Cálculo de Calagem
Por que a Acidez do Solo e um Problema?
A acidez do solo e um dos principais fatores limitantes da produção agrícola no Brasil. Estimativas indicam que mais de 60% dos solos agricultáveis do pais apresentam algum grau de acidez, com pH abaixo de 5,5 — condição em que nutrientes essenciais ficam indisponíveis e o alumínio assume formas toxicas as plantas.
Nesse contexto, a calagem surge como a pratica corretiva fundamental: ela eleva o pH, neutraliza o alumínio toxico, aumenta a disponibilidade de cálcio e magnésio, estimula a atividade microbiológica e, consequentemente, melhora a eficiência de toda a adubação realizada.
Este artigo apresenta, de forma técnica e didática, o que e a calagem, como calcular a necessidade de calagem pelos principais métodos utilizados no Brasil, como interpretar os resultados e como converter as doses para as diferentes situações de campo: área total, faixas, metro linear e cova de plantio.
O que é Calagem?
Calagem e a aplicação de corretivos de acidez ao solo — principalmente calcário agrícola (CaCO3 e MgCO3) — com o objetivo de:
- Elevar o pH do solo para a faixa adequada a cultura (geralmente entre 5,5 e 6,5)
- Neutralizar o alumínio trocável (Al3+), que e toxico as raízes das plantas
- Elevar os teores de cálcio (Ca2+) e magnésio (Mg2+) no complexo de troca
- Aumentar a saturacao por bases (V%) do solo
- Melhorar a disponibilidade de macro e micronutrientes
- Estimular a atividade de microrganismos benéficos do solo
O calcário age ao se dissociar em íons Ca2+, Mg2+ e CO32-. O íon carbonato reage com o H+ da solução do solo, formando H2O e CO2, o que eleva o pH. Com o pH mais alto, o Al3+ solubilizado precipita na forma de Al(OH)3, deixando de ser toxico as plantas.
| Reação Simplificada da Calagem no Solo |
| CaCO3 + 2H+ => Ca2+ + H2O + CO2 Al3+ (toxico) + OH- => Al(OH)3 (precipitado, não toxico) Com a elevação do pH, nutrientes como P, Mo e B ficam mais disponíveis, enquanto a toxicidade de Mn e Fe e reduzida. |
Interpretação do pH e Características do Solo
A tabela abaixo resume as prováveis características do solo em função do pH em agua, fundamental para orientar a decisão de calagem:
| pH em agua | Classificação | Características Prováveis |
| < 4,5 | Acidez muito elevada | Al3+ muito alto, Ca e Mg muito baixos, risco severo de toxidez |
| 4,5 – 5,0 | Acidez elevada | Al3+ alto, V% muito baixo, P indisponível, baixa atividade microbiana |
| 5,1 – 5,5 | Acidez media | Al3+ presente, calagem necessária para a maioria das culturas |
| 5,5 – 6,0 | Acidez fraca | Al3+ ausente, boa disponibilidade da maioria dos nutrientes |
| 6,0 – 6,5 | Faixa ideal | pH ótimo para a maioria das culturas agrícolas |
| > 6,5 | Alcalinidade | Queda na disponibilidade de Zn, Cu, Fe e Mn; risco de supercalagem |
Parâmetros Essenciais da Análise de Solo para Calagem
Antes de calcular a necessidade de calagem (NC), e preciso compreender os parâmetros fornecidos pelo laudo de analise química do solo. Todos os valores de cátions trocáveis devem estar expressos em cmolc/dm3 (equivalente a meq/100 cm3).
