pela empresa que oferece o serviço de combustível  para  os  produtores,  que  utilizam  posto  de  combustível  único.  O  valor  é considerado como custo variável por ser consumido pelas máquinas durante o período das safras, que foi de R$218.235,55 na safra da soja, e R$186.108,87 na safrinha de milho.  

Já  a  depreciação  ocorre  pelo  uso  das  máquinas  e  implementos  agrícolas  que trabalham nos períodos de plantio e colheita, totalizando em dez meses por ano (cinco em cada safra). Para fins de apuração da depreciação, obteve-se o valor a partir da divisão da depreciação  anual  calculado  pelo  método  linear  e  dividido  pela  quantidade  de  meses  que duram  a  safra  da  soja  e  milho.  Considerou-se  a  depreciação  apenas  dos  bens  ainda  não totalmente depreciados. A partir desses, calculou-se o custo com depreciação das máquinas e implementos. O valor total apurado de depreciação anual encontrado foi de R$105.800,00. Porém os períodos das safras duram dez meses, sendo cinco com cada cultura. Os dez meses totalizaram R$88.166,67 de depreciação considerada como custo fixo de produção, ficando R$44.083,33 para cada safra e o restante de R$17.633,33 classificado como despesa fixa dos outros dois meses que não pertencem ao período, logo, R$8.816,67 para cada cultura. 

A  manutenção  das  máquinas  e  equipamentos  utilizados  durante  o  processo  de produção das culturas, a utilização das máquinas visa, principalmente, a realização de tarefas permitindo aumento da capacidade individual de trabalho e produtividade. No entanto, esses equipamentos agrícolas que são armazenados na propriedade familiar e necessitam de reparos e consertos. Esses reparos, quando destinados à manutenção da produção, como, por exemplo, troca  de  óleos  lubrificantes,  pneus,  peças,  entre  outros,  são  custos  destinados  às  culturas. Portanto,  com  os  dados  coletados  pelo  livro  caixa  e  notas  fiscais,  sobre  a  manutenção  de maquinários  e  equipamentos  apurou-se  um  custo  variável  total  de  R$28.856,40  para  a produção da soja e de R$17.736,30 para a produção do milho. 

Os  contratos  de  arrendamentos  preveem  que  os  arrendatários  paguem  aos arrendadores  40  sacas  por  alqueire  na  safra  de  verão  da  soja.  o  que  gerou  um  valor  de R$998.400,00  e  10%  na  safra  de  inverno  sobre  a  produção  do  milho,  com  um  total  de R$252.720,00.  Considerando  que  o  arrendamento  é  pago  sobre  um  valor  estipulado independente da quantidade produzida como um aluguel, classificou-se como despesa fixa. As figuras 1 e 2 demonstram a proporção dos custos e despesas em relação aos gastos totais de produção ocorridas durante as culturas.

Na  produção  da  soja  observa-se  que  a  maior  parte  dos  custos  de  produção  está concentrada nos insumos, que são o principal item do custeio variável, pois variam conforme a quantidade produzida; em seguida vem o arrendamento, o combustível, a mão-de-obra, a depreciação e manutenção das máquinas e equipamentos.

Já  na  produção  do  milho  as  variáveis  possuem  proporções  de  custos  e  despesas semelhantes com a soja, com a maior concentração, da mesma forma, em insumos agrícolas; nos demais itens a ocorrência é similar ao do gráfico 1. 

4.3 Produtividade e receita do milho e da soja 

Toda a receita da produção da soja e do milho é obtida pela comercialização dos produtos que são encaminhados as cooperativas logo após a colheita, com isso os produtores não possuem gastos com armazenagem dos grãos. Os produtores são cooperados da Cocamar Cooperativa  Agroindustrial,  C.  Valle  Cooperativa  Agroindustrial  e  Integrada  Cooperativa Agroindustrial, todas localizadas no município de Maringá Paraná. Primeiramente foi apurada a quantidade de sacas de 60 kg produzidas para venda nas culturas da soja de 2015/2016 e do milho 2016 apuramos a quantidade de sacas de soja produzida, conforme o quadro 1, e do milho conforme quadro 2. 

Os produtores não possuem registros do valor real que foi vendido cada 60 kg de saca  da  soja,  por  falta  de  controle,  porém  fez-se  uma  estimativa  em  conversa  com  os produtores e em confronto com o livro caixa de uma média de produção nos 312 alqueires arrendado utilizados para produção, com 173 sacas da soja por alqueire, tendo, então, 53976 sacas produzidas da soja. Segundo eles, a safra foi considerada boa, e o preço para a venda de cada saca era favorável dando uma média de R$80,00 a saca. Tem-se, portanto, o valor de receita apurado na safra de 2015/2016 de R$4.318.080,00.

