Agricultura

Como Escolher o Adjuvante Ideal na Pulverização Agrícola

Daniel Vilar
Especialista
6 min de leitura
Como Escolher o Adjuvante Ideal na Pulverização Agrícola
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Introdução

Na agricultura moderna, a pulverização é uma ferramenta indispensável no manejo fitossanitário. Porém, para que um defensivo agrícola atinja sua máxima eficiência, não basta apenas escolher a molécula correta — é necessário também garantir que ela chegue até o alvo na quantidade e na forma adequada.

É nesse ponto que entram os adjuvantes, produtos fundamentais para otimizar a qualidade da pulverização. No entanto, o mercado oferece uma grande variedade de adjuvantes, e escolher o mais adequado não é uma tarefa simples.

adjuvantes

Este guia vai te ajudar a entender, de forma técnica e aplicada, como selecionar o adjuvante certo para cada situação agrícola.

Conteúdo tirado do artigo: Conceitos e aplicações dos adjuvantes

O Que São Adjuvantes e Qual sua Importância?

Adjuvantes são substâncias adicionadas à calda de pulverização para modificar propriedades físico-químicas, melhorando a deposição, espalhamento, penetração, aderência, absorção ou estabilidade dos defensivos agrícolas.

Eles não possuem ação direta contra pragas, doenças ou plantas daninhas, mas aumentam significativamente a eficiência dos produtos aplicados.

Impactos Diretos dos Adjuvantes Bem Escolhidos:

  • Aumento na eficácia dos defensivos.
  • Redução de perdas por deriva, evaporação e escorrimento.
  • Redução de custos com retrabalho e volume aplicado.
  • Menor impacto ambiental.

Como Funciona a Escolha do Adjuvante?

A escolha do adjuvante não é uma decisão baseada em marca ou preço, mas sim em interação entre quatro pilares fundamentais:

  1. O Produto Aplicado: tipo de defensivo (herbicida, inseticida, fungicida, acaricida, bioinsumo, foliar, etc.).
  2. O Alvo Biológico: características da praga, doença ou planta daninha, além da arquitetura das plantas.
  3. As Condições Ambientais: temperatura, umidade, vento e insolação no momento da aplicação.
  4. A Qualidade da Água: pH, dureza, salinidade, presença de partículas ou matéria orgânica.

Classificação dos Adjuvantes e Suas Funções Específicas

Modificadores de Calda

  • Antiespumantes: evitam formação de espuma que pode causar perda de volume útil.
  • Acidificantes e Alcalinizantes: ajustam o pH da calda, essencial para estabilidade de muitos defensivos.
  • Sequestrantes: neutralizam íons de cálcio, magnésio e ferro, evitando precipitações e inativação.
  • Redutores de Tensão Superficial: melhoram o espalhamento e cobertura.
  • Anticristalizantes: evitam entupimento de bicos em defensivos de alta concentração salina.

Modificadores de Gota

  • Espessantes: aumentam o diâmetro das gotas, reduzindo deriva e evaporação.
  • Redutores de Deriva: aumentam a uniformidade das gotas e evitam perdas por vento.
  • Umedecedores: retardam a secagem das gotas, permitindo maior absorção.
  • Hidrorretentores: mantêm a gota ativa por mais tempo em ambientes de alta evaporação.

Modificadores de Superfície (Alvo)

  • Espalhantes: aumentam a área de contato da gota com a superfície da folha.

adjuvantes

  • Adesivos: melhoram fixação do defensivo, especialmente em culturas com folhas cerosas.

adjuvantes

  • Penetrantes: favorecem entrada do defensivo em tecidos vegetais, importante para herbicidas sistêmicos.
  • Óleos: podem ser minerais, vegetais ou metilados, combinando ação de espalhamento, penetração e antideriva.

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Fatores Críticos na Escolha do Adjuvante

Ação do Produto

  • Contato: precisa de cobertura — adjuvantes espalhantes e adesivos são prioritários.
  • Sistêmico: requer penetração — óleos ou penetrantes são fundamentais.

Tipo de Alvo

  • Folhas lisas e cerosas (ex.: soja, milho): exigir espalhantes e adesivos.
  • Folhas pilosas (ex.: feijão, algodão): podem precisar de mais espalhante e maior volume de calda.
  • Plantas daninhas em crescimento ativo: favorecer adjuvantes que aumentem penetração.
  • Pragas escondidas ou protegidas: uso de adjuvantes que aumentam penetração e cobertura.