| Parâmetro | Símbolo | Unidade | O que representa |
| Alumínio trocável | Al3+ | cmolc/dm3 | Acidez trocável; toxico as raízes acima de 0,3 cmolc/dm3 |
| Calcio trocável | Ca2+ | cmolc/dm3 | Nutriente essencial; indicador de fertilidade básica |
| Magnésio trocável | Mg2+ | cmolc/dm3 | Nutriente essencial; compõe a clorofila |
| Potássio disponível | K+ | mg/dm3 | Convertido para cmolc/dm3 dividindo por 391 |
| Acidez potencial | H+Al | cmolc/dm3 | Soma da acidez ativa e reserva; base do calculo da CTC |
| Soma de bases | SB | cmolc/dm3 | SB = Ca + Mg + K + Na; bases retidas no complexo |
| CTC total (pH 7) | T | cmolc/dm3 | T = SB + H+Al; capacidade total de troca de cátions |
| CTC efetiva | t | cmolc/dm3 | t = SB + Al3+; CTC no pH natural do solo |
| Saturação por bases | V% | % | V = (SB/T) x 100; indica fertilidade relativa |
| Saturação por Al | m% | % | m = (Al/t) x 100; indica toxicidade por alumínio |
Cálculos dos Parâmetros Derivados
Com os valores da analise, calculam-se os parâmetros derivados necessários para a calagem. O K+ e fornecido em mg/dm3 e precisa ser convertido para cmolc/dm3:
| Fórmulas dos Parâmetros de Análise de Solo |
| K (cmolc/dm3) = K (mg/dm3) / 391 SB = Ca2+ + Mg2+ + K+ + Na+ T = SB + (H+Al) t = SB + Al3+ V% = (SB / T) x 100 [%] m% = (Al3+ / t) x 100 [%] |
Exemplo — Cálculo dos Parâmetros
Dados da analise (referencia do Manual do Incaper / Prezotti et al., 2007):
| Parâmetro | Valor Analítico | Unidade |
| pH em agua | 5,1 | — |
| Al3+ | 1,1 | cmolc/dm3 |
| H+Al | 5,1 | cmolc/dm3 |
| Ca2+ | 1,2 | cmolc/dm3 |
| Mg2+ | 0,6 | cmolc/dm3 |
| K+ | 73 | mg/dm3 |
| Matéria orgânica | 1,9 | dag/kg |
| Calculo dos Parametros Derivados |
| K (cmolc/dm3) = 73 / 391 = 0,187 cmolc/dm3 SB = 1,2 + 0,6 + 0,187 = 2,0 cmolc/dm3 T = 2,0 + 5,1 = 7,1 cmolc/dm3 t = 2,0 + 1,1 = 3,1 cmolc/dm3 V% = (2,0 / 7,1) x 100 = 28,2 % => BAIXO (< 50%) m% = (1,1 / 3,1) x 100 = 35,5 % => MEDIO (risco moderado) |
Métodos de Calculo da Necessidade de Calagem (NC)
A Necessidade de Calagem (NC) e a quantidade teórica de calcário com PRNT = 100% que deve ser incorporada por hectare, na camada de 0 a 20 cm, para corrigir a acidez do solo. Os dois métodos mais utilizados no Brasil são: Método da Saturação por Bases e Método do Alumínio + Ca/Mg trocáveis.
Veja também: PRNT do Calcário: O Que É e Por Que Importa na Calagem?
Método 1 — Saturação por Bases (V%)
E o método mais amplamente utilizado no Estado do Espirito Santo (5a aproximação — Prezotti et al., 2007) e também adotado em Minas Gerais e São Paulo. Baseia-se na elevação da saturação por bases atual do solo (V1) ate o valor exigido pela cultura (V2).