Com relação à safra do milho, foi utilizado o mesmo método da soja para chegar a uma média de valor de cada saca e da quantidade produzida. Levaram-se em conta os 312 alqueires  arrendados,  com  uma  produção  de  270  sacas  por  alqueire  a  média  dada  pelo produtor, chegando a uma quantidade de 84240 sacas produzidas, com um valor médio de R$30,00  a  saca,  que  gerou  uma  receita  de  R$2.527.200,00.  Os  irmãos  esperavam  mais resultados com a safrinha, pois relatam que foi um período de seca, apesar de dizerem que o resultado não foi tão negativo. O valor foi encontrado também no livro caixa correspondente à receita da produção. 

4.4 Aplicação do método custeio variável  

Na  atividade  rural,  os  produtores  muitas  vezes  acreditam  que  os  conhecimentos adquiridos  com  os  anos  de  experiência  produzindo  são  suficientes  para  entender  como  se comportam  os  custos  e  despesas  na  produção,  informações  não  confiantes  baseadas  em dedução. É interessante que eles possuam um levantamento preciso das informações sobre a receita, custos e despesas que ocorrem na área cultivada e no gasto de cada saca, informação a qual  o  método  custeio  variável,  segundo  Martins  (2010),  para  o  processo  de  tomada  de decisão é o mais recomendado.    

Para a  aplicação  do  método,  faz-se  necessária  a  separação  dos  custos  e  despesas, classificando-os como fixos e variáveis que, segundo Megliorine (2011), custos devem ser separados como fixos e variáveis. Os custos fixos não são apropriados às culturas, já que estão relacionados à estrutura da organização e não à produção; já os custos variáveis são aqueles decorrentes da produção agrícola. A produção já possui seus custos fixos, os quais não se modificam com o aumento ou diminuição da produção, logo compete aos custos variáveis a tomada de decisão, que já oscilam conforme a quantidade produzida.    

A partir da apresentação da demonstração do resultado do exercício com a aplicação do método do custeio variável, obtém-se a margem de contribuição que, conforme destacado por  Beuren  et  al.,  (2004)  e  Andrade  et  al.  (2011),  o  cálculo  da  margem  de  contribuição possibilita  conhecer  qual  o  volume  necessário  de  produtos  para  cobrir  os  custos  fixos  e garantir o  retorno,  como se verifica no quadro 3 com a  cultura da soja  e 4 do milho, em relação aos valores obtidos deste estudo.

O quadro acima demonstra o resultado da receita total da safra da soja e como foram distribuídos os gastos ocorridos para a sua produção, classificados como fixos e variáveis pela aplicação  do  método  custeio  variável.  A  receita  com  cada  saca  foi  de  R$80,00;  o  custo variável de R$44,68, restando, assim, R$35,32 para cobrir os custos e despesas fixas, obtendo, então, R$12,99 de lucro por saca.

Já o lucro da saca do milho foi de R$11,88. Após a aplicação do método custeio variável é possível utilizar o resultados para determinar os valores de margem de contribuição já evidenciados na demonstração de resultado, o ponto de equilíbrio que envolve a somatória dos custos e despesas fixas, dividido pela margem de contribuição unitária e a margem de segurança, que é a quantidade de sacas vendidas deduzida do valor do ponto de equilíbrio. Essas informações estão apresentadas no quadro 5 da soja e 6 do milho.

Conforme se observa no quadro 5, a soja apresentou uma MC de R$1.906.495,45, representando 44,15% da receita bruta; já o PE que não gerou lucro nem prejuízo e totalizou 34.126 sacas; a MS foi de 19.850 sacas operadas acima do ponto de equilíbrio.

O resultado dos cálculos relativos ao milho apresentou uma MC de R$1.452.387,05, sendo 57,47% relação à receita bruta.  Na  análise do PE, averiguou-se um  total de 26.174 sacas e a MS foi de 58.240 sacas operadas além do PE. 

5 Considerações finais 

O presente estudo partiu do pressuposto de que a maioria dos produtores rurais não possui  controles  financeiros  e  gerenciais  para  o  acompanhamento  das  suas  atividades, tampouco  aplicação  da  gestão  de  custos  para  decisões  sobre  suas  culturas,  apuração  de resultados,  entre  outros  aspectos.  Nesse  sentido,  esta  pesquisa  verificou  que  o  objetivo estabelecido de aplicar o método custeio variável na produção agrícola nas culturas de soja e milho para fins de tomada de decisão e controle de custos se cumpriu, já que foi possível tal aplicação no objeto de estudo adotado. 

