Agricultura

Classificação da Água para Irrigação

Daniel Vilar
Especialista
7 min de leitura
Classificação da Água para Irrigação
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1. Classificação proposta pelo Laboratório de Salinidade dos Estados Unidos

A classificação proposta pelos técnicos do Laboratório de Salinidade dos Estados Unidos é baseada na condutividade elétrica (CE), como indicadora do perigo de salinização do solo, e na razão de adsorção de sódio (RAS), como indicadora do perigo de alcalinização ou sodificação do solo.

a) Perigo de salinização - As águas são divididas em quatro classes, segundo sua condutividade elétrica (CE), ou seja, de acordo com a sua concentração total de sais solúveis:

• Cl - Água com salinidade baixa (CE entre O e 0,25 dS/m, a 25 ºC)

Pode ser usada para irrigação da maioria das culturas e solos, com pouca probabilidade de ocasionar salinidade. Alguma lixiviação é necessária, mas isso ocorre nas práticas normais de irrigação, à exceção dos solos com pem1eabilidade extremamente baixa.

• C2 - Água com salinidade média (CE entre 0,25 e 0,75 dS/m, a 25 ºC)

Pode ser utilizada sempre que houver grau moderado de lixiviação. Plantas com moderada tolerância aos sais podem ser cultivadas, na maioria dos casos, sem práticas especiais de controle da salinidade.

• C3 - Água com salinidade alta (CE entre 0,75 e 2,25 dS/m, a 25 ºC)

Não pode ser empregada em solos com deficiência de drenagem. Mesmo naqueles com drenagem adequada, às vezes são necessárias práticas especiais para o controle da salinidade. Pode ser usada somente em plantas com boa tolerância aos sais.

• C4 - Água com salinidade muito alta (CE entre 2,25 e 5,00 dS/m, a 25 ºC)

Não é apropriada para irrigações sob condições normais, mas pode ser usada, ocasionalmente, em circunstâncias muito especiais. Os solos deverão ser muito permeáveis e com drenagem adequada, devendo ser aplicado excesso de água nas irrigações para ter boa lixiviação. A água somente deve ser usada em culturas tolerantes aos sais.

b) Perigo de alcalinização ou sodificação - As águas são divididas em quatro classes, segundo sua razão de adsorção de sódio (RAS), ou seja, em virtude do efeito do sódio trocável, nas condições tisicas do solo:

• S1 - Água com baixa concentração de sódio

(RAS ≤ 32,19 - 4,44 log CE)

Pode ser usada para irrigação em quase todos os tipos de solo, com pequena possibilidade de alcançar níveis indesejáveis de sódio trocável.

• S2 - Água com concentração média de sódio

(32, 19 - 4,44 log CE < RAS ≤ 51,29 - 6,66 log CE)

Só pode ser utilizada em solos de textura grossa ou em solos orgânicos com boa permeabilidade. Apresenta perigo de sodificação considerável em solos de textura fina, com grande capacidade de troca catiônica, especialmente sob baixa condição de lixiviação, a menos que haja gesso no solo.

• S3 - Água com alta concentração de sódio

(51,29 - 6,66 log CE < RAS ≤ 70,36 - 8,87 log CE)

Pode produzir níveis maléficos de sódio trocável na maioria dos solos e requer práticas especiais de manejo, boa drenagem, alta lixiviação e adição de matéria orgânica. Em solos com muito gesso, a água pode não desenvolver níveis maléficos de sódio trocável, além de requerer o uso de corretivos químicos para substituir o sódio trocável exceto no caso de apresentar salinidade muito alta, quando este uso não seria viável. '

• S4 - Água com alta concentração de sódio

(RAS > 70,36 - 8,87 log CE)

É geralmente imprópria para irrigação, exceto quando sua salinidade for baixa ou, em alguns casos, média, e a concentração de cálcio do solo ou O uso de gesso e outros corretivos tornarem o uso desta água viável.