| Formula — Metodo da Saturacao por Bases |
| NC = (V2 - V1) x T / 100 Onde: NC = Necessidade de calagem (t/ha de calcário PRNT 100%) V2 = Saturação por bases desejada pela cultura (%) V1 = Saturação por bases atual do solo (%) T = CTC total a pH 7 (cmolc/dm3) |
Valores de V2 recomendados por cultura
| Grupo de Cultura | V2 (%) | Exemplos |
| Hortalicas exigentes | 75 – 80 | Tomate, pimentão, morango, melão, pepino |
| Hortalicas em geral | 70 – 75 | Alface, brócolis, cebola, cenoura, batata |
| Fruticulturas tropicais | 65 – 70 | Citros, banana, mamão, maracujá, goiaba |
| Café arabica | 60 – 65 | - |
| Café conilon | 55 – 65 | - |
| Culturas anuais | 55 – 60 | Milho, feijão, soja, sorgo, trigo |
| Arroz de sequeiro | 50 | - |
| Pastagens tropicais | 40 – 50 | Brachiaria, Panicum, Andropogon |
| Especies florestais | 40 – 50 | Eucalipto em produção |
| Plantio de eucalipto | 30 | Eucalipto — ano de implantação |
Exemplo Completo — Método Saturação por Bases
Utilizando os dados de analise do item 3.1 (V1 = 28,2% e T = 7,1 cmolc/dm3) para a cultura do feijão (V2 = 60%):
| Calculo — Feijao, V2 = 60% |
| NC = (V2 - V1) x T / 100 NC = (60 - 28,2) x 7,1 / 100 NC = 31,8 x 7,1 / 100 NC = 225,78 / 100 => NC = 2,26 t/ha (calcário PRNT 100%) |
Para tomate (V2 = 70%):
| Calculo — Tomate, V2 = 70% |
| NC = (70 - 28,2) x 7,1 / 100 NC = 41,8 x 7,1 / 100 => NC = 2,97 t/ha (calcario PRNT 100%) |

Método 2 — Alumínio + Calcio e Magnésio Trocáveis
Método adotado em Minas Gerais (CFSEMG, 5a Aproximação, 1999). Leva em conta simultaneamente: (a) a correção da toxicidade pelo alumínio e (b) a elevação dos teores de Ca + Mg ate o mínimo exigido pela cultura. A NC e a soma de duas parcelas: CA (correção do alumínio) e CD (correção da deficiência de Ca+Mg).
| Formula — Metodo do Aluminio + Ca/Mg (CFSEMG) |
| NC = CA + CD CA = Y x se CA < 0, usar CA = 0 CD = X - (Ca2+ + Mg2+) se CD < 0, usar CD = 0 Onde: Y = Fator de tamponamento da acidez (função da textura ou P-rem) mt = Máxima saturação por Al3+ tolerada pela cultura (%) t = CTC efetiva (cmolc/dm3) X = Teor mínimo de Ca+Mg exigido pela cultura (cmolc/dm3) |
Fator Y de Tamponamento por Textura do Solo
| Textura do Solo | Argila (%) | Fator Y |
| Arenosa | 0 – 15 | 0,0 a 1,0 (media: 0,5) |
| Textura média | 15 – 35 | 1,0 a 2,0 (media: 1,5) |
| Argilosa | 35 – 60 | 2,0 a 3,0 (media: 2,5) |
| Muito argilosa | 60 – 100 | 3,0 a 4,0 (media: 3,5) |
Valores de mt e X para as principais culturas (CFSEMG)
| Cultura | mt (%) | X (cmolc/dm3) | Ve (%) |
| Café arabica | 25 | 3,5 | 60 |
| Milho / Sorgo | 15 | 2,0 | 50 |
| Feijao / Soja | 20 | 2,0 | 50 |
| Arroz sequeiro | 25 | 2,0 | 50 |
| Cana-de-açúcar | 30 | 3,5 | 60 |
| Mandioca | 30 | 1,0 | 40 |
| Eucalipto (produção) | 30 | 1,5 | 40 |
