Agricultura

Cálculo de Calagem

Daniel Vilar
Especialista
17 min de leitura
Cálculo de Calagem
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Por que a Acidez do Solo e um Problema?

A acidez do solo e um dos principais fatores limitantes da produção agrícola no Brasil. Estimativas indicam que mais de 60% dos solos agricultáveis do pais apresentam algum grau de acidez, com pH abaixo de 5,5 — condição em que nutrientes essenciais ficam indisponíveis e o alumínio assume formas toxicas as plantas.

Nesse contexto, a calagem surge como a pratica corretiva fundamental: ela eleva o pH, neutraliza o alumínio toxico, aumenta a disponibilidade de cálcio e magnésio, estimula a atividade microbiológica e, consequentemente, melhora a eficiência de toda a adubação realizada.

Este artigo apresenta, de forma técnica e didática, o que e a calagem, como calcular a necessidade de calagem pelos principais métodos utilizados no Brasil, como interpretar os resultados e como converter as doses para as diferentes situações de campo: área total, faixas, metro linear e cova de plantio.

O que é Calagem?

Calagem e a aplicação de corretivos de acidez ao solo — principalmente calcário agrícola (CaCO3 e MgCO3) — com o objetivo de:

  • Elevar o pH do solo para a faixa adequada a cultura (geralmente entre 5,5 e 6,5)
  • Neutralizar o alumínio trocável (Al3+), que e toxico as raízes das plantas
  • Elevar os teores de cálcio (Ca2+) e magnésio (Mg2+) no complexo de troca
  • Aumentar a saturacao por bases (V%) do solo
  • Melhorar a disponibilidade de macro e micronutrientes
  • Estimular a atividade de microrganismos benéficos do solo

O calcário age ao se dissociar em íons Ca2+, Mg2+ e CO32-. O íon carbonato reage com o H+ da solução do solo, formando H2O e CO2, o que eleva o pH. Com o pH mais alto, o Al3+ solubilizado precipita na forma de Al(OH)3, deixando de ser toxico as plantas.

Reação Simplificada da Calagem no Solo
CaCO3  +  2H+  =>  Ca2+  +  H2O  +  CO2  
Al3+ (toxico)  +  OH-  =>  Al(OH)3 (precipitado, não toxico)  
Com a elevação do pH, nutrientes como P, Mo e B ficam mais disponíveis, enquanto a toxicidade de Mn e Fe e reduzida.

Interpretação do pH e Características do Solo

A tabela abaixo resume as prováveis características do solo em função do pH em agua, fundamental para orientar a decisão de calagem:

pH em aguaClassificaçãoCaracterísticas Prováveis
< 4,5Acidez muito elevadaAl3+ muito alto, Ca e Mg muito baixos, risco severo de toxidez
4,5 – 5,0Acidez elevadaAl3+ alto, V% muito baixo, P indisponível, baixa atividade microbiana
5,1 – 5,5Acidez mediaAl3+ presente, calagem necessária para a maioria das culturas
5,5 – 6,0Acidez fracaAl3+ ausente, boa disponibilidade da maioria dos nutrientes
6,0 – 6,5Faixa idealpH ótimo para a maioria das culturas agrícolas
> 6,5AlcalinidadeQueda na disponibilidade de Zn, Cu, Fe e Mn; risco de supercalagem

Parâmetros Essenciais da Análise de Solo para Calagem

Antes de calcular a necessidade de calagem (NC), e preciso compreender os parâmetros fornecidos pelo laudo de analise química do solo. Todos os valores de cátions trocáveis devem estar expressos em cmolc/dm3 (equivalente a meq/100 cm3).

ParâmetroSímboloUnidadeO que representa
Alumínio trocávelAl3+cmolc/dm3Acidez trocável; toxico as raízes acima de 0,3 cmolc/dm3
Calcio trocávelCa2+cmolc/dm3Nutriente essencial; indicador de fertilidade básica
Magnésio trocávelMg2+cmolc/dm3Nutriente essencial; compõe a clorofila
Potássio disponívelK+mg/dm3Convertido para cmolc/dm3 dividindo por 391
Acidez potencialH+Alcmolc/dm3Soma da acidez ativa e reserva; base do calculo da CTC
Soma de basesSBcmolc/dm3SB = Ca + Mg + K + Na; bases retidas no complexo
CTC total (pH 7)Tcmolc/dm3T = SB + H+Al; capacidade total de troca de cátions
CTC efetivatcmolc/dm3t = SB + Al3+; CTC no pH natural do solo
Saturação por basesV%%V = (SB/T) x 100; indica fertilidade relativa
Saturação por Alm%%m = (Al/t) x 100; indica toxicidade por alumínio

