Como fazer análise de solo
Guia rápido de como fazer uma análise de solo para recomendação de adubação e calagem.
O que é solo?
O solo é composto de minerais, matéria orgânica (viva e morta), ar e água, fornece nutrientes e serve de base para o ciclo de vida das plantas.
Cuidar do solo aumenta a saúde da planta, consequentemente aumenta a produção de sua lavoura e é fundamental para o cultivo de um gramado ou jardim que você desfrutará por toda a vida.
A importância da análise de solo
O crescimento e o vigor das plantas geralmente dependem do pH do solo - o quão ácido ou alcalino o solo é.
O pH do solo é medido em uma escala de 1 a 14 com uma medição de 7,0 considerada neutra.
Um número abaixo de 7 é ácido enquanto um número acima de 7 é alcalino.
A maioria das plantas prefere solo quase neutro com pH entre 6,0 e 6,8. Principalmente porque é nessa faixa que há a maior disponibilidade de nutrientes no solo.

A análise do solo determina não só o pH do seu solo se seu solo é ácido, neutro ou alcalino, mas também indica quais elementos estão faltando em seu solo para atingir a produção esperada.
Como preparar uma amostra para análise de solo
Para preparar uma amostra de solo e enviar para análise, você precisará de:
- - balde limpo
- - trado tipo sonda
- - recipiente de plástico limpo (não de metal).


Estas etapas explicam como coletar a amostra do solo, são simples, mas devem ser seguidas cuidadosamente para obter uma leitura precisa:
- Limpe completamente as ferramentas que você está usando para coletar a amostra de solo.
- Na área de plantio, perfure o solo de 0 a 20 centímetros de profundidade. Esta é uma amostra simples.
- Pegue esta amostra simples e coloque-a no balde. Repita este processo em lugares alternados, igualmente espaçados na mesma gleba.
Glebas para análise de solo
As glebas não pode ser maior que 20 hectares e devem ser homogêneas e uniformes quanto à:
Relevo (várzea, coxilha, encosta de morro, baixada ou terreno plano);
Cor (vermelha, amarela, clara, cinza ou preta);
Textura (argilosa ou arenosa);
Vegetação anterior (mato, capoeira, potreiro ou terra cultivada);
Manejo (calagem e adubação anteriores)
Não raspe o solo da superfície do local de coleta. Retire somente o material vegetal, evitando-se a coleta de amostras em locais próximos a cupinzeiros, queimadas de restos culturais, formigueiros, cochos de animais etc.
A junte as amostras simples desta gleba e espalhe o solo em um jornal para secar. Colete um litro para sua amostra composta.
Certifique-se de coletar a amostra quando o solo estiver razoavelmente seco, pois o solo úmido pode fornecer uma leitura de teste falsa. Você pode querer verificar o solo mais de uma vez para verificar seus resultados.
Como interpretar uma análise de solo
Ao receber sua análise de solo, verifique em quais unidades de medida estão os resultados. Segundo a EMBRAPA, os resultados da análise de solo é utilizando o Sistema Internacional de Unidades, conforme a tabela abaixo:

Ao pegar uma análise verifique os seguintes pontos:
Acidez ativa - pH
- A acidez ativa do solo é a concentração de hidrogênio em solução.
- A escala de pH utilizada para medir a acidez ativa é de 0 a 14.
- Valores de pH entre 2 e 3 indicam presença de ácidos livres
- provenientes de pirita que, quando oxidada, passa para H2SO4.
- Quando o pH se situa entre 4 e 5, indica a presença de alumínio
- trocável.
- Quando o pH está em torno de 5,2 a 5,3 o alumínio trocável está
- quase na sua totalidade insolubilizado e não causa mais danos as
- raízes.
- Quando o pH está acima de 5,4 não há necessidade de fazer calagem
- Solos calcários apresentam pH entre 7 e 8.
- Quando o pH é próximo de 9, indica a presença de sódio
Acidez trocável ou alumínio trocável
• A acidez trocável é representada pelo alumínio (Al3+).
• A presença de alumínio no solo pode inibir o crescimento radicular e influenciar na disponibilidade de outros nutrientes e processos como a mineralização da matéria orgânica.
• A correção do solo com calcário eleva o pH e insolubiliza o Al3+ tornando-o inofensivo para as raízes e processos do solo.
• Insistir em não fazer calagem quando o Al3+ no solo é maior que 0,5 cmolc dm-3 não é recomendado, pois, pode trazer prejuízos com a queda da produtividade. Algumas culturas são mais sensíveis ao Al3+ que outras.
Acidez total ou potencial
• A acidez potencial é composta pela acidez trocável e não trocável e é representada pelo H+Al.
• Pode ser obtida diretamente através do método do acetato de cálcio a pH 7.
• Também pode ser obtida indiretamente com base no pH de uma solução tamponada SMP adicionada ao solo.
• O método baseia-se na relação existente entre o pH de uma solução tamponada adicionada ao solo e o teor de H+Al.
• A relação é dependente de atributos físicos, químicos e mineralógicos do solo.
• É necessária a calibração dessa relação para os solos da região de influência do laboratório.
• Quanto mais baixo o pH SMP mais alto o H+Al. A acidez total é utilizada para o cálculo da capacidade de troca catiônica e da saturação por bases.
Bases trocáveis
• A quantidade de bases trocáveis cálcio, magnésio, potássio e sódio indicam o grau de intemperismo do solo. Em solos mais jovens que sofreram menos intemperismo, os teores dos quatro elementos são mais altos.
• Solos que sofreram mais intemperismo como os solos dos Tabuleiros Costeiros, os teores dos citados elementos são mais baixos.
• Quando os teores de cálcio e magnésio são baixos, os mesmos podem ser elevados com a utilização de calcário dolomítico o qual tem em sua composição mais de 12% de magnésio. Quando o objetivo for somente corrigir a acidez o calcário calcítico pode ser utilizado.
• Observar que o cálcio e magnésio podem ser adsorvidos a cargas que seriam ocupadas pelo potássio e o mesmo pode ser lixiviado, para fora do alcance das raízes.
Saturação por bases (V%)
• A saturação por bases é a proporção da capacidade de troca catiônica ocupada pelas bases.
• Solos com saturação por bases maiores que 70% indicam que não há necessidade de calagem.
• Solos com saturação por bases menor que 50%, têm cargas ocupadas por componentes da acidez H ou Al e necessitam de correção.
• No cálculo das bases trocáveis, são computados, além do cálcio e do magnésio, o potássio e o sódio.
• O método de calagem por saturação por bases considera a necessidade de cada cultura. Os métodos baseados na insolubilização do Al3+ e na elevação dos teores de cálcio e do magnésio no solo não levam em consideração as necessidades da cultura.
Potássio
• Teores altos de potássio indicam presença de minerais primários e pouco intemperismo, o que ocorre em solos de regiões mais secas.
• Teores mais baixos de potássio indicam solos mais intemperizados.
• O teor de potássio no solo pode ser elevado com a aplicação de adubos contendo o nutriente. No Brasil, a fonte mais comum é o cloreto de potássio.
Sódio
• Os teores de sódio nos solos dos Tabuleiros Costeiros e da Baixada Litorânea são baixos devido ao alto intemperismo.
• Os teores de sódio nos solos da região Semiárida são mais altos em função da presença de minerais primários devido ao baixo intemperismo.
• Quando o teor de sódio for alto complementar a análise com determinações de condutividade elétrica, percentagem de sódio trocável e relação de adsorção de sódio e comparar os resultados encontrados com a Tabela 2. De acordo com a classificação, indicar o manejo para tentar resolver o problema.

A condutividade elétrica do extrato da pasta saturada, mais conhecida como condutividade elétrica do extrato de saturação (C.E.) é o método mais rápido e simples para se estimar o total de sais solúveis do solo. A percentagem de sódio trocável (PST) é o percentual de Na+ em relação à capacidade total de troca de cátions é obtida pela fórmula: PST = (Na+/CTC potencial) *100. A relação de adsorção de sódio (RAS) é a relação entre as concentrações de Na+ e as concentrações dos íons divalentes Ca2+ e Mg2+, expressas em mmol L-1, no extrato de saturação do solo e é calculada pela fórmula: RAS = / [(Ca2+ + Mg2+)/2]1/2.
Capacidade de troca catiônica (CTC)
• A capacidade de troca catiônica (CTC) pode ser obtida por soma de bases, conforme a fórmula: CTC = Ca 2++Mg 2++ K++Na++ H+Al.
• Valores maiores do que 15 cmolc dm-3 indicam presença de argila 2:1 na fração argila.
• Valores menores que 5 cmolc dm-3 indicam baixo teor de argila ou predominancia de argila 1:1 como a caulinita.
• Em solos intemperizados como os dos Tabuleiros Costeiros, boa parte da CTC vem da matéria orgânica.
• A capacidade de troca catiônica é um dado a ser considerado no manejo da adubação. Em solos de baixa CTC o parcelamento do nitrogênio e do potássio é necessário para evitar perdas por lixiviação.
Fósforo
• O teor de fósforo no solo é estimado pelo extrator Mehlich-1 que é uma mistura dos ácidos sulfúrico e clorídico.
• A interpretação dos teores de fósforo no solo estimados pelo Mehlich-1 tem que levar em consideração o teor de argila.
• O extrator Mehlich-1 é sensível ao teor de argila. Isso significa que em solos arenosos o nível crítico (valor acima do qual a probabilidade de resposta é baixa) é mais alto que em solos argilosos.
• Em solos argilosos, como o poder tampão é mais alto, o extrator é consumido e a capacidade de extrair fósforo diminui.

Na Tabela 4, são mostrados os valores que são utilizados para interpretar resultados de análise de solo utilizando-se os métodos da rede Embrapa de Laboratórios.

Antes de iniciar a interpretação certifique-se que os métodos de análises utilizados são os mesmos que foram utilizados para confeccionar as tabelas de recomendação. Por exemplo: Um resultado da análise de fósforo efetuada pelo método da resina não pode ser interpretado com tabelas desenvolvidas para o Mehlich-1.
FONTE:
Guia Prático para Interpretação de Resultados de Análises de Solo, EMBRAPA, Lafayette Franco Sobral, Marcos Cabral de Vasconcellos Barretto, Airon José da Silva e Joézio Luiz dos Anjos, Aracaju, SE, 2015.