| Plantio de eucalipto | 45 | 1,0 | 30 |
| Hortaliças (pepino, melão) | 5 | 3,5 | 80 |
| Hortaliças em geral | 5 | 3,0 | 70 |
| Banana | 10 | 3,0 | 70 |
| Citros | 5 | 3,0 | 70 |
| Pastagens (Brachiaria) | 30 | 1,0 | 40 |
| Pastagens (Panicum) | 25 | 1,5 | 45 |
Exemplo Completo — Método Al3+ + Ca/Mg (CFSEMG)
Mesma analise do item 3.1 para a cultura do café arábica (mt = 25%, X = 3,5, Y = 2,5 para solo argiloso):
| Calculo — Café arábica, Solo Argiloso |
| Dados: Al3+ = 1,1 | t = 3,1 | Ca+Mg = 1,8 | mt = 25% | X = 3,5 | Y = 2,5 CA = Y x CA = 2,5 x [1,1 - (25 x 3,1 / 100)] CA = 2,5 x [1,1 - 0,775] CA = 2,5 x 0,325 = 0,81 t/ha CD = X - (Ca2+ + Mg2+) CD = 3,5 - 1,8 = 1,70 t/ha => NC = CA + CD = 0,81 + 1,70 = 2,51 t/ha (PRNT 100%) |
| Dica: Qual metodo utilizar? |
| No Estado do Espirito Santo: use o Método da Saturação por Bases (Prezotti et al., 2007). Em Minas Gerais: use o Método do Al3+ + Ca/Mg (CFSEMG, 1999). Em São Paulo: o método e baseado em saturação por bases, com extrator Resina. Sempre consulte o manual de recomendação do seu estado — os fatores de calibração foram desenvolvidos com experimentos locais e não devem ser trocados entre estados. |
Da NC para a QC: Ajustes de PRNT, Profundidade e Superfície
A NC calculada corresponde a calcário com PRNT = 100%, incorporado em 20 cm de profundidade, em área total (100% da superfície). Na pratica, e necessário ajustar a dose conforme o PRNT do calcário utilizado, a profundidade real de incorporação e a fração da área que será corrigida.
| Formula Geral da Quantidade de Calcario (QC) |
| QC = NC x (100 / PRNT) x (PF / 20) x (SC / 100) Onde: NC = Necessidade de calagem (t/ha, PRNT 100%) PRNT = Poder Relativo de Neutralização Total do calcário (%) PF = Profundidade efetiva de incorporação (cm) SC = Superfície coberta pela calagem (%) 20 = Profundidade padrao de calculo (cm) |
Correção pelo PRNT do Calcário
O PRNT combina o Poder de Neutralização (PN) com a Reatividade (RE) do calcário:
| Grupo PRNT | Faixa de PRNT (%) | Caracteristica |
| Grupo A | 45 – 60% | Calcario de baixa reatividade — doses maiores necessarias |
| Grupo B | 60,1 – 75% | Calcario de reatividade media |
| Grupo C | 75,1 – 90% | Calcario de boa reatividade |
| Grupo D | > 90% | Calcario de alta reatividade — doses menores |
| Exemplo: Ajuste pelo PRNT |
| NC calculada = 2,26 t/ha (PRNT 100%) Calcário disponível: PRNT = 85% QC = 2,26 x (100 / 85) = 2,26 x 1,176 = 2,66 t/ha |

Conversão da QC para Diferentes Situações de Campo
A dose calculada em t/ha pressupoe area total e incorporacao a 20 cm. Nas situacoes praticas, e frequente a necessidade de converter para: area com superficie parcial (faixas), aplicacao superficial sem incorporacao, metro linear de sulco ou cova de plantio.