Cálculos dos Parâmetros Derivados

Com os valores da analise, calculam-se os parâmetros derivados necessários para a calagem. O K+ e fornecido em mg/dm3 e precisa ser convertido para cmolc/dm3:

Fórmulas dos Parâmetros de Análise de Solo
K (cmolc/dm3)  =  K (mg/dm3) / 391  
SB  =  Ca2+  +  Mg2+  +  K+  +  Na+         
T   =  SB  +  (H+Al)                         
t   =  SB  +  Al3+                              

V%  =  (SB / T) x 100                         [%]
m%  =  (Al3+ / t) x 100                       [%]

Exemplo — Cálculo dos Parâmetros

Dados da analise (referencia do Manual do Incaper / Prezotti et al., 2007):

ParâmetroValor AnalíticoUnidade
pH em agua5,1
Al3+1,1cmolc/dm3
H+Al5,1cmolc/dm3
Ca2+1,2cmolc/dm3
Mg2+0,6cmolc/dm3
K+73mg/dm3
Matéria orgânica1,9dag/kg
Calculo dos Parametros Derivados
K (cmolc/dm3)  =  73 / 391  =  0,187 cmolc/dm3  

SB  =  1,2 + 0,6 + 0,187  =  2,0 cmolc/dm3
T   =  2,0 + 5,1           =  7,1 cmolc/dm3
t   =  2,0 + 1,1           =  3,1 cmolc/dm3  

V%  =  (2,0 / 7,1) x 100  =  28,2 %   => BAIXO (< 50%)
m%  =  (1,1 / 3,1) x 100  =  35,5 %   => MEDIO (risco moderado)

Métodos de Calculo da Necessidade de Calagem (NC)

A Necessidade de Calagem (NC) e a quantidade teórica de calcário com PRNT = 100% que deve ser incorporada por hectare, na camada de 0 a 20 cm, para corrigir a acidez do solo. Os dois métodos mais utilizados no Brasil são: Método da Saturação por Bases e Método do Alumínio + Ca/Mg trocáveis.

Veja também: PRNT do Calcário: O Que É e Por Que Importa na Calagem?

Método 1 — Saturação por Bases (V%)

E o método mais amplamente utilizado no Estado do Espirito Santo (5a aproximação — Prezotti et al., 2007) e também adotado em Minas Gerais e São Paulo. Baseia-se na elevação da saturação por bases atual do solo (V1) ate o valor exigido pela cultura (V2).

Formula — Metodo da Saturacao por Bases
NC  =  (V2 - V1) x T / 100  

Onde:  
NC  = Necessidade de calagem (t/ha de calcário PRNT 100%)  
V2  = Saturação por bases desejada pela cultura (%)  
V1  = Saturação por bases atual do solo (%)  
T   = CTC total a pH 7 (cmolc/dm3)

Valores de V2 recomendados por cultura

Grupo de CulturaV2 (%)Exemplos
Hortalicas exigentes75 – 80Tomate, pimentão, morango, melão, pepino
Hortalicas em geral70 – 75Alface, brócolis, cebola, cenoura, batata
Fruticulturas tropicais65 – 70Citros, banana, mamão, maracujá, goiaba
Café arabica60 – 65-
Café conilon55 – 65-
Culturas anuais55 – 60Milho, feijão, soja, sorgo, trigo
Arroz de sequeiro50-
Pastagens tropicais40 – 50Brachiaria, Panicum, Andropogon
Especies florestais40 – 50Eucalipto em produção
Plantio de eucalipto30Eucalipto — ano de implantação

Exemplo Completo — Método Saturação por Bases

Utilizando os dados de analise do item 3.1 (V1 = 28,2% e T = 7,1 cmolc/dm3) para a cultura do feijão (V2 = 60%):

Calculo — Feijao, V2 = 60%
NC  =  (V2 - V1) x T / 100

NC  =  (60 - 28,2) x 7,1 / 100

NC  =  31,8 x 7,1 / 100

NC  =  225,78 / 100 => NC  =  2,26 t/ha  (calcário PRNT 100%)

Para tomate (V2 = 70%):

