Agricultura

Colheita do café arábica atrasa e qualidade é a pior em anos

Chuvas acima da média no inverno comprometem os grãos; setor volta atenção para safra 2027/28.

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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A colheita do café arábica da temporada 2026/27 está chegando ao fim na maior parte das regiões produtoras do Brasil, mas o trabalho não terminou como o esperado. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o ritmo da colheita segue atrasado em comparação com o mesmo período do ano passado, quando a atividade já havia sido concluída na maioria das praças.

O grande vilão desse atraso foram as chuvas acima da média durante o inverno, que além de prejudicar o andamento da colheita, comprometeram severamente a qualidade dos grãos. De acordo com o Cepea, a safra 2026/27 deve apresentar um dos piores resultados dos últimos anos em termos de qualidade, com uma elevada incidência de cafés de bebida inferior. Isso significa que uma parcela significativa da produção terá menor valor comercial, impactando diretamente a rentabilidade do produtor.

Impactos na comercialização e no mercado

Com a colheita em fase final, a atenção do setor se volta para três questões principais: o volume final da safra, o ritmo da comercialização e a florada que vai gerar a temporada 2027/28. Os pesquisadores do Cepea ressaltam que o volume de café disponível, aliado à qualidade inferior, pode afetar as negociações nos próximos meses. Produtores com lotes de melhor qualidade podem conseguir melhores preços, enquanto aqueles com grãos comprometidos podem enfrentar dificuldades para vender.

O mercado também está de olho nas condições climáticas para a próxima safra. A florada, que define o potencial da temporada 2027/28, depende de um período seco seguido de chuvas bem distribuídas. Se o clima não colaborar, o Brasil pode enfrentar mais um ano de produção comprometida.

Se você está finalizando a colheita, é hora de avaliar a qualidade dos seus lotes e planejar a comercialização com cuidado. Cafés de bebida inferior podem ser vendidos para a indústria de solúvel ou para o mercado interno, enquanto os grãos de melhor qualidade devem ser direcionados para a exportação ou para torrefadoras especializadas, onde os preços são mais atrativos.

Além disso, a atenção já deve se voltar para a próxima safra. A florada que está por vir será determinante para o potencial produtivo de 2027/28. Monitore as condições climáticas e, se possível, adote práticas de manejo que ajudem a mitigar os efeitos de chuvas irregulares.

🔧 Orientações:

1. Avalie a qualidade dos seus lotes: separe os grãos por qualidade e planeje a venda de acordo com o mercado-alvo. Cafés de bebida inferior têm menos valor, mas ainda podem ser comercializados.

2. Fique de olho no clima: a florada para a safra 2027/28 depende de condições climáticas favoráveis. Monitore as previsões e planeje o manejo da lavoura para minimizar riscos.

3. Planeje a comercialização: com a safra comprometida em qualidade, a estratégia de venda deve ser cuidadosa. Considere armazenar parte da produção para vender em momentos de preços mais altos.

4. Invista em manejo pós-colheita: a secagem e o armazenamento adequados podem preservar a qualidade dos grãos e evitar perdas adicionais.

O mercado do café está em um momento crítico, com uma safra que não atende às expectativas de qualidade. A gestão cuidadosa da colheita, da comercialização e do planejamento para a próxima temporada será essencial para garantir a rentabilidade do produtor nos próximos meses.

Fonte: Cepea.

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