Aplicação em Área Total com Incorporação (padrão)
Quando o calcário e distribuído a lanço sobre toda a superfície e incorporado com arado/grade ate a profundidade padrão de 20 cm, a QC calculada e diretamente a dose a aplicar. E a situação mais comum no preparo de solo para implantação de culturas anuais.
| Aplicacao em Area Total — Incorporacao 20 cm |
| QC (t/ha) = NC x (100 / PRNT) Exemplo: NC = 2,66 t/ha, PRNT = 85% QC = 2,26 x (100/85) = 2,66 t/ha Em g/m2: QC (g/m2) = QC (t/ha) x 100 2,66 t/ha = 266 g/m2 |
Aplicação Superficial sem Incorporação
Em áreas já implantadas com pastagens ou culturas perenes, o calcário e aplicado na superfície sem incorporação mecânica. Nesse caso, a profundidade efetiva de correção e reduzida a aproximadamente 10 cm (metade da profundidade padrão). A dose deve ser reduzida proporcionalmente.
| Aplicacao Superficial — Sem Incorporacao (PF = 10 cm) |
| QC sup = NC x (100 / PRNT) x (10 / 20) QC sup = QC total / 2 Exemplo: QC total = 2,66 t/ha QC sup = 2,66 / 2 = 1,33 t/ha Observação: a correção e mais lenta e deve ser repetida em intervalos menores. |
Aplicação em Faixas (Culturas Perenes)
Em culturas perenes implantadas — como café, citros, banana — o calcário e aplicado apenas sob a copa das plantas (faixa de adubação), não em toda a entrelinha. Nesse caso, a superfície corrigida e proporcional a largura da faixa em relação ao espaçamento total.
| Aplicacao em Faixas |
| SC (%) = (largura da faixa / espaçamento entre linhas) x 100 QC faixa = NC x (100/PRNT) x (PF/20) x (SC/100) Exemplo: Café com espaçamento 3,0 x 1,0 m Faixa de aplicacao: 1,5 m de largura (sob a copa) SC = (1,5 / 3,0) x 100 = 50% QC faixa = 2,26 x (100/85) x (7/20) x (50/100) QC faixa = 2,26 x 1,176 x 0,35 x 0,50 = 0,46 t/ha Observaão: na faixa, a dose por m2 continua sendo 266 g/m2. A reducão e na quantidade total por hectare, não na densidade da faixa. |
Exemplos de QC para diferentes frações de superfície (NC = 3 t/ha, PRNT = 90%)
| Superfície Corrigida (SC) | Situação Típica | QC (t/ha) |
| 100% | Área total, incorporado a 20 cm | 3,33 |
| 100% | Área total, superficial (PF = 10 cm) | 1,67 |
| 75% | Faixa sob copa, incorporado (café adensado) | 2,50 |
| 50% | Faixa sob copa, superficial (café 3x1 m) | 0,83 |
| 33% | Faixa sob copa, superficial (café 4x2 m) | 0,56 |
Conversão para Metro Linear de Sulco
Na adubacao de sulco de plantio (milho, soja, cana, hortaliças), e comum expressar as quantidades em gramas por metro linear de sulco. A conversao e feita com base no espacamento entre linhas.
| Conversao para Metro Linear |
| Dose (g/m) = QC (kg/ha) x espaçamento entre linhas (m) / 10 Ou equivalentemente: Dose (g/m) = / [10.000 m2/ha / espaçamento (m)] = QC (kg/ha) x espaçamento (m) / 10 Exemplo 1: QC = 3,0 t/ha = 3.000 kg/ha, espaçamento = 0,90 m Dose = 3.000 x 0,90 / 10 = 270 g/m de sulco Exemplo 2: QC = 2,0 t/ha, espaçamento = 0,50 m Dose = 2.000 x 0,50 / 10 = 100 g/m de sulco |