Calculo — Tomate, V2 = 70%
NC  =  (70 - 28,2) x 7,1 / 100
NC  =  41,8 x 7,1 / 100 =>
NC  =  2,97 t/ha  (calcario PRNT 100%)

Método 2 — Alumínio + Calcio e Magnésio Trocáveis

Método adotado em Minas Gerais (CFSEMG, 5a Aproximação, 1999). Leva em conta simultaneamente: (a) a correção da toxicidade pelo alumínio e (b) a elevação dos teores de Ca + Mg ate o mínimo exigido pela cultura. A NC e a soma de duas parcelas: CA (correção do alumínio) e CD (correção da deficiência de Ca+Mg).

Formula — Metodo do Aluminio + Ca/Mg (CFSEMG)
NC  =  CA  +  CD  
CA  =  Y x       se CA < 0, usar CA = 0
CD  =  X - (Ca2+ + Mg2+)               se CD < 0, usar CD = 0  

Onde:  
Y  = Fator de tamponamento da acidez (função da textura ou P-rem)  
mt = Máxima saturação por Al3+ tolerada pela cultura (%)  
t  = CTC efetiva (cmolc/dm3)  
X  = Teor mínimo de Ca+Mg exigido pela cultura (cmolc/dm3)

Fator Y de Tamponamento por Textura do Solo

Textura do SoloArgila (%)Fator Y
Arenosa0 – 150,0 a 1,0  (media: 0,5)
Textura média15 – 351,0 a 2,0  (media: 1,5)
Argilosa35 – 602,0 a 3,0  (media: 2,5)
Muito argilosa60 – 1003,0 a 4,0  (media: 3,5)

Valores de mt e X para as principais culturas (CFSEMG)

Culturamt (%)X (cmolc/dm3)Ve (%)
Café arabica253,560
Milho / Sorgo152,050
Feijao / Soja202,050
Arroz sequeiro252,050
Cana-de-açúcar303,560
Mandioca301,040
Eucalipto (produção)301,540
Plantio de eucalipto451,030
Hortaliças (pepino, melão)53,580
Hortaliças em geral53,070
Banana103,070
Citros53,070
Pastagens (Brachiaria)301,040
Pastagens (Panicum)251,545

Exemplo Completo — Método Al3+ + Ca/Mg (CFSEMG)

Mesma analise do item 3.1 para a cultura do café arábica (mt = 25%, X = 3,5, Y = 2,5 para solo argiloso):

Calculo — Café arábica, Solo Argiloso
Dados: Al3+ = 1,1 | t = 3,1 | Ca+Mg = 1,8 | mt = 25% | X = 3,5 | Y = 2,5  

CA  =  Y x
CA  =  2,5 x [1,1 - (25 x 3,1 / 100)]
CA  =  2,5 x [1,1 - 0,775]
CA  =  2,5 x 0,325  =  0,81 t/ha  

CD  =  X - (Ca2+ + Mg2+)
CD  =  3,5 - 1,8  =  1,70 t/ha  
=> NC  =  CA + CD  =  0,81 + 1,70  =  2,51 t/ha  (PRNT 100%)
Dica: Qual metodo utilizar?
No Estado do Espirito Santo: use o Método da Saturação por Bases (Prezotti et al., 2007).

Em Minas Gerais: use o Método do Al3+ + Ca/Mg (CFSEMG, 1999).
Em São Paulo: o método e baseado em saturação por bases, com extrator Resina.
Sempre consulte o manual de recomendação do seu estado — os fatores de calibração foram desenvolvidos com experimentos locais e não devem ser trocados entre estados.

Da NC para a QC: Ajustes de PRNT, Profundidade e Superfície

A NC calculada corresponde a calcário com PRNT = 100%, incorporado em 20 cm de profundidade, em área total (100% da superfície). Na pratica, e necessário ajustar a dose conforme o PRNT do calcário utilizado, a profundidade real de incorporação e a fração da área que será corrigida.