Algumas vezes, a água de irrigação pode dissolver suficiente quantidade de cálcio de solos calcários, diminuindo assim, apreciavelmente, o perigo de sodificação, o que deve ser levado em conta no uso de águas Cl-S3 e Cl-S4. Para solos calcários com pH alto ou para solos não calcários, o nível de sódio nas águas das classes Cl-S3 e Cl-S4 pode ser melhorado com a adição de gesso. Também poderá ser benéfico quando se usarem águas das classes C2-S3 e C3-S2, adicionando, periodicamente, gesso ao solo.

c) Efeito da concentração de boro - O boro é um elemento essencial para o crescimento dos vegetais, mas a quantidade requerida é pequena, pois, em concentrações um pouco maiores, é muito tóxico para alguns vegetais. O nível de concentração que o toma tóxico varia de acordo com a espécie. O nível que é tóxico para uma planta sensível, por exemplo, limão, pode ser o ideal para uma planta tolerante, como a alfafa. Em virtude dessa variação de espécie para espécie, a água para irrigação tem de ser classificada em classes distintas, segundo a sensibilidade da cultura a ser irrigada.

d) Efeito da concentração de bicarbonato - Nas águas que contêm concentrações elevadas de íons de bicarbonato, há tendência de ocorrer precipitação do cálcio e do magnésio. sob a forma de carbonatos, reduzindo, assim, a concentração de cálcio e magnésio na solução do solo e, consequentemente, aumentando a proporção de sódio.

Segundo Eaton, a água para irrigação pode ser classificada de acordo com a concentração de "Carbonato de Sódio Residual" (CSR), determinada por:

CSR = (CO-3 + HCO-3) – (Ca++ + Mg++)

Água não recomendada para irrigação - CSR superior a 2,5 miliequivalentes lentes por litro.

Água recomendada com restrição - CSR entre 1,25 e 2,5 miliequivalentes por litro.

Água recomendada para irrigação - CSR inferior a 1,25 miliequivalente por litro.

Acredita-se que com bom manejo da irrigação, no que diz respeito à drenagem e lixiviação, e com uso apropriado de corretivos, é possível usar, com sucesso, na irrigação algumas das águas classificadas como "duvidosas".

2. Classificação proposta por Ayers e Westcot

A classificação proposta por Ayers e Westcot (1985) também baseia-se em quatro áreas-problema, ou seja, salinidade, infiltração, toxicidade e diversos.

a) Problemas de salinidade - Estão associados com a quantidade total de sais solúveis na água para irrigação. A salinidade é medida e expressa por meio da condutividade elétrica da água de irrigação.

b) Problemas de infiltração - O decréscimo da capacidade de infiltração do solo está normalmente associado com as águas de irrigação com elevada concentração de sódio em relação à de cálcio e/ou com baixo nível de sais solúveis, ou seja, com a combinação entre a razão de adsorção de sódio (RAS) e a condutividade elétrica da água de irrigação.

c) Problema de toxicidade - Certos elementos, mesmo em concentrações baixas, têm efeitos tóxicos para os vegetais. Os íons de cloro, sódio e boro são, por exemplo, os principais causadores de toxidez entre os elementos comumente encontrados nas águas de irrigação.

d) Problemas diversos - O excesso de nitrogênio, de bicarbonato e de magnésio, bem como o pH anormal na água de irrigação, pode causar sérios problemas às culturas, como crescimento excessivo, maturação tardia, tombamento do vegetal, produção reduzida e de má qualidade e até mesmo desbalanço nutricional. Afora estes problemas, há ainda os relacionados com as doenças transmissíveis pela água de irrigação.

Na Tabela 3.4 são mostradas algumas diretrizes para interpretação da qualidade da água para irrigação.

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Fonte

BERNARDO, Salassier; MANTOVANI, Everardo Chartuni; DA SILVA, Demetrius David; SOARES, Antonio Alves. Manual de Irrigação. 9ª ed. Viçosa - MG: UFV, 2019.

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