Condições Climáticas

  • Alta temperatura e baixa umidade: usar umectantes, antideriva e espessantes.
  • Vento: indispensável redutor de deriva.
  • Alta umidade: foco em espalhantes e adesivos, menor preocupação com secagem.

Qualidade da Água

  • pH elevado (>7): defensivos como glifosato e sulfonilureias são extremamente sensíveis — usar acidificantes.
  • Água dura (Ca, Mg, Fe): usar sequestrantes.
  • Água com sólidos: avaliar filtros e correções.

Perigos de uma Escolha Errada

  • Perda de eficiência dos defensivos.
  • Queima de folhas (fitotoxicidade).

Fitotoxicidade de herbicidas na soja: 6 principais problemas

  • Deriva e contaminação ambiental.
  • Entupimento de bicos.
Principais problemas encontrados nos pulverizadores - Revista Cultivar

  • Desperdício financeiro.

Check-list Rápido Para Escolha do Adjuvante Ideal

  • Qual defensivo será usado?
  • O alvo exige penetração, cobertura ou aderência?
  • Qual é o clima no momento da aplicação?
  • Como está a qualidade da água?
  • O rótulo do defensivo recomenda ou contraindica algum tipo de adjuvante?

Como Definir a Quantidade de Adjuvante na Pulverização?

Consulte o Rótulo e a Bula do Defensivo

  • Muitos defensivos já trazem no rótulo a indicação do tipo e da dose de adjuvante compatível.
  • Alguns defensivos, principalmente herbicidas e fungicidas, exigem obrigatoriamente adjuvantes.
  • Outros, podem até proibir o uso de certos adjuvantes (ex.: espalhantes silicones em fungicidas que precisam de maior persistência na folha).

Exemplo na bula do CLEFANDIM 360 EC

Siga a Recomendação do Fabricante do Adjuvante

  • A dosagem do adjuvante sempre varia conforme:
    • Tipo de cultura
    • Alvo biológico (praga, doença, planta daninha)
    • Tipo de defensivo
    • Condições ambientais

Recomendação NATUR'L ÓLEO

Formas comuns de dosagem:

  • Por volume de calda: Ex.: 50 a 200 mL para cada 100 litros de calda.
  • Por hectare: Ex.: 0,5 L/ha a 1,0 L/ha, quando se trabalha com volume fixo de pulverização.
  • Por percentual: Alguns indicam como concentração, exemplo 0,05% a 0,2% (ou seja, 50 mL a 200 mL por 100 L de calda).

Avalie o Tipo de Adjuvante

  • Óleo Vegetal ou Metilado: Geralmente dosado por hectare (0,5 L a 1,5 L/ha).
  • Espalhante-Adesivo: Normalmente por volume de calda (50 mL a 200 mL/100 L).
  • Antiespumante: Muito pouco, 5 a 20 mL/100 L.
  • Acidificantes e Sequestrantes: A dosagem depende da análise da água (testes de pH e dureza).
  • Redutores de Deriva: 50 a 250 mL/100 L, dependendo do volume de calda e das condições de vento.

Volume de Calda Influi na Dosagem de Adjuvantes?

  • Sim, principalmente para adjuvantes que são dosados por volume de calda.
  • Exemplo:
    Se a recomendação é 100 mL/100 L de calda e você vai aplicar 200 L/ha, então usa 200 mL/ha desse adjuvante.
  • Para adjuvantes dosados por hectare (como óleos), não importa o volume de calda, a dose é fixa por área.

Cuidado com Excessos de Adjuvantes

  • Adjuvante demais não melhora, pode piorar.
  • Excesso de espalhante pode gerar escorrimento.
  • Excesso de óleo pode causar fitotoxicidade, principalmente em temperaturas altas.
  • Adjuvantes penetrantes em excesso podem até levar produtos para dentro da planta de forma indesejada.

Conclusão

Adjuvante não é tudo igual! A escolha correta é um divisor de águas entre uma aplicação eficiente e um desperdício. Conhecer os tipos de adjuvantes, suas funções, limitações e interações é parte do trabalho profissional do técnico agrícola, agrônomo ou consultor.

Uma aplicação bem planejada, com adjuvantes certos, significa mais produtividade, menor custo e mais sustentabilidade.

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