Formula Geral da Quantidade de Calcario (QC)
QC  =  NC x (100 / PRNT) x (PF / 20) x (SC / 100)  

Onde:  
NC    = Necessidade de calagem (t/ha,
PRNT 100%)   PRNT  = Poder Relativo de Neutralização Total do calcário (%)  
PF    = Profundidade efetiva de incorporação (cm)  
SC    = Superfície coberta pela calagem (%)  
20    = Profundidade padrao de calculo (cm)

Correção pelo PRNT do Calcário

O PRNT combina o Poder de Neutralização (PN) com a Reatividade (RE) do calcário:

Grupo PRNTFaixa de PRNT (%)Caracteristica
Grupo A45 – 60%Calcario de baixa reatividade — doses maiores necessarias
Grupo B60,1 – 75%Calcario de reatividade media
Grupo C75,1 – 90%Calcario de boa reatividade
Grupo D> 90%Calcario de alta reatividade — doses menores
Exemplo: Ajuste pelo PRNT
NC calculada = 2,26 t/ha (PRNT 100%)

Calcário disponível: PRNT = 85%  

QC  =  2,26 x (100 / 85)  =  2,26 x 1,176  =  2,66 t/ha

Conversão da QC para Diferentes Situações de Campo

A dose calculada em t/ha pressupoe area total e incorporacao a 20 cm. Nas situacoes praticas, e frequente a necessidade de converter para: area com superficie parcial (faixas), aplicacao superficial sem incorporacao, metro linear de sulco ou cova de plantio.

Aplicação em Área Total com Incorporação (padrão)

Quando o calcário e distribuído a lanço sobre toda a superfície e incorporado com arado/grade ate a profundidade padrão de 20 cm, a QC calculada e diretamente a dose a aplicar. E a situação mais comum no preparo de solo para implantação de culturas anuais.

Aplicacao em Area Total — Incorporacao 20 cm
QC (t/ha)  =  NC x (100 / PRNT)  

Exemplo: NC = 2,66 t/ha, PRNT = 85%
QC  =  2,26 x (100/85)  =  2,66 t/ha  

Em g/m2: QC (g/m2) = QC (t/ha) x 100         
2,66 t/ha = 266 g/m2

Aplicação Superficial sem Incorporação

Em áreas já implantadas com pastagens ou culturas perenes, o calcário e aplicado na superfície sem incorporação mecânica. Nesse caso, a profundidade efetiva de correção e reduzida a aproximadamente 10 cm (metade da profundidade padrão). A dose deve ser reduzida proporcionalmente.

Aplicacao Superficial — Sem Incorporacao (PF = 10 cm)
QC sup  =  NC x (100 / PRNT) x (10 / 20)
QC sup  =  QC total / 2  

Exemplo: QC total = 2,66 t/ha
QC sup  =  2,66 / 2  =  1,33 t/ha  

Observação: a correção e mais lenta e deve ser repetida em intervalos menores.

Aplicação em Faixas (Culturas Perenes)

Em culturas perenes implantadas — como café, citros, banana — o calcário e aplicado apenas sob a copa das plantas (faixa de adubação), não em toda a entrelinha. Nesse caso, a superfície corrigida e proporcional a largura da faixa em relação ao espaçamento total.

Aplicacao em Faixas
SC (%)  =  (largura da faixa / espaçamento entre linhas) x 100  

QC faixa  =  NC x (100/PRNT) x (PF/20) x (SC/100)  

Exemplo: Café com espaçamento 3,0 x 1,0 m  
Faixa de aplicacao: 1,5 m de largura (sob a copa)  
SC = (1,5 / 3,0) x 100 = 50%  
QC faixa = 2,26 x (100/85) x (7/20) x (50/100)  
QC faixa = 2,26 x 1,176 x 0,35 x 0,50  =  0,46 t/ha  

Observaão: na faixa, a dose por m2 continua sendo 266 g/m2. A reducão e na quantidade total por hectare, não na densidade da faixa.

Exemplos de QC para diferentes frações de superfície (NC = 3 t/ha, PRNT = 90%)

Superfície Corrigida (SC)Situação TípicaQC (t/ha)
100%Área total, incorporado a 20 cm3,33
100%Área total, superficial (PF = 10 cm)1,67
75%Faixa sob copa, incorporado (café adensado)2,50
50%Faixa sob copa, superficial (café 3x1 m)0,83
33%Faixa sob copa, superficial (café 4x2 m)0,56

Conversão para Metro Linear de Sulco

Na adubacao de sulco de plantio (milho, soja, cana, hortaliças), e comum expressar as quantidades em gramas por metro linear de sulco. A conversao e feita com base no espacamento entre linhas.