Verificou-se, ao final do estudo, que os produtores não realizam controles internos para fins de mensuração dos resultados das culturas do milho e da soja, tampouco se denotou qualquer tipo de relatório que se prestasse ao papel de subsidiar decisões. Os proprietários não possuem sequer um lugar específico para arquivar documentos, planilhas com informações sobre as culturas, insumos, mão-de-obra e outros, fato que acarreta perda de documentos e de possíveis informações a este respeito. Na visão dos produtores, a experiência e conhecimento que possuem na área são suficientes para a gestão das propriedades e das culturas utilizadas. 

Partindo da falta de controles, as informações para o estudo foram retiradas do livro caixa, que abrange as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram  a  produção  dos  anos  de  2015/2016,  e  confrontados  com  a  identificação  dos documentos  disponíveis.  Com  relação  aos  insumos,  não  possuíam  dados  de  quantidades adquiridas.  Assim  não  foi  possível  classificá-los  como  sementes,  adubos,  entre  outros, contando apenas com o valor registrado no livro caixa desses gastos. Outro ponto em destaque foi  a  falta  de  informação  sobre  qual  valor  as  sacas  de  ambas  as  culturas  foram  vendidas, informando assim para o estudo um preço estimado, visto que as sacas foram vendidas em períodos  diferentes,  mas  pela  falta  de  controle  os  produtores  informaram  apenas  uma estimativa do valor da saca.  

Para  a  produção  soja  foi  identificado  uma  receita  bruta  de  R$4.318.080,00,  com custos variáveis na ordem de R$2.411.584,55, o que representa 55,85% da receita bruta; já os custos e despesas fixas totalizaram R$1.205.340,34, o que percentualiza um total de 27,91%. A  margem  de  contribuição  da  cultura  da  soja  de  R$1.906.495,45,  o  que  evidenciou  um percentual de 44,15% da receita bruta. No que se refere ao ponto de equilíbrio, obtiveram-se 34.126 sacas, ou seja, quantidade em que se zeram os gastos; já a margem de segurança foi de 19.850 sacas produzidas acima do ponto de equilíbrio, como se pode verificar nos quadros 3 e 5, que evidenciam os cálculos em detalhes.

A cultura do milho safrinha gerou uma receita bruta de R$2.527.200,00, com custos variáveis no valor de R$1.074.812,95, que corresponde a 42.53% da receita bruta; já os custos e despesas fixas totalizaram R$451.232,37, representando 17,85% do total da receita bruta. Foi encontrada uma margem de contribuição para esta cultura no valor de R$1.452.387,05, correspondente  a  57,47%  do  total  da  receita  bruta.  Com  relação  ao  ponto  de  equilíbrio, obtiveram-se 26.174 sacas. Como foram produzidas 58.066 sacas acima do PE, tem-se então a margem de segurança nesta quantidade, conforme quadros 4 e 6 na seção anterior. 

Na  perspectiva  do  estudo,  quando  comparados  3  e  4,  averigua-se  que  a  soja representa um lucro líquido de 16,24% e o milho corresponde a 39,62%, ou seja, o milho safrinha de inverno apresenta maior rentabilidade para os produtores, visto que cada unidade efetivamente de saca de milho traz à empresa um resultado maior para  cobrir os  custos  e despesas  fixas.  Quando  comparadas,  observa-se  que  os  custos  e  despesas  da  produção  do milho representam uma porcentagem menor que a da soja com relação à receita bruta, logo mais viável do ponto de vista financeiro e deve ser prioridade para os produtores em caso de se escolher qual  priorizar. Cabe ressaltar que,  por se tratar de commodities, o preço sofre variação do mercado internacional, então, no período deste estudo, o milho se mostrou mais rentável, o que não quer dizer que tal situação se aplique a todas as safras.

Pode-se então concluir que o estudo atingiu seu objetivo, pois com a aplicação do método  foi  possível  identificar  os  custos  relacionados  às  culturas,  calcular  a  margem  e contribuição,  ponto  de  equilíbrio  e  margem  de  segurança,  concluindo  que  a  aplicação  do método gera informações relevantes nas culturas de soja e milho para fins de gerenciamento de  custos  e  tomada  de  decisão.  A  recomendação  para  os  produtores  é  de  que  eles  se organizem a fim de arquivar e gerenciar dados e informações financeiras que incidem durante a  produção  das  culturas  e  que  adotem  o  método,  para  possuir  maior  visualização  de  seus custos e despesas, a fim de buscar maior rentabilidade. 

Fonte

RIVELINO, Roberto; DANIELA BAPTISTA SILVA; MATTIELLO, Kerla; et alCUSTEIO VARIÁVEL NA PRODUÇÃO AGRÍCOLA: UM ESTUDO DA APLICAÇÃO DO MÉTODO NAS CULTURAS DE SOJA E MILHO. Anais do Congresso Brasileiro de Custos - ABC. Disponível em: <https://anaiscbc.emnuvens.com.br/anais/article/view/4474>. Acesso em: 7 nov. 2022.

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