Conversão de QC (t/ha) para g/m linear conforme espaçamento
| QC (t/ha) \ Espacamento | 0,45 m | 0,60 m | 0,75 m | 0,90 m | 1,00 m | 1,20 m |
| 1,0 t/ha | 45 g/m | 60 g/m | 75 g/m | 90 g/m | 100 g/m | 120 g/m |
| 1,5 t/ha | 68 g/m | 90 g/m | 113 g/m | 135 g/m | 150 g/m | 180 g/m |
| 2,0 t/ha | 90 g/m | 120 g/m | 150 g/m | 180 g/m | 200 g/m | 240 g/m |
| 2,5 t/ha | 113 g/m | 150 g/m | 188 g/m | 225 g/m | 250 g/m | 300 g/m |
| 3,0 t/ha | 135 g/m | 180 g/m | 225 g/m | 270 g/m | 300 g/m | 360 g/m |
| 3,5 t/ha | 158 g/m | 210 g/m | 263 g/m | 315 g/m | 350 g/m | 420 g/m |
| 4,0 t/ha | 180 g/m | 240 g/m | 300 g/m | 360 g/m | 400 g/m | 480 g/m |
| 5,0 t/ha | 225 g/m | 300 g/m | 375 g/m | 450 g/m | 500 g/m | 600 g/m |
Conversão para Cova de Plantio
No plantio de mudas de fruteiras, café, eucalipto e outras culturas perenes, o calcário complementar e aplicado diretamente na cova, misturado ao solo de enchimento. O calculo e feito por regra de três simples, com base no volume da cova em relação ao volume de solo de 1 ha (0-20 cm):
| Calculo para Cova de Plantio |
| Volume de 1 ha (0-20 cm) = 10.000 m2 x 0,20 m = 2.000 m3 = 2.000.000 dm3 Dose por cova (g) = QC (t/ha) x 1.000.000 / 2.000.000 x Volume da cova (dm3) = QC (t/ha) x Volume da cova (dm3) / 2 Ou simplificado: Dose (g/cova) = QC (kg/ha) x Volume da cova (dm3) / 2.000 Exemplo: Cova de café 40x40x40 cm = 64 dm3, QC = 3,3 t/ha (PRNT 90%) Dose (g/cova) = 3.300 kg/ha x 64 dm3 / 2.000 = 105,6 g/cova Arredondando: ~100 g/cova de calcário (PRNT 90%) |
Dose de calcário por cova para diferentes volumes e QC
| Volume da Cova | QC 1,0 t/ha | QC 2,0 t/ha | QC 3,0 t/ha | QC 4,0 t/ha | QC 5,0 t/ha |
| 20x20x20 cm (8 dm3) | 4 g | 8 g | 12 g | 16 g | 20 g |
| 30x30x30 cm (27 dm3) | 14 g | 27 g | 41 g | 54 g | 68 g |
| 40x40x40 cm (64 dm3) | 32 g | 64 g | 96 g | 128 g | 160 g |
| 50x50x50 cm (125 dm3) | 63 g | 125 g | 188 g | 250 g | 313 g |
| 60x60x60 cm (216 dm3) | 108 g | 216 g | 324 g | 432 g | 540 g |
QC em Todas as Situações
A tabela abaixo consolida todos os cenários de aplicação para um exemplo fixo: NC = 3,0 t/ha (PRNT 100%), PRNT do calcário disponível = 85%, profundidade de incorporação variável.
| Situação de Aplicação | SC (%) | PF (cm) | QC (t/ha) | QC (g/m2) |
| Área total — incorporado 20 cm | 100 | 20 | 3,53 | 353 |
| Área total — incorporado 15 cm | 100 | 15 | 2,65 | 265 |
| Área total — superficial (10 cm) | 100 | 10 | 1,76 | 176 |
| Faixas 75% — incorporado 20 cm | 75 | 20 | 2,65 | 353 na faixa |
| Faixas 50% — superficial | 50 | 10 | 0,88 | 176 na faixa |
| Faixas 33% — superficial | 33 | 10 | 0,58 | 176 na faixa |
Gessagem: Correção das Camadas Subsuperficiais
O gesso agrícola (CaSO4.2H2O) e indicado quando as camadas subsuperficiais (20-40 cm) apresentam limitações ao desenvolvimento radicular não corrigíveis pelo calcário convencional. O calcário e praticamente imóvel no solo após a aplicação, enquanto o SO42- do gesso consegue deslocar bases para camadas mais profundas.
