Cigarrinha-do-arroz: novas variedades resistentes ajudam no controle
Até pouco tempo, a cigarrinha-do-arroz não era considerada uma ameaça relevante no Brasil
A cigarrinha-do-arroz, também conhecida como sogata (*Tagosodes orizicolus*), é um inseto minúsculo — do tamanho da cabeça de um alfinete (2 a 3 mm) — que vem preocupando produtores de arroz no Brasil. Suas populações podem crescer rapidamente e causar perdas severas, que chegam a 100% em ataques intensos, tanto em sistemas irrigados quanto em terras altas.
A praga se alimenta sugando a seiva das folhas, colmos e panículas, provocando secamento, amarelecimento e morte das plantas. Além disso, elimina uma substância rica em açúcar que favorece o crescimento de um fungo chamado fumagina — estruturas pretas sobre as folhas que reduzem a área de fotossíntese e comprometem o desenvolvimento da lavoura.
Até pouco tempo, a cigarrinha-do-arroz não era considerada uma ameaça relevante no Brasil. Mas, a partir de 2018, houve relatos em lavouras irrigadas de Santa Catarina e, em 2020, em outras regiões, como o Vale do Paraíba (SP). O pesquisador José Alexandre Barrigossi, da Embrapa Arroz e Feijão, explica que os surtos podem estar ligados a verões mais secos e quentes (que favorecem a reprodução) ou ao uso de inseticidas que eliminam os inimigos naturais da praga.
Um agravante: não há inseticidas registrados no Mapa especificamente para o controle da cigarrinha-do-arroz, o que torna o manejo integrado ainda mais importante.
Variedades resistentes: uma ferramenta disponível
Pesquisadores da Embrapa Arroz e Feijão (GO) identificaram dois materiais com resistência à sogata que podem auxiliar os produtores no manejo da praga:
- BRS A705: cultivar lançada em 2022, com boa resistência.
- BGA 6914: genótipo armazenado no Banco Ativo de Germoplasma do centro de pesquisa.
Os testes foram realizados em laboratório e casa telada, avaliando a preferência alimentar do inseto e os efeitos negativos sobre seu desenvolvimento e sobrevivência. Ambos os materiais foram os menos preferidos pela praga e os que mais interferiram na sua reprodução.
"A identificação dessas fontes de resistência é um importante passo para apoiar o controle da cigarrinha-do-arroz. Mesmo que uma cultivar não seja totalmente resistente, ela pode ser combinada a outros métodos de controle e diminuir consideravelmente a necessidade de aplicação de inseticidas", destaca Barrigossi.
O que significa para o produtor
O uso de variedades resistentes é uma peça fundamental do manejo integrado de pragas (MIP). Combinar plantas mais tolerantes com monitoramento, controle biológico e, quando necessário, produtos químicos registrados é o caminho mais sustentável e eficaz.
Além disso, a cigarrinha-do-arroz não ataca apenas o arroz. Ela também pode se desenvolver em outras gramíneas, como aveia, trigo, cevada, centeio e sorgo. Por isso, o monitoramento deve incluir áreas vizinhas e plantas hospedeiras alternativas.
🔧 Orientações:
1. Monitore as bordas da lavoura: os adultos chegam voando de áreas vizinhas e se instalam inicialmente nas bordas. Faça inspeções regulares, especialmente no verão, a partir do perfilhamento do arroz.
2. Considere as variedades resistentes: converse com seu assistente técnico sobre a BRS A705 e a possibilidade de incorporá-la ao seu sistema. A resistência genética reduz a dependência de inseticidas e o custo de produção.
3. Invista no manejo integrado: combine variedades resistentes com controle biológico (inimigos naturais), monitoramento de populações e rotação de culturas. Evite o uso excessivo de inseticidas, que eliminam os predadores naturais da praga.
4. Fique de olho em outras gramíneas: a sogata pode se desenvolver em trigo, aveia, cevada, centeio e sorgo. Se você cultiva essas espécies, mantenha a atenção redobrada.
5. Acompanhe as pesquisas: a Embrapa segue desenvolvendo novos materiais e sistemas de monitoramento. Participar de dias de campo e eventos técnicos pode antecipar soluções para sua propriedade.
Fonte: Embrapa.