Conversao para Metro Linear
Dose (g/m)  =  QC (kg/ha) x espaçamento entre linhas (m) / 10

Ou equivalentemente:
Dose (g/m)  =  / [10.000 m2/ha / espaçamento (m)]
            =  QC (kg/ha) x espaçamento (m) / 10  

Exemplo 1: QC = 3,0 t/ha = 3.000 kg/ha, espaçamento = 0,90 m   Dose = 3.000 x 0,90 / 10 = 270 g/m de sulco  

Exemplo 2: QC = 2,0 t/ha, espaçamento = 0,50 m   Dose = 2.000 x 0,50 / 10 = 100 g/m de sulco

Conversão de QC (t/ha) para g/m linear conforme espaçamento

QC (t/ha) \ Espacamento0,45 m0,60 m0,75 m0,90 m1,00 m1,20 m
1,0 t/ha45 g/m60 g/m75 g/m90 g/m100 g/m120 g/m
1,5 t/ha68 g/m90 g/m113 g/m135 g/m150 g/m180 g/m
2,0 t/ha90 g/m120 g/m150 g/m180 g/m200 g/m240 g/m
2,5 t/ha113 g/m150 g/m188 g/m225 g/m250 g/m300 g/m
3,0 t/ha135 g/m180 g/m225 g/m270 g/m300 g/m360 g/m
3,5 t/ha158 g/m210 g/m263 g/m315 g/m350 g/m420 g/m
4,0 t/ha180 g/m240 g/m300 g/m360 g/m400 g/m480 g/m
5,0 t/ha225 g/m300 g/m375 g/m450 g/m500 g/m600 g/m

Conversão para Cova de Plantio

No plantio de mudas de fruteiras, café, eucalipto e outras culturas perenes, o calcário complementar e aplicado diretamente na cova, misturado ao solo de enchimento. O calculo e feito por regra de três simples, com base no volume da cova em relação ao volume de solo de 1 ha (0-20 cm):

Calculo para Cova de Plantio
Volume de 1 ha (0-20 cm)  =  10.000 m2 x 0,20 m  =  2.000 m3  =  2.000.000 dm3  

Dose por cova (g)  =  QC (t/ha) x 1.000.000 / 2.000.000 x Volume da cova (dm3)

                   =  QC (t/ha) x Volume da cova (dm3) / 2  

Ou simplificado: Dose (g/cova) = QC (kg/ha) x Volume da cova (dm3) / 2.000  

Exemplo: Cova de café 40x40x40 cm = 64 dm3, QC = 3,3 t/ha (PRNT 90%)

Dose (g/cova)  =  3.300 kg/ha x 64 dm3 / 2.000  =  105,6 g/cova Arredondando: ~100 g/cova de calcário (PRNT 90%)

Dose de calcário por cova para diferentes volumes e QC

Volume da CovaQC 1,0 t/haQC 2,0 t/haQC 3,0 t/haQC 4,0 t/haQC 5,0 t/ha
20x20x20 cm (8 dm3)4 g8 g12 g16 g20 g
30x30x30 cm (27 dm3)14 g27 g41 g54 g68 g
40x40x40 cm (64 dm3)32 g64 g96 g128 g160 g
50x50x50 cm (125 dm3)63 g125 g188 g250 g313 g
60x60x60 cm (216 dm3)108 g216 g324 g432 g540 g

QC em Todas as Situações

A tabela abaixo consolida todos os cenários de aplicação para um exemplo fixo: NC = 3,0 t/ha (PRNT 100%), PRNT do calcário disponível = 85%, profundidade de incorporação variável.

Situação de AplicaçãoSC (%)PF (cm)QC (t/ha)QC (g/m2)
Área total — incorporado 20 cm100203,53353
Área total — incorporado 15 cm100152,65265
Área total — superficial (10 cm)100101,76176
Faixas 75% — incorporado 20 cm75202,65353 na faixa
Faixas 50% — superficial50100,88176 na faixa
Faixas 33% — superficial33100,58176 na faixa

Gessagem: Correção das Camadas Subsuperficiais

O gesso agrícola (CaSO4.2H2O) e indicado quando as camadas subsuperficiais (20-40 cm) apresentam limitações ao desenvolvimento radicular não corrigíveis pelo calcário convencional. O calcário e praticamente imóvel no solo após a aplicação, enquanto o SO42- do gesso consegue deslocar bases para camadas mais profundas.