| Quando recomendar gessagem? |
| Recomenda-se gessagem quando a analise da camada 20-40 cm apresentar QUALQUER das condições abaixo: - Al3+ > 0,5 cmolc/dm3 (acidez toxica subsuperficial) - Ca2+ < 0,4 cmolc/dm3 (deficiência critica de cálcio) - Saturacao por Al (m) > 30% Especial atenção em solos arenosos, que tem maior risco de lixiviação de bases. |
Calculo da Dose de Gesso
Metodo CFSEMG (1999) — baseado na NC da camada subsuperficial:
| Dose de Gesso Agricola |
| NG = 0,25 x NC(20-40 cm) Para camadas com espessura diferente de 20 cm: QG = NG x (EC / 20) Onde: EC = espessura da camada a corrigir (cm) Exemplo: NC (20-40 cm) = 4,8 t/ha => NG = 0,25 x 4,8 = 1,2 t/ha Para camada de 30 cm: QG = 1,2 x (30/20) = 1,8 t/ha de gesso Método simples por textura (INCAPER): NG = 30% x NC(20-40 cm) |
Veja também: Como a Gessagem Pode Melhorar a Estrutura Física do Solo?
Tipos de Calcário e como Escolher
Os calcários agrícolas se diferenciam pelo teor de Ca e Mg (composição química), pelo PRNT (eficiência de neutralização) e pela granulometria (velocidade de reação). A escolha deve considerar: disponibilidade local, custo por tonelada efetiva e exigência da cultura por magnésio.
| Tipo de Calcario | MgO (%) | Caracteristica Principal | Indicado para |
| Calcario calcítico | < 5% | Rico em Ca; pouco Mg; mais comum | Solos com Mg adequado |
| Calcario magnesiano | 5 – 12% | Equilibrio Ca/Mg; uso geral | Uso geral, maioria das culturas |
| Calcario dolomitico | > 12% | Rico em Mg; ideal quando Mg e deficiente | Culturas exigentes em Mg (tomate, caju, banana) |
O custo real do calcário deve ser comparado pelo preço por tonelada efetiva:
| Preco por Tonelada Efetiva (comparacao entre fontes) |
| Preço/t efetiva = (Preço na propriedade / PRNT) x 100 Exemplo: Calcário A: R$ 120/t, PRNT = 70% => R$ 171/t efetiva Calcário B: R$ 160/t, PRNT = 92% => R$ 174/t efetiva => Calcário A e mais econômico, apesar do preço bruto menor |
Erros Comuns na Calagem e Como Evitar
| Erro Comum | Consequencia | Como Evitar |
| Supercalagem (pH > 7,0) | Precipitação de P, Zn, Fe, Mn, Cu; queda de produtividade | Calcular NC corretamente; não adivinhar a dose |
| Aplicar sem incorporar | Correção superficial lenta; risco de volatilização | Incorporar com grade ou arado antes do plantio |
| Calcário aplicado perto de ureia | Volatilização de NH3; perda de N > 50% | Aguardar 30-60 dias após a calagem para adubar com N |
| Ignorar o PRNT | Dose insuficiente; desperdício de dinheiro | Sempre corrigir a dose pelo PRNT do calcário |
| Não coletar amostra corretamente | Resultado errado; recomendação equivocada | Seguir normas de amostragem (0-20 cm, zig-zag, 20 pontos) |
| Calagem apenas superficial em perene | Raízes não aprofundam; seca severa mais impactante | Complementar com gessagem quando houver Al > 0,5 no subsolo |

Referências
COMISSAO DE FERTILIDADE DO SOLO DO ESTADO DE MINAS GERAIS — CFSEMG. Recomendacoes para o Uso de Corretivos e Fertilizantes em Minas Gerais. 5a Aproximacao. Vicosa: CFSEMG, 1999. 359 p.
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