Quando recomendar gessagem?
Recomenda-se gessagem quando a analise da camada 20-40 cm apresentar QUALQUER das condições abaixo:  

- Al3+ > 0,5 cmolc/dm3  (acidez toxica subsuperficial)
- Ca2+ < 0,4 cmolc/dm3  (deficiência critica de cálcio)
- Saturacao por Al (m) > 30%  

Especial atenção em solos arenosos, que tem maior risco de lixiviação de bases.

Calculo da Dose de Gesso

Metodo CFSEMG (1999) — baseado na NC da camada subsuperficial:

Dose de Gesso Agricola
NG  =  0,25 x NC(20-40 cm)   

Para camadas com espessura diferente de 20 cm:
QG  =  NG x (EC / 20)  

Onde: EC = espessura da camada a corrigir (cm)  

Exemplo:  
NC (20-40 cm) = 4,8 t/ha  =>  NG = 0,25 x 4,8 = 1,2 t/ha  

Para camada de 30 cm: QG = 1,2 x (30/20) = 1,8 t/ha de gesso  

Método simples por textura (INCAPER):   NG = 30% x NC(20-40 cm)

Veja também: Como a Gessagem Pode Melhorar a Estrutura Física do Solo?

Tipos de Calcário e como Escolher

Os calcários agrícolas se diferenciam pelo teor de Ca e Mg (composição química), pelo PRNT (eficiência de neutralização) e pela granulometria (velocidade de reação). A escolha deve considerar: disponibilidade local, custo por tonelada efetiva e exigência da cultura por magnésio.

Tipo de CalcarioMgO (%)Caracteristica PrincipalIndicado para
Calcario calcítico< 5%Rico em Ca; pouco Mg; mais comumSolos com Mg adequado
Calcario magnesiano5 – 12%Equilibrio Ca/Mg; uso geralUso geral, maioria das culturas
Calcario dolomitico> 12%Rico em Mg; ideal quando Mg e deficienteCulturas exigentes em Mg (tomate, caju, banana)

O custo real do calcário deve ser comparado pelo preço por tonelada efetiva:

Preco por Tonelada Efetiva (comparacao entre fontes)
Preço/t efetiva  =  (Preço na propriedade / PRNT) x 100  

Exemplo:   Calcário A: R$ 120/t, PRNT = 70%  => R$ 171/t efetiva   Calcário B: R$ 160/t, PRNT = 92%  => R$ 174/t efetiva   => Calcário A e mais econômico, apesar do preço bruto menor

Erros Comuns na Calagem e Como Evitar

Erro ComumConsequenciaComo Evitar
Supercalagem (pH > 7,0)Precipitação de P, Zn, Fe, Mn, Cu; queda de produtividadeCalcular NC corretamente; não adivinhar a dose
Aplicar sem incorporarCorreção superficial lenta; risco de volatilizaçãoIncorporar com grade ou arado antes do plantio
Calcário aplicado perto de ureiaVolatilização de NH3; perda de N > 50%Aguardar 30-60 dias após a calagem para adubar com N
Ignorar o PRNTDose insuficiente; desperdício de dinheiroSempre corrigir a dose pelo PRNT do calcário
Não coletar amostra corretamenteResultado errado; recomendação equivocadaSeguir normas de amostragem (0-20 cm, zig-zag, 20 pontos)
Calagem apenas superficial em pereneRaízes não aprofundam; seca severa mais impactanteComplementar com gessagem quando houver Al > 0,5 no subsolo

Referências

COMISSAO DE FERTILIDADE DO SOLO DO ESTADO DE MINAS GERAIS — CFSEMG. Recomendacoes para o Uso de Corretivos e Fertilizantes em Minas Gerais. 5a Aproximacao. Vicosa: CFSEMG, 1999. 359 p.

PREZOTTI, L.C.; GOMES, J.A.; DADALTO, G.G.; OLIVEIRA, J.A. Manual de Recomendacao de Calagem e Adubacao para o Estado do Espirito Santo. 5a Aproximacao. Vitoria: SEEA / INCAPER / CEDAGRO, 2007. 305 p.

PREZOTTI, L.C.; GUARCONI M., A. Guia de Interpretacao de Analise de Solo e Foliar. Vitoria: Incaper, 2013. 104 p.

NOVAIS, R.F.; ALVAREZ V., V.H.; BARROS, N.F.; FONTES, R.L.F.; CANTARUTTI, R.B.; NEVES, J.C.L. Fertilidade do Solo. Vicosa: Sociedade Brasileira de Ciencia do Solo, 2007. 